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comportamentos de risco em estudantes universitários

No documento Atas ICICSE_IIIESE_Vol I (páginas 178-192)

Maria do Rosário Pinheiro

Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra [email protected]

Ana Filipa Simões

Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra [email protected]

Cristiana Carvalho

Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra [email protected]

Rute Santos

Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra [email protected]

Jorge Ferreira

Rede Social da Câmara Municipal de Coimbra [email protected]

O consumo excessivo de substâncias psicoativas e os comportamentos sexuais de risco têm sido alvo de investigações no contexto do Ensino Superior, sendo particularmente associados aos ambientes recreativos académicos. No âmbito de um projeto socioeducativo de informação e sensibilização acerca dos comportamentos de risco em contexto recreativo noturno (Há Noites Assim!) realizou-se uma investigação cujos objetivos foram: i) identificar comportamentos de risco associados ao consumo de substâncias, aos comportamentos sexuais, à condução rodoviária, à violência e à insegurança pessoal no dia-a-dia dos estudantes, e ii) identificar se esses comportamentos se mantêm, diminuem ou aumentam em contexto recreativo noturno. A partir de uma amostra de 123 estudantes do ensino superior (48% do sexo masculino e 52% do sexo feminino) com idades entre os 18 e os 29 anos, pretendeu-se explorar as caraterísticas psicométricas do Questionário de comportamentos de risco no dia-a-dia e em contexto recreativo (QCR2). A sua estrutura fatorial revelou a existência de 5 componentes: Comportamentos de risco associados ao consumo de tabaco e cannabis e pares consumidores (F1), Comportamentos de risco associados ao consumo de álcool e estilo de vida notívago (F2), Comportamentos de risco para a segurança pessoal (F3), Comportamentos sexuais e psicossociais de risco (F4) e Comportamentos de risco associados ao consumo de cocaína e ecstasy e comportamento sociais problema (F5). As componentes fatoriais explicaram 69.99% da variância total e os índices de consistência interna foram respetivamente:.796, .801, .730, .563 e .644. As correlações mais expressivas registaram-se entre os comportamentos de risco associados ao consumo de tabaco e cannabis e andar com pares consumidores (F1) e os comportamentos de risco associados ao consumo de álcool e estilo de vida noctívago (F2). Referindo-se ao quotidiano, 51,4% e 24,3% da amostra diz consumir algumas vezes e muitas vezes, respetivamente, álcool até à bebedeira e 54,1% e 19,8% referem deitar-se algumas vezes e muitas vezes, respetivamente, depois do sol nascer. No contexto de saída à noite e de festas académicas 62,2% assumem o aumento do consumo de álcool até à bebedeira e 54.1% referem o aumento do deitar depois do sol nascer. No

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seu global os resultados permitem equacionar a possibilidade de estes e outros comportamentos de risco estarem cada vez mais a integrar o dia-a-dia dos estudantes, não acontecendo apenas em ambiente recreativo.

Palavras-chave: comportamentos de risco, estudantes do ensino superior, contextos recreativos e do dia-a-dia, consumos de substâncias psicoativas

Introdução

O consumo de substâncias psicoativas no Ensino Superior tem sido alvo de diversas investigações, por este se tratar de um contexto com um padrão de consumo preponderantemente recreativo de caracter abusivo (Calafat, Juan, Becoña e Fernández, 2007; Lomba, Apóstolo, Mendes e Campos, 2011), em particular, quando associado a festividades académicas, como sejam, especificamente, a Latada (semana de receção ao caloiro) e a Queima das Fitas da Universidade de Coimbra.

O padrão excessivo de consumo, em particular de álcool entre os estudantes universitários (Pillon e Corradi-Webster, 2006) está, na maioria das vezes, associado à procura de diversão e de liberdade, aos estilos musicais em contextos noturnos, constituindo-se parte integrante da cultura juvenil (Calafat et al., citado por Lomba, 2006). Paralelamente a esta surge também a “cultura da universidade” (Dworkin, 2005), em que o consumo de álcool por parte dos estudantes faz parte de um ritual de integração (praxe

académica) aos que acabam de entrar no Ensino Superior, o que implica uma forte pressão

por parte dos pares para o consumo, como se integra-se o processo de transição e adaptação, que muitos estudantes mantêm até ao final do seu percurso académico. Atualmente tem-se verificado um padrão de consumo de binge drinking nas saídas noturnas, festas académicas ou férias, relacionadas com o divertimento por parte dos jovens adultos (Rodrigues, 2006).

