• Nenhum resultado encontrado

CUIDANDO DO CANDEEIRO DE OURO

No documento Larry Lea - Supremo Chamado (páginas 86-95)

Homem onde você quer chegar?" exclamou o pastor, incrédulo. Eu já tinha ouvido perguntas semelhantes, antes daquela ocasião. Rindo-me diante de sua expressão admirada, repliquei: "Que você quer dizer com isso: onde você quer chegar?"

"Você sabe o que eu quero dizer," insistiu ele, resolvido a não se incomodar com a minha brincadeira. 'Tenho visto como a sua agenda é repleta; no entanto, você exibe toda essa energia. E está sempre pronto para novas tarefas. Como consegue isso? Você toma remédios, vitaminas, ou o quê?"

Outros pastores têm-me inquirido acerca desse mesmo assunto, mas por um ângulo diferente: procuram acautelar-me: "Larry, você faria bem se diminuísse o seu ritmo. Você não tem medo de ficar esgotado?"

"Eu teria medo," costumo asegurar-lhes, "se o fogo fosse Compreendo a preocupação deles. Lembro-me muito bem da exaustão e da frustração contra as quais tive de batalhar na década de 1970, enquanto tentava equilibrar um orçamento que deixaria nervoso um mágico. Eu estava pastoreando um dinâmico grupo de jovens que, com o tempo, cresceu até tornar-se a Igreja Batista Beverly Hills, em Dallas, no Texas, com mil membros. Ao mesmo tempo, eu tentava completar minha formatura como Mestre em Artes, num seminário que ficava a cerca de sessenta quilômetros. Eu

via trezentos a quinhentos garotos serem salvos por mês, em concertos e cruzadas. Eu tentava ser bom marido. Esforçava-me para amar meus dois filhos pequenos, e um terceiro, que viria; além de prover-lhes o necessário. Não admira que fui parar em um hospital, fisicamente exausto.

Grande parte de minha frustração e exaustão originava-se do fato de que eu não sabia dizer não às pessoas. Em conseqüência disso; vivia correndo para cá e para lá. Mas isso não era novidade. Relembrando, penso que todos quantos me conheciam, incluindo minha esposa, imaginavam-me como um ponto de exclamação, dotado de pernas. No primeiro ano em que nos casamos, Melva e eu residíamos em uma pequena casa móvel, estacionada atrás da igreja. Não percebendo a grande necessidade de Melva e eu estarmos juntos, eu costumava convidar duas dúzias de garotos para virem lanchar e estar em comunhão conosco. Melva vivia tão ocupada aprendendo a cozinhar, a arrumar a casa e a entreter pessoas! Eu andava tão atarefado, rninistrando na igreja e trabalhando em minha formatura universitária, que só nos restava negligenciar um ao outro. Depois de alguns poucos meses, convivendo com tal tolice, percebi que não era suficiente o tempo que estávamos passando juntos.

Eu não estava rejeitando o Senhor; tão-somente tinha caído no hábito perigoso de negligenciá-Lo

Certa tarde, entrei em casa, disposto a mostrar-me amoroso com minha esposa. Mas Melva estava muito ocupada, a varrer, a espanar e a cozinhar, preparando-se para receber as pessoas que eu tinha convidado. Por alguma razão, porém, ela não estava interessada em abraços e beijos, naquele momento. Bem, meu ofendido ego masculino, com vinte e um anos de idade, resolveu que aquele era o momento de exigir seus direitos. Ergui a voz e ordenei: "Melva Jo, deixe tudo para um lado e venha, imediatamente, aqui, comigo!" Melva irrompeu em lágrimas; e foi exatamente aí que o Espírito Santo também ergueu a Sua voz. E ordenou: "Filho, você é que deve vir aqui, Comigor

Entrei no minúsculo dormitório que eu usava como gabinete, fechei a porta e sentei-me. O Senhor disse-me: "Suas atitudes não Me agradam e fazem sua mulher sentir-se abandonada e cheia de tarefas".

Quando o Senhor e eu terminamos de conversar, fui tropeçando até à cozinha, tomei minha esposa nos braços e solucei: "Oh, Melva, desculpe-me! Desculpe-me!"

Eu não vinha rejeitando o Senhor; entretanto, havia caído no hábito perigoso de negligenciá-Lo. Minhas prioridades estavam erradas. Tempo para orar e para estudar a Bíblia ocupava o último lugar em minha lista de "Coisas a Serem Feitas Hoje".

