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PARTE ESPECIAL CRIMES CONTRA A PESSOA

HOMICÍDIO CULPOSO

C. LESÃO CORPORAL DE NATUREZA GRAVÍSSIMA

4. CRIMES CONTRA A HONRA

Honra é o conjunto de qualidades físicas, morais e intelectuais de um ser humano, que o fazem merecedor de respeito no meio social e promovem sua autoestima.

A honra classifica-se em:

Honra objetiva  visão que a sociedade tem acerca das qualidades físicas, morais e intelectuais de determinada pessoa. Reputação do indivíduo. Os crimes de calúnia e difamação atacam a honra objetiva, imputando fato específico e determinado, e consumando-se quando a ofensa proferida chega ao conhecimento de terceira pessoa.

Honra subjetiva  sentimento que cada pessoa possui acerca das suas próprias qualidades físicas, morais e intelectuais. Autoestima. A injúria viola essa honra subjetiva, atribuindo não um fato, mas uma qualidade negativa à vítima, e se consuma quando a vítima toma ciência da ofensa que lhe foi proferida.

4.1 CALÚNIA

Atribuir falsamente a alguém a prática de um fato definido como crime. Pena  detenção de 6 meses a 2 anos e multa.

Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga. Atinge a honra objetiva.

O crime imputado pode ser doloso ou culposo, punido com pena de detenção ou reclusão, de ação penal pública ou privada.

Deve-se imputar um fato determinado e contra pessoa certa e determinada.

A falsa imputação de contravenção penal não configura crime de calúnia, mas sim de difamação.

A falsidade pode recair sobre a ocorrência do fato ou sobre a autoria do delito. A calúnia pode apresentar-se das seguintes formas:

a) Inequívoca ou explícita  ofensa direta, manifesta. b) Equívoca ou implícita  é uma ofensa discreta.

c) Reflexa  vai caluniar uma pessoa e acaba por caluniar outra pessoa Tb.

O crime se consuma quando uma terceira pessoa toma conhecimento do fato, não importando se a vítima sabe ou não.

A tentativa é possível dependendo do meio de execução do crime: se falado não admite tentativa, mas se escrito, por exemplo, admite.

É punível a calúnia contra os mortos.

É possível que o sujeito se livre do crime de calúnia, bastando para isso que PROVE o fato imputado a outrem! Trata-se da chamada exceção da verdade, situação em que o réu terá o direito de comprovar que o que disse é a mais pura verdade.

Mas há casos em que essa exceção da verdade não é permitida, como:

 Nos casos de ação penal privada, se o ofendido ainda não foi condenado por sentença irrecorrível.

 Na calúnia contra Presidente da república ou chefe de governo estrangeiro.

 Nos casos em que o réu foi absolvido do crime imputado, mesmo que seja de ação pública.

Nesses casos pode-se dizer que é possível a calúnia com imputação verdadeira de fato definido como crime, pois, ainda que verdadeira a imputação, isto é, embora seja efetivamente o ofendido responsável pelo crime a ele atribuído, o réu da ação penal de calúnia não poderá provar a veracidade do que disse, uma vez que a lei não aceita esse meio de prova.

Cabe retratação  se essa retratação ocorrer antes da sentença, isenta de pena. Calúnia x Denunciação caluniosa

Na calúnia o sujeito limita-se a imputar a alguém, falsamente e perante terceira pessoa, a prática de crime. Na denunciação caluniosa o sujeito vai mais longe. Não apenas atribui à vítima, falsamente, a prática de um delito, mas leva essa imputação ao conhecimento da autoridade pública, movimentando a máquina estatal mediante a instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de investigação adm, inquérito civil ou ação de improbidade adm contra alguém que sabe inocente.

A calúnia é crime contra a honra, e em regra se processa por ação penal privada, enquanto a denunciação caluniosa é crime contra a Adm da Justiça e de ação penal pública incondicionada.

Pessoa jurídica como sujeito passivo  segundo a doutrina, atribuir falsamente fato definido como crime praticado por pessoa jurídica poderá ser calúnia caso trate-se de imputação de crime ambiental (Lei nº 9.605/98). Para o STF, contudo, a pessoa jurídica pode ser vítima de difamação, mas não de calúnia ou injúria.

4.2 DIFAMAÇÃO

Consiste em atribuir a alguém fato determinado, ofensivo á sua reputação. Pena  detenção de 3 meses a 1 ano e multa.

Tb atinge a honra objetiva, se consuma com o conhecimento de terceiro, admite tentativa na modalidade escrita e permitem retratação total até a sentença.

O fato imputado pode ser verdadeiro ou falso.

