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2.3 Caso N˜ ao-Degenerado

2.3.3 Final da Demonstra¸c˜ ao da Proposi¸c˜ ao 2.6

Primeiramente, vamos lembrar alguns fatos. Seja z0 ∈ ˚D o ´unico furo negativo de ˜

u0 : D\{z0} → R×M obtido conforme Lema 2.14. Seja P0 = (x0, T0)∈ Pc(λ) o limite assint´otico

de ˜u0em z0. De modo an´alogo `a constru¸c˜ao feita na Subse¸c˜ao: An´alise de bubbling-off, ´e poss´ıvel

associar uma sequˆencia germinante ˜vn = (bn, vn) ao furo negativo z0. Mais precisamente, para

∈ R∗

+ suficientemente pequeno, conforme (2.44), podemos escolher sequˆencias

(i) zn n→+∞ −−−−−→ z0, conforme (2.45); (ii) δn n→+∞ −−−−−→ 0+, conforme (2.46);

e definir uma sequˆencia de curvas ˜J-holomorfas ˜vn= (bn, vn) : BRn(0)→ R × M tal que

bn(z) = an(zn+ δnz)− an(zn+ 2δn), e vn(z) = un(zn+ δnz). (2.55)

Lembre que ˜un ´e a sequˆencia de discos de energia finita na fam´ılia de Bishop M escolhida em

(2.31)21. J´a mencionamos que a sequˆencia ˜v

n ´e uma sequˆencia germinante. No Lema 2.17,

provamos que existe uma subsequˆencia ˜vnk, um conjunto finito Γ

0 ⊂ C e uma esfera furada de

energia finita e n˜ao-constante ˜

v = (b, v) : C\ Γ0→ R × M (2.56)

tal que ˜vnk → ˜v na topologia usual de C

∞ loc(C \ Γ

0

, R× M). Lembre que Γ0 ´e o conjunto dos pontos de bubbling-off e corresponde aos furos negativos de ˜v. No Lema 2.19, provamos que o limite assint´otico de ˜v no (´unico) furo positivo em ∞ coincide com a ´orbita fechada P0 = (x0, T0)∈ Pc(λ). Pela Proposi¸c˜ao C.6 no Apˆendice C, temos que

R

C\Γ0v

dλ > 0.

Nosso primeiro objetivo ´e verificar que ˜v = (b, v) : C\ Γ0 → R × M ´e, na verdade, um plano de energia finita. Isto permitir´a provar que P0= (x0, T0)∈ Pc(λ) satisfaz as condi¸c˜oes da

tese da Proposi¸c˜ao 2.6. Comecemos provando o seguinte lema. Este resultado ´e uma importante ferramenta no c´alculo dos ´ındices µCZ dos limites assint´oticos nos furos negativos de ˜v.

Lema 2.26. Seja u = (a, u) : C˜ \ Γ → R × M uma esfera furada de energia finita, onde ∞ ´e o ´

unico furo positivo eΓ ={z1,· · · , zN} ´e o conjunto de furos negativos. Seja P∞ = (x∞, T∞)∈

Pc(λ) o limite assint´otico de u em˜ ∞ e, para todo j ∈ {1, · · · , N}, seja P

j = (xj, Tj)∈ Pc(λ) o

limite assint´otico de u em z˜ j. Suponhamos que

Z

C\Γ0

u∗dλ > 0, µCZ(P∞) = 2 e µCZ(Pj)≥ 2, para todo j ∈ {1, · · · , N}.

Ent˜ao µCZ(Pj) = 2, para todo j∈ {1, · · · , N}.

