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1.3 Curvas pseudo-holomorfas

1.3.1 Comportamento Assint´ otico

Em [26], Hofer, Wysocki e Zehnder estudam o comportamento das superf´ıcies furadas de energia finita nas vizinhan¸cas dos furos. No caso em que o limite de um furo (n˜ao-remov´ıvel) z ∈ Γ de uma superf´ıcie furada de energia finita ˜u : Σ \ Γ → R × M ´e uma ´orbita fechada P n˜ao-degenerada (sempre existe um limite, veja Teorema 1.53), observam que a superf´ıcie furada se aproxima, numa vizinhan¸ca pequena de z, de um cilindro trivial sobre P . Este aspecto ´e denominado comportamento assint´otico. A defini¸c˜ao abaixo torna esta no¸c˜ao mais precisa. Defini¸c˜ao 1.63. Sejam λ uma forma de contato definida numa 3-variedade fechada M , (Σ, j) uma superficie de Riemann, Γ⊂ Σ \ ∂Σ um conjunto finito e ˜u = (a, u) : Σ \ Γ → R × M uma superf´ıcie furada de energia finita. Fixe um furo n˜ao-remov´ıvel z ∈ Γ. Dizemos que z ∈ Γ ´e um furo n˜ao-degenerado deu se, fixada uma carta holomorfa ϕ : (U, 0)˜ → (ϕ(U), z) centrada em z e ˜u(s, t) := ˜u◦ ϕ(e−2π(s+it)), s  1, existem uma ´orbita fechada P = (x, T ) ∈ P(λ) e

constantesc, d∈ R tais que

(i) supt∈S1|a(s, t) − zT s− d| → 0, quando s → +∞, onde z =±1 ´e o sinal de (1.47);

(ii) u(s, t)→ x(zT t + c) na topologia usual de C0(S1, M ), quando s→ +∞;

(iii) seπ : T M → ξ ´e a proje¸c˜ao ao longo de Xλ eπ· du n˜ao ´e identicamente nulo sobre Σ \ Γ,

(iv) se ζ(s, t) ´e definido por u(s, t) = expx(zT t+c)ζ(s, t), ent˜ao existe b∈ R

+ tal que

sup

t∈S1

ebs|ζ(s, t)| → 0, quando s → +∞. (1.51)

Sez∈ Γ ´e um furo n˜ao-degenerado, dizemos que ˜u possui comportamento assint´otico em z. A ´orbita fechada P = (x, T ) ´e chamada de limite assint´otico de u em z˜ ∈ Γ e dizemos que ˜u ´e assint´otica `a P = (x, T ) em z∈ Γ.

Observa¸c˜ao 1.64. Esta defini¸c˜ao ´e independente da escolha da carta holomorfaϕ e da aplica¸c˜ao exponencialexp (veja [25]).

Lembre que uma ´orbita fechada P = (x, T ) ∈ P(λ) ´e n˜ao-degenerada quando 1 n˜ao ´e autovalor de dφT

ξx(0) : ξx(0) → ξx(T ), onde{φt}t∈R´e o fluxo de Reeb. Uma forma de contato λ

´e n˜ao-degenerada quando todas as ´orbitas fechadas de Reeb em P(λ) s˜ao n˜ao-degeneradas. O seguinte resultado ´e provado em [25].

Teorema 1.65([25]). Sejam ˜u = (a, u) : Σ\ Γ → R × M uma superf´ıcie furada de energia finita ez ∈ Γ furo (n˜ao-remov´ıvel). Seja ϕ : (U, 0) → (ϕ(U), z) uma carta holomorfa centrada em z tal como na Defini¸c˜ao 1.63. Sejam sn → +∞ uma sequˆencia e z =±1 o sinal de (1.47). Se

existeP = (x, T )∈ P(λ) n˜ao-degenerada tal que, para alguma subsequˆencia snk → +∞,

u(snk, t)