Eu vivia me consumindo - queimava a minha vela em ambas as extremidades. Agora eu estava em apuros. Não havia fonte de poder que me mantivesse capacitado a continuar.

Em uma época em que a produtividade é comparada à espiritualidade, é difícil manter em boa ordem as nossas prioridades. Algumas vezes, é difícil empregar o tempo devido para fazermos o trabalho de um sacerdote cristão, cuidando do candeeiro de ouro, no santuáro de nossas almas. Se negligenciarmos esse privilégio, antes que nos demos conta, as lâmpadas estarão fumegando e rareando, a ponto de se apagarem. Trevas e tristeza haverão de abater-se sobre os nossos espíritos.

No trabalho de um sacerdote há muito mais a ser feito do que apenas oferecer sacrifícios. Em adição aos cinco sacrifícios do Antigo Testamento, sobre os quais já estudamos, três outras oferendas também eram regularmente apresentadas pelos sacerdotes levíticos, no Lugar Santo: (1) os doze pães da proposição eram trocados a cada sábado; (2) o candeeiro de ouro era cheio de azeite a cada manhã; e (3) o incenso para o altar de ouro era renovado todas as manhãs e todas as tardes.

Conforme já tivemos oportunidade de estudar, o santuário dos judeus estava dividido em duas câmaras: o Lugar Santo e o Santo dos Santos. A primeira delas tinha três peças do mobiliário. Um pequeno altar para o incenso, recoberto de ouro, estava centrado diante da cortina que impedia a entrada para o Santo dos Santos. Ao lado

direito havia uma pequena mesa, recoberta de ouro, onde eram postos doze pães, os pães da proposição. À esquerda, diretamente defronte da mesa dos pães da proposição, havia um candeeiro com sete ramos, de ouro puro e com cerca de l,50m de altura. Suas lâmpadas, alimentadas a azeite, iluminavam o Lugar Santo.

Visto que os antigos usavam geralmente, uma lâmpada feita de argila, que queimava azeite, sobre um tripé - o conjunto formava o candelabro. O conceito de velas é estranho ao texto bíblico, pois as lâmpadas ou lamparinas davam luz, consumindo azeite, ao passo que a vela (tal como fazem muitos crentes sinceros, mas destituídos de sabedoria) dá luz, consumindo a si mesma.

As espevitadeiras (pinças) e os apagadores (pires para as pontas queimadas dos pavios) do belo candelabro eram feitas de um talento (cerca de trinta quilogramas) de ouro puro (leia Êxodo 25.38). O candeeiro de sete ramos, elaboradamente trabalhado, tinha por enfeite um motivo floral (leia Êxodo 25.31-40; 37.17-24; 39.37). Os pires de ouro puro eram usados para trazer brasas vivas do grande altar dos holocaustos, ao passo que as pinças eram usadas para retirar as pontas queimadas dos pavios e para segurar alguma brasa acesa, enquanto o sacerdote soprava sobre a mesma para iluminar as lâmpadas.

As lâmpadas externas podiam ser acesas a partir de uma das outras lâmpadas externas, mas a lâmpada central, na direção da qual as outras todas se inclinavam, só podia ser acesa mediante uma brasa viva, tirada do altar dos holocaustos.

O azeite para o candeeiro de ouro era preparado a partir de azeitonas cuidadosamente lavadas antes de serem batidas. Bater nas azeitonas, em lugar de esmagá-las no lagar, produzia um azeite de superior qualidade, o qual ficava esbranquiçado.

Deus deu a Moisés uma ordem explícita acerca do candeeiro de ouro. Suas lâmpadas deveriam queimar continuamente, desde a manhã até à noite:

Israel que te tragam azeite puro de oliveira, batido para o candelabro, para que haja lâmpada acesa continuamente. Na tenda da congregação fora do véu, que está diante do testemunho, Arão a conservará em ordem, desde a tarde até pela manhã, de contínuo, perante o Senhor; estatuto perpétuo será este pelas suas gerações. Sobre o candeeiro de ouro puro conservará em ordem as lâmpadas perante o Senhor continuamente" (Lv 24.1-4).

