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A experiência projeto Aprender a aprender: O não formal – dentro da escola A ideia do projeto “Aprender a Aprender” (AA) surgiu, em primeiro lugar, no

No documento Atas ICICSE_IIIESE_Vol I (páginas 56-61)

Os contextos educativos cursos de educação e formação de jovens (CEF) e o projeto “aprender a aprender”: Formal ou não

4. A experiência projeto Aprender a aprender: O não formal – dentro da escola A ideia do projeto “Aprender a Aprender” (AA) surgiu, em primeiro lugar, no

âmago de um Estágio Profissional (promovido pelo PEPAC1) desenvolvido no Agrupamento de Escolas de Portela e Moscavide (instituição de ensino formal) e, em segundo, da análise do Projeto Educativo do mesmo Agrupamento, onde se enfatizava a necessidade de apoiar crianças e jovens com dificuldades de aprendizagem. Este Projeto teve como finalidade incutir nos alunos a motivação para os estudos e a apropriação de métodos/hábitos de estudo, de modo a colmatar dificuldades de aprendizagem decorrentes da falta dos mesmos. Para tal, foi concebido, estruturado e implementado um programa e as respetivas sessões de acompanhamento (em horário pós-escolar). O objetivo geral do projeto AA consistiu em: apoiar crianças e jovens com dificuldades de aprendizagem ao nível da motivação e dos métodos de trabalho/estudo. Os objetivos específicos passaram por: i) fomentar a motivação dos alunos face às aprendizagens escolares; ii) desenvolver nos alunos competências ao nível dos hábitos de trabalho/estudo. A duração do projeto decorreu no ano letivo 2010/2011 e os principais recursos foram os Diretores de Turma e a Comunidade Educativa em geral.

É possível, desta feita, depreender que o caráter do projeto é congruente com certas características da educação não formal, ou seja, uma atividade algo organizada, sistemática de modo a proporcionar tipos de ensino diferenciados e selecionados para sub- grupos de uma população particular (Rogers, 2004). Contudo, incongruente com a questão de a educação não formal apenas se circunscrever ao “fora da escola”, à exterioridade do sistema escolar que lhe é caraterística, dado que, no caso do projeto AA ocorreu “dentro” da escola, em paralelo e com forte articulação com as atividades e disciplinas escolares

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(por exemplo, algumas sessões foram reservadas para a preparação para os testes de determinadas disciplinas). De ressalvar ainda, que grande parte das desistências dos alunos referenciados para o projeto, teve também que ver com outros tipos de educação não formal, principalmente o domínio das explicações incompatíveis com a gestão horária do projeto, mas igualmente com um propósito complementar ao sistema formal.

Os resultados da avaliação do projeto permitiram perceber uma evolução gradual nestes alunos. Assim a nível de percentagem 86% dos alunos que participaram no projeto AA melhoraram, enquanto 14% mantiveram/pioraram.

Gráfico 1 – Impacto do projeto AA nos resultados escolares (%)

O que parece confirmar a ideia de complementaridade entre o formal e não formal, sendo que o projeto AA, enquanto processo de educação não formal, produziu resultados positivos no processo de educação formal, evidenciando, de certa forma, que a conceção formal ou não formal não depende de nenhuma variável pedagógica sendo em todo o caso o argumento jurídico aquele que mais serve para mais claramente discriminar ambos os tipos de educação” (Cañelas, 2006)

A maioria dos alunos participantes aumentou a motivação; a adaptação, planificação e concentração; os métodos de trabalho pessoal; a atividade na sala de aula e a valorização global das suas atitudes e métodos de trabalho face à escola. Um reduzido número manteve o mesmo nível a alguns dos indicadores, como é possível verificar no gráfico abaixo.

Gráfico 2 – Mudanças introduzidas pelo projeto AA face à educação escolar

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Outro indicador relevante foi a avaliação: as notas obtidas pelos alunos que participaram no projeto no final dos três períodos escolares, que, salvo raros casos, tiveram uma efetiva melhoria (cf. tabela 6).

Podemos, desta feita, inferir que a educação não formal, apesar de poder ser considerada como um subsistema da educação formal ou até como uma medida temporária para dar resposta aos problemas que a escola não resolve acontece inclusive dentro das próprias instituições escolares. Deste modo, devemos por em causa a premissa de que a educação não formal apenas ocorre “fora” dos sistemas formais.

Tabela 6 – Resultados escolares dos alunos Fichas registo avalição (resumo)

Turmas Nome N.º negativas

1.º P 2.º P 3.º P

7.º A Joana Castro 4 3 1

Pedro Figueiredo 1 0 Melhoria notas

7.º D João Mesquita 6 7 3 Inês Carvalho 5 6 4 7.º E António Duarte 7 6 3 7.º 4 Ana Castro 7 7 6 João Neto 9 8 10 Monis Carsanne 5 2 1 Rute Vasconcelos 6 6 7 8.º B André Duarte 0 Melhoria

notas Melhoria notas

Filipa Branco 3 2 2 Mariana Simões 3 4 2 8.º D Mariana Vieira 6 4 2 Sara Teixeira 5 3 1 5. Notas Finais

A proposta deste trabalho consistiu em tentar perceber e discutir alguns pressupostos subjacentes à educação formal e não formal tendo como referência duas experiências. A experiência CEF inserida na educação formal mas ocorrida “fora” do sistema formal de ensino (numa associação local) e o projeto AA ocorrido “dentro” da

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escola (num agrupamento de escolas) e em paralelo com as atividades escolares mas como um processo de educação não formal.

Considera-se relativamente à análise de dados acerca da experiência CEF que a “crise na escola” parece perpetuar-se, sendo que a escola parece ainda não responder a públicos específicos encaminhando-os para percursos alternativos de cariz profissional, originando uma espécie de “seletividade social”. Sugere-se, igualmente, um evidente problema de identificação do formal associado apenas e só ao ensino “regular”, notando-se dificuldade em conceber/pensar o formal “fora” da escola. Verifica-se, ainda o papel central da escola como veículo de acesso, quer a níveis mais elevados de educação, quer à valorização por parte do mercado de trabalho que, por sua vez, parece estigmatizar a formação profissional, apesar de a mesma contemplar, supostamente, as competências profissionais necessárias para determinado desempenho profissional.

No que concerne à análise de dados da experiência do projeto AA é possível entender a complementaridade entre o formal, não formal e informal (defendida por La Belle, 1982; Rogers, 2004; Cañelas, 2006), dado que através do projeto de intervenção não formal foi percetível uma melhoria significativa dos resultados destes alunos no sistema formal. Porém contesta-se que o não formal tenha como característica a exterioridade ao sistema formal, na medida que, o próprio sistema formal recorreu a um projeto de cariz não formal de modo a tentar colmatar as suas lacunas (os problemas que a escola não consegue resolver), demonstrando que “a educação é uma realidade complexa, dispersa, heterogénea, versátil” capaz de recorrer “a uma multiplicidade de processos, sucessões, fenómenos, agentes ou instituições que se tem vindo a considerar como «educativos»” (Trilla, 1993).

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No documento Atas ICICSE_IIIESE_Vol I (páginas 56-61)

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