k→+∞

−−−−→ x(zT t + c), para algum c∈ R (1.52)

na topologia usual de C∞(S1, M ), ent˜aoz ´e um furo n˜ao-degenerado de u.˜

Em particular, temos a seguinte vers˜ao do Teorema 1.53 para o caso n˜ao-degenerado. Teorema 1.66([25]). Sejam ˜u = (a, u) : Σ\ Γ → R × M uma superf´ıcie furada de energia finita ez∈ Γ um furo (n˜ao-remov´ıvel). Seja ϕ : (U, 0) → (ϕ(U), z) uma carta holomorfa centrada em z tal como na Defini¸c˜ao 1.63. Sejam sn→ +∞ uma sequˆencia e z =±1 o sinal de (1.47). Se

existeP = (x, T )∈ P(λ) n˜ao-degenerada tal que, para alguma subsequˆencia snk → +∞,

u(snk, t)

k→+∞

−−−−→ x(zT t + c), para algum c∈ R (1.53)

na topologia usual de C∞(S1, M ), ent˜aou(s, t)−−−−→ x(s→+∞

zT t + c).

Invariantes Alg´ebricos

Em [26], Hofer, Wysocki e Zehnder introduzem os invariantes alg´ebricos windπ, wind∞

associados `as esferas furadas de energia finita com dλ-energia n˜ao-nula e comportamento as- sint´otico nos furos. Estes invariantes s˜ao ´uteis, por exemplo, quando desejamos verificar se uma esfera furada ´e uma imers˜ao ou se a proje¸c˜ao de uma esfera furada sobre a variedade de contato ´e um mergulho. Essencialmente, identificam os pontos em que a proje¸c˜ao n˜ao tem posto m´aximo (windπ) e o modo como a esfera furada gira ao redor do limite assint´otico (wind∞).

Seja λ uma forma de contato n˜ao-degenerada definida numa 3-variedade M . Fixe J J (λ) e seja ˜J satisfazendo (1.14). Sejam S2 = C∪ {∞} a esfera de Riemann, Γ ⊂ C um

conjunto finito e ˜u = (a, u) : S2\ {∞} ∪ Γ = C \ Γ → R × M uma esfera furada de energia

finita. Suponha que∞ ´e o ´unico furo positivo e Γ ´e constitu´ıdo pelos furos negativos de ˜u. Seja π : T M → ξ a proje¸c˜ao na dire¸c˜ao do campo de Reeb. Considere π · du como uma se¸c˜ao suave do fibradoE := Hom(T C \ Γ, u∗ξ) cuja fibra Hom

z(Tz C\ Γ, u∗zξu(z)) em z∈ C \ Γ ´e o espa¸co

das aplica¸c˜oes R-lineares entre Tz C\ Γ e u∗zξu(z). Como π· du satisfaz

π· du · i = J(u) · π · du, (1.54)

o Princ´ıpio da Similaridade de Carleman ([47, Teorema 2.3.5]) implica que Zπ(˜u) :={z ∈ C : π · du(z) = 0}

´e formado por pontos isolados quando π·du 6≡ 0 (veja [26, Proposi¸c˜ao 4.1]). Pelo comportamento assint´otico de ˜u nos furos {∞} ∪ Γ, se π · du 6≡ 0, temos que #Zπ(˜u) <∞. Note que os zeros

emZπ(˜u) coincidem as interse¸c˜oes entre π· du e a se¸c˜ao nula de E.

Defini¸c˜ao 1.67 ([26], Se¸c˜oes 4 e 5). Sejam λ uma forma de contato n˜ao-degenerada definida numa 3-variedadeM e ˜u = (a, u) : C\ Γ → R × M uma esfera furada de energia finita. Suponha que ∞ ´e o ´unico furo positivo e Γ ´e constitu´ıdo pelos furos negativos de ˜u. Se π · du 6≡ 0, definimos

windπ(˜u) := #Zπ(˜u), (1.55)

onde # denota a soma alg´ebrica dos zeros em Zπ(˜u).