As lâmpadas eram acesas por ocasião do sacrifício vespertino (leia Êxodo 30.8), e então eram apagadas, aparados os seus pavios e replenadas de azeite por ocasião do sacrifício matinal (leia Êxodo 30.7; I Samuel 3.3). A tradição diz-nos que as lâmpadas continham somente um sextário de azeite, ou seja, pouco mais de uma xícara; e, por essa razão, era preciso encher diariamente as lâmpadas de azeite.

Enchendo De Azeite

Nas Escrituras, o azeite é símbolo do Espírito Santo. Compreendendo que o Espírito de Deus, e não o vinho, deve ser a fonte de força e de alegria para o crente, Paulo determinou:

"E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito" (Ef 5.18). No texto grego original, a idéia é que os crentes devem estar "continuamente cheios" pelo Espírito, tal como as lâmpadas do Lugar Santo precisavam ser continuamente reabastecidas de azeite.

O que Paulo quis dar a entender com esse mandamento? Penso que sei aonde Paulo queria chegar. Meu pai foi homem que bebeu muito, durante anos, antes de chegar a conhecer ao Senhor. Tenho tido contato com o vinho e outras bebidas alcoólicas o bastante para saber que é preciso mais do que um pequeno gole, uma ou duas vezes por semana, para alguém continuar embriagado. Não; uma pessoa só pode ficar embriagada - e continuar embriagada - se continuar bebendo.

O mesmo princípio aplica-se aos crentes. Se quisermos ser cheios do Espírito Santo, precisamos "estar sendo continuamente cheios." Sentar-se nos bancos da igreja ou cantar no coro não nos mantém

cheios do Espírito. Precisamos de um novo suprimento de azeite todos os dias, e não somente aos domingos.

Se quisermos iluminar nossas obras negras com a luz de Deus, então devemos encher diariamente o candeeiro de ouro de nossa alma com um

novo suprimento de azeite

Eis por que devemos aprender a dar a Deus o primeiro lugar todos os dias, a fim de receber Dele purificação e unção reiterada. Além disso, durante o dia, precisamos "tomar pequenos goles" do vinho do Espírito, criando melodias ao Senhor, em nossos corações, falando entre nós com salmos, hinos e cânticos espirituais e orando sempre no Espírito (leia Efésios 5.19; Judas 20).

Se quisermos iluminar o nosso mundo tenebroso com a luz de Deus, devemos encher diariamente o candeeiro de ouro de nossa alma com um novo suprimento de azeite.

Isso nos leva a um outro ponto: o candeeiro, propriamente dito, não era a luz que espantava as trevas. Ele apenas continha o azeite que servia de combustível para as lâmpadas. Nós, em posição de serviço, conforme tivermos sido convocados por Deus, somos apenas os candeeiros, os vasos que contêm o azeite do Espírito. Sem Jesus e sem o Espírito Santo, nada poderemos fazer, porquanto Ele é a nossa luz e a nossa salvação (leia Salmos 27.1). Ele é a nossa justiça e santificação, a nossa paz e cura, a nossa força e sabedoria.

Jesus ensinou que os Seus seguidores são a luz do mundo (leia Mateus 5.14). Não podemos peimitir que a nossa luz brilhe fracamente, ameaçando apagar-se. Antes, devemos permitir que ela brilhe de tal maneira, que as pessoas ao nosso redor possam ver as nossas boas obras, e assim glorifiquem a nosso Pai celeste (leia Mateus 5.16).

Há mais de cem anos, George Müller, de Bristol, Inglaterra, descobriu esse princípio de renovar, todos os dias, o nosso suprimento de azeite. Müller, relembrado por seu andar na fé e por sua obra abundante, em favor de milhares de órfãos, durante o século XIX, chegou a tal ponto, em sua consagração pessoal, que resolveu não mais passar no leito as suas horas mais produtivas.

Embora se estivesse recuperando de uma enfermidade que sempre retornava e que causava uma tremenda debilidade física, Müller determinou levantar-se cedo a cada manhã, às quatro horas da madrugada, ao invés de dormir até às seis ou sete horas da manhã. Seu hábito de levantar-se cedo garantiu-lhe longos períodos ininterruptos de oração e meditação sobre as Escrituras. Para sua surpresa, Müller ficou mais forte fisicamente, e se encheu de tal satisfação, diante de seu novo vigor físico e espiritual, obtido por estar esperando em Deus enquanto outras pessoas dormiam, que ele continuou nesse hábito pelo resto de sua vida. Como resultado disso, leu a Bíblia, de capa a capa, por quase duzentas vezes, e, por meio da fé, financiou um notável ministério em favor dos órfãos.