Assim, o álcool surge muitas vezes como forma de integração (Pinto, 2001) em que o jovem desempenha o papel que dele se espera, em função do seu novo estatuto e a pressão social determina o grau, o contexto e o estilo em que as bebidas alcoólicas são consumidas. O álcool passa, assim, a funcionar como um potenciador para a criação de laços de amizade, uma vez que estes estudantes afirmam beber para se sentirem mais desinibidos no relacionamento com outros elementos do grupo ou com o sexo oposto (Balsa, Vital e Pascueiro, 2011, p. 91-92).

Neste âmbito, é do nosso conhecimento que, no caso da cidade de Coimbra, as terças-feiras e quintas-feiras são dias em que os estudantes saem à noite, aumentam os seus consumos, frequentando os cafés, bares, discotecas, que integram a oferta recreativa académica da cidade. Nestes dias, é também possível constatar o estímulo ao consumo de mais bebidas alcoólicas a menor custo. Desta forma, é de equacionar que para muitos estudantes os consumos excessivos ocorrem não só ocasionalmente (uma vez por mês ou nas maiores festividades académicas como Queima das Fitas, Latadas, Convívios de Faculdade) mas semanalmente (podendo mesmo acontecer mais do que uma vez por semana). Assim, atualmente faz todo o sentido investigar se estes consumos excessivos, assim como outros comportamentos de risco que lhes podem estar ou não associados, integram o dia-a-dia dos estudantes, caraterizando um estilo de vida com riscos para o bem-estar físico, psicológico e social.

Entre as práticas de integração social e académica dos estudantes são comuns os lemas de incentivo, anuência e desresponsabilização em relação aos comportamentos de

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risco como sejam “Só se é novo uma vez”, “O que se passa na Queima fica na queima” ou ainda os lemas que apelam a que “se beba esse copo até ao fim, se se quer ser cá da malta1”considerados normativos nos contextos noturnos durante a semana e em momentos

festivos.

Apesar de sermos levados a pensar que os resultados traduzem comportamentos que acontecem porque se trata de um contexto recreativo associado a um consumo excessivo, outros estudos, que não referentes aos contextos recreativos, também revelam resultados preocupantes, conduzindo-nos a conjeturar, que muito possivelmente, muitos dos comportamentos de risco que acontecem em contexto recreativo já fazem parte das práticas de risco do dia-a-dia. O estudo sobre “Conhecimentos e atitudes de prevenção face ao HIV/AIDS e intenção comportamental do uso do preservativo numa amostra de estudantes da Comunidade de Países de Língua Portuguesa/CPLP” de Pinheiro e Varela (2012) revela que na última interação sexual 18,9% estudantes não estavam com o seu parceiro habitual, destes 6,9% estavam sob o efeito de álcool, 2,3% sob o efeito de outras drogas e apesar de 92,6% possuírem preservativos só 72,3% o usaram.

Face ao que já sabemos serem as caraterísticas dos consumos de substâncias psicoativas em jovens (em idades precoces, com policonsumos em contextos de lazer), e dos outros comportamentos de risco associados e potenciados pelos contextos recreativos é fundamental que a intervenção aconteça tanto na área da prevenção como na área da redução de riscos. Na área de prevenção, para além de se evitar e adiar o início do consumo de qualquer substância faz sentido ainda prevenir a continuação do uso e do abuso e ainda a passagem do uso ao uso nocivo (ou abuso) e à dependência (IDT, 2008).

Na intervenção para a redução de riscos pretende-se a diminuição da prevalência e da incidência “quer do consumo de drogas quer das doenças e prejuízos relacionados com o mesmo” (Presidência de Conselho de Ministros: 2001, p.60; cit. IDT, 2008), com o objetivo de se conseguir o mais baixo nível de efeitos nocivos (a nível global).

Com estas preocupações, em 2012 desenvolveu-se, implementou-se e avaliou-se2 o Projeto de Intervenção Socioeducativa, “Há Noites Assim!”, uma organização da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra – Gabinete de Apoio ao Estudante e da Rede Social da Câmara Municipal de Coimbra – Eixo de Intervenção Saúde-VIH SIDA do Plano de Desenvolvimento Social, que contou com a colaboração de voluntários de diversas associações e entidades.3 Este Projeto decorreu durante a Semana da Queimas das Fitas de Coimbra, de 4 a 11 de Maio de 2012, resultante da necessidade de informar e sensibilizar os estudantes do ensino superior acerca dos comportamentos de risco em contexto recreativo. Fez parte deste projeto a realização de um estudo cujos objetivos foram i) identificar comportamentos de risco associados ao consumo de substâncias, aos comportamentos sexuais, à condução rodoviária, à violência e à insegurança pessoal no dia-a-dia dos estudantes, e ii) identificar se esses comportamentos se mantêm, diminuem ou aumentam em contexto recreativo ou de festas. Para a concretização destes objetivos construiu-se o “Questionário de comportamentos de risco no

1 Sinónimo de Galera.

2 Durante as oitos noites da Queima das Fitas, estiveram presentes por noite 5 a 6 pessoas. Foram distribuídos

em média 125 preservativos (masculinos e femininos) por hora; foram realizados no stand 42 atendimentos por hora; cada voluntário realizou em média 20 atendimentos/ esclarecimentos e distribuiu por hora, cerca de 32 folhetos informativos do Projeto.

3 Nomeadamente, AnaJovem, Fundação Portuguesa A Comunidade Contra a Sida, Caritas Diocesana de

Coimbra, APF – Associação para o Planeamento da Família, Saúde em Português, Administração Regional de Saúde do Centro – CAD (Centro de Aconselhamento e Deteção Precoce do VIH – Ministério da Saúde) e Conselho Geral e Comissão Organizadora da Queima das Fitas 2012 da Associação Académica de Coimbra.

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dia-a-dia e em contexto recreativo” (QCR2) o qual será apresentado em seguida, bem como alguns dos resultados a partir dele obtidos.

Metodologia Amostra

A amostra do estudo é constituída por 123 estudantes do ensino superior4 tendo-se identificado 87 do universitário (70.7%) e 32 do politécnico (26%)5, dos quais 80,4% (n=90) frequentam a licenciatura e 19.6% (n=22) frequentam o mestrado. Composta por 59 sujeitos do sexo masculino (48%) e 64 do sexo feminino (52%) com idades compreendidas entre os 18 e os 29 anos (90% situam-se entre os 18 e os 24 anos), a amostra apresenta uma média de idades de 21.25 anos (DP=2.57)6.

Instrumento

Para este estudo foi construído o Questionário de comportamentos de risco no dia- a-dia e em contexto recreativo - QCR2 (Quadro 1), instrumento de auto-resposta, composto por quatro secções, sendo a primeira dirigida à recolha de informação sociodemográfica, nomeadamente sexo, idade, instituição de ensino (Universidade ou Politécnico), ano e curso.

A segunda secção é composta por um conjunto de 25 itens referentes a comportamentos de risco e 3 itens referentes a comportamentos protetores (que funcionam como itens de contraste) cuja escala de resposta (Nunca, Algumas vezes, Muitas vezes, Quase sempre ou sempre) permite identificar a frequência de determinado comportamento no dia-a-dia dos estudantes do ensino superior.

A construção dos itens procurou operacionalizar quatro áreas de comportamentos de risco que na literatura têm vindo a ser apontados como preditores (Cooper, 2002) quando os jovens frequentam ambientes recreativos (Giancola, 2002; Ferreira, 2008; Sommers & Sommers, 2006).