Por defini¸c˜ao, windπ(˜u)≥ 0. Al´em disso, windπ(˜u) = 0 se e somente se π· du ´e n˜ao-nulo,

isto ´e, se e somente se duz tem posto m´aximo, para todo z∈ C \ Γ.

Seja ˜u = (a, u) : C\Γ → R×M uma esfera furada de energia finita cujo ´unico furo positivo ´e∞ e Γ ´e constitu´ıdo pelos furos negativos. Considere o fibrado dλ-simpl´etico u∗ξ→ C\Γ. Como

C\ Γ tem o tipo de homotopia de um buquˆe20de finitas c´opias de S1, a Proposi¸c˜ao 1.21 mostra que existe uma trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica para u∗ξ → C \ Γ. Seja Z : C \ Γ → uξ uma se¸c˜ao

n˜ao-nula. Para todo z ∈ Γ (n˜ao-remov´ıvel), escolha uma carta holomorfa ϕ : (U, 0) → (ϕ(U), z) centrada em z e escreva ˜u(s, t) := ˜u◦ ϕ(e−2π(s+it)), s 1.

Defini¸c˜ao 1.68 ([26], Se¸c˜oes 4 e 5). Sejam λ uma forma de contato n˜ao-degenerada definida numa 3-variedadeM e ˜u = (a, u) : C\ Γ → R × M uma esfera furada de energia finita tal como no par´agrafo acima. Fixe z ∈ Γ um furo n˜ao-remov´ıvel. Se π · du 6≡ 0 e z =±1 ´e o sinal de

z∈ Γ ∪ {∞} dado por (1.47), definimos

wind∞(˜u, z, Z) = lim

s→+∞wind (t7→ π∂su(s, zt), t7→ Z(u(s, zt))) , (1.56)

20Sejam (S1

j, xj)j∈{1,··· ,n}n c´opias de S1com pontos xj∈ Sj1selecionados. Um buquˆe de S1´e a uni˜ao

S

onde Z(u(s, zt)) = Z◦ u ◦ ϕ(e−2π(s+it)). Seguindo [26], definimos

wind∞(˜u, Z) = wind∞(˜u,∞, Z) −

X

z∈Γ

wind∞(˜u, z, Z). (1.57)

Observe que wind∞(˜u, z, Z), para todo z ∈ Γ ∪ {∞}, depende da classe de homotopia

de se¸c˜oes n˜ao-nulas α tal que Z ∈ α. Apesar disso, wind∞(˜u) ´e independente de α (veja [26]).

Tanto wind∞(˜u, z, Z), para todo z∈ Γ ∪ {∞}, quanto wind∞(˜u) independem da escolha de ϕ.

O seguinte resultado, provado em [26], relaciona os invariantes alg´ebricos windπ e wind∞.

Proposi¸c˜ao 1.69([26], Proposi¸c˜ao 5.6). Sejam λ uma forma de contato n˜ao-degenerada definida numa 3-variedadeM e ˜u = (a, u) : C\ Γ → R × M uma esfera furada de energia finita com um ´

unico furo positivo em∞, Γ constitu´ıdo pelos furos negativos e satisfazendo π · du 6≡ 0. Ent˜ao

windπ(˜u) = wind∞(˜u) + #Γ− 1, (1.58)

onde #Γ denota a cardinalidade de Γ.

No caso em que a esfera furada de energia finita ˜u no enunciado acima ´e um plano de energia finita (isto ´e, Γ = ∅), a f´ormula (1.58) se reduz a windπ(˜u) = wind∞(˜u)− 1. Em

particular, wind∞(˜u)≥ 1, visto que windπ(˜u)≥ 0.

