CAPÍTULO IV – Percursos de vida e projetos de constituição dos assentados
IV. 3 – Compreensão das trajetórias dos assentados
Inúmeras são as questões apresentadas pelos próprios assentados durante entrevistas por mim realizadas, ao longo do trabalho de campo. São questões que perpassam o período anterior aos assentamentos, tais como: composição familiar, percurso laboral, escolarização, entre outros. Já no momento de constituição da condição de assentados rurais, as questões apresentadas estão centradas em temas ligados à manutenção e permanência na atividade agrícola: adaptação à nova condição de vida (assentado rural), produção agrícola (plantio, comercialização), mão de obra na lavoura, financiamentos, entre outros. Todos esses pontos, em um certo sentido, estão presentes nessas entrevistas que elegi para compor esta parte da tese.
Meu objetivo neste tópico é organizar essas questões que foram levantadas ao longo das entrevistas, para, com base nelas, compor a próxima parte desta tese, em que irei analisar cada ponto destacado.
Nos dois primeiros casos em que apresento, de assentados do P.A. Ilha Grande, os entrevistados destacam que decidiram ingressar no acampamento organizado por militantes do MST para garantirem um futuro melhor para suas famílias, uma vez que vislumbravam a possibilidade de um “pedaço de terra”, como eles mesmos afirmam, para a manutenção familiar. Mas não só isso, também como forma encontrada de “indenização” pelos anos em que trabalharam nas fazendas da usina que estava em processo de falência. Ser assentado
tinha como objetivo, naquele momento, assegurar o pagamento das dívidas trabalhistas que não tinham certeza se iriam receber.
Esses dois primeiros entrevistados também abordam as dificuldades, uma vez já assentados, em manter a unidade familiar no interior do lote. Isso porque a mão de obra familiar não é absorvida pelo tamanho físico do lote, tornando inviável ocuparem o mesmo espaço de terra (o lote), o pai e os filhos (em média dois filhos por família), exercendo atividades agrícolas. Com isso, muitos desses filhos precisam migrar para outros espaços.
Essa migração não só está relacionada à atividade agrícola, como também relacionada à moradia. Como apresenta o assentado que compõe o “Caso 1”, uma das alternativas pode ser também conseguir com que alguns filhos tornem-se assentados rurais, detentores de lotes em um dos assentamentos. É o que ocorre com o filho mais velho de Antônio José de Souza. O seu filho (Caso 4 do bloco de entrevistas do P.A. Che Guevara), após concluir os estudos, retorna ao assentamento, porém não mais dependendo do pai, pois consegue torna-se assentado do P.A. Che Guevara.
Outra questão que também se destaca nesses dois primeiros casos, é a comercialização das mercadorias produzidas nos lotes, em especial a cana de açúcar. Fica evidente não ser mais possível comercializar para as poucas usinas existentes em Campos dos Goytacazes, como também serem reconhecidas por não pagarem em dia os valores das safras. Muitos são os casos de dívidas por mais de cinco anos por parte dessas usinas. Os assentados que produzem cana de açúcar precisam encontrar outros mercados, tais como a venda para produção de caldo ou simplesmente para atender às demandas existentes na manutenção do lote agrícola: ração para o gado e consumo familiar.
No terceiro caso apresentado, ainda no do bloco de entrevistas do P.A. Ilha Grande, é possível destacar os usos dados pelos assentados para os lotes que receberam do PNRA. É um caso exemplar para compreender que, diferentemente do entrevistado anterior, em que o filho também é assentado, mas ocorre autonomia na administração dos lotes, nessa terceira família, ocorre o contrário. São três lotes da mesma família, em todos havendo a criação de gado. Os lotes são utilizados exclusivamente para um único fim: criação de gado. Esta criação é feita por todos da família, não havendo nenhum tipo de separação entre os animais, ou seja, todos são donos do rebanho, que tem como um único “administrador”: o chefe familiar.
Na entrevista seguinte, o assentado rural não conta com apoio familiar para gerir o lote. É considerado pelos demais assentados como um anti-exemplo daquilo que se espera de um assentado rural. Isso porque, por não contar com apoio familiar e por não ter condições físicas, ele precisou arrendar o lote em que mora para que outros assentados ou
não-assentados utilizassem a sua terra para a criação de animais, em especial o gado. Esta decisão acaba acarretando uma série de constrangimentos enfrentados por este assentado. Muitos desses constrangimentos não são oriundos de funcionários do INCRA, mas sim de seus próprios vizinhos, que não concordam com o fato de uma pessoa considerada incapaz por eles ter a titulação de um lote.
Já para os casos em que selecionei do P.A. Che Guevara, a primeira entrevista também apresenta mais um constrangimento existente entre os assentados: o de não residir no lote. A família em questão, de antigos funcionários da usina, por já possuírem residência em localidade próxima ao assentamento, optou, mesmo após a legalização da posse da terra, por continuar morando em sua antiga casa. Novamente, as acusações partem, na maioria das vezes, dos seus vizinhos, por não concordarem com esse tipo de decisão. Por outro lado, a família em questão argumenta que a escolha é a mais correta, pois morar no assentamento significa estar distante de serviços públicos, tais como escola, posto de saúde, entre outros.
Além disso, dentre as justificativas apresentadas, mesmo não residindo no lote, a família consegue administrar as lavouras da melhor maneira possível.
A entrevista seguinte está muito próxima ao “Caso 4 do P.A. Ilha Grande”. Isso porque a assentada também não conta com ajuda familiar para administrar o lote. Porém, contrata trabalhadores para cuidar da lavoura de cana de açúcar. Isso só é possível por exercer uma atividade fora do assentamento: cuidadora de idosos. Segundo ela, o fato de não trabalhar diretamente na lavoura, não desqualifica sua permanência no assentamento, pois todo o seu salário é revertido para a lavoura e manutenção da criação de animais que possui em seu terreiro. E também, ainda segundo a entrevistada, não seria possível ela, uma senhora viúva e sozinha, cuidar de todas as tarefas agrícolas. Essas justificativas suscitam como nos dois casos anteriores, críticas por parte de alguns vizinhos, acusando-a de não ser, de fato, uma assentada.
O terceiro caso corresponde à família gerida por uma mulher. Entretanto, esta assentada mora com o filho, de vinte anos, e sua mãe. Os três conseguem cuidar de todas as tarefas do lote, sem necessitar de nenhuma ajuda externa. Salta aos olhos, pelo relato da própria assentada, a questão da educação escolar de seu filho. Isso porque ele já terminou o Ensino Médio e deseja ingressar em um curso de nível superior. Porém, a família não vislumbra esta expectativa como concreta, uma vez que não possui recursos financeiros para manter o filho na universidade e também por necessitar dele no lote, já que é o único homem que reside com as duas.
Outra questão que também aparece neste caso, mas não só neste, como no “Caso 5”, é a utilização da aposentaria para gerir as necessidades familiares. Diferentemente do anterior, estas famílias não contam com rendas de outras atividades, mas sim do dinheiro proveniente da aposentadoria. Ser idoso e aposentado, em condição de assentamento rural, pode ser fundamental para a manutenção das atividades agrícolas, afinal, no momento de alguma emergência financeira, podem recorrer ao dinheiro da pensão.
O penúltimo caso, já brevemente mencionado neste tópico, de um casal em que ambos possuem o terceiro grau completo e já exerceram atividades consideradas urbanas, na área de fisioterapia e administração. O lote é gerido por Rafael de Souza, que pela média de idade entre os assentados, pode ser considerado como um dos mais jovens dentre os dois assentamentos. Em seu lote, um dos mais produtivos, a produção não está apenas centrada na dualidade cana e quiabo. O casal procura produzir sempre “um pouco de cada coisa”, como ele mesmo relata, para ampliar as possibilidades de comercialização.
Sempre está interessado em novas possibilidades para “testar” em seu lote. Por este motivo, no momento do trabalho de campo, sua grande iniciativa estava centrada em aprender a trabalhar com agroecologia. Segundo ele, é uma possibilidade de aumentar os ganhos e, além disso, entrar em um mercado ainda em iniciação em Campos dos Goytacazes. Porém, uma das principais dificuldades relatadas por ele estava centrada na falta de incentivos públicos para este tipo de prática. Não só isso, a família, por ter sido a última a ser assentada, não conseguiu obter os financiamentos que todo assentado recebe, quando adquire o título, torna-se legalmente assentado. Por isso, no início precisou recorrer as suas economias para administrar às despesas com as lavouras.
