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1 - Relações de parentesco nos assentamentos

A constituição do assentado rural, muitas vezes, não pressupõe apenas as ações governamentais orientadas pela Política de Reforma Agrária. É fator decisivo para a concretização desta política, questões como região em que os assentamentos são construídos, qualidade do solo e da água, produção agrícola, mercado consumidor, entre outros fatores.

Todos esses pontos que irei discutir mais detalhadamente no próximo capítulo, pois neste tópico, ao estudar o processo de constituição de assentamentos, irei me ater a outro ponto, de extrema relevância, que ocorre logo após a formalização de um assentamento: a posição dos lotes frente às relações de parentescos entre os assentados.

Como já descrito na Primeira Parte deste texto, as escolhas pelos lotes foram conduzidas pelos próprios futuros assentados, que passaram a corda, como eles descrevem esse momento. Os lotes foram escolhidos por uma série de motivos, tais como: proximidades com as principais estradas que ligam os assentamentos aos vilarejos; condições naturais, como água e solo; ser distante de áreas alagadiças; desejo de estarem próximos de familiares assentados; entre outros motivos. Este último motivo descrito, pode ser determinante para a longa permanência desses assentados nos assentamentos, pois o estar próximo de algum parente pode ser determinante para o socorro em momentos imprevistos, tanto os imprevistos relacionados à produção agrícola, como também imprevistos pessoais, como problemas de saúde ou cuidado com filhos menores.

É constituinte do processo de sociabilidade camponesa, como descrito por Cândido (2010), a solidariedade entre os agricultores rurais. Essa solidariedade, expressa em ajuda, torna-se mais fácil entre membros da mesma família do que entre pessoas desconhecidas. Mas não só, é também possível, entre parentes, haver “empréstimo” de terra para cultivo de lavoura ou também para criação de animais, quando o espaço do outro assentado parente não mais suporta as necessidades de produção. Estes são os arranjos encontrados pelos assentados tanto do P.A. Ilha Grande como também do P.A. Che Guevara, para solucionarem as

limitações impostas pelo tamanho dos lotes. Além disso, também utilizam a presença de parentes nos assentamentos como forma de mão de obra, em que o filho, por exemplo, pode trabalhar alguns dias na lavoura do pai ou cuidar do gado quando este se encontra impossibilitado para exercer tal atividade.

Para melhor exemplificar como ocorrem essas relações, relembro os casos já apresentados no Capítulo IV em que ocorre a presença de mais de um membro familiar assentado e também, para contrapor, casos de assentados que não contam com o apoio da família para a permanência nos assentamentos.

a) Assentados com famílias nos assentamentos

Tanto no P.A. Che Guevara como no P.A. Ilha Grande, existem membros do mesmo núcleo familiar assentados em diversos lotes, como no caso da família de Antônio José de Souza, assentado no assentamento Ilha Grande. Seu irmão mais velho, Pedro de Souza também é assentado neste mesmo P.A.. Já o filho de Antônio José de Souza, tem lote no Che Guevara (Figura II).

As relações de proximidades, entre os membros desta família, ocorrem de duas maneiras: a) produção agrícola - por empréstimo de espaço no lote para cultivo de alguma lavoura; b) ajuda em momentos críticos, principalmente quando algum familiar encontra-se doente.

O tamanho de um lote pode ser determinante para os tipos de cultivos adotados pelos assentados. Além disso, a mão de obra também é primordial para a manutenção das lavouras.

No caso do assentado Rafael, por este ainda ser muito jovem e ter como prática a diversificação das lavouras que desenvolve, muitas vezes encontra os limites da área do lote como impeditivo para expandir a produção, principalmente a produção de quiabo. Isso ocorre porque o espaço destinado para as lavouras encontram-se durante todo o ano sempre ocupadas, ou por lavouras permanentes, como no caso da cana de açúcar, ou por lavouras temporárias, principalmente de quiabo. Além disso, a área destinada para criação do gado não pode ser utilizada para nenhum tipo de cultivo, de uma vez que os animais podem vir a comer o que está sendo plantado.