Não faz muito tempo, um pastor que faz parte de meu círculo de amizades, ficou agradavelmente surpreso ao descobrir que essas miraculosas experiências não estão reservadas somente a alguns poucos reverenciados santos, como George Müller.

Resolvido a ver crescimento espiritual e numérico em sua igreja, aquele pastor passou a dedicar duas ou três horas, a cada dia, entregar-se à intercessão e à comunhão com Deus. Foi grande, porém, a sua surpresa, ao descobrir que sua mãe idosa, uma mulher pequenina e frágil, cuja saúde nunca fora boa, levantava-se às quatro e meia da madrugada. Ela se sentia impelida por Deus, a passar duas horas por dia em oração por seus filhos, vários dos quais estavam ocupados no ministério.

Sentindo-se frustrado, ele chorou diante de Deus, certo dia: "Senhor, por que pediste que minha mãe se levantasse tão cedo? Tu sabes que ela nunca foi mulher forte e saudável".

A pergunta do preocupado pastor foi respondida algumas semanas mais tarde, ao receber de sua mãe uma carta que dizia: "Filho, desde que passei a levantar-me cedo a cada manhã, a fim de orar por vocês, meus flhos, meu estado de saúde vem melhorando, e me sinto mais forte do que me tenho sentido em muitos anos".

Enquanto fazemos o possível, levantando-nos cedo para cuidar das lâmpadas e para receber um novo suprimento do azeite do Espírito, Deus cuidará do impossível. Ele suprirá daquilo que nos estiver

faltando, a fim de que O possamos glorificar. Ele fez uma promessa especial para aqueles que se dedicarem à oração:

". . .mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam" (Is 40.31).

Está você lutando contra a fraqueza física e a exaustão, contra a fadiga e o desânimo? Então é tempo de reabastecer o suprimento de azeite.

Aparando Os Pavios Das Lâmpadas

O ministério de um sacerdote aarônico, a cada manhã, diante do candeeiro de ouro, não estava terminado enquanto ele não aparasse os pavios das lâmpadas. Nesse trabalho, ele retirava as pontas requeimadas e endurecidas dos pavios, depositando-as em um pires de ouro. Ele limpava a fuligem e retirava completamente as fibras queimadas, para que não houvesse pontas que impedissem uma chama perfeita. O ato de retirar as pontas queimadas dos pavios permitia que as lâmpadas produzissem uma luz brilhante.

Se nós, os crentes, não estivermos brilhando, algo estará impedindo a nossa luz. Por isso mesmo, devemos dar permissão ao Espírito de Deus, para que Ele retire os empecilhos que, porventura, estejam turvando o nosso testemunho, e para que extinga os nossos pecados, que ameaçam apagar as chamas do fogo de Deus. Temos que esperar na presença de Deus, enquanto Ele vai aparando os nossos pavios queimados e estragados, para que se renovem! Sabedores de que Ele não haverá de apagar a torcida que fumega, precisamos confiar-nos às Suas mãos, enquanto Ele vai retirando gentilmente as pontas queimadas e as fibras estragadas, soprando sobre as nossas chamas rarefeitas, até que o seu resplendor se renove.

Uma vez eliminados esses empecilhos e pecados, as nossas vidas serão recobertas pelo sangue de Jesus, e todos aqueles impedimentos serão esquecidos. Satanás tentará trazê-los de novo à superfície, condenando-nos e fazendo-nos lembrar de nossas falhas passadas. Contudo, é nosso dever recusar as mentiras do diabo. Nossos

fracassos e pecados estarão sendo gentil e sistematicamente removidos e cobertos; eliminados da memória divina, pelo Deus que nos prometeu:

"Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro" (Is 3.25).

A cada novo dia, quando você e eu nos erguermos de nossos joelhos, com os nossos pavios aparados e as nossas lâmpadas reenchidas de novo suprimento de azeite, não precisaremos temer qualquer obscurecimento em nossa luz. Teremos, apenas, de permanecer em nosso lugar, ante um mundo cheio de trevas do pecado, a fim de permitir que Jesus rebrilhe através de nós.

NOVE

SUBSTITUINDO OS PÃES DA

No documento Larry Lea - Supremo Chamado (páginas 86-95)