3.2 SOBRE OS FUNDAMENTOS DAS TD
3.2.2 Contextualizando a Formulaicidade
Todo dizer de um falante tem movimento, cristaliza-se e faz rede na dinâmica histórico-social em que o institui e, ao mesmo tempo, o salienta (MOTTA; SALGADO, 2011, p. 5). Assim, esse dizer, ao se mover em sua densidade histórico-cultural e social, circula entre os falantes nativos de uma língua e nessa efervescência discursiva molda-se, ou transforma-se, em fórmulas linguísticas que se estabilizam – embora não se tornem imóveis ou imutáveis – ou apoiam-se nessas fórmulas em novas construções. Tais fórmulas aportam- se, em linhas gerais, à linguagem natural, social, de uso cotidiano, à “linguagem do povo simplesmente” (URBANO, 2011, p. 30), expressando no falar dos grupos sociais suas experiências de vida.
O prazer da frase é muito cultural. O artefato criado pelos retóricos, gramáticos, linguistas, mestres, escritores, pais, esse artefato imitado de uma maneira mais ou menos lúdica: joga-se com um objeto excepcional, cujo paradoxo foi bem sublinhado pela linguística: imutavelmente estruturado e no entanto infinitamente renovável: algo como o jogo de xadrez (BARTHES, 1987, p. 66).
A frase feita, construída socialmente revela-se no continuum da imediatez comunicativa, através de sua oralidade, em contraponto à distância comunicativa, em sua escrituralidade (KOCH; OESTERREICHER, 2007) e produzem sonoramente “uma linguagem inculta, popular em sentido restrito, com grau mínimo de planejamento” (URBANO, 2011, p. 47).
O material linguístico nessa propositura analítica compreende, em linhas gerais, às fórmulas situacionais, evidenciadas por Urbano (2011), em uma ancoragem através da qual é por ele chamada de fórmulas fixas (URBANO, 2011, p. 90). Por situacionais, ainda esclarece como sendo “ligadas à situação”, onde “todo falante as emprega espontaneamente, mas não a esmo; emprega-as em determinadas situações” (URBANO, 2011, p. 88). De igual modo, essa fixidez naturalmente é discursiva e se encontra no léxico de uma comunidade de falantes, pois
Quando cristalizado, faz-se nó de uma rede – não um ponto final, não um ponto isolado, mas ponto nevrálgico, lugar estratégico na dinâmica histórica que o institui e salienta. [...] Toda fórmula discursiva comporta uma densidade histórica que se presentifica na sua circulação, apoiada em pré-
construídos e voltada a novas construções (MOTTA; SALGADO 2011, p. 05).
Ribeiro (1980 apud GURGEL, 2008, p. 53), incita-nos a ver o uso da fraseologia a partir das frases proverbiais. Isso porque, segundo a autora, “numa pequena frase estão reunidas lições de prudência, esperteza, sabedoria mesmo”, observados nos autos compilados. É o caso, por exemplo, da expressão “Bendito louvado seja”, ou “Deus lhe pague a bela oferta”.
Para fins de análise, concentramo-nos nas fórmulas que “ouve a voz por trás do texto” (OBELKEVICH, 1997, p. 43), evocando sua oralidade, e mais precisamente que repousam nas TD, revelando sua própria existência nessa aura de circulação constante.
Na gênese da fórmula, encontramos na paremiologia seu primeiro (re)pouso. As fraseologias recaem em ditos populares que expressam, muitas vezes, “sabedoria e conselhos, de maneira rápida e incisiva” (OBELKEVICH, 1997, 44) e se cristalizam socialmente. É o caso, por exemplo, dos fraseologismos,
Tidos como sinônimos de provérbio que ora se distanciam, ora se aproximam entre si. Uns possuem traços particularmente diferenciados de provérbio, como a chufa, o rifão e o dictério que têm traços maliciosos, satíricos e vulgares respectivamente; outros possuem autoria conhecida como o aforismo, o apótegma, o axioma, a citação, o pensamento e a sentença. Existem fraseologismos, como a máxima e o brocardo, que têm cunho erudito; outros, cunho publicitário como o slogan; outros, forma estereotipada como o clichê e a frase feita; sem esquecermos das unidades que se caracterizam primordialmente pela rima, como o refrão. Entretanto, alguns fraseologismos são apenas sutilmente diferentes de provérbio como o adágio, o anexim, o dito, o preceito e o ditado; este último, aliás, difere-se especialmente por não apresentar metáfora. Por fim, consideramos inconfundíveis com o provérbio: a superstição, por se tratar basicamente de uma crença popular relacionada a lendas; e a expressão idiomática porque esta, além de não representar nenhuma verdade universal, na maioria das vezes, é estruturalmente constituída por enunciados incompletos ou ULs complexas que constituem partes de enunciados, ao invés de orações completas e fechadas (XATARA; SUCCI, 2008, p. 33-34, grifo nosso).
