Decorrente de caso fortuito ou força maior
ELEMENTOS OU REQUISITOS DO CONCURSO DE PESSOAS (precisa dos 4 elementos ocorrendo ao mesmo tempo)
1. Pluralidade de condutas e de agentes culpáveis precisa de pelo menos 2 pessoas e pelo menos 2 condutas penalmente relevantes. Essas condutas podem ser principais, como no caso da co-autoria, ou uma principal e outra acessória, como é o caso de um autor e um partícipe.
Autor, co-autor e partícipe devem ser culpáveis, ou estará caracterizada a autoria mediata. Essa regra serve para os crimes unisubjetivos
Nos crimes plurisubjetivos a culpabilidade é dispensável desde que haja pelo menos 1 agente culpável entre os envolvidos.
2. Relevância causal das condutas para produzir o resultado todas as condutas devem dar causa ao resultado. Contribuição pessoal, física ou moral, direta ou
indireta, comissiva ou omissiva, anterior ou simultânea à execução. Realiza uma conduta sem a qual o resultado não teria ocorrido.
Essa contribuição deve ser anterior à consumação do crime, ou pelo menos ter sido ajustada antes da consumação, pois os atos após essa consumação configuram um crime autônomo, como a receptação e o favorecimento real ou pessoal.
Não pode ser considerado co-autor ou partícipe quem assume em relação à infração penal uma atitude meramente negativa, quem não dá causa ao crime, quem não realiza qualquer conduta sem a qual o resultado não teria ocorrido. 3. Liame subjetivo ou psicológico entre os agentes unidos intencionalmente,
bastando que um deles saiba. Os agentes devem estar ligados entre si por um nexo psicológico, vínculo de ordem subjetiva, caso contrário não haverá concurso de pessoas, mas sim vários crimes simultâneos.
Os agentes devem apresentar vontade homogênea, visando a produção do mesmo resultado. É o princípio da convergência. Logo, não é possível a contribuição dolosa para um crime culposo, nem a concorrência culposa para um crime doloso.
Ocorre a adesão de vontades, que não se confunde com o acordo de vontades. Para que haja o concurso de pessoas não precisa haver esse acordo de vontades, mas apenas a adesão de vontades.
4. Unidade ou Identidade do fato todos unidos para praticar o mesmo fato criminoso. Há um único crime com vários agentes.
É adotada a Teoria Monista ou Unitária que afirma que por mais que muitas pessoas se unam para cometer o crime, este será único, onde todos responderão pelo mesmo crime, na medida de sua culpabilidade. Autor, co-autor e partícipe responderão pelo mesmo crime. A pena é que será diferente para cada um deles.
Para alguns crimes aplica-se a Teoria Dualista ou até a Teoria Pluralista, onde cada um responde pelo seu crime, como é o caso do aborto, da bigamia, corrupção ativa e passiva e da participação em crime menos grave.
Todo aquele que cooperou para a prática do crime vai incidir nas penas a ele cominadas, na medida de sua culpabilidade, mesmo que, isoladamente, sua conduta não constitua em crime.
Teorias sobre o concurso de agentes:
Teoria Unitária
ou Monista
todos os co-autores e partícipes respondem pelo mesmo
crime, na medida de sua culpabilidade
Teoria Dualista Os co-autores e partícipes respondem por crimes distintos
crimes diferentes
Autor imediato ou direto realização pessoal do tipo objetivo e subjetivo.
Autor mediato ou indireto realiza o tipo por meio de uma outra pessoa não-punível. Ex: um inimputável, coação moral irresistível ou erro de tipo inescusável.
AUTORIA
Teorias sobre autoria:
1. Teoria extensiva ou subjetiva não diferencia autor de partícipe. Todos são chamados de autores.
Autor é todo aquele que tem interesse no crime.
Autor/co-autor é aquele que de qualquer modo contribuir para a produção de um resultado.
Fundamenta-se na teoria da equivalência dos antecedentes (condictio sine qua non), pois qualquer colaboração para o resultado, independente de seu grau, a ele deu causa.