A exceção da verdade não é regra na difamação! Segundo o parágrafo único do art. 139, a difamação só admite a exceção da verdade se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. O fundamento desta possibilidade reside no resguardo da honorabilidade do exercício da função pública. Essa excepcionalidade da exceção da verdade ocorre porque na difamação é irrelevante se o fato é falso ou verdadeiro.

Segundo o STF a PJ pode ser vítima do crime de difamação, mas não de calúnia e injúria. 4.3 INJÚRIA

Consiste em atribuir a alguém qualidade negativa (e não fato) que ofenda sua dignidade (qualidade moral) ou decoro (qualidades físicas).

Pena  detenção de 1 a 6 meses e multa.

Atinge a honra subjetiva. Desta forma não há a imputação de fato, mas somente a ofensa à dignidade ou decoro da vítima.

A injúria é crime formal e consuma-se no momento em que o ofendido fica sabendo da imputação de qualidade negativa.

Em geral é um crime comissivo, mas pode Tb ser por omissão. É possível Tb a injúria indireta. É sempre doloso. Não há injúria culposa.

Para que exista a injúria, é irrelevante que a vítima tenha se sentido realmente ofendida, bastando que a atribuição negativa seja capaz de ofender.

Para que haja injúria, o ofendido deve ser capaz de entender o caráter ofensivo das agressões. De tal modo, não será injúria a conduta de xingar uma criança de tenra idade de “feia”, ou chamar um doente mental de “doido”. Contudo, o xingamento, caso represente uma ofensa reflexa a terceira pessoa, poderá constituir-se em injúria (ex.: xingar uma criança negra de “macaca” na frente dos pais ou chamar o marido de corno. Neste caso, o ofensor quer, na verdade, ofender os próprios pais ou a esposa).

Se a atribuição de qualidade negativa for contra funcionário público em razão da função e na presença deste, o crime será de desacato e não de injúria.

Pessoa Jurídica pode ser vítima de calúnia e difamação, mas nunca de injúria. Perdão Judicial:

a) Quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria. b) No caso de resposta imediata consistente de outra injúria.

Não é possível a retratação, pois a injúria não se refere a fato, mas a qualidade negativa, e não há como provar a veracidade dessa alegação.

Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa a pena é aplicada em dobro. Injúria real  ocorre quando a injúria é realizada por meio de violência ou vias de fato. A injúria real absorve a contravenção das vias de fato, mas induz concurso material com o crime de lesão corporal.

Injúria qualificada  é hipótese de crime qualificado em que o ofensor utiliza elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa (60 anos) ou portadora de deficiência.

Causas de aumento de pena (um terço)  se qualquer dos crimes é cometido: a) contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro; b) contra funcionário público, em razão de suas funções;

c) na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da injúria.

d) contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência, exceto no caso de injúria.

Causas especiais de exclusão da ilicitude, quando não se constitui crime de injúria ou difamação (não inclui a calúnia, pois nesta há interesse em se investigar a prática de um crime):

a) a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador; b) a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando

inequívoca a intenção de injuriar ou difamar;

c) o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que preste no cumprimento de dever do ofício.

Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria (frases de duplo sentido), quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela ofensa.

Obs

Em regra a Ação Penal é privada para os 3 crimes contra a honra. Porém há exceções:

 Calúnia ou difamação contra Presidente ou chefe de governo estrangeiro  ação penal pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça.

 Difamação e injúria contra funcionário público, em razão de suas funções  Ação penal pública condicionada á representação.

CRIMES CONTRA A HONRA CALÚ NIA DIFAMA ÇÃO INJÚRI A QUALID ADE NEGATI VA HONR A SUBJ ETIVA FAT O HONR A OBJET IVA FATO TEM QUE SER CRIME E FALSO QUALQUER FATO, ATÉ CONTRAVENÇÃO E PODE SER VERDADEIRO OU FALSO

CALÚNIA  fato  fato tem que ser crime e tem que ser falso

DIFAMAÇÃO  honra objetiva  qualquer fato, até contravenção penal, e pode ser verdadeiro ou falso. Atinge a reputação.

INJÚRIA  qualidade negativa  honra subjetiva

Pessoa Jurídica não pode ser vítima de injúria, pois não possui honra subjetiva, porém pode ser vítima de difamação pois possui honra objetiva (reputação, boa fé).

A PJ pode ser vítima de calúnia somente nos crimes que ela pode ser sujeito ativo, quais sejam crimes ambientais e crimes contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular.

Para o STF e STJ a Pessoa Jurídica não pode ser vítima de calúnia, pois isso significaria que ela poderia ser sujeito ativo de crime, e o STF e STJ dizem que a PJ não pode ser sujeito ativo. Algumas doutrinas afirmam que a PJ pode ser sujeito ativo nos crimes ambientais, e nesses casos ela poderia ser vítima de calúnia.

5. CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL