3.3 Demonstra¸c˜ ao do Teorema 3.8
3.3.3 Final da Demonstra¸c˜ ao do Teorema 3.8
Nos casos negativo e positivo, estendemos a forma de contato λ, inicialmente definida em M , sobre o preenchimento de Dehn Mν. Nas subse¸c˜oes seguintes, vamos concluir as demons-
tra¸c˜oes das Proposi¸c˜oes 3.9 e 3.10. Isto completar´a a prova do Teorema 3.8.
Final da demonstra¸c˜ao da Proposi¸c˜ao 3.9
Na Se¸c˜ao 3.3.1, constru´ımos um preenchimento de Dehn de contato Mνpara a 3-variedade
de contato M . Aqui ν ´e uma dire¸c˜ao sobre ∂M . Lembre que cuidadosamente estendemos a forma de contato λ sobre Mν. Denotamos esta extens˜ao por λ1. No Lema 3.20, constru´ımos uma ´orbita
fechada P1 = (x1, T1) ∈ Pc(λ1) e, no Lema 3.21, exibimos um mergulho uP1 : D → Mν cujo
bordo ´e a ´orbita fechada P1. Verificamos que ρ(P1, uP1) < 1. No Apˆendice E, mostramos
que existe uma perturba¸c˜ao de λ1, ainda denotada por λ1, constante sobre M , tal que λ1 ´e
n˜ao-degenerada e P1 ´e ´orbita fechada (n˜ao-degenerada) da forma de contato perturbada. Isto
implica, em particular, que µCZ(P1, uP1) ≤ 1 (veja Lema 2.5). A grosso modo, estamos no
contexto da demonstra¸c˜ao da Proposi¸c˜ao 2.6 do Cap´ıtulo 2.
Observa¸c˜ao 3.30. Como durante toda esta subse¸c˜ao trabalharemos com o caso negativo (isto ´e, estaremos no contexto da Proposi¸c˜ao 3.9), vamos simplificar as nota¸c˜oes λ1, P1 = (x1, T1) e
uP1 e escrever apenas λ, P = (x, T ) e uP.
Nosso primeiro objetivo ´e construir uma fam´ılia de Bishop de maneira an´aloga `a es- trat´egia de prova da Proposi¸c˜ao 2.6. Faremos uma exposi¸c˜ao resumida desta constru¸c˜ao, para os detalhes, sugerimos o Cap´ıtulo 2. Sejam J ∈ J (λ) e ˜J uma estrutura quase-complexa R- invariante em R× Mν definida por
( ˜ J(a,p) ∂a = Xλ(p) ˜ J(a,p)|ξp = Jp, (3.34)
para todo (a, p) ∈ R × Mν, onde ∂a ´e a dire¸c˜ao real em R× Mν. Considere uma perturba¸c˜ao
especial (lembre que P ´e simplesmente recoberta). SejaD := uP(D) e e+ a ´unica singularidade
el´ıptica real e positiva de FD
ξ . SejaMJ o conjunto dos discos ( ˜J-holomorfos) de energia finita,
denominado familia de Bishop, satisfazendo as seguintes condi¸c˜oes: ˜
u = (a, u) : D→ R × Mν ´e um mergulho;
a(∂D)≡ 0, u(∂D) ⊂ D \ {e+};
wind(u(∂D), e+) = +1;
u(∂D)∩ ∂D = ∅.
(3.35)
Observa¸c˜ao 3.31. J´a observamos que existe J0 ∈ J (λ) tal que MJ0 ´e n˜ao-vazio (veja Se¸c˜ao
2.3.1). Pela transversalidade autom´atica das solu¸c˜oes em MJ0, podemos escolher J ∈ Jgen de
modo queMJ ´e n˜ao-vazio. AquiJgen⊂ J (λ) ´e um subconjunto residual constru´ıdo de maneira
an´aloga `a Se¸c˜ao 1.3.4. EsteJ pode ser escolhido arbitrariamente pr´oximo deJ0. At´e o fim desta subse¸c˜ao, consideraremos J ∈ Jgen pr´oximo de J0 fixado e escreveremos apenas M.
Fixe uma m´etrica Riemanniana g em Mν e uma folha l∈ FξD. Denote por τ∗ o compri-
mento da folha l relativo `a m´etrica g. Seguindo [35, 39], definimos a fun¸c˜ao τ :M → R+
˜
u7→ τ(˜u) (3.36)
que associa a cada ˜u ∈ M o comprimento τ(˜u), medido em rela¸c˜ao `a g, do segmento sobre l entre a singularidade e+ e a interse¸c˜ao entre l e ˜u ∈ M (veja a Se¸c˜ao 2.3.1 para os detalhes).