A respeito dos provérbios, Obelkevich, (1997, p. 48) atenta para o fato de que estes “atravessam as fronteiras normais da linguagem e representam um registro polivalente e multifuncional com existência própria”. Tendo, em rigor, essas características, é fácil reconhecer sua variabilidade explícita e não estereotipada, uma vez que são “vistos como parte de um código restrito que encapsula a experiência, aprisionando-a” (OBELKEVICH, 1997, p. 72). Tal prisão, para o autor, é a “comporta da conversação”. Sendo assim, se há
dialogicidade entre os sujeitos, paralelamente, há tradicionalmente uma circularização do texto, que pela definição de Ong (1971 apud OBELKEVICH, 1997, p. 74): “nas fórmulas o pensamento vivia e mudava, e tinha sua existência”.
Nessa senda, Cascudo (1978, p. 73) sugere que as “frases feitas, adágios, provérbios, rifões, exemplos e sentenças, ditados, anexins, aforismos, apotegmas, máxima constituem-se como uma literatura incrivelmente atual”. Isso acontece por sua sabedoria popular sempre se atualizar. O mesmo acontece com a formulaicidade textual. Sua composição é nômade e movente em meio à circularidade social. Para o autor,
Os provérbios seculares, sua atualidade inarredável, as variantes, adaptações e riqueza de assimilação popular, a paremiologia nacional, assim como as diversas fórmulas presentes nas fraseologias dos cantos das folias de reis com o espantoso imprevisto das comparações inesperadas e curiosas, vai lentamente sendo divulgado em sua extensão (CASCUDO, 1978, p. 74, grifos nossos).
Embora, muitas vezes, confundidos o provérbio e o adágio têm suas características que os distinguem. Enquanto este tem caráter moralizante, que aconselha, orientando para procedimentos sociais e individuais, o outro tem na simplicidade frasal uma conduta menos moral, porém que se fixa em uma proposta mundana, externa ao sujeito. No caso das EF, não se tratam de frases proverbiais, inseridas na paremiologia. Paradoxalmente, são textos rotineiros e de repetições de várias ordens, presentes nos dizeres populares. Em comunhão, são vistos como ditos populares tradicionais de sabedoria e conselho, rápidos e incisivos, envolvidos nos valores e costumes sociais.
Não há evidentemente como dissociar a formulaicidade do constructo de provérbios. Isso porque as fórmulas frasais são, em tese, as que se constroem por sua cristalização social e histórico-cultural. Entretanto, a respeito de tantas outras pesquisas que enfocam o provérbio, enquanto tal, nossa tentativa é apresentar as frases moventes que permeiam em todas as FR, à medida que são reiteradas constantemente.
Para isso, tomamos Mota (1974 apud CAZELATO, 2008, p. 24) que categoriza os provérbios, em três aspectos: os clássicos, os literários e os populares. Nesse caso, o primeiro diz respeito à sua origem erudita, repousados nos bíblicos, filosóficos e religiosos; e o segundo, também eruditos, provêm da literatura clássica universal, teatro, ou ditos de personalidades históricas. No que diz respeito à terceira espécie, os populares, são os que se configuram pelos usos e costumes dos sujeitos. Nas FR, observamos uma mescla de clássicos e populares. Há resquícios de passagens como “Pai, Filho e Espírito Santo” (FRM/GO),
comuns em orações cristãs, e “Deus vos pague pela esmola/Dada de boa vontade” (FRCG/GO), mais tipicamente usuais no agradecimento a uma esmola dada.