F´ormula assint´otica

Seja λ uma forma de contato n˜ao-degenerada definida numa 3-variedade M . Fixe J J (λ) e considere ˜J satisfazendo as equa¸c˜oes (1.14). Recorde que, na Defini¸c˜ao 1.35, seguindo [26], introduzimos o operador assint´otico AP sobre ´orbitas fechadas P = (x, T ) ∈ P (λ). O

seguinte resultado mostra que os auto-valores do operador assint´otico sobre a ´orbita fechada limite assint´otico de um furo de uma superf´ıcie furada de energia finita ˜u fornecem informa¸c˜oes sobre o comportamento assint´otico de ˜u.

Teorema 1.70((F´ormula Assint´otica), [26]). Sejam λ uma forma de contato n˜ao-degenerada definida numa 3-variedadeM e π : T M → ξ a proje¸c˜ao na dire¸c˜ao do campo de Reeb Xλ. Sejam

(Σ, j) uma superf´ıcie de Riemann, Γ⊂ Σ\∂Σ um subconjunto finito e ˜u = (a, u) : Σ\Γ → R×M uma superf´ıcie furada de energia finita. Fixez∈ Γ um furo (n˜ao-remov´ıvel) e seja P = (x, T ) ∈ P(λ) o limite assint´otico de ˜u em z ∈ Γ. Escolha uma carta holomorfa ϕ : (Br(0), 0)→ (U, z)

centrada emz, onde U ´e uma vizinhan¸ca aberta de z. Escreva21:

• ˜u(s, t) = ˜u ϕ(e−2π(s+it)), para (s, t) ∈ R+× S1, se z ´e furo positivo;

• ˜u(s, t) = ˜u ϕ(e2π(s+it), para (s, t) ∈ R× S1, sez ´e furo negativo.

A menos de uma rota¸c˜ao da carta ϕ, podemos supor que ˜u(s, t)−−−−→ x(T t) na topologia usual|s|→∞ deC∞(S1, M ). Ent˜ao, ouπ· du ´e identicamente nulo, ou

21Vamos usar a identifica¸c˜ao R/Z

(i) se z ´e furo positivo, existe uma fun¸c˜ao suave n˜ao-nula f : R+× S1 → R tal que

lim

s→+∞f (s, t)π· ∂su(s, t) = η(t) na topologia usual de C ∞

(S1, ξ), (1.59)

onde η ´e uma auto-fun¸c˜ao de AP associada a um auto-valor β < 0;

(ii) se z ´e furo negativo, existe uma fun¸c˜ao suave n˜ao-nula f : R−× S1→ R tal que

lim

s→−∞f (s, t)π· ∂su(s, t) = η(t) na topologia usual de C

(S1, ξ), (1.60)

onde η ´e uma auto-fun¸c˜ao de AP associada a um auto-valor β > 0.

A seguir, vamos usar a f´ormula assint´oticapara relacionar o invariante alg´ebrico wind∞(˜u)

de uma esfera furada de energia finita ˜u com o ´ındice de Conley-Zehnder (generalizado) das ´

orbitas fechadas que s˜ao limites assint´oticos dos furos de ˜u. Lembre que estamos assumindo λ n˜ao-degenerada.

Fixe uma esfera furada de energia finita ˜w = (d, w) : C\ Γ → R × M tal que ∞ ´e o ´unico furo positivo e Γ ={z1,· · · , zN} ´e o conjunto de furos negativos. Seja P∞= (x∞, T∞)∈ Pc(λ)

o limite assint´otico de ˜w em ∞ e, para todo k ∈ {1, · · · , N}, seja Pk = (xk, Tk) ∈ Pc(λ) o

limite assint´otico de ˜w em zk. Como Pk, para todo k ∈ {1, · · · , N}, ´e contr´atil, existe um disco

cont´ınuo vk : D ⊂ C → M tal que vk(e2πit) = x(Tkt), t ∈ R/Z. Repare que uma trivializa¸c˜ao

dλ-simpl´etica Ψk : vk∗ξ → D × C fixa uma classe de homotopia de trivializa¸c˜oes dλ-simpl´eticas