Fixe um disco de energia finita ˜w0∈ M na fam´ılia de Bishop M, pr´oximo de e+ e satisfazendo
˜
w0(D)∩ (R × x(R)) = ∅. (3.37)
Lembre que a a¸c˜ao por reparametriza¸c˜ao dos biholomorfismos do disco G = G(D) em M induz um quocienteM/G. Seja Y a componente conexa de M/G tal que Π( ˜w0)∈ Y, onde Π : M →
M/G ´e a proje¸c˜ao de M sobre quociente M/G. Podemos supor que todos os elementos ˜u ∈ M tais que Π(˜u)∈ Y satisfazem (3.37). Isto ´e consequˆencia do Teorema 2.12. Considere a restri¸c˜ao da fun¸c˜ao τ definida em (3.36) `a componente Π−1(Y) e defina
τmax:= sup ˜
u∈Π−1(Y)
τ (˜u). (3.38)
Note que τmax≤ τ∗. Seja τn→ τmax uma sequˆencia e escolha
˜
un= (an, un)∈ Π−1(Y) satisfazendo τ(˜un) = τn. (3.39)
Sejam l1 := l, li e l−1, onde 1, i,−1 ∈ C, folhas da folhea¸c˜ao caracter´ıstica FξD duas a duas
distintas e positivamente ordenadas. A menos de reparametriza¸c˜oes por biholomorfismos do disco em G = G(D), podemos supor que
un(1)∈ l1, un(i)∈ li, un(−1) ∈ l−1. (3.40)
´e o conte´udo do Teorema 2.13. Por um argumento an´alogo `a prova do Lema 2.14, existe uma subsequˆencia ˜unktal que #Γ0 <∞ e existe um disco furado de energia finita ˜u0 : D\Γ0 → R×Mν
tal que ˜unk → ˜u0 na topologia usual de C
∞
loc(D\ Γ0, R× Mν). Veremos que Γ0 ´e n˜ao-vazio e ˜u0
´e solu¸c˜ao do seguinte problema de valor sobre o contorno ˜
u = (a, u) : D\ Γ → R × Mν ´e um mergulho;
¯
∂J˜(˜u) = 0, a(∂D)≡ 0, u(∂D) ⊂ D \ {e+};
wind(u(∂D), e+) = +1, R
D\Γu
∗dλ > 0;
todo z ∈ Γ ´e um furo negativo.
(3.41)
Nosso primeiro passo na dire¸c˜ao de provar que ˜u0 satisfaz (3.41) ´e demonstrar o seguinte
lema. Este resultado ´e o correspondente, para este contexto, dos Lemas 2.20 e 2.23.
Lema 3.32. Sejau˜0: D\ Γ0 → R × Mν o disco furado de energia finita fixado acima. Ent˜aou˜0
satisfaz Γ0 6= ∅, a0(∂D)≡ 0, u0(∂D)⊂ D \ {e+} e wind(u0(∂D), e+) = +1.
Demonstra¸c˜ao. A prova de que Γ0 6= ∅ ´e uma adapta¸c˜ao trivial da prova do Lema 2.20.
As demais propriedades s˜ao consequˆencias da convergˆencia ˜unk → ˜u0 na topologia usual de
Cloc∞(D\ Γ0, R× Mν) e do fato de P ser simplesmente recoberta.
Fixe C ∈ R∗
+satisfazendo C ≥ A(D). Lembre que D = uP(D), onde uP ´e o disco especial
fixado acima, eA(D) ´e a dλ-´area de D definida por
A(D) = Z
D
|u∗Pdλ|. (3.42)
Escolha σ(C) ∈ R∗+ conforme (3.29). A n˜ao-degenerescˆencia de λ implica que σ(C) est´a bem definido. Fixe um furo negativo z0∈ Γ0 do disco de energia finita ˜u0 : D\Γ0 → R×Mν. Escolha
> 0 tal que m(z0)− m(z0) 6 σ(C)2 . Aqui m(z0) = lim→0+m(z0),
m(z0) = lim n→∞
Z
∂B(z0)
u∗nλ (3.43)
e ∂B(z0) est´a orientado no sentido anti-hor´ario. Para todo n∈ N, fixe zn∈ B(z0) tal que
an(zn) = inf z∈B(z0) an(z) e δn∈ R+ tal que R B(z0)\Bδn(zn)u ∗
ndλ = σ(C). J´a observamos na Se¸c˜ao 2.3.2 que as sequˆencias
zn, δnescolhidas desta forma est˜ao bem-definidas e satisfazem zn n→∞
−−−→ z0, δn n→∞
−−−→ 0+. Escolha
Rn→ +∞ tal que BRnδn(zn)⊂ B(z0) e defina uma sequˆencia de curvas ˜J-holomorfas
˜
vn= (bn, vn) : BRn(0)→ R × Mν
z7→ (an(zn+ δnz)− an(zn+ 2δn), un(zn+ δnz)).
(3.44)
A sequˆencia ˜vn ´e uma sequˆencia germinante. Observe que ˜vn satisfaz vn(BRn(0))∩ x(R) = ∅.
Isto ´e consequˆencia da escolha da sequˆencia ˜un= (an, un) : D→ R × Mν na fam´ılia de Bishop
finito Γ0 ⊂ C, constitu´ıdo pelos pontos de bubbling-off, e uma esfera furada de energia finita
˜
v := (b, v) : C\ Γ0 → R × M
ν tal que ˜vnk → ˜v na topologia usual de C
∞
loc(C\ Γ0, R× Mν).
Lembre que ˜v ´e um limite n˜ao-constante para a sequˆencia ˜vn. Seja P∞ = (x∞, T∞) ∈ P(λ)
o limite assint´otico de ˜v em ∞. J´a verificamos que se Pz0 = (xz0, Tz0) ∈ P(λ) ´e o limite
assint´otico do disco de energia finita ˜u0 em z0 ∈ Γ0, ent˜ao Pz0 = P∞. Isto significa que o limite
assint´otico de ˜v no furo positivo em ∞ coincide com o limite assint´otico de ˜u0 no furo negativo
z0∈ Γ0. Seja F a ´arvore de bubbling-off associada `a ˜vn e ˜v. Como F fornece um disco cont´ınuo
u : D→ Mν para toda ´orbita fechada ¯P = (¯x, ¯T )∈ OF e µCZ( ¯P , u)≥ 2 (veja Lema 3.25), temos
que µCZ(Pz0, uz0)≥ 2 para um disco cont´ınuo uz0 : D→ Mν induzido por F. Este fato ´e v´alido
para todo z∈ Γ0. Recorde que a ´orbita fechada P satisfaz µCZ(P, uP)≤ 1, onde uP : D→ Mν
´e um disco especial conforme Lemas 3.21 (veja tamb´em Lema B.9). Estas estimativas sobre os ´ındices µCZ das ´orbitas P e Pz0 implicam que ˜u0 n˜ao pode ser um semi-cilindro sobre uma
´
orbita fechada, isto ´e, ˜u0 = (a0, u0) satisfaz π· du06≡ 0. Este ´e o conte´udo do lema a seguir cuja
demonstra¸c˜ao ´e uma adapta¸c˜ao da prova do Lema 2.21.