Mesmo tentando delimitar nosso enfoque para o estudo da formulaicidade, dentro das nuances próprias do estudo proverbial, mesmo que preliminarmente, alguns matizes levaram-nos à sentença proverbial. Nosso interesse no provérbio, enquanto frase que se cristaliza e move-se socialmente, pode ser evidenciado na proposta de Urbano (2002, p. 282). Para ele, uma sentença proverbial poderá se apresentar como uma (i) frase proverbial (provérbio propriamente dito) e uma (ii) frase de origem proverbial (ou seja, frase proverbial adaptada) e é dessa premissa maior de adaptação da frase que ancoramos o estudo das EF. Isso porque, embora não sejam frases genuinamente proverbiais nos autos analisados, muitas delas são igualmente nômades e moventes, como são os provérbios e ancoram-se na religiosidade dos sujeitos, circulando socialmente em outros contextos – é o caso das EF encontradas nos gêneros orais, nas MPB, nos sincretismos religiosos distintos, nas benzeduras, etc.
Nesse corolário, Lopes, A. (1992) oferece uma classificação para o provérbio, pautado no binômio aberto e fechado. Segundo a autora, em formulações proverbiais há um paradoxo entre a flexibilidade e a cristalização de um provérbio. Assim,
Pela nossa parte, interessa-nos encontrar respostas para uma problemática distinta, centrada na contradição, algo paradoxal, entre a extrema flexibilidade de adequação contextual do provérbio e o carácter fortemente cristalizado deste tipo de texto. No cerne da nossa investigação, aparece, pois, como decisiva a questão do estatuto híbrido do provérbio, texto simultaneamente fechado e aberto: fechado, na medida em que transporta consigo uma interpretação-padrão estável no seio da comunidade; aberto, na medida em que faculta uma multiplicidade de leituras, condicionadas pelas situações em que é invocado (LOPES, A., 1992, p. 02, grifos da autora).
Tal concepção é uma dinâmica bastante evidente nas FR. Isso acontece, por exemplo, na expressão “Pai, o Filho e Espírito Santo” (FRM/GO), uma forte alusão às orações cristãs, definindo o que a autora qualifica como formulação fechada e cristalizada. E na fórmula “Deus vos pague a sua esmola” (FRBJJ/GO), uma proposta aberta e flexível, que é reiterada nos cantos com múltiplas situações, como é o caso de pedir jantar, pouso, oferta, ceia etc.. Há, nesses casos, uma compreensão conotada e denotada dessas fórmulas. Isto é, há nos cantos dos autos analisados, frases cristalizadas, partindo de seus credos sacros, e outras que são variantes e com múltiplos entendimentos, advindas do meio social do sujeito. Lopes, A. (1992, p. 03) oferta-nos com os termos literais e figurados. A ênfase é posta nas EF, enquanto
fórmula reiterada e que circulam. É no “dizer que as pessoas falam delas, que seus lugares de surgimento se diversificam, que elas se tornam um objeto partilhado” (SCHEPENS; KRIEG- PLANQUE, 2011, p. 16).
Destacamos a circulação geográfica e fronteiras ideológicas que a “fórmula atravessa [n]os limites dos campos e sofre, quando é o caso, adaptações” (POSSENTI, 2011, p. 61). A noção de fórmula tem como característica básica a sua brevidade. É uma linguagem frásica que “circula de forma mais ou menos fixa” e “designa formas breves de diversas dimensões” (POSSENTI, 2011, p. 62).
As fórmulas em suas propriedades essenciais possuem: (i) forma cristalizada; (ii) inscrição discursiva; (iii) condição de referente social e (iv) caráter polêmico que poderão, ou não, manifestarem-se de modo uniforme (KRIEG-PLANQUE, 2011, p. 17). Ela é “essencialmente dialógica, daí a sua percepção corrente como palavra de outrem” (MIQUELETTI, 2011, p. 70). Nesse caso, Silva, E. (2006, MOTTA; SALGADO, 2011, p. 86), amparada em Krieg-Planque, esclarece tais propriedades:
(i) Quanto à natureza de sua cristalização, apresentam-se a estrutural e a memorial e com grau que “vai desde sequências totalmente livres até sequências completamente cristalizadas.” (MOTTA; SALGADO, 2011, p. 90).