Essas áreas são nomeadamente (i) comportamentos de risco associados à sexualidade (ex. Item 5. Ter relações sexuais sem preservativo), (ii) comportamentos de risco associados o consumo de substâncias psicoativas (ex. Item 3: Consumir álcool até à

bebedeira), (iii) comportamentos de risco associados à condução rodoviária (ex. Item 6: Conduzir sob o efeito de álcool), (iv) comportamentos de risco associados a situações de

violência e de insegurança pessoal (ex. Item 21: Ir para sítios onde ninguém sabe onde

estou) (Quadro 1). A literatura da especialidade identifica algumas destas práticas como

estando associadas ao consumo excessivo de substâncias psicoativas, nomeadamente o álcool, que acontece nos ambientes recreativos académicos (Balsa, Vidal e Pascueiro, 2011), em específico nas festas académicas (Cabral, 2007). Este instrumento integra ainda 3 itens que operacionalizam 3 comportamentos protetores para o consumo de álcool e

4 Inicialmente o questionário foi aplicado a 158 estudantes do ensino superior, mas devido ao incompleto ou incorreto preenchimento de itens foi necessário eliminar 35 questionários. Assim passaram a integrar a amostra deste estudo apenas os indivíduos que responderam na totalidade ao Questionário de comportamentos de risco no dia-a-dia e em contexto recreativo (QCR2).

5

Quatro estudantes (3.3% da amostra) não identificaram o tipo de ensino superior.

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outras substâncias psicoativas, nomeadamente “Beber água” (item 18), que permite manter o nível de hidratação, “Alimentar-me” (item 22), que favorece uma absorção mais lenta do álcool pelo organismo e, ainda, “Andar acompanhado com alguém que não bebe” (item 23) que é considerado um fator protetor associado ao grupo de pares e há sua influência positiva.

Na terceira secção do questionário solicita-se ao respondente que em relação aos mesmos 28 itens que elencam comportamento de risco ou proteção identifique o que acontece durante no contexto recreativos das saídas noturnas, utilizando para o efeito uma escala de três pontos (Aumenta, Mantêm-se ou Diminui). Em termos de instrução é pedido ao respondente que em relação a cada comportamento de risco ou proteção responda, primeiramente em relação ao que acontece habitualmente, no dia-a-dia, e logo de seguida responda se esse comportamento aumenta, mantém ou diminui, avaliado agora nos contextos noturnos e recreativos. A terceira parte está, assim, dependente do preenchimento da segunda, devendo o questionário ser preenchido da esquerda para a direita.

A quarta parte deste instrumento é constituída por 5 itens referentes à categoria

Formação com uma escala de resposta do tipo “Sim” ou “Não”, o que permitiu identificar

a formação recebida na Escola e no Ensino Superior.

Procedimentos

A aplicação deste instrumento ocorreu em contexto recreativo entre 4 e 11 de Maio de 2012, dentro do recinto da Queima das Fitas de Coimbra (Queimodromo). A ação de sensibilização e informação acerca dos comportamentos de risco implicou a distribuição de um “vale de preservativos” no Queimodromo e a deslocação dos estudantes ao stand Há

Noites Assim! para a aquisição de preservativos masculinos e femininos. Aproveitando a

presença dos estudantes no stand, o grupo de pares educadores (previamente preparados e composto por voluntários das diversas instituições) realizaram a dinâmica one-to-one “pergunta-resposta”, uma conversa informal e persuasiva face-to-face na qual é dada informação relevante acerca dos comportamentos de risco e de proteção (sexuais, de consumo de SPA’s, rodoviários, violência e insegurança). Depois da interação distribuíam- se gratuitamente preservativos femininos e/ou masculinos e, por último, solicitava-se o preenchimento do Questionário de comportamentos de risco no dia-a-dia e em contexto recreativo - QCR2, garantindo o seu caráter facultativo e confidencial.

Resultados

O primeiro procedimento de validação do QCR2 consistiu na identificação da sua dimensionalidade. Assim, foi realizada uma Análise de Componentes Principais com o objetivo de verificar a sua estrutura fatorial. Para garantir a estabilidade da solução fatorial o número de sujeitos por item recomendado é de 5 (Reckase, 1984), neste estudo o rácio é de cerca de 4.92, aproximando-se do valor recomendado.