Lema 3.33. O disco furado de energia finita u˜0 = (a0, u0) : D\ Γ0 → R × Mν tem dλ-energia
n˜ao-nula, isto ´e,R
D\Γ0u
∗
0dλ > 0.
Demonstra¸c˜ao. Suponha, por contradi¸c˜ao, que π· du0 ≡ 0. Como ˜u0 ´e n˜ao-constante e o
disco especial D cont´em apenas uma ´orbita fechada de Reeb (que ´e justamente P = (x, T )), ent˜ao u0(D\ Γ0) = x(R). Pelo Lema 1.59, existem F : D \ {0} → R × Mν dada por z =
e2π(s+it)7→ (T s, x(T t)) e uma fun¸c˜ao ϕ : D → D holomorfa satisfazendo ˜u
0 = F◦ϕ, Γ0= ϕ−1(0)
e wind(ϕ
∂D, 0) = 1. Este ´ultimo fato ´e consequˆencia do Lema 3.32. Consequentemente, ϕ ´e um
biholomorfismo do disco D e, portanto, #Γ0 = 1. A menos de uma reparametriza¸c˜ao, podemos
supor que Γ0 ={0}. Seja ˜P = (˜x, ˜T )∈ Pc(λ) o limite assint´otico de ˜u0 no furo negativo 0∈ Γ0.
Como π· du0 ≡ 0, ent˜ao x(R) = ˜x(R). Isto significa que a ´orbita fechada ˜P ´e uma k-iterada,
k∈ Z∗+, da ´orbita fechada P = (x, T ). Como P ´e simplesmente recoberta, o Teorema de Stokes implica que k = 1 (veja Lema 2.21) . Fixe r0 > 0 pequeno e seja γ0 : R/Z → Mν dada por
γ0(t) = u0(r0e2πrt). Tamb´em definimos γn : R/Z→ Mν satisfazendo γn(t) = un(r0e2πrt), para
todo n∈ N. Como ˜unk → ˜u0 na topologia usual de C
∞
loc(D\ {0}, R × Mν), segue que γnk → γ0
na topologia usual de C∞(S1, M
ν). Como ˜un s˜ao discos de energia finita na fam´ılia de Bishop
e γn ´e bordo do disco
Dn:={p ∈ Mν : p = un(re2πrt), r≤ r0 e t∈ R/Z},
conclu´ımos que o disco cont´ınuo u : D→ Mν induzido pela ´arvore de bubbling-off para a ´orbita
fechada P ´e homot´opico ao disco especial D = uP(D) fixado acima. Mas, isto implica que
2 ≤ µCZ(P, u) = µCZ(P, uP) ≤ 1, onde a primeira desigualdade segue do Corol´ario 3.26 e a
´
ultima ´e consequˆencia da constru¸c˜ao feita na Se¸c˜ao 3.3.1 para o caso negativo. Esta contradi¸c˜ao conclui a prova de queR
D\Γ0u
∗
0dλ > 0.
Lema 3.34. O disco furado de energia finita u˜0 = (a0, u0) : D\ Γ0 → R × Mν ´e um mergulho.
Demonstra¸c˜ao. A demonstra¸c˜ao da primeira parte ´e an´aloga `a prova do Lema 2.24. A segunda parte, segue da escolha de J ∈ Jgen tal como a prova do Lema 2.25.
O lema anterior conclui a prova de que ˜u0 ´e um mergulho solu¸c˜ao do problema (3.41).
Seja ˜vna sequˆencia germinante associada ao furo z0 e definida tal como em (3.44). Sabemos que
existe uma subsequˆencia ˜vnk, um conjunto finito Γ
0 ⊂ C, constitu´ıdo dos pontos de bubbling-off,
e uma esfera furada de energia finita n˜ao-constante ˜v := (b, v) : C\ Γ0 → R × M
ν tal que ˜vnk → ˜v
na topologia usual de Cloc∞(C\ Γ0
, R× Mν). Observe que a sequˆencia germinante ˜vn est´a nas
condi¸c˜oes do Lema 3.27. Isto implica que existe um plano de energia finita ˜v0 : C→ R×Mν cujo
limite assint´otico P0 = (x0, T0) ∈ Pc(λ) no furo positivo em ∞ satisfaz µCZ(P0, ¯v0) = 2. Aqui
¯
v0 ´e a extens˜ao de v0 sobre C. Repare que P = (x, T ) ∈ P(λ) satisfaz vn(BRn(0))∩ x(R) = ∅,
para todo n ∈ N. Isto implica que v0(C)∩ x(R) = ∅. Al´em disso, como µCZ(P, uP) ≤ 1
e µCZ(P0, ¯v0) = 2, as ´orbitas fechadas P e P0 poder´ıam coincidir somente se P0 = (x, 2T ),
isto ´e, se P0 fosse uma 2-iterada de P = (x, T ). Neste caso, o Teorema 1.77 implicaria que
¯
v0 : C→ Mν\ P ´e um 2-disco para a ´orbita fechada P de modo que P seria tanto um n´o-trivial
quanto 2-n´o trivial, contradizendo o Lema 1.10. Isto mostra que P e P0 s˜ao distintas e n˜ao-
enla¸cadas. Como as ´orbitas fechadas de Reeb contidas em Mν\ (M \ ∂M) est˜ao enla¸cadas em
P (veja Lema 3.21), completamos a prova do seguinte lema:
Lema 3.35. Sejam ˜v0 = (b0, v0) : C→ R × Mν o plano de energia finita obtido acima e P0 =
(x0, T0)∈ Pc(λ) o limite assint´otico dev˜0 no ´unico furo positivo∞. Ent˜ao x0(R)⊂ M \ ∂M.