Demonstra¸c˜ao. Suponha inicialmente queR

C\Γu

dλ > 0. Denote por C\ Γ a compactifica¸c˜ao

de C\ Γ obtida por adicionar c´opias de S1 nos furos Γ∪ {∞} e seja ¯u a extens˜ao cont´ınua de

u sobre C\ Γ. Esta extens˜ao existe pois λ ´e n˜ao-degenerada. Vamos escolher uma trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica conveniente do fibrado dλ-simpl´etico ¯u∗ξ → C \ Γ. Como as ´orbitas fechadas Pj = (xj, Tj) ∈ Pc(λ), j ∈ {1, · · · , N}, s˜ao contr´ateis, existem discos cont´ınuos vj : D → M,

j ∈ {1, · · · , N}, tais que vj(e2πit) = xj(Tjt), para todo t ∈ R/Z ' S1. Sejam Ψj : vj∗ξ →

D× C, j ∈ {1, · · · , N}, trivializa¸c˜oes dλ-simpl´eticas. Lembre que Ψj, j ∈ {1, · · · , N}, induz

uma trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica para o fibrado dλ-simpl´etico x∗T

jξ → S

1, j ∈ {1, · · · , N}, onde

xTj(t) = xj(Tjt), para todo t ∈ R/Z ' S

1. Por simplicidade, denote esta trivializa¸c˜ao dλ-

simpl´etica por Ψj : x∗Tjξ → S

1 × C, j ∈ {1, · · · , N}. Vamos usar estas trivializa¸c˜oes para

construir uma trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica de ¯u∗ξ → C \ Γ. Primeiro, considere η : D → M um disco cont´ınuo tal que

η(D) = ¯u(C\ Γ) ∪j∈{1,··· ,N }vj(D).

Este disco existe porque λ ´e n˜ao-degenerada. Repare tamb´em que η : D → M ´e um disco cont´ınuo satisfazendo η(e2πit) = x

∞(T∞t). Seja ¯Ψ : η∗ξ → D×C uma trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica

de η∗ξ→ D. Por constru¸c˜ao, para todo j ∈ {1, · · · , N}, ¯Ψ induz uma trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica de x∗T

jξ → S

1, denotada por ¯Ψ

j, homot´opica `a trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica Ψj induzida pelo disco

vj. Em particular, o ´ındice de Conley-Zehnder da ´orbita fechada Pj medido em rela¸c˜ao `a ¯Ψj

coincide com o medido em rela¸c˜ao `a Ψj. Isto ´e consequˆencia do fato de que µCZ depende

apenas da classe de homotopia de trivializa¸c˜oes dλ-simpl´eticas de x∗Tjξ → S1. Note tamb´em

que a hip´otese c1

π2(M )(ξ) ≡ 0 implica que µCZ(P∞, ¯Ψ), medido em rela¸c˜ao `a trivializa¸c˜ao

dλ-simpl´etica induzida por ¯Ψ, satisfaz µCZ(P∞, ¯Ψ) = 2.

Seja Z : D → η∗ξ uma se¸c˜ao n˜ao-nula definida como Z(p) = ¯Ψ−1(p, ∂

x), para todo

p ∈ D, onde ¯Ψ : η∗ξ → D × C ´e a trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica constru´ıda acima. Sejam wind∞(˜u,∞) = wind∞(˜u,∞, Z) e wind∞(˜u, zj) = wind∞(˜u, zj, Z), para todo zj ∈ Γ, j ∈

{1, · · · , N} (veja defini¸c˜oes na Subse¸c˜ao 1.3.1). No Lema 1.72, verificamos que µCZ(P∞) = 2

implica wind∞(˜u,∞) ≤ 1, e µCZ(Pj) ≥ 2 implica wind∞(˜u, zj) ≥ 1, para todo j ∈ {1, · · · , N}.

Suponha, por contradi¸c˜ao, que existe j0 ∈ {1, . . . , N} tal que µCZ(Pj0) ≥ 3. O Lema 1.72

implica wind∞(˜u, zj0)≥ 2. Se windπ(˜u) ´e definido conforme (1.67), pelo Teorema 1.69, obtemos

0≤ windπ(˜u) = wind∞(˜u) + N− 1 = wind∞(˜u,∞) − X j∈{1,··· ,N } wind∞(˜u, zj) + N− 1 ≤ 1 − (N − 1) − 2 + N − 1 = −1,

Esta contradi¸c˜ao mostra que µCZ(Pj) = 2, para todo j ∈ {1, · · · , N}. 