(ii) Embora possua sustentação em uma “materialidade linguística relativamente estável, a noção de fórmula não é linguística” (MOTTA; SALGADO, 2011, p. 91), mas discursiva. É necessário seu uso para sua existência.
(iii) A terceira propriedade mostra-nos que “a fórmula é um signo que evoca alguma coisa para todos num dado momento.” (MOTTA; SALGADO, 2011, p. 92).
(iv) Em alguns casos, “a fórmula é negada pela própria comunidade que a instituiu.” (MOTTA; SALGADO, 2011, p. 94). Eis, pois, a quarta propriedade da fórmula.
Tomemos como exemplo algumas fórmulas linguísticas das FRM/GO:
1. Deus vos pague a boa mesa. 2. Ai, Deus lhe pague a boa esmola. 3. Deus vos pague a bela mesa.
Observe que em (i) a fórmula existe por suas variantes; sua estrutura textual/discursiva pouco ou nada varia. Em (ii) assume um estatuto de fórmula à medida que ela passa a ser empregada socialmente. Em (iii) no agradecimento existente, enquanto referente social, poderá se apresentar em outros discursos como é o caso da músicade Chico Buarque: “Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir/ A certidão pra nascer, e a concessão pra sorrir/ Por me deixar respirar,/ por me deixar existir/ Deus lhe pague”, ou na canção de Padre Zezinho: “Desculpa, minha mãe/ Por não ter dito um Deus te pague/ Desculpa minha mãe por não saber te agradecer/ Desculpa pelas faltas de respeito/ Desculpa este teu filho que cresceu”. No que confere ao (iv) caráter polêmico instaura-se no reconhecimento social dessa fórmula, que poderá “se centrar sobre a (in)adequação à coisa que ela designa (ao referente); sobre o caráter real ou irreal do referente designando pela fórmula” (MOTTA; SALGADO, 2011, p. 95).
O singular é que cada EF se insere nos lugares comuns do discurso, nos falares cotidianos dos sujeitos, transformando-se em elementos identitários de uma comunidade. Sua linguagem é
Considerada como uma instituição, um instrumento de comunicação. Ela serve, em primeiro lugar, de suporte ao pensamento. Por outro lado, exerce uma função estética, ela se confunde de perto com as funções comunicativa e expressiva. Finalmente, ela é articulada, isto é, as experiências a transmitir, as necessidades que se pretendem revelar a outrem se analisam numa série de unidades, cada uma delas possuidora de uma forma vocal e de um sentido e o modo por que se ordena a experiência comum a todos os membros de determinada comunidade linguística (ALVAREZ, 2007, p. 02).
Enquanto instituição, função estética, transmissão de experiências, o fato é que a linguagem permite esse intercâmbio entre os indivíduos. Nada mais correlato do que a inserção de EF como células vivas na comunicação desses sujeitos. Da necessidade de falar, da diversidade dos discursos à presença no canto, as EF permanecem presentes na constituição das vozes dos indivíduos, movendo-se cronotopicamente e se conversando socialmente. “Cristalizam-se nelas enraizadas experiências históricas. Refletem-se nelas valores morais e atitudes sociais” (ALVAREZ, 2007, p. 03) que
Revelam uma dinâmica que espelha o ritmo de vida dos homens. Misturadas à linguagem da conversação espontânea diária, onde perdem para o falante a sua condição de unidade fraseológica, elas são assumidas como vocabulário comum (ALVAREZ, 2007, p. 04).