O lema anterior combinado com o Lema 3.36 provado na Se¸c˜ao 3.3.2 mostram que a proje¸c˜ao de ˜v0 em Mν est´a contida em M . Mais precisamente,
Proposi¸c˜ao 3.36. Sejam v˜0 = (b0, v0) : C → R × Mν o plano de energia finita obtido acima
e P0 = (x0, T0) ∈ Pc(λ) o limite assint´otico de v˜0 em ∞. Ent˜ao v0(C) ⊂ ˚M . Em particular,
µCZ(P0, u) = 2, para todo u : D→ M satisfazendo u(e2πit) = x0(T0t), para todo t∈ S1 ' R/Z.
Com a proposi¸c˜ao anterior, conclu´ımos a prova da Proposi¸c˜ao 3.9. Isto encerra tamb´em a prova do caso negativo do Teorema 3.8. Em s´ıntese, constatamos que se o campo de Reeb ´e verticalmente negativo (veja Defini¸c˜ao 3.7) sobre o bordo ∂M , a dinˆamica de Reeb sobre ∂M for¸ca a existˆencia de uma ´orbita fechada contr´atil contida no interior de M satisfazendo µCZ = 2.
Observe que esta ´e a ´unica situa¸c˜ao poss´ıvel.
Final da demonstra¸c˜ao da Proposi¸c˜ao 3.10
Nesta subse¸c˜ao, vamos estudar o caso verticalmente positivo. Lembre que M ´e uma 3-variedade compacta cujo bordo ´e difeomorfo ao toro munida de uma forma de contato λ que ´e tight e n˜ao-degenerada. Supomos tamb´em que M admite um modelo local do tipo (f, h+)
pr´oximo ao bordo ∂M . Assumimos que M cont´em um n´o trivial simplesmente enla¸cado, satisfaz c1
π2(M )(ξ)≡ 0 e o bordo ∂M ´e invariante pelo fluxo de Reeb.
Na Se¸c˜ao 3.3.1, constru´ımos um preenchimento de Dehn Mν = M ∪ν Vν. Aqui ν ´e uma
λ sobre Mν. Sejam λ2 esta extens˜ao e ξ2= ker λ2 a estrutura de contato induzida. Verificamos
que existe uma ´orbita fechada P2 = (x2, T2)∈ Pc(λ2) contida na espinha de T e constru´ımos um
disco mergulhado uP2 : D→ Mν cujo bordo ´e P217. Pela demonstra¸c˜ao do Lema 3.23, a varia¸c˜ao
angular, em rela¸c˜ao ao campo normal ∂n(sobre o bordo x(R)), das ´orbitas pr´oximas de P ´e 2πq,
para algum q∈ R∗+. Sejam Z : D→ (uP)∗ξ uma se¸c˜ao n˜ao-nula e Z
∂D: ∂D→ (xT)
∗ξ a restri¸c˜ao
de Z ao bordo ∂D. Aqui xT(t) = x(T t). Como sl(P, uP) = −1, a varia¸c˜ao angular da ´orbitas
pr´oximas de P em rela¸c˜ao `a se¸c˜ao Z
∂D ´e 2π(q + 1). Nossa constru¸c˜ao permite fixar q ∈ R ∗ +
arbitrariamente (veja Se¸c˜ao 3.3.1). Seja ∈ R∗
+tal que 1 e escolha q ∈ (, 1−). Denote por
Ψ : (xT)∗ξ→ S1× C a trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica induzida por Z
∂D. Seja ϕ∈ C ∞ (R, Sp(1)) a aplica¸c˜ao satisfazendo ϕ(0) =1 e ϕ(t) = Ψt◦ dφT t ξ(0)◦ (Ψ0) −1
onde {φt}t∈R denota o fluxo de Reeb de λ e dφT t
ξ(0) : ξ(0) → ξ(T t) ´e a aplica¸c˜ao fluxo
linearizado restrito `a estrutura de contato. Sejam θ : R× R → R tal que ϕ(t)ei2πs ∈ R+eiθ(t,s),
θ(0, s) = 2πs, e ∆ : [0, 1]→ R dada por ∆(s) = θ(1,s)−2πs2π , e considere o intervalo de varia¸c˜ao I(ϕ) := {∆(s) : s ∈ [0, 1]}. Pela escolha de q ∈ (, 1 + ), podemos supor que I(ϕ) satisfaz I(ϕ)⊂ (1, 2). Pelo Lema E.1, a menos de uma perturba¸c˜ao que ´e contante sobre M, temos que a forma de contato λ ´e n˜ao-degenerada. Esta perturba¸c˜ao pode ser escolhida arbitrariamente pequena e invariante sobre P . Isto implica, pela no¸c˜ao de ´ındice de Conley-Zehnder geom´etrico (veja Se¸c˜ao 1.2.2), que µCZ(P, uP) = 3. O lema B.9 garante que podemos perturbar o disco
(mergulhado) uP e obter um disco (mergulhado) especial para P . De agora em diante, supomos
este disco fixado. Note que o (novo) disco uP ´e homot´opico ao disco mergulhado constru´ıdo no
Lema 3.24.