O processo de apreciação deste instrumento começou por uma análise por sujeito (da qual resultou a eliminação de 35 questionários, conforme já referido anteriormente) seguida de uma análise por item. Uma vez que se registaram mais de 20% de dados omissos nos itens 7 (Ter mais do que um parceiro/a sexual numa noite), 10 (Tomar medicamentos para aliviar a ressaca), 17 (Fazer coisas que me possam por em risco de ter

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VIH/SIDA) e 19 (Tomar a pílula do dia seguinte), estes foram retirados do questionário, não integrando as análises psicométricas. Todos os outros itens permaneceram não tendo sido feita qualquer substituição relativamente a outros dados omissos.

Análise psicométrica do instrumento

A respetiva medida de adequação da amostra - Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy (KMO=.783) e o índice de esfericidade (Bartlett’s test of Sphericity- BTS - Chi-Square (210)= 909.384; p≤.001) foram satisfatórios permitindo prosseguir com a fatorização. Uma primeira Análise de Componentes Principais (ACP), permitindo valores próprios superiores a 1, extraiu uma solução de 7 fatores (que explicam 67.99% da variância total) sendo os primeiros cinco interpretáveis mas os dois últimos constituídos apenas por dois itens cada um. Reforçados pela análise do Screeplot, realizámos nova ACP forçando uma solução de 5 fatores (Rotação Varimax), tendo-se obtido uma estrutura fatorial que explica 57.31% da variância total, não se revelando necessária a exclusão de itens. Todos os itens apresentaram valores de comunalidades superiores a .393 e valores de saturação fatorial que variaram entre .391 (Item 5) e .852 (Item 8).

Na tabela 1 apresenta-se, em relação ao QCR2 a referida solução fatorial, explicitando-se para cada fator os valores próprios, a variância explicada e os valores de alfa de Cronbach, assim como os valores de saturação de cada item no/s fatores extraídos (superiores a .30) e o intervalo dos valores das correlações de cada item com a respetiva dimensão.

Tabela 1: Valores próprios, componentes extraídos, variância explicada e valores de alfa de Cronbach para cada componente.

Item Componentes

F1 F2 F3 F4 F5

8. Consumir Cannabis .852 .134 .070 .155 .117

26. Misturar substâncias psicoativas (ex.

álcool com cannabis) .790 .108 .358 .216 -.018

16. Consumir tabaco .603 .416 -.295 .042 .078

15.Andar com amigos que consomem

drogas .573 .432 .314 -.120 .042

13.Consumir bebidas alcoólicas .055 .807 .199 .143 .012 14.Deitar depois do sol nascer .197 .783 .191 .060 .012 3.Consumir álcool até à bebedeira .253 .716 .049 .125 .087 21.Ir para sítios que ninguém sabe onde

estou -.016 .302 .711 .022 .232

25.Ficar incontactável .224 .010 .642 .196 -.077

12.Dormir fora de casa em local

desconhecido .159 .129 .588 .329 .245

20.Atravessar. deitar ou sentar na

estrada .505 .321 .514 -.018 .186

4.Em risco de ser vítima de violência .104 -.149 .023 .768 .140 2.Ter parceiro/a sexual ocasional -.041 .086 .015 .655 .100 6.Conduzir sobre efeito de álcool .217 .130 .275 .501 .049

182 27.Ter relações sexuais sob efeito do

álcool .079 .335 .062 .418 .104

5.Relações sexuais sem preservativo .029 .229 .240 .391 -.041

11.Consumir cocaína .122 -.126 .149 .153 .741

24.Consumir ecstasy -.055 .195 .363 .010 .624

28.Ter problemas com autoridades .508 -.088 .114 .077 .584

9.Bater em alguém .070 .061 .002 .438 .530

1.Conduzir sem cinto de Segurança .001 .312 -.289 .044 .509

Valor próprio 5.639 2.083 1.538 1.462 1.313

Variância explicada 13.46% 13.10% 11.02% 9.97% 9.75%

Variação da correlação corrigida item- subtotal

.467≤.r≤.701 .585≤.r≤.682 .454≤.r≤.566 .211≤.r≤.444 .222≤.r≤.449

Valor de Alfa de Cronbach (α) .796 .801 .730 .563 .644

Média (DP) 6.28 (DP= 2.45 6.12 (DP=2.08) 5.98 (DP=2.02) 5.44 (DP= 1.69 5.66 (DP=1.40)