De todos os entrevistados, é perceptível o quanto este casal projeta uma perspectiva maior de futuro. Diferentemente do caso de número 5, uma vez que, por ser já muito idoso, não consegue vislumbrar possibilidades para manter o lote. Sua principal fonte de renda advém de sua aposentadoria e não recebe nenhum tipo de apoio dos filhos, que não residem no assentamento. Ainda com relação aos filhos, a preocupação também está voltada para o destino que estes darão ao lote, quando o pai falecer, já que por não morarem no local, não demonstram interesse em continuar as atividades exercidas por ele.
Antônio Carlos é um caso típico para compreender as dificuldades enfrentadas por homens solteiros na área rural. Nos primeiros anos em que estive no assentamento, ele era solteiro. Alguns anos atrás, decidiu se casar para, assim, dividir as tarefas diárias na agricultura. Mesmo sua esposa não participando ativamente das atividades agrícolas, ela administra a casa, o que significa menos uma tarefa para realizar ao longo do dia.
Dentre as diversas questões apresentadas pelos assentados e exemplificadas aqui nestes casos que relatei, posso destacar, no quadro a seguir, de forma resumida, três grandes eixos presentes nas entrevistas: a) entrada e permanência nos assentamentos, reprodução familiar nos lotes rurais; b) formas de produção agrícola, comercialização dos produtos cultivados, divisão do trabalho; c) atividades laborais realizadas fora do lote; arrendamento do lote; educação escolar; aposentadoria e migração.
Quadro XIII
Principais questões apontadas pelos entrevistados
Eixo 1 Eixo 2
- Entrada e permanência nos assentamentos;
- Motivos pelos quais tornaram-se assentados;
- Reprodução familiar nos lotes.
- Formas de produção agrícola;
- Comercialização dos produtos cultivados;
- Divisão do trabalho;
- Atividades laborais realizadas fora dos assentamentos;
- Arrendamento de lotes;
- Educação escolar;
- Aposentadoria.
Quadro elaborado pelo autor a partir de entrevistas realizadas ao longo do trabalho de campo.
A partir desses dois eixos em que agrupei as questões apresentadas pelos entrevistados ao longo do trabalho de campo, na próxima parte deste texto, irei analisar, de forma mais pontual, cada um deles. A análise terá como base o método comparativo. Irei comparar as questões valorizadas entre os assentados de Ilha Grande e Che Guevara, como também em pesquisas realizadas por diversos pesquisadores em outros assentamentos rurais, tanto os localizados em Campos dos Goytacazes, como também no estado de São Paulo. Para realização desta segunda parte da tese, tomarei como base o levantamento bibliográfico realizado tanto no Banco de Dados da Capes, como também na Plataforma Scielo.
PARTE II.
CONSTITUIÇÃO DO ASSENTADO RURAL: POSSIBILIDADES DE IMPREVISTOS FRENTE AO PROGRAMA NACIONAL DE REFORMA AGRÁRIA
- Introdução
No processo de consolidação de política pública de distribuição de terra, fundamentada na construção de assentamentos rurais, tem-se como “produto” final a categoria assentado rural. Categoria que, na prática, abarca heterogeneidade de alternativas correspondentes a diversidades existentes no território nacional. Essas diversidades não são apenas encontradas em diferentes regiões do país, mas também num mesmo projeto de assentamento, como foi possível constatar em trabalho de campo. Nesta Segunda Parte, valorizo a compreensão de diferenciadas maneiras de ser assentado rural, elas próprias expressando alternativas e constrangimentos situacionais, demarcando assim a objetivação de cada unidade associadamente a formas de luta e estratégias de construção e apropriação, todas expressivas do campo de possibilidades a que cada caso corresponde e a que cada assentado consegue alcançar.