Lembre que a tese da Proposi¸c˜ao 3.10 ´e a seguinte: ou existe uma ´orbita fechada P0 =
(x0, T0)∈ Pc(λ) e um disco u : D→ M tal que u
˚
D: ˚D→ M, onde ˚D = D\ ∂D, ´e transversal ao
campo de Reeb e µCZ(P0, u) = 2, ou existe um difeomorfismo H : S1× D → M tal que H(τ, ·),
para todo τ ∈ R/Z ' S1, ´e transversal ao campo de Reeb eH(·, ∂D) ´e difeomorfo a ∂M. Vamos
supor que o primeiro caso n˜ao se verifica e provaremos que s´o nos resta o segundo.
Na primeira parte da demonstra¸c˜ao, a estrat´egia ´e an´aloga `a primeira parte da prova da Proposi¸c˜ao 3.9. Seja D = uP(D), onde uP : D → Mν ´e o disco especial para a ´orbita
fechada P fixado acima. Fixe J ∈ J (λ) e considere ˜J satisfazendo (3.34). SejaMJ a fam´ılia de
Bishop com condi¸c˜ao de contorno no disco especialD. Lembre que MJ ´e o conjunto solu¸c˜ao do
problema (3.35). Conforme explicado na Observa¸c˜ao 3.31, podemos supor que est´a fixada uma estrutura complexa J ∈ J (λ) gen´erica (veja tamb´em Se¸c˜ao 1.3.4). Em particular, a fam´ılia de Bishop MJ ´e n˜ao vazia18. Fixando uma m´etrica Riemanniana g em Mν e uma folha l ∈ FξD,
podemos definir τ (˜u) tal como em (3.36) para todo ˜u ∈ M. ´E poss´ıvel fixar uma componente conexaY de M/G e definir τmax satisfazendo (3.38). Dada uma sequˆencia τn→ τmax, existem
˜
un = (an, un) ∈ Π−1(Y) tal que τ(˜un) = τn. Fixadas l1 := l, li e l−1, folhas da folhea¸c˜ao 17Nesta subse¸c˜ao, em lugar de λ
2, ξ2, P2= (x2, T2), uP2, escrevemos apenas λ, ξ, P = (x, T ) e uP.
18Como no Cap´ıtulo 2 e na se¸c˜ao anterior, de agora em diante, omitiremos J na nota¸c˜ao
caracter´ısticaFD
ξ duas a duas distintas e ordenadas positivamente, a menos de reparametriza¸c˜oes
por biholomorfismos do disco em G = G(D), podemos supor que
un(1)∈ l1, un(i)∈ li, un(−1) ∈ l−1, para todo n∈ N. (3.45)
J´a observamos que a condi¸c˜ao acima garante que o conjunto Γ0dos pontos de bubbling-off satisfaz
Γ0 ⊂ ˚D. Sabemos que existe uma subsequˆencia ˜unk tal que #Γ0 <∞ e existe um disco furado
de energia finita ˜u0: D\ Γ0→ R × Mν tal que ˜unk → ˜u0 em C
∞
loc(D\ Γ0, R× Mν). No caso que
consideramos nesta subse¸c˜ao (isto ´e, quando o fluxo de Reeb sobre ∂M ´e verticalmente positivo), diferentemente do caso negativo em que ˜u0 era uma solu¸c˜ao do problema (3.41), veremos que
˜
u0 ´e um semi-cilindro ( ˜J-holomorfo) de energia finita sobre P . Isto ´e o conte´udo da proposi¸c˜ao
a seguir. Este resultado ´e o correspondente, para o nosso contexto, da Proposi¸c˜ao 5.11 provada por Hryniewicz e Salom˜ao em [39]. A demonstra¸c˜ao ´e uma adapta¸c˜ao de [39].
Proposi¸c˜ao 3.37. Seja u˜0 : D\ Γ0 → R × Mν o disco furado de energia finita obtido acima.
Ent˜ao u˜0 satisfaz Γ0 6= ∅, a0(∂D) ≡ 0, u0(∂D) ⊂ D \ {e+} e wind(u0(∂D), e+) = +1. Temos
tamb´em que #Γ0 = 1. A menos de uma reparametriza¸c˜ao, podemos supor que Γ0 ={0}. Al´em
disso, u˜n → FP na topologia usual de Cloc∞(D\ {0}, R × Mν), onde FP : D\ {0} → R × Mν ´e
dado por
z = e2π(s+it)7→ (T s, x(T t)). Em particular, temos que u˜0 ´e um mergulho.