Em linhas gerais, as EF podem ser entendidas como “expressões cristalizadas com sentidos metafóricos ou implicados que exigem conhecimento de mundo, levam em conta processos intertextuais” (CAZELATO, 2006, p. 1787). Entretanto, significa admitir que essa função metafórica nos cantos dos autos natalinos nem sempre é visível, mostrando-se às vezes como mero enfeite retórico, como se vê em: “Ai, senhor dono da casa” destoante da expressão metaforizada: “Abençoada seja a hora”. “Uma vez que a fixidez estrutural dessas fórmulas é um tanto pequena, sua variabilidade é muito grande” (ZANETTI, 2009, p. 19) e com características atemporais que resultam em TD, contributo das atividades mnêmicas sociais.
Outra característica observável – que confirma a expressiva presença de uma EF – é o fato de que a fixação do texto apresenta “certas particularidades no plano fônico” (LOPES, A., 1992, p. 12), permitindo padrões rítmicos, que leva a uma maior recorrência à fórmula. Podemos verificar em: “Senhores dono da casa/Abre a porta e acende a luz/Vem receber os Santos Reis/Que é o retrato de Jesus” (FRCG/GO) e “Ô de casa, ô de fora/Ô de casa, nobre gente/Na sua porta chegou/Os Três Reis do Oriente” (FRJ/GO).
Quando se trata da permanência, de sua variabilidade oral nos cantos dos autos natalinos, verificamos pouca mudança, onde sua EF não possui significativas inovações, como podemos observar na figura 13:
PERMANÊNCIA
Bate asa canta o galo (BRMMM/RN) Bateu asa, canta o galo
(FRBJJ/GO)
Bateu asa e cantou o galo (FRCM/MA)
O galo voou no cruzeiro/bateu asa e cantou
(FRMT/RJ) Guiado por uma estrela (FRMTRJ)
Saíram guiados por uma estrela (FRSM/MG)
Guiado por uma estrela (FRJP/MG)
Por uma estrela guiados (FRC/RJ)
Faça o sinal da cruz (FRJPMG) Faz o seu sinal da cruz
(FRMT/RJ)
Fazendo o sinal da cruz (FRBJJ/GO)
Vamos fazer o sinal da cruz (FRSJ/MG)
Nessa hora de alegria (FRMTRJ) Oh! que hora de alegria
(FRSM/MG)
Nesta hora de alegria (FRC/RJ)
Ai nessa hora de alegria (FRP/SP)
Pra ser nosso Salvador (FRSMMG) Ai ele é o nosso salvador, ai.
(FRM/ES)
Ai ele é o nosso salvador, ai. (FREM/ES)
Ele é nosso Salvador (BRMMM/RN) Figura 13: Permanência nos autos natalinos
No caso da mudança, verificamos atualização/inovação nas EF dos autos natalinos, como observamos na figura 14:
ATUALIZAÇÃO/INOVAÇÃO O galo do Céu cantou (FRSMMG) Antes do galo cantar
(FRSM/MG) Meia noite o galo canta
(FRC/RJ)
Quando o galo deu sinal (CRSC/MG) Hora que o galo cantou
(FRP/SP)
Os galo deram o sinal (FRMT/RJ) O meu galo já cantou
(FRPJM/PB) Louvado seja o Bendito (FRMGO)
Louvado seja o poder (FRP/GO)
Louvado seja o Senhor (FRANMG)
Louvado o amor divino (FRP/GO) Meu senhor dono da casa (BCPSG/RN)
Senhores dono da casa (FRJ/GO) Cidadão dono da casa
(FRAL/GO)
Meu sinhô dono da casa (BRMMM/RN)
Sôr dono da casa (FRCMMA) Sinhorim dono da casa
(BRMPG/RN) Meia noite deu sinal (FRVM/MG)
Meia noite já foi dada (FRM/GO)
Já deu meia noite (FRPJM/PB)
O cantar da meia noite (FRMT/RJ) Que eu volto o ano que vem (FREM/ES)
Até o ano que vem (CRSC/RJ) Se Deus quiser! Ano que
vem. (FRUF/PR)
E até pro ano que vem (FRMTRJ)
Adeus, até no ano que vem. (FRPG/GO)
Quando for o ano que vem, oia, oia (FRP/SP) Até pro ano que vem os
anjos (FRCG/GO) Figura 14: Mudança nos autos natalinos
Fonte: Dias (2012)