Essa reconhecida diversidade é elemento de compreensão também expressa por funcionários públicos encarregados por objetivar o Programa de Reforma Agrária, como exposto no trecho a seguir, retirado do documento II PNRA, de 2003:
O PNRA reconhece a diversidade social e cultural da população rural e as especificidades vinculadas às relações de gênero, geração, raça e etnia que exigem abordagens próprias para a superação de toda forma de desigualdade. Reconhece os direitos territoriais das comunidades rurais tradicionais, suas características econômicas e culturais, valorizando seu conhecimento e os saberes tradicionais na promoção do etnodesenvolvimento (II PNRA: 2003, 8).
A perspectiva de análise da diversidade, como citada em trecho anterior (II PNRA:
2003), não pode se limitar a estar centrada apenas em expressões sociais e culturais, mas também levar em conta as condições em que os assentados se encontram no momento em que são reconhecidos como tais. Por exemplo: os meios de produção transferidos por desapropriação de fazendas; a proximidade de mercados de produtos e serviços, bem como mercado de trabalho, posto que todos esses fatores acenem com alternativas de composição de rendimentos paralelos à constituição do produtor independente; as demandas de mercado de produtos agropecuários; a presença de serviços públicos, especialmente de saúde e de ensino básico.
Para dar conta desses universos, em que de um lado pesam as constitutivas trajetórias individuais de cada assentado e, de outro, as condições de infraestrutura para assegurarem manutenção do assentamento rural, ainda operam normas sentenciadas por funcionários de órgãos estatais, que deslancham as redistribuições previstas na objetivação de processo de reforma agrária.
A legitimação e o cumprimento das normas prescritas por diferentes órgãos estatais ali atuantes, muitas vezes não correspondem, como irei destacar ao longo desta Segunda Parte do texto, às condições práticas em que os assentamentos estão sendo constituídos. A diversidade de condições operatórias dos múltiplos agentes em jogo pressupõe ações mediadoras, como ressalta Neves (2008):
Eles articulam fragmentos de significados produzidos em contextos diversos e diferenciados, escutam demandas, apoiam-nas, legitimam ou as condenam. Operam na construção de novos tipos de usuários ou beneficiários, alçados a condição de mediados. Por uma ação de bricolagem, pela acumulação de pequenos detalhes, eles administram acasos e elaboram respostas legítimas à ineficácia institucional e à falta de recursos (NEVES, 2008: 30).
Nesses termos, a mediação de agentes estatais responsáveis pela “tradução” das normas prescritas pelos órgãos públicos, corresponde ao exercício de articulador de ações entre os assentados e os representantes do Estado. Outros autores consideram-no como implementadores das políticas públicas, como, por exemplo, observa Penna (2012):
Outro elemento importante da ação dos burocratas que atuam na execução das políticas é a discricionariedade (LISPKY, 1980). Esta é uma característica inerente ao trabalho dos servidores que lidam diretamente com os beneficiários. A necessidade de traduzir e aplicar a política à realidade de cada contexto exige dos funcionários habilidade e autonomia para lidar com situações incertas e imprevisíveis que vão surgindo ao longo do exercício da função.
O que significa que estes burocratas não apenas estão implementando as políticas como também estão fazendo-as. Ou seja, ao agirem com discricionariedade no momento da operacionalização das políticas eles de fato estão as reconfigurando e as adaptando. O formato final que as políticas tomam, independente do planejamento dos gestores, é também determinado por esta burocracia (PENNA, 2012, 5-6).
A discricionariedade, como aponta Penna (2012), só é possível no momento em que há diálogo entre as partes, ou seja, entre os que a autora chama de burocratas e os beneficiários do PNRA. A reconfiguração decorre de ação de técnicos do INCRA, por exemplo, como também dos próprios assentados, que encontram formas diversas para gerir seus lotes. Muitas vezes essas formas podem até não corresponder ao previsto no corpo das normas técnicas.