Demonstra¸c˜ao. A prova da primeira parte do enunciado acima ´e an´aloga `a demonstra¸c˜ao do Lema 2.23. Precisamos provar apenas que #Γ0 = 1 e ˜un → FP na topologia usual de
Cloc∞(D\{0}, R×Mν). Primeiramente vamos verificar que π·du0 ≡ 0. Suponha, por contradi¸c˜ao,
que π· du0 6≡ 0. Como Γ0 6= ∅, o disco furado ˜u0 ´e solu¸c˜ao de (3.41). Seja z0 ∈ Γ0 e escolha
> 0 tal que m(z0)− m(z0) 6 σ(C)2 , lembrando que m(z0) = lim→0+m(z0) e
m(z0) = lim n→∞
Z
∂B(z0)
u∗nλ,
onde ∂B(z0) est´a orientada no sentido anti-hor´ario, e σ(C) ´e definida em (3.29). Lembre que
λ ´e n˜ao-degenerada e, portanto, σ(C) est´a bem-definida. Fixe zn ∈ B(z0) tal que an(zn) =
infz∈B
(z0)an(z), para todo n ∈ N, e δn ∈ R+ tal que
R
B(z0)\Bδn(zn)u
∗
ndλ = σ(C), para todo
n∈ N. J´a mencionamos que zn, δnest˜ao bem-definidos, para todo n∈ N, e satisfazem zn n→∞
−−−→ z0, δn −−−→ 0n→∞ +. Escolha Rn → +∞ tal que BRnδn(zn)⊂ B(z0) e defina curvas ˜J-holomorfas
˜
vn= (bn, vn) : BRn(0)→ R × Mν dadas por
z7→ (bn(z), vn(z)) := (an(zn+ δnz)− an(zn+ 2δn), un(zn+ δnz)). (3.46)
Pelo Lema 2.17, existe uma subsequˆencia ˜vnk, um conjunto finito Γ
0 ⊂ C (pontos de bubbling-off )
e uma esfera furada de energia finita n˜ao-constante ˜v := (b, v) : C\ Γ0 → R × M
ν tal que ˜vnk → ˜v
na topologia usual de Cloc∞(C\ Γ0
, R× Mν). Note que ˜vn´e uma sequˆencia germinante com limite
3.25, se ¯P = (¯x, ¯T ) ∈ OF, existe um disco cont´ınuo u : D → Mν induzido por F para a ´orbita
fechada ¯P tal que µCZ( ¯P , u)≥ 2. J´a observamos tamb´em que se Pz0 = (xz0, Tz0) ∈ P
c(λ) ´e o
limite assint´otico do disco furado de energia finita ˜u0 em z0, ent˜ao Pz0 = (xz0, Tz0) ∈ OF, pois
Pz0 ´e o limite assint´otico de ˜v no ´unico furo positivo em ∞. Disto segue que existe um disco
cont´ınuo uz0 : D → Mν induzido por F para a ´orbita fechada Pz0 tal que µCZ(Pz0, uz0) ≥ 2.
Observe que isto se verifica para todo z ∈ Γ0 e, portanto, um argumento an´alogo ao da prova
do Lema 3.34 garante que #Γ0 = 1. Se Γ = {z0}, para algum z0 ∈ ˚D, a ´orbita fechada Pz0 = (xz0, Tz0) ∈ Pc(λ) limite assint´otico de ˜u0 em z0 satisfaz µCZ(Pz0, uz0) = 2. Note que
este ´ultimo fato e #Γ0 = 1 s˜ao consequˆencias da escolha de estrutura complexa J ∈ J (λ)
gen´erica. Repare que estamos nas hip´oteses do Lema 3.27 e, consequentemente, existe um plano de energia finita ˜v0 : (b0, v0) : C → R × Mν cujo limite assint´otico em ∞ ´e uma ´orbita
fechada P0 = (x0, T0) ∈ Pc(λ) n˜ao-enla¸cada em P (isto ´e, v0(C)∩ x(R) = ∅) e satisfazendo
µCZ(P0, ¯v0) = 2. Recorde que ¯v0 denota a extens˜ao cont´ınua de v0 sobre a compactifica¸c˜ao ¯C. Observe que P0e P s˜ao geometricamente distintas, pois µCZ(P0, ¯v0) = 2 e µCZ(P, uP) = 3, onde
uP : D→ Mν ´e o disco especial para a ´orbita fechada P fixado no in´ıcio desta subse¸c˜ao. O fato
de existir P0 n˜ao-enla¸cada em P e distinta de P contradiz a hip´otese de que n˜ao existem ´orbitas
fechadas ¯P = (¯x, ¯T )∈ Pc(λ) com ´ındice µ
CZ( ¯P , u) = 2 n˜ao-enla¸cadas em P19. Esta contradi¸c˜ao
´e consequˆencia da hip´otese π · du0 6≡ 0. Pelo Lema 1.59 e pelo fato de P ser simplesmente
recoberta, existe uma fun¸c˜ao ϕ : D → D holomorfa satisfazendo ˜u0 = FP ◦ ϕ, Γ0 = ϕ−1(0) e
wind(ϕ
∂D, 0) = 1. Segue que ϕ ´e um biholomorfismo do disco D. Isto prova, em particular, que
˜
u0 ´e um mergulho e #Γ0 = 1. A menos de uma reparametriza¸c˜ao por um biholomorfismo do
disco, podemos supor que Γ ={0}.
Vamos construir uma sequˆencia germinante a partir de uma reparametriza¸c˜ao numa vizinhan¸ca de 0 ∈ D. Tal como na demonstra¸c˜ao do lema anterior, fixe ∈ R∗
+ pequeno de
modo que m(z0) − m(z0) 6 σ(C)2 e escolha sequˆencias zn n→∞
−−−→ 0, δn n→∞
−−−→ 0+. Escolha
tamb´em Rn→ +∞ tal que BRnδn(zn) ⊂ B(0) e defina uma sequˆencia de curvas ˜J-holomorfas
˜
vn= (bn, vn) : BRn(0)→ R × Mν satisfazendo (3.46). Novamente, existe uma subsequˆencia ˜vnk,
um conjunto finito Γ0 ⊂ C (pontos de bubbling-off ) e uma esfera furada de energia finita n˜ao-
constante ˜v := (b, v) : C\Γ0→ R×M
ν tal que ˜vnk → ˜v na topologia usual de C
∞ loc(C\Γ
0, R×M ν).