αk∈ SP para o fibrado simpl´etico (xTk)

ξ → R/Z. Esta classe ´e independente da trivializa¸c˜ao

dλ-simpl´etica Ψk: vk∗ξ→ D × C. Vamos usar os discos vkpara construir (i) um disco cujo bordo

´e P∞e (ii) uma trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica de (xT∞)

ξ

→ R/Z. Mais precisamente, seja C \ Γ a compactifica¸c˜ao de C\ Γ obtida por adicionar c´opias de S1 nas singularidades Γ∪ {∞} e denote

por ¯w a extens˜ao cont´ınua de w sobre C\ Γ. Seja η : D → M um disco cont´ınuo tal que

η(D) = ¯w(C\ Γ) ∪k∈{1,··· ,N }vk(D).

A n˜ao-degenerescˆencia de λ implica que η : D → M ´e um disco cont´ınuo tal que η(e2πit) =

x∞(T∞t) (Teorema 1.66). Seja Ψ : η∗ξ → D × C uma trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica. Observe que,

por constru¸c˜ao, Ψ induz uma trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica de (xTk)

ξ → R/Z na classe especial

αk∈ SP fixada acima.

Seja Z : D → η∗ξ a se¸c˜ao n˜ao-nula definida como Z(p) = Ψ−1(p, ∂

x), p ∈ D, onde

Ψ : η∗ξ → D × C ´e a trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica constru´ıda acima. Sejam

wind∞(˜u,∞) = wind∞(˜u,∞, Z) e wind∞(˜u, zk) = wind∞(˜u, zk, Z),

para todo zk ∈ Γ, k ∈ {1, · · · , N} (veja defini¸c˜oes na Subse¸c˜ao 1.3.1). Considere os operadores

assint´oticosAP∞e APk, para todo k∈ {1, · · · , N} (veja Defini¸c˜ao 1.35), e sejam LP∞e LPk, para

todo k ∈ {1, · · · , N}, os operadores induzidos por Ψ (veja (1.37)). Para todo k ∈ {1, · · · , N}, denote por Spec(LP∞) e Spec(LPk) os espectros, respectivamente, de LP∞ e LPk e escolha auto-

valores β∞neg e βkpos satisfazendo

β∞neg= max{β∞∈ Spec(LP∞) : β∞< 0},

βkpos= max{βk∈ Spec(LPk) : βk> 0}, para todo k ∈ {1, · · · , N}.

(1.61)

Se νneg : S1 → C ´e um autovetor correspondente ao autovalor βneg, definimos o n´umero de

rota¸c˜ao wind(βneg) de νneg em rela¸c˜ao `a trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica ¯Ψ. Lembre que wind(βneg)

´e independente do autovetor νneg.

Lema 1.71 ([26, 39]). Seja ˜w = (d, w) : C\ Γ → R × M uma esfera furada de energia finita, onde∞ ´e o ´unico furo positivo e Γ = {z1,· · · , zN} ´e o conjunto de furos negativos. Suponha que

π· dw 6≡ 0, onde π : T M → ξ ´e a proje¸c˜ao na dire¸c˜ao do campo de Reeb. Seja P∞= (x∞, T∞)∈

Pc(λ) o limite assint´otico de w em˜ ∞ e, para todo k ∈ {1, · · · , N}, seja P

k = (xk, Tk) ∈ Pc(λ)

´e o limite assint´otico dew em z˜ k. S˜ao verdadeiras as seguintes afirma¸c˜oes:

(i) wind∞( ˜w,∞) ≤ wind (β∞neg)

(ii) wind∞( ˜w, zk)≥ wind (βzposk ), para todo k∈ {1, · · · , N}.