Para tanto, a constituição de um assentamento rural é orquestrado pela atuação de diversos agentes, como funcionários do INCRA, Emater e militantes de movimentos sociais (MST, entre outros), responsáveis, num primeiro momento, como demandantes principais da política de reforma agrária. Essa gama de agentes diversos corresponde, na prática do ser assentado, a múltiplas intenções, em que bailam interesses institucionais, tais como os de órgãos estatais, como INCRA, Emater, Ministério Público; interesses dos movimentos sociais, MST, sindicatos de trabalhadores rurais, ONGs... E até mesmo os interesses dos antigos proprietários das áreas em disputas, no caso em análise, do usineiro falido. Além disso, também à baila os interesses dos assentados (ou futuros assentados) que, muitas vezes, não
correspondem aos interesses estabelecidos na legislação. Em suma, o que está em jogo em situacional de identidades sociais, todavia relativizadas como expressão de relações de força e de sentido que aí se encontram em jogo. Segundo a definição de identidade elaborada por Dubar (2009), por mim valorizada para melhor compreender as alternativas de compreensão dos dados apreendidos em trabalho de campo:
[...] a identidade não é o que permanece necessariamente “idêntico” mas o resultado de uma “identificação” contingente. É o resultado de uma dupla operação linguageira: diferenciação e generalização. A primeira é aquela que visa a definir a diferença, o que constitui a singularidade de alguma coisa ou de alguém relativamente a alguém ou a alguma coisa diferente: a identidade é a diferença. A segunda é a que procura definir o ponto comum a uma classe de elementos todos diferentes de um mesmo outro: a identidade é o pertencimento comum. Essas duas operações estão na origem do paradoxo da identidade: o que há de único é compartilhado. Esse paradoxo só pode ser solucionado enquanto não se leva em conta o elemento comum às duas operações: a identificação de e para o outro. Não há, nessa perspectiva, identidade sem alteridade. As identidades, como as alteridades, variam historicamente e dependem de seu contexto de definição.
(DUBAR, 2009, p.13, grifos do autor)
E aí novamente se aguçam os efeitos dos distintos percursos dos assentados. A aludida diferença é acentuada no contexto em que os ex-funcionários se percebem e investem para serem reconhecidos distintos dos de fora ou dos sem-terra. E estes, no sentido de mostrar a imprescindibilidade de seu papel político na organização social da reivindicação por terra e da terra do usineiro falido, adotando procedimentos construídos pelo modelo de ação que Sigaud et al. (2010) qualificaram como forma de ocupação, forjada na luta daqueles que aderem aos princípios de organização do MST. Sem ocupação, advogam os qualificados de fora, não haveria desapropriação e programa de assentamento. Sem este agente ali desenraizado, mas construído por referências que não se pautavam na adesão às formas de dominação postas em prática pelos usineiros, os ex-funcionários da usina não haveriam se convertido em assentados. De qualquer forma, compreendendo as contraposições como formas de valorização de ações interdependentes, a ação conjunta dos dois agentes assim polarizados construiu o contorno dos processos em jogo.
Para melhor compreensão, apresentarei, nas próximas páginas, mas de forma breve, como é oficialmente qualificado o assentado rural, nesse plano, ideal. Em seguida, com base em trabalho de campo e também em comparação com outros textos de pesquisadores que se
debruçaram na temática da reforma agrária, tentarei sistematizar algumas percepções de como os beneficiários da reforma agrária, especialmente no tocante à reinterpretação das normatizações, para conseguirem, de fato, se constituírem assentados rurais. Além disso, já no capítulo seguinte, também apresentarei algumas características da região de Araraquara, onde situam alguns assentamentos que tomarei em contraponto as questões que nortearam o meu trabalho de campo ao de outros estudos realizados naquela região.
- Normatização da figura do assentado por parte do Estado68
Para exemplificar os investimentos no sentido de gerir as condições diferenciadas de constituição do ser assentado, destaco as maneiras imperativas ou relativas de se integrar ao PNRA, como também aos serviços de crédito, demonstrações práticas de como esses lidam com os programas voltados para o desenvolvimento econômico e social destinado à
Para exemplificar os investimentos no sentido de gerir as condições diferenciadas de constituição do ser assentado, destaco as maneiras imperativas ou relativas de se integrar ao PNRA, como também aos serviços de crédito, demonstrações práticas de como esses lidam com os programas voltados para o desenvolvimento econômico e social destinado à