Como antes, ∞ ´e o ´unico furo positivo de ˜v. Al´em disso, como π · du0 ≡ 0, o limite assint´otico
de ˜v em∞ ´e a ´orbita fechada P = (x, T ). Isto ´e provado por um argumento an´alogo `aquele da prova do Lema C.5 do Apˆendice C (e do Lema 2.19 no Cap´ıtulo 2). Nosso objetivo ´e verificar que ˜v ´e um plano de energia finita. Comecemos observando que a dλ-energia de ˜v ´e n˜ao-nula. Lema 3.38. Seja v := (b, v) : C˜ \ Γ0 → R × M
ν a esfera furada de energia finita obtida acima.
Ent˜aov satisfaz˜ R
C\Γ0v
∗dλ > 0.
Demonstra¸c˜ao. Suponha, por contradi¸c˜ao, que π· dv seja identicamente nula. Pelo Teorema 1.58, existe um polinˆomio p : C→ C satisfazendo Γ0 = p−1(0) e ˜v = F
P◦ p, onde P = (x, T ) ´e o
limite assint´otico de ˜v em ∞ (e ´e a ´orbita fechada constru´ıda no Lema 3.23) e FP : D\ {0} → 19Aqui u : D
R× Mν ´e dado por
z = e2π(s+it)7→ (T s, x(T t)).
O polinˆomio p satisfaz deg(p) = 1 e p(0) = 0. Estes fatos s˜ao consequˆencias de P ser sim- plesmente recoberta e 0 ∈ Γ0. Existe a ∈ C \ {0} tal que p(z) = az e, consequentemente,
T = Z ∂D v∗λ = lim n→∞ Z D v∗ndλ = lim n→∞ Z Bδn(0) u∗ndλ = lim n→∞ Z B(0) u∗ndλ− Z B(0)\Bδn(0) u∗ndλ = m(0)− σ(C) = m(0) + m(0)− m(0) − σ(C) 6 T + σ(C)/2− σ(C) = T − σ(C)/2 ou seja, σ(C) 6 0. Esta contradi¸c˜ao mostra queR
C\Γ0v
∗dλ > 0.
Sejam uP : D → Mν o disco especial fixado no in´ıcio desta subse¸c˜ao e Z : D → u∗Pξ
uma se¸c˜ao n˜ao-nula de u∗
Pξ → D. Denote por Ψ : x∗Tξ → S1 × C a trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica
induzida por Z
∂D : S 1→ x∗
Tξ. Sejam AP o operador assint´otico sobre P e
βneg= max{β ∈ Spec(AP) : β < 0},
onde Spec(AP) ´e o espectro de AP. Veja as defini¸c˜oes na Se¸c˜ao 1.2.2. Lembre que definimos
wind(βneg) como o n´umero de rota¸c˜ao de uma auto-fun¸c˜ao νneg : S1→ C para o auto-valor βneg
em rela¸c˜ao `a trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica Ψ. Como a ´orbita fechada P satisfaz µCZ(P, uP) = 3,
a no¸c˜ao de ´ındice de Conley-Zehnder generalizado µCZ(P, uP) = 2wind(βneg) + p mostra que
wind(βneg) = 1 e p = 1. Lembre que p ∈ {0, 1} ´e denominada paridade. No Lema 1.72
verificamos que wind∞(˜v,∞) ≤ wind(βneg) = 1. O fato de que ˜v satisfaz wind∞(˜v,∞) ≤ 1
implica que Γ0=∅. Este ´e o conte´udo do lema a seguir.
Lema 3.39. A esfera furada de energia finitav := (b, v) : C˜ \ Γ0→ R × M
ν satisfaz Γ0 =∅.
Demonstra¸c˜ao. Suponha, por contradi¸c˜ao, que Γ0 6= ∅. Como ˜v satisfaz π · dv 6≡ 0 e wind∞(˜v,∞) ≤ 1, o Lema 3.28 fornece um plano de energia finita ˜v0 : (b0, v0) : C→ R × Mν
cujo limite assint´otico em ∞ ´e uma ´orbita fechada P0 = (x0, T0) ∈ Pc(λ) n˜ao-enla¸cada em P
e satisfazendo µCZ(P0, ¯v0) = 2. Como P0 = (x0, T0) satisfaz x0(R) ⊂ M \ ∂M, temos que
v0(C)⊂ M \ ∂M. Isto ´e consequˆencia do Lema 3.36. Por hip´otese, esta ´orbita fechada n˜ao pode
existir. Esta contradi¸c˜ao mostra que Γ0 =∅.
Lema 3.40. O plano de energia finitav := (b, v) : C˜ → R × Mν ´e um plano r´apido mergulhado.