Seja ˜v = (b, v) : C\ Γ0 → R × M a esfera furada de energia finita obtida acima. Pela Proposi¸c˜ao 1.57, visto queR

C\Γ0v

dλ > 0, existe uma esfera furada de energia finita ˜w = (d, w) :

C\ ¯Γ → R×M, ¯Γ ⊂ C finito, somewhere injective eR

C\Γ¯w

dλ > 0, e um polinˆomio p : C→ C tal

que p(Γ0) = ¯Γ, p(∞) = ∞, e tais que ˜v se fatora em ˜v = ˜w◦p. Lembre que escolhemos a estrutura complexa J ∈ J (λ) gen´erica. Como ˜w ´e somewhere injective e π· dw n˜ao ´e identicamente nulo, a genericidade de J ∈ J (λ) implica (veja Subse¸c˜ao 1.3.4) que

Ind( ˜w) = µ+− µ− 1 + #Γ0≥ 1, (2.57)

onde µ+, µdenotam a soma dos ´ındices dos furos positivos e negativos, respectivamente, da

esfera furada de energia finita ˜w : C\¯Γ → R×M. Este fato e o lema anterior implicam que Γ0=∅.

Vamos provar esta afirma¸c˜ao. J´a observamos que ˜v possui um ´unico furo positivo cujo limite assint´otico ´e a ´orbita fechada P0 = (x0, T0)∈ Pc(λ) que satisfaz µCZ(P0) = 2. Sabemos tamb´em

que Γ0 = {z

1,· · · , zN} ´e o conjunto dos furos negativos e, se Pj = (xj, Tj) ∈ Pc(λ) ´e o limite

assint´otico de ˜v em zj, ent˜ao µCZ(Pj) = 2, para todo j∈ {1, · · · , N}. Seja ¯P0 = (x0, ¯T0)∈ Pc(λ)

o limite assint´otico de ˜w em ∞, ¯Γ = {y1,· · · , yN¯} o conjunto dos furos negativos de ˜w e

¯

Pl= (xl, ¯Tl)∈ P(λ) o limite assint´otico de ˜w em yl, l∈ {1, · · · , ¯N}. Pelos Teoremas 1.38 e 1.39,

l∈ {1, · · · , ¯N}, visto que µCZ(P0), µCZ(Pj) = 2, para todo j ∈ {1, · · · , N}. A genericidade de

J ∈ J (λ) e (2.57) implicam que

µ+≥ µ−+ 2− #¯Γ ≥ #¯Γ + 2 − #¯Γ ≥ 2.

Como ˜w possui um ´unico furo positivo no ∞ cujo limite assint´otico ´e a ´orbita fechada ¯P0 =

(x0, ¯T0), ´e imediato que µCZ( ¯P0) = µ+ ≥ 2. Se deg(p) ≥ 2, ent˜ao o ´ındice µCZ(P0) da ´orbita

fechada P0 = (x0, T0) limite assint´otico no ´unico furo positivo em∞ de ˜v satisfaria µCZ(P0)≥ 4.

No entanto, sabemos que µCZ(P0) = 2. Esta contradi¸c˜ao mostra que deg(p) = 1 e, portanto, ˜v

´e tamb´em somewhere injective. Para evitar ambiguidades, denotamos por ˜µ+, ˜µa soma dos

´ındices µCZ dos furos positivos e negativos de ˜v, respectivamente. Novamente a genericidade de

J ∈ J (λ) e (2.57) implicam que ˜

µ+≥ ˜µ−+ 2− #Γ0 ≥ 2#Γ0+ 2− #Γ0 ≥ 2 + #Γ0. Visto que µCZ(P0) = 2, conclu´ımos Γ0=∅. Isto prova o seguinte lema:

Lema 2.27. A esfera furada de energia finitav = (b, v) : C˜ \ Γ0 → R × M satisfaz Γ0 =∅.