Esbo¸co da Demonstra¸c˜ao: (i) Introduza coordenadas holomorfas ϕ : (B1(0), 0) → (V, ∞),

onde V ´e o complemento de algum compacto K ⊂ C tal que Γ ⊂ K. Por abuso de nota¸c˜ao, escrevemos

˜

w(s, t) = ˜w(ϕ(e−2π(s+it)))

para (s, t)∈ R+× S1. Pelo item (i) do Teorema 1.70, existe f : R+× S1 → Rtal que

lim

s→+∞f (s, t)π· ∂sw(s, t) = η(t) na topologia usual de C ∞

(S1, ξ) (1.62)

onde η ´e um autovetor do operador assint´otico AP∞ associado a algum autovalor β < 0. A

defini¸c˜ao de wind∞(˜u,∞) e a convergˆencia em (1.62) implicam wind∞( ˜w,∞) = wind(β). Pelo

item (iii) do Lema 1.30, wind(β)≤ wind(βneg). Isto conclui a prova de (i).

(ii) A prova deste item ´e por um argumento an´alogo ao anterior tendo em vista o item (ii) do

Teorema 1.70. 

O resultado a seguir fornece estimativas ´uteis para wind∞.

Lema 1.72. Sejaw = (d, w) : C˜ \ Γ → R × M uma esfera furada de energia finita, onde ∞ ´e o ´

unico furo positivo eΓ ={z1,· · · , zN} ´e o conjunto de furos negativos. Suponha que π · dw 6≡ 0,

onde π : T M → ξ ´e a proje¸c˜ao na dire¸c˜ao do campo de Reeb. Seja P∞ = (x∞, T∞) ∈ Pc(λ) o

limite assint´otico de w em˜ ∞ e, para todo k ∈ {1, · · · , N}, seja Pk = (xk, Tk) ∈ Pc(λ) o limite

assint´otico dew em z˜ k. S˜ao verdadeiras as seguintes afirma¸c˜oes:

(i) se µCZ(P∞)≤ 1, ent˜ao wind∞( ˜w,∞) ≤ 0;

(ii) se µCZ(Pk)≥ 2, para algum k ∈ {1, · · · , N}, ent˜ao wind∞( ˜w, zk)≥ 1;

(iii) se µCZ(Pk)≥ 3, para algum k ∈ {1, · · · , N}, ent˜ao wind∞( ˜w, zk)≥ 2.

de rota¸c˜ao de um auto-vetor νneg : S1 → C para βneg. Pelo Teorema 1.31, o ´ındice de Conley-

Zehnder generalizado ´e

µCZ(P ) = 2wind(βneg) + p, p∈ {0, 1} (1.63)

Se P satisfaz µCZ(P )≤ 1, ent˜ao wind(βneg)≤ 0. Como wind∞( ˜w,∞) ≤ wind(βneg), conclu´ımos

wind∞( ˜w,∞) ≤ 0.

(ii) Suponha que, para algum k ∈ {1, · · · , N}, tenh´amos µCZ(Pk) ≥ 2. Seja βkpos definido em

(1.61) e considere wind(βkpos). Ent˜ao wind∞( ˜w, zk) ≥ wind(βkpos) ≥ 1, onde a ´ultima desigual-

dade segue do Lema 1.30.

(iii) Suponha que µCZ(Pzk) ≥ 3, para algum k ∈ {1, · · · , N}. Ent˜ao ou µCZ(Pzk) ≥ 4 ou

µCZ(Pzk) = 3. No primeiro caso, (1.63) e o item (i) do Lema 1.71 implicam wind∞( ˜w, zk)≥ 2.

No segundo caso, temos wind(βnegk ) = 1 e a paridade p = 1. Lembre que p = 12(1 + (−1)b) e

b ´e o n´umero de auto-valores β ∈ Spec(LPk)∩ (−∞, 0) contados com multiplicidade tais que

wind(β) = wind(βneg). Como p = 1, temos que b = 2 e, portanto, para todo β > 0, verificamos

wind(β) > wind(βkneg) = 1. O item (ii) do Lema 1.71 conclui o argumento.