Demonstra¸c˜ao. Aqui argumentamos como em [39]. Primeiramente, provaremos que ˜v ´e uma imers˜ao. Como ˜v satisfaz π· dv 6≡ 0 e wind∞(˜v,∞) ≤ 1, o Teorema 1.69 implica que
0≤ windπ(˜v) = wind∞(˜v,∞) − 1 ≤ 0 (3.47)
isto ´e, windπ(˜v) = 0. Portanto π◦ dv(z) 6= 0 e RXλ(v(z))⊕ dv(z)(TzC) = Tv(z)M , para todo
injetiva. Considere o conjuntoS(˜v) das auto-interse¸c˜oes de ˜v, isto ´e, S(˜v) := {(z1, z2)∈ C × C \ ∆ : ˜v(z1) = ˜v(z2)},
onde ∆ :={(z, z) ∈ C×C} ´e a diagonal de C×C. Se S(˜v) 6= ∅ e S(˜v) possui um ponto limite em C×C \∆, ent˜ao existe um polinˆomio p : C → C satisfazendo deg(p) ≥ 2 e um plano de energia finita somewhere injective ˜w : C → R × Mν tal que ˜v = ˜w◦ p (veja Proposi¸c˜ao 1.57). Como
deg(p)≥ 2 e d˜v = d ˜w◦dp, existe z ∈ C tal que d˜v(z) n˜ao ´e imers˜ao. Esta contradi¸c˜ao mostra que S(˜v) possui somente pontos isolados. A seguir, veremos que isto tamb´em n˜ao ´e v´alido. Como ˜v ´e um limite para a sequˆencia germinante ˜vn definida em (3.46), podemos aproximar ˜v por uma
subsequˆencia de curvas ˜J-holomorfas ˜vnk. Mais precisamente, existem sequˆencias nk → +∞,
znk nk→∞ −−−−→ 0, δnk nk→∞ −−−−→ 0+ tais que ˜ vnk(z) = (bnk(z), vnk(z)) := ank(znk+ δnkz)− ank(znk+ 2δnk), unk(znk+ δnkz) → ˜v na topologia usual de C∞
loc(C, R× Mν). Lembre que a sequˆencia germinante ˜vn ´e obtida pela
reparametriza¸c˜ao de solu¸c˜oes ˜unna fam´ılia de BishopM fixada no in´ıcio desta subse¸c˜ao. Como
os discos de energia finita emM s˜ao mergulhos, a Teoria de Interse¸c˜ao de McDuff implica que S(˜v) = ∅, isto ´e, ˜v tamb´em n˜ao pode admitir auto-interse¸c˜oes isoladas. Isto implica que ˜v ´e injetiva. Por fim, observe que (3.47) implica wind∞(˜v,∞) = 1. Pela Defini¸c˜ao 1.73, temos que
˜
v ´e um plano r´apido de energia finita mergulhado.
Compacidade de Planos R´apidos: Nosso objetivo ´e, a partir do Teorema 1.75, provar a existˆencia de um decomposi¸c˜ao em livro aberto para Mν tal que a amarra¸c˜ao ´e a ´orbita
fechada P = (x, T ). Lembre que P = (x, T ) ´e a ´orbita fechada constru´ıda no Lema 3.23 para o caso verticalmente positivo. Nesta dire¸c˜ao, dado que j´a constru´ımos acima um plano r´apido de energia finita mergulhado, precisamos apenas verificar a compacidade de planos r´apidos. Vamos lembrar alguns fatos necess´arios. Considere J ∈ J (λ) e ˜J fixados acima. Recorde que λ ´e n˜ao-degenerada. Seguindo [33], dado um subconjunto compacto H ⊂ R × Mν tal que
H ∩ (R × x(R)) = ∅, definimos Θ(H, P ) como o subconjunto de C∞(C, R× M
ν) constitu´ıdo
pelos planos r´apidos de energia finita ˜u : C → R × Mν assint´oticos no furo positivo em ∞ `a
´
orbita fechada P = (x, T ) ∈ Pc(λ) e satisfazendo as condi¸c˜oes ˜u(0) ∈ H e R
C\Du
∗dλ = σ(T ),
onde σ(T ) ´e definida em (3.29). Consideramos tamb´em os seguintes conjuntos Λ(H, P ) :={˜u ∈ Θ(H, P ) : ˜u ´e mergulho},
Λk(H, P ) :={˜u = (a, u) ∈ Λ(H, P ) : µCZ(P, u) = k}.
(3.48)
Nas nota¸c˜oes acima, estamos subentendendo λ e J ∈ J (λ) fixados. Queremos provar que Λ3(H, P ) ´e C∞-compacto para todo subconjunto compacto H ⊂ R × Mν satisfazendo H ∩
(R× x(R)) = ∅. A argumenta¸c˜ao a seguir ´e baseada na prova do Lema 4.17 em [33] e do Teorema 4.1 em [39]. Seja ˜un= (an, un)∈ Λ3(H, P ) e defina
Γ ={z ∈ C : ∃nk→ ∞ e zk→ z tais que |d˜unk(zk)|
nk→∞
Lembre que EH(˜un) = T , para todo n∈ N. Definimos ˜wn= (cn, wn) : C→ R × Mν por
cn(z) = an(z)− an(2), wn(z) = un(z). (3.50)
Note que ˜wn(2)∈ {0}×Mν, para todo n∈ N. Por defini¸c˜ao, temos que
R C\Dw ∗ ndλ = R C\Du ∗ ndλ =
σ(T ). Isto mostra que ˜wn´e uma sequˆencia germinante. Note que a R-invariˆancia20de g0implica
que |d ˜wn
K| ´e uniformemente limitada sobre compactos K ⊂ C \ Γ21. O lema a seguir ´e uma reformula¸c˜ao do Lema 2.17 no cap´ıtulo 2. A demontra¸c˜ao ´e an´aloga.
Lema 3.41. Seja w˜n a sequˆencia germinante de planos de energia finita definida em (3.50).
Ent˜ao existe uma subsequˆenciaw˜nk tal que o conjuntoΓ⊂ C ´e finito e existe uma esfera furada
de energia finita n˜ao-constante w := (c, w) : C˜ \ Γ → R × Mν tal que w˜nk → ˜w na topologia
usual deCloc∞(C\ Γ, R × Mν). Al´em disso, ˜w possui um ´unico furo positivo em∞, os pontos em
Γ s˜ao os furos negativos e 0 < EH( ˜w)≤ supnEH(˜un) = T .