Era a teoria adotada pelo antigo CP brasileiro.
2. Teoria restritiva ou objetiva distingue autor de partícipe.
O autor é aquele que realiza o núcleo (verbo) do tipo penal, ou seja, a conduta criminosa descrita pelo preceito primário da norma incriminadora. Haverá co-autoria quando dois ou mais agentes, em conjunto, realizarem o verbo do tipo.
O partícipe é quem de qualquer modo concorre para o crime, sem praticar o núcleo do tipo. A participação é de subordinação mediata. Pratica uma conduta acessória.
Nesse contexto o autor intelectual (mandante) é partícipe, e não autor, pois não pratica o núcleo do tipo penal.
É a teoria adota pelo CP hoje. Se divide em 3:
A. Teoria objetiva formal autor é aquele que pratica o núcleo do tipo, e os demais seriam os partícipes. Essa teoria não explica as hipóteses da autoria mediata. Para essa teoria os chefes do crime organizados não seriam autores, mas sim meros partícipes. Por isso o Brasil não adota essa teoria.
B. Teoria objetiva material autor é aquele que pratica o núcleo do tipo ou dê uma maior contribuição para o resultado. Não é adotada no Brasil. C. Teoria objetiva subjetiva ou teoria do domínio do fato é a teoria
adotada pelo Brasil. Autor é quem tem o controle sobre o domínio do fato, que domina finalisticamente o trâmite do crime e decide acerca da sua prática, suspensão, interrupção e condições. Tem o domínio final do fato, apesar de não realizar o núcleo do tipo penal.
Autor é aquele que possui o domínio da ação, ou o domínio da vontade ou o domínio funcional do fato (precisa ter apenas um deles).
Praticar o núcleo da ação faz com que o autor tenha o domínio da ação e da vontade. O autor mediato tem o domínio da vontade. Aquele que tem uma função no crime possui o domínio funcional do fato, e por isso será co-autor. Neste último caso deve haver uma divisão de tarefas no plano criminoso.
Se João dá fuga para o crime de Maria, sem fazer menção a um acordo anterior entre eles, João será mero partícipe.
Quem tem o domínio do fato não pode ser partícipe. Logo, o mandante é autor.
O partícipe nessa teoria é aquele que de qualquer modo concorre para o crime, desde que não realize o núcleo do tipo penal nem possua o controle final do fato. Ele teria uma função somente acessória, possuindo domínio somente da vontade da própria conduta
Essa teoria só tem aplicabilidade nos crimes dolosos, pois não se pode conceber o controle final de um fato não desejado pelo autor da conduta.
Desta maneira há as seguintes possibilidades: a. Autor propriamente dito pratica o núcleo penal
b. Autor intelectual (mandante) é aquele que planeja intelectualmente a empreitada criminosa. É autor, e não partícipe, pois tem poderes para controlar a prática do fato punível.
c. Autor mediato aquele que se vale de um inimputável ou de pessoa que atua sem dolo ou culpa para cometer um crime. Não será concurso de pessoas. Só responderá pelo crime o autor mediato. O autor executor não responderá por crime algum.
d. Co-autores ocorre quando o núcleo penal é realizado por mais de um agente. Co-autor, portanto, é aquele que age em colaboração recíproca e voluntária com outro para realização da conduta principal. A diferença entre o autor propriamente dito e o co-autor é somente numérica. Fala-se em autor quando há somente uma pessoa, e em co-autores quando mais de uma pessoa pratica o fato típico.
e. Partícipe realiza uma conduta acessória, sem ter o domínio do fato. Ex: dirige o carro da fuga; empresta a arma.
Obs
Um autor ou co-autor não necessariamente deverão ter pena maior que a de um partícipe. O fator decisivo para tanto é o caso concreto, levando-se em conta a culpabilidade de cada agente. Nesse sentido, um autor intelectual (partícipe para a teoria restritiva) normalmente deve ser punido mais severamente do que o autor do delito, pois sem a sua vontade, sem a sua idéia, o crime não ocorreria.