Figura II - Relação de parentesco entre os assentados Antônio José de Souza, Pedro de Souza e Rafael de Souza.

A solução encontrada foi transferir, durante alguns momentos, a lavoura temporária para o lote de seu pai, Antônio José de Souza. Esse deslocamento só foi possível, pois seu pai não produz qualquer tipo de lavoura temporária, apenas cultiva cana, que em geral é utilizada como ração para os animais. Além disso, apenas metade do lote é, de fato, utilizado por ele, pois o seu interesse maior está na criação de gado e de cabras. Assim, o espaço utilizado por ele é muito definido o ano inteiro, dificilmente necessitando ampliar o espaço dos pastos ou da lavoura de cana.

Por este motivo, Antônio José de Souza optou por ceder um espaço para que seu filho realizasse as plantações necessárias. Neste caso, Rafael decidiu que, naquele espaço, só produziria quiabo, já que o seu lote não suportaria a ampliação da lavoura. Essa produção, feita na terra de seu pai, tem o lucro totalmente revertido para ele. Neste caso, não pode ser considerado como arrendamento82, pois não há, de forma alguma, qualquer tipo de pagamento ao dono do lote. É apenas a utilização de um espaço que antes estava ocioso e que, após a iniciativa do filho, passou a ser produtivo.

Outro fator que possibilitou esse acordo entre pai e filho está relacionado ao uso da mão de obra. Rafael de Souza conta com dois rapazes, contratados em regime de diária, para

82 Analisarei casos de arrendamento no capítulo anterior.

trabalhar em seu lote. Isso faz com que ele possa ausentar-se, durante algumas horas do dia, para cuidar da lavoura que está no P.A. Ilha Grande, sem prejudicar as atividades no seu lote de origem.

Outra vantagem em poder contar com o apoio familiar dentro do assentamento, é que em momentos de necessidades, sempre tem a quem recorrer, e como aconteceu com Pedro de Souza. No ano de 2011, sofreu infarto, o que o impossibilitou de exercer qualquer tipo de atividade agrícola. Como seus três filhos não estavam mais residindo no assentamento, precisou recorrer ao irmão, Antônio José de Souza, para auxiliá-lo nas funções diárias, principalmente com o gado.

Seu irmão, Antônio José de Souza, todos os dias, durante cerca de um mês, ia até à casa dele cuidar dos animais: trocar a água do bebedouro e colocar o gado para pastar. À noite, também voltava para prender os bois e novamente colocar água. Mas não só isso, também realizou reparos em cercas de arame, preparou um espaço do terreno para o plantio de cana e negociou a venda de dois bois para ajudar no orçamento, enquanto ele estivesse acamado.

O ingresso em assentamento rural também representa, para muitos assentados, principalmente aqueles oriundos de áreas urbanas, a possibilidade de possuir casa própria.

Esta foi uma das motivações que levou a cunhada de Sônia, Clarice acampar no acampamento que propiciou os assentamentos. A sua ida ao local foi por intermédio de seu irmão, Jorge Antônio, que junto com toda a família, decidiu seguir os militantes do MST para realizar o sonho de sua irmã. Este mesmo desejo também motivou os pais de Sônia, hoje assentados no P.A. Che Guevara: “o sonho pela casa própria”, como descrito por eles, foi fundamental para a permanência no assentamento.

Pelo grande número de familiares presentes nos assentamentos (Figura III), tornou-se possível uma série de arranjos por parte deles, para se constituírem enquanto assentados. As escolhas dos lotes seguiram o critério de proximidade entre os parentes, tanto que Sônia e seu esposo privilegiaram o lote que faz divisa com o de Clarice. A escolha ocorreu, pois Clarice, naquele momento, encontrava-se doente e com uma filha muito nova, o que impossibilitaria qualquer tipo de atividade não só no seu lote, como também em sua própria casa. Prevendo as dificuldades que a irmã encontraria, Jorge Antônio construiu as duas casas (a da família dele e de sua irmã), muito próximas, pois assim poderia ampará-la em situações de necessidades. Os dois lotes, vizinhos, não possuem cerca, o que facilita o deslocamento entre uma casa e outra.

Assim, Sônia pôde não só cuidar da sua cunhada como também ajudar na criação de sua sobrinha, hoje com 12 anos de idade.

Figura III. Relação de parentesco entre os assentados Sônia Araújo, Maria Araújo e Daniel Antônio.

Como Jorge Antônio já possuía algumas cabeças de gado, antes mesmo da criação dos assentamentos, decidiu continuar nesta atividade. Como sua irmã não teria condições para cuidar do lote e ele, por este motivo, deveria ajudar a irmã no cultivo com a terra, decidiram que o melhor seria também não separar os dois lotes com cercas. Assim, começaram a criar gado, sem qualquer tipo de separação entre os dois espaços. Dessa forma, Jorge Antônio é o responsável tanto pela própria criação de animais, como também a de sua irmã. Assume a responsabilidade por todas as etapas de criação dos animais, desde o cuidado diário até à venda “dos bichos”.

A entrada do filho mais velho, Daniel Antonio, no assentamento, no ano de 2014, possibilitou a expansão da criação de gado pela família. Essa expansão ocorreu porque Daniel não exerce atividade no interior do assentamento. Segundo ele, trabalhar com agricultura e pecuária pode ser arriscado, uma vez que se deve enfrentar uma série de imprevisibilidades.

Assim, optou por continuar no seu emprego anterior, em uma olaria da região, o que possibilita a estabilidade de rendimentos financeiros, recurso que no assentamento não seria possível. Ele apenas utiliza o lote para residir, onde construiu uma casa, com a ajuda de seus pais, e mora com a esposa e o filho recém nascido. Não se estabelecendo no lote, Daniel

permitiu, com tudo, a transferência, informal, da área para o seu pai. Com isso, Jorge Antonio pôde expandir a criação de gado para este novo lote e dividir os lucros com o seu filho.

Os pais de Sônia Araújo, Maria Araújo e Antônio Araújo, são assentados do P.A. Che Guevara. Eles, por serem idosos, possuem poucos animais (gado) no lote e decidiram que o melhor para eles seria a plantação de cana para comercializarem com atravessadores, que revendem a cana em forma de caldo. Além disso, a cana produzida nesse lote também é utilizada para a alimentação dos animais de Jorge Antônio, em momentos de seca, quando os pastos não estão cobertos de capim.

Esses arranjos facilitam a permanência dos assentados nos assentamentos e, consequentemente, a autonomia financeira que tanto almejam. Entretanto, ter parentes assentados não significa segurança em poder contar com os apoios descritos anteriormente.

Nos dois casos que descrevo a seguir, mesmo havendo irmãos assentados em situação de proximidade, a solidariedade entre os familiares não é recorrente. É o que ocorre entre os irmãos Francisco Santos e Ademar Santos (Figura IV).

Ambos são assentados do P.A. Che Guevara, possuem lotes próximos, separados apenas por uma estrada. Entretanto, constituíram-se enquanto agricultores familiares não com o apoio um do outro, mas sim de forma isolada. Essa separação ocorre pela incompatibilidade entre os tipos de cultivos que cada um mantém em seus lotes. Isso porque, Francisco Santos, por não residir no assentamento, optou por utilizar o espaço para plantação de frutas e pequenas lavouras de hortaliças e legumes. Isso só é possível, porque ele conta com a sua aposentadoria e também de sua esposa83. Não necessita, diretamente, produzir valor monetário para sobrevivência familiar. Por outro lado, a família de seu irmão, Ademar Santos, falecido no ano de 2015, não conta com qualquer tipo de benefício e precisa, inevitavelmente, gerar lucros com a utilização do lote. Por isso, plantam quiabo em todo o lote, lavoura que naquele espaço é mais vantajosa, dada a procura por atravessadores, recorrentemente pela busca do produto.

83 No próximo capítulo irei discutir aposentadoria entre os assentados, como forma de fixação nos assentamentos.

Figura IV - Relação de parentesco entre os assentados Francisco Santos e Ademar Santos.

Assim como ocorre entre as irmãs Helena e Creusa de Almeida (Figura V) elas assentadas no P.A. Che Guevara, com lotes próximos, porém não comungam qualquer tipo de associação entre elas, ao menos com relação à produção em seus lotes. Isso porque, ambas as irmãs contam com apoio de seus filhos para os cultivos nas lavouras. Helena, juntamente com o seu filho, consegue gerir a produção de quiabo, principal fonte de renda para a família, e também as demais lavouras, caso da cana. Também conta com a aposentadoria de sua mãe, que reside com ela e também com a ajuda financeira de seu irmão mais novo, que mora em sua casa e trabalha como pedreiro. Já Creusa, também produz cana e quiabo em seu lote e conta com o trabalho do filho e do esposo para manter as atividades diárias nas lavouras.

Nesses dois últimos casos apresentados, a presença de filhos e pessoas idosas que recebem aposentadorias, é determinante para a fixação no assentamento. Assim, o apoio entre os parentes não ocorre, diretamente, com a produção agrícola, mas sim em momento de atendimento de necessidades, como problemas de saúde, por exemplo. Ter um parente próximo para contar, nessas situações, é de extrema valia e, de certa forma, fator que o diferencia daqueles que não podem contar com esses apoios.

Figura V - Relação de parentesco entre as assentadas Helena de Almeida e Creusa de Almeida.

b) Assentados sem famílias nos assentamentos

A conquista de autonomia para os assentados rurais requer a presença de mão de obra para compor as atividades agrícolas. Muitas vezes, este apoio só pode ocorrer pela ajuda familiar, pois o pagamento de diaristas, em muitos casos, não é compatível com a renda dos assentados. Mas não só isso, o estar distante de parentes, pode acarretar uma série de constrangimentos por parte dos assentados, como ocorre com Jair Silva (Figura VI).

Este assentado, no momento em que se estabeleceu no Projeto de Assentamento Ilha Grande, era casado e podia contar com o apoio da esposa para as realizações junto ao lote.

Estas atividades exercidas pelo casal, nesse primeiro momento, estavam centradas em se constituírem enquanto assentados rurais. Por isso, iniciaram lavouras de quiabo e criação de gado, assim como os demais assentados. Também construíram casa onde iriam morar.

Entretanto, após alguns anos, com o fim do relacionamento entre os dois, apenas Jair permaneceu no assentamento. E neste momento, por estar sozinho para exercer as atividades necessárias à produção agrícola, não mais conseguiu manter o mesmo padrão de antes.

Figura VI - Relação de parentesco entre do assentado Jair Silva.

Isso porque, logo após a separação, passou por problemas de saúde e não conseguiu recuperar-se até hoje. Com a doença, sem poder trabalhar como antes, viu-se obrigado, para sua sobrevivência, a arrendar84 parte do lote para criadores de gado, alguns, inclusive, assentados do P.A. Ilha Grande e Che Guevara. Esta atitude acirrou conflito entre os seus vizinhos, pois constantemente era acusado de não cumprir as “obrigações” de assentado, já que não conseguia gerir o próprio lote.

O arrendamento do lote lhe fornece certa estabilidade financeira, porém não supre todas as suas necessidades econômicas. Por isso, para complementar sua renda, decidiu confeccionar esteiras de tabua, vendidas a atravessadores da região. Esta atividade, que aprendeu ainda na infância, com a sua avó, é predominantemente exercida por mulheres ou, em casos excepcionais, homens também confeccionam, mas sempre para ajudar suas esposas, filhas ou mãe, nunca como forma predominante para gerar lucro próprio. Isto não é o que ocorre com Jair. Ele utiliza a venda de esteiras para o seu sustento próprio, já que não possui outro membro familiar no assentamento. Com isso, o assentado é motivo de chacota, entre os demais, por não exercer uma atividade considerada masculina, mas sim feminina. São constrangimentos que dificultam a sua socialização com os vizinhos, pois todos o têm como um anti-exemplo no interior do assentamento. Afinal tenta ocupar um espaço que, naquela

84 As implicações com arrendamentos de lotes serão apresentadas no próximo capítulo.

região, sempre foi considerado como exclusivamente das mulheres e, além disso, não consegue gerir o próprio lote e precisa contar com pessoas para arrendá-lo.

Outros tipos de constrangimentos também ocorrem com Edith (Figura VII). Ela reside no Assentamento Che Guevara e não conta com apoio familiar no local, isso porque seu único filho mora no Centro de Campos dos Goytacazes e não pode estar presente para auxiliar a mãe nos afazeres agrícolas. Por isso, a assentada precisa contar com a ajuda de seus vizinhos para manter a lavoura de cana. Esta ajuda, por não ser constante, fez com que D. Edith optasse por contratar, como diarista, um rapaz, também morador do P. A. Che Guevara, para auxiliá-la, já que sozinha não conseguiria manter a produção agrícola.

Figura VII - Relação de parentesco da assentada Edith.

Além disso, por ter além dos gastos com a lavoura de cana, gastos com as pessoas que contrata para trabalharem em seu lote, num determinado momento, decidiu arrendar mais de 90% do espaço para um assentado do P.A. Ilha Grande, que começou a produzir cana e, como estava no contrato estabelecido pelos dois85, mensalmente ele receberia, do “locatário”, valor fixo pelo arrendamento. Este acordo durou cerca de dois anos e foi finalizado em 2012, por desentendimentos entre os dois.

85 O contrato, assinado pelos assentados, foi firmado em cartório no ano de 2010.

Também para conseguir manter o lote e suas necessidades básicas, mesmo após tornar-se assentada, continuou na atividade que exercia antes do assentamento: cuidadora de idosos. Com isso, precisa ausentar-se, cerca de três vezes por semana, do lote e ir até o Centro da cidade de Campos, onde trabalha. Este trabalho, sempre no turno da noite, a impede, de acordo com ela, de estar mais ativamente nas funções necessárias para manutenção da lavoura de cana. Isso a impede de ampliar o espaço de cultivo e tentar criar animais, por exemplo, pois requer atenção diária.

Esses impedimentos, principalmente já em momento de vida qualificado como idosa, criam impossibilidades para a permanência dos assentados nos assentamentos. Quando estes permanecem, precisam criar alternativas para sua própria sobrevivência, como as descritas nos casos de D. Edith e Jair. Porém, outras alternativas são criadas por eles, como, por exemplo, a adotada por Francisco Carlos, assentado no P.A. Che Guevara.

Antônio Carlos possui uma extensa família, seis filhos e mais de vinte netos (Figura VIII). Mas todos residem em outros bairros da cidade de Campos dos Goytacazes e ele não pode contar com ajuda dos filhos ou netos porque todos já constituíram suas vidas de forma independente da do pai. Nos primeiros anos como assentado, conseguiu gerir o lote, de forma independente, sem precisar contar com a ajuda deles e, em momentos específicos, contratava trabalhadores, diaristas, para auxiliá-lo nas atividades rurais.

Entretanto, com o passar dos anos, pelas dificuldades financeiras e da idade, Antônio Carlos viu-se impossibilitado de continuar com as mesmas atividades com que até então conseguia manter em seu lote. Diante de tal impedimento, decidiu estabelecer matrimônio com uma vizinha de sua filha, pois a sua futura esposa havia demonstrado interesse em residir no assentamento e, mesmo não sendo socializada nas atividades agrícolas, estava disposta em ajudá-lo.

No ano de 2012 casaram-se e desde então os dois dividem as tarefas no lote. Antônio Carlos trabalha no cuidado dos animais, na lavoura de cana, e também do pomar. Sua esposa, Valdicéia, fica responsável pelos afazeres domésticos e da alimentação dos animais pequenos, como galinhas, patos, cachorros.

Esse tipo de união matrimonial ocorre com certa freqüência em área rural, em que manutenção do agricultor torna-se impossível quando este não dispõe do apoio familiar, principalmente em caso de morte da esposa e saída dos filhos para outros espaços, ou como

Esse tipo de união matrimonial ocorre com certa freqüência em área rural, em que manutenção do agricultor torna-se impossível quando este não dispõe do apoio familiar, principalmente em caso de morte da esposa e saída dos filhos para outros espaços, ou como