Como µCZ(P0) = 2, resta apenas provar que P0 satisfaz as condi¸c˜oes topol´ogicas da tese

da Proposi¸c˜ao 2.6. Primeiro, vamos provar o resultado a seguir.

Lema 2.28. O plano de energia finita˜v = (b, v) : C→ R × M ´e um mergulho. Al´em disso, v(C) ´e transversal ao campo de Reeb.

Demonstra¸c˜ao: Recorde que o limite assint´otico de ˜v em∞ ´e a ´orbita fechada P0 = (x0, T0)∈

Pc(λ) satisfazendo µ

CZ(P0) = 2. Considere a seguinte afirma¸c˜ao:

Afirma¸c˜ao 2.29.v ´e uma imers˜ao transversal ao campo de Reeb.

Demonstra¸c˜ao. Seja C a compactifica¸c˜ao de C obtida por adicionar uma c´opia de S1 em

∞ e denote por ¯v a extens˜ao cont´ınua de v sobre C. Lembre que esta extens˜ao existe pois λ ´e n˜ao-degenerada. Note que C difeo' D. Por abuso de nota¸c˜ao, escrevemos ¯v : D → M. Seja Ψ : (x0)∗T0ξ → S1× C, S1 ' R/Z, uma trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica do fibrado dλ-simpl´etico

(x0)∗T0ξ → S

1 induzida por uma trivializa¸c˜ao dλ-simpl´etica de ¯vξ

→ D. Sejam AP0 o operador

assint´otico sobre P0 e fixe

βneg= max{β ∈ Spec(A

P0) : β < 0},

onde Spec(AP0) ´e o espectro de AP0. Se νneg : S1 → C ´e um autovetor correspondente ao

autovalor βneg, definimos o n´umero de rota¸c˜ao wind(βneg) de νneg em rela¸c˜ao `a trivializa¸c˜ao

dλ-simpl´etica Ψ (veja Subse¸c˜ao 1.2.2) Pelo Lema 1.30, wind(βneg) ´e independente do autovetor

νneg. Pelo Teorema 1.31, o ´ındice de Conley-Zehnder generalizado ´e µ

CZ(P0) = 2wind(βneg) + p,

onde p ∈ {0, 1} ´e a paridade. Como µCZ(P0) = 2, temos que wind(βneg) = 1 e p = 0. No

Lema 1.71, provamos que wind∞(˜v,∞) 6 wind(βneg) e, portanto, wind∞(˜v,∞) 6 1. Visto que

windπ(˜v)≥ 0, o Teorema 1.69 nos diz que

ou seja, windπ(˜v) = 0. A defini¸c˜ao de windπ(˜v) implica π◦ dvz 6= 0, para todo z ∈ C. Portanto,

dim(π· dvz(TzC)) = 2, para todo z ∈ C, j´a que ¯∂J˜(˜v) = 0. Combinando estas observa¸c˜oes,

conclu´ımos que

RXλ(v(z))⊕ dvz(TzC) = Tv(z)M, para todo z∈ C

e fica provado que v ´e uma imers˜ao transversal ao campo de Reeb. Note que a transversalidade

com o campo de Reeb segue de π◦ dvz 6= 0 para todo z ∈ C. 

Afirma¸c˜ao 2.30. O plano de energia finita ˜v ´e um mergulho.

Demonstra¸c˜ao. Nossa estrat´egia ser´a provar que ˜v ´e imers˜ao injetiva pr´opria. A Proposi¸c˜ao 5.4 em [42] implicar´a que ˜v ´e mergulho22. Come¸camos verificando que ˜v ´e injetiva. Considere o

conjuntoS(˜v) := {(z1, z2)∈ C × C \ ∆ : ˜v(z1) = ˜v(z2)} onde ∆ := {(z1, z2)∈ C × C : z1= z2}