Os cinco agrupamentos de itens foram alvo de análise de consistência interna, tendo os valores de Alfa de Cronbach oscilado entre .563 (F4) e .801 (F2). A análise do conteúdo dos itens de cada fator permite a sua interpretação de acordo com o que é esperado em função da literatura. Por um lado, os itens agrupam-se de forma a juntar os comportamentos de risco em função das temáticas específicas dos comportamentos sexuais (F4) e dos comportamentos de risco para a segurança pessoal (F3) e por outro lado, os itens agrupam-se distinguindo, em distintas componentes, os consumos de diferentes substâncias psicoativas ao mesmo tempo que se associam a outros comportamentos de risco. No primeiro fator agrupam-se os comportamentos de risco associados ao consumo de tabaco e cannabis com o fato de andarem com pares consumidores (F1). No segundo fator agrupam- se os comportamentos de risco associados ao consumo de álcool e o estilo de vida notívago (F2). No quinto fator agrupam-se os comportamentos de risco associados ao consumo de cocaína e ecstasy com os comportamento sociais problema, nomeadamente bater em alguém e ter problemas com a autoridade (F5). Desta forma passámos a designar o Fator 1 de Comportamentos de risco associados ao consumo de tabaco e cannabis e pares consumidores, o Fator 2 de Comportamentos de risco associados ao consumo de álcool e estilo de vida notívago, o Fator 3 de Comportamentos de risco para a segurança pessoal, o Fator 4 de Comportamentos sexuais e psicossociais de risco e o Fator 5 de Comportamentos de risco associados ao consumo de cocaína e ecstasy e comportamento sociais problema.

Assim, chegámos à versão final do QCR2 composta por 21 itens que avaliam os comportamentos de risco que os indivíduos percebem como sendo habituais no seu dia-a- dia.

Com o objetivo de analisar o nível de associação entre as dimensões realizou-se a matriz de correlações (tabela 2). Saliente-se o fato de todas as correlações serem significativas, sendo que as correlações mais expressivas se registam entre os comportamentos de risco associados o consumo de tabaco e cannabis e andar com pares consumidores (F1), e os comportamentos de risco associados ao consumo de álcool e estilo de vida notívago (F2) (r=.518; p≤.001). Também são igualmente expressivas as correlações

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entre estes dois fatores e os comportamentos de risco para a segurança pessoal (F3) (r=..476 e r=.441 respetivamente; p≤.001).

Tabela 2: Matriz de correlações entre subescalas do QCR2 (n=123)

**p≤.001 *p≤.01

Tal como era de esperar, quanto mais frequentes os comportamentos de risco numa área mais frequentes são também os comportamentos de risco nas restantes áreas.

Pode-se ainda, obter por item, uma pontuação específica com a qual é possível conseguir um ranking dos comportamentos que mais acontecem no dia-a-dia e em ambiente recreativo. Os rankings apresentados permitem identificar que existem comportamentos de risco que, quer no que diz respeito ao quotidiano quer ao recreativo noturno, ocupam sempre os primeiros lugares da tabela. É o caso dos itens 13 (Consumo de

bebidas alcoólicas) e 14 (Deitar depois do sol nascer) que estão sempre entre os três

comportamentos com média mais elevada, independentemente do sexo.

De notar ainda que quando se passa do dia-a-dia para o recreativo noturno o item 3 (Consumir álcool até à bebedeira) sobe de posição no ranking, aparecendo no segundo lugar para o sexo masculino (M=2.58; DP=049) e em terceiro lugar para o sexo feminino (M=2.38; DP=.68), formando, assim, o top dos três itens que integram o Fator 2 (Comportamentos de risco associados ao consumo de álcool e o estilo de vida notívago). Ainda, a título de curiosidade podemos verificar que o consumo de uma substância ilícita, item 8 (Consumir cannabis), em contexto recreativo assume uma posição mais elevada no

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