´e a diagonal de C× C. Suponha, por contradi¸c˜ao, que S(˜v) 6= ∅. Se S(˜v) possui um ponto limite em C× C \ ∆, pela Proposi¸c˜ao 1.57, existe um polinˆomio p : C → C satisfazendo deg(p) ≥ 2 e um plano de energia finita ˜w : C→ R × M somewhere injective fatorando ˜v em ˜v = ˜w◦ p. Como deg(p)≥ 2 e d˜v = d ˜w◦ dp, existe z ∈ C tal que d˜v(z) n˜ao ´e imers˜ao, contradizendo a afirma¸c˜ao anterior. Disto segue que S(˜v) somente pode conter pontos isolados. Vamos verificar que isto n˜ao pode acontecer. Lembre que existem sequˆencias{zn} ⊂ C, rn→ 0+ e {cn} ⊂ R tais que

˜

Un(z) := bn(zn+ rnz) + cn, vn(zn+ rnz) → ˜v na topologia usual de Cloc∞(C, R× M),

onde ˜vn= (bn, vn), n∈ N, ´e a sequˆencia germinante definida em (2.55). Como as auto-interse¸c˜oes

S(˜v) s˜ao isoladas e π ◦ dvz 6= 0, para todo z ∈ C, existe uma sequˆencia rj ∈ R∗+ com rj → +∞

e Brj(0) = {z ∈ C : |z| < rj} tal que, para todo j ∈ N, ˜v

Brj(0) admite um n´umero finito de

auto-interse¸c˜oes contidas em Brj(0). Podemos supor tamb´em que ˜v

Brj(0) ´e um mergulho perto

do bordo. Pela estabilidade e positividade de interse¸c˜oes de curvas ˜J-holomorfas (veja Subse¸c˜ao 1.3), para n suficientemente grande, conclu´ımos

Int  ˜ Un Brj(0)  = Int  ˜ v Brj(0)  > 0, para todo j∈ N

Note que isto ´e uma contradi¸c˜ao ao fato de que as curvas ˜Un s˜ao mergulhos para todo n ∈ N.

Portanto, S(˜v

Brj(0)) = ∅, para todo j ∈ N. Desta forma, ˜v

Brj(0), para todo j ∈ N, ´e uma

imers˜ao injetiva pr´opria. Disto segue que ˜v ´e um mergulho.  Lembre que L = (y, Tmin) ∈ P(λ) ´e a ´orbita fechada satisfazendo as condi¸c˜oes da Pro-

posi¸c˜ao 2.6 e P0= (x0, T0)∈ Pc(λ) ´e o limite assint´otico de ˜v no ´unico furo positivo em∞. Para

concluir a demonstra¸c˜ao da Proposi¸c˜ao 2.6, precisamos apenas verificar que as ´orbitas fechadas L = (y, Tmin), P0 = (x0, T0) s˜ao geometricamente distintas e n˜ao-enla¸cadas. Este ´e o conte´udo

do lema a seguir. Antes enunci´a-lo, ´e importante observar que a sequˆencia germinante definida em (2.55) foi obtida a partir de reparametriza¸c˜oes de uma sequˆencia discos de energia finita ˜

un = (an, un) na fam´ılia de Bishop M que, por defini¸c˜ao, satisfazem ˜un(D)∩ (R × y(R)) = ∅, 22Proposi¸ao ([42], Proposi¸ao 5.4): Sejam M , N variedades diferenci´aveis. Se M ´e compacta e

para todo n∈ N. Isto implica que ˜vn(D)∩ (R × y(R)) = ∅, para todo n ∈ N.

Lema 2.31. As ´orbitas fechadas de Reeb L = (y, Tmin) e P0 = (x0, T0) s˜ao geometricamente

distintas e n˜ao-enla¸cadas.

Demonstra¸c˜ao: Considere o cilindro ˜J-holomorfo de energia finita sobre a ´orbita fechada L, isto ´e, seja F : C\ 0 → R × M definido por

ζ → F (ζ) = T log|ζ| 2π , y  T arg ζ 2π  ,

onde arg ζ = reiθ = θ e |ζ| ´e o m´odulo de ζ. Note que F ´e uma imers˜ao. Defina o seguinte

conjunto:

A ={(z, ζ) ∈ C × (C \ {0}) : ˜v(z) = F (ζ)} ,

onde ˜v : C → R × M ´e o plano de energia finita tal como no Lema 2.28. Se provarmos que A =∅, conclu´ımos que v(C) ∩ y(R) = ∅. Suponha, por contradi¸c˜ao, que v(C) ∩ y(R) 6= ∅. Seja (z∗, ζ∗) ∈ A e suponha, inicialmente, que (z∗, ζ) n˜ao ´e isolado, isto ´e, existe uma sequˆencia

(zn, ζn)∈ A tal que (zn, ζn)→ (z∗, ζ∗). Por defini¸c˜ao, ˜v(zn) = F (ζn), para todo n∈ N. Uma vez

que tanto ˜v quanto F s˜ao imers˜oes ˜J-holomorfas, segue imediatamente do Lema 2.4.323em [47]

que existe um biholomorfismo ϕ : U → ϕ(U) satisfazendo F = ˜v ◦ ϕ. Note que isto contradiz o fato de ˜v ser transversal ao campo de Reeb. Portanto, se A6= ∅, ent˜ao A deve ser discreto. Seja (z∗, ζ∗)∈ A um ponto isolado. Sejam {zn} ⊂ C, rn→ 0+ e {cn} ⊂ R sequˆencias tais que

˜

Un(z) := bn(zn+ rnz) + cn, vn(zn+ rnz) → ˜v na topologia usual de Cloc∞(C, R× M),

onde ˜vn = (bn, vn), n∈ N, ´e a sequˆencia germinante definida em (2.55). Pela transversalidade

de v : C→ M em rela¸c˜ao ao campo de Reeb, segue que ˜v e F se intersectam transversalmente em (z∗, ζ∗). Pela positividade das interse¸c˜oes entre curvas ˜J-holomorfas, a interse¸c˜ao (z∗, ζ∗) contribui positivamente para o ´ındice de interse¸c˜ao Int(˜v, F ) de modo que Int(˜v, F ) ≥ 1. A estabilidade das interse¸c˜oes entre curvas ˜J-holomorfas for¸ca que Int( ˜Un, F )≥ 1, isto ´e, existem

interse¸c˜oes positivas entre F e as ˜vn, para n suficientemente grande, visto que ˜Un ´e uma repa-

rametriza¸c˜ao de ˜vn. Mas, isto contradiz o fato de que vn(BRn(0))∩ y(R) = ∅, para todo ∈ N.

Disto segue que A tamb´em n˜ao pode ser discreto e, portanto, A =∅.

A seguir, vamos provar que L = (y, Tmin) e P0= (x0, T0) s˜ao geometricamente distintas.

No caso em que µCZ(Lp) ≤ 0, pelos Teoremas 1.38 e 1.39, sabemos que µCZ (Lp)k ≤ 0, para

todo k∈ N, onde (Lp)k= (y, k· pT

min)∈ Pc(λ). Neste caso, pela defini¸c˜ao do ´ındice de Conley-

Zehnder, L e P0 s˜ao geometricamente distintas. Quando µCZ(Lp) = 1, como µCZ(P0) = 2, a

´

orbita fechada P0 poderia ser um recobrimento duplo de Lp, isto ´e, P0 = (Lp)2= (y, 2· pTmin).

O Teorema 1.77 e o Lema 2.28 garantem que v : C→ M \ L ´e um 2p-disco para a ´orbita fechada L. Como L ´e um p-n´o trivial, pelo Lema 1.10, L n˜ao pode ser 2p-n´o trivial. Esta contradi¸c˜ao mostra que L e P0 n˜ao podem coincidir.

Como v(C)∩ y(R) 6= ∅ e L = (y, Tmin) e P0 = (x0, T0) s˜ao geometricamente distintas,

verificamos que L e P0 s˜ao n˜ao-enla¸cadas. Portanto, ¯P = P0 ´e a ´orbita desejada e isto conclui

a demonstra¸c˜ao do Lema 2.31 e da Proposi¸c˜ao 2.6.