ra um sábado à noite, em 1976, e eu estava exausto, depois de haver dirigido o carro desde Dallas até ã pequena cidade da parte ocidental do Texas, onde estava previsto um reaviva- mento, com uma semana de duração. Depois de ter entrado em contato com o pastor da igreja em que eu estaria pregando, fui-me hospedar em um hotel. Ali chegando, arrumei as coisas que trouxera no carro e passei algum tempo estudando a Bíblia e orando. Depois de tanto cansaço, eu estava preparado para uma boa noite de sono.
E
Algum tempo depois da meia-noite, acordei repentinamente. Eu tivera um sonho terrível, que era tão vívido, tão real, que eu simplesmente não o podia esquecer. Eu fora perseguido por uma visão do rosto de minha esposa, o qual estava distorcido pelo terror, contorcido de dor, enquanto era brutalmente violentada e, depois, arrastada por entre pedaços de vidro quebrado. Se era apenas um sonho, por que parecera tão real?
Tomado de grande impulso para interceder, rolei para fora da cama, caí de rosto em terra, e orei no Espírito, com todas as minhas forças. Quando o dia começava a raiar, ouvi a voz de Deus em meus ouvidos: "Minha noiva, aqui, foi violentada", disse o Senhor. "Levanta-te e deixa este lugar. Não pregues aqui".
Abalado, mas resolvido a obedecer a Deus, telefonei para o pastor que me havia convidado e lhe expliquei o que havia acontecido. E eu disse a ele que não pregaria em sua igreja, naquela manhã. Então vesti-me e comecei a arrumar meus pertences para irme embora. Em menos de uma hora, o pastor estava batendo à porta de meu quarto, no hotel. Ele insistia, iracundo: "Você vai pregar! Fiz propaganda por toda esta cidade, e você vai pregar!"
Mas eu não o atendi. Expliquei de novo a visão tivera e repeti aquilo que Deus me dissera, recusándome a desobedecer a Deus. Entrei em meu carro e parti.
Duas semanas mais tarde, quando o pastor-auxiliar daquele igreja me chamou pelo telefone, foram respondidas as perplexidades que tinham ficado em minha mente. Ele confidenciou: "Larry, o que Deus lhe mostrou acerca da igreja é a pura verdade. O pastor tem estado por aí com mulheres e tem furtado dinheiro da igreja".
Meu coração condoeu-se por aquela congregação de crentes enganados e aviltados, e também pelo pastor deles, o qual permitira que seu coração fosse dominado pela concupiscência e pela desonestidade. Relembrando a severa ordem de Deus, para que eu fosse embora e não pregasse naquele lugar, no mais profundo do meu coração entendi que o entristecido Espírito de Deus havia partido dali, levando em Sua companhia a nuvem da glória de Deus.
Ao raiar do dia, a voz de Deus falou em meus ouvidos: "Minha noiva, aqui, foi violentada. Levanta-te e deixa este lugar. Não pregues aqui!"
O Espírito de Deus Entristecido
Nos dias do antigo pacto, quando o povo de Israel pecava contra
Deus Pai, Ele lhes tirava a vida. Nos evangelhos, quando as pessoas pecavam na presença de Jesus, Ele as repreendia. Mas, por toda a Palavra de Deus, quando as pessoas pecam voluntária, flagrante e habitualmente contra o Espírito Santo, Ele as deixa.
Na época de Cristo, no segundo templo dos judeus, em Jerusalém — o templo restaurado por Herodes — todos os elementos reais de sua glória anterior tinham deixado de existir. Os sacerdotes não eram mais admitidos ao ministério por serem descendentes de Levi e através da unção sagrada; antes, eram formalmente nomeados. Até mesmo o elevado ofício sumo sacerdotal era cedido mediante os abusos da simonia, da conspiração política, do crime e do suborno. O sacerdócio tinha-se corrompido. Até os rabinos admitiam que o espírito da profecia tinha desaparecido.
Infelizmente, a decadência espiritual de Israel havia penetrado nas forças vivas da nação cada vez mais profundamente. Os sacerdotes não mais podiam ser ungidos com azeite santo, porque até a sua fórmula de preparação havia sido esquecida. E o fogo sagrado, que tinha descido do céu sobre o altar dos holocaustos, e que deveria estar queimando continuamente, há muito se extinguira.
E o mais triste de tudo é que o Santo dos Santos estava vazio. A arca da aliança, recoberta de ouro, e seu propiciatório, feito de uma única peça de ouro batido, haviam-se perdido desde o cativeiro babilónico. Igualmente ausentes estavam os artigos incalculavel-mente preciosos que, antes, ficavam dentro da arca: as duas tábuas da lei; o vaso de maná, colhido ainda no deserto; e a vara de Aarão, que tinha florescido: emblema do sacerdócio aarônico, divino e cheio de autoridade. A maior tragédia de todas, porém, era a ausência da nuvem shechinah, que antes residia no Santo dos Santos.
Durante todos os quarenta anos em que Israel esteve no deserto, a nuvem resplendente havia pairado sobre a arca da aliança, onde quer que as doze tribos acampassem. E quando o povo de Deus se punha em movimento, a nuvem expandia-se para formar uma coluna de nuvems que os guiava durante o dia, ou uma coluna de fogo que os guardava e guiava durante a noite. Mas agora o Santo dos Santos estava vazio e em trevas, excetuando uma grande pedra que ocupava o lugar, onde antes tinham estado a arca com a sua tampa, ou propiciatório. E era sobre essa pedra que o sumo sacerdote costumava aspergir o sangue, no dia da expiação.
O propiciatório, que no hebraico significa "cobertura de sangue," não mais cobria os pecados de Israel. Durante séculos, aquela tampa de ouro, besuntada de sangue, tinha ocultado o registro das transgessões e iniquidades de Israel. Agora, contudo, nenhum sumo sacerdote ungido postava-se diante do propiciatório para clamar, com o coração cheio de terna compaixão, rogando pelo perdão divino. A lei desobe-
(lecida, quebrada, clamava, testificando contra Israel c reclamando por julgamento.
Foi em meio a esse horrendo estado de declínio espiritual que Jesus apareceu. O profeta Ageu havia predito que o Senhor encheria com a Sua glória o templo de Jerusalém (leia Ageu 2.7). Mas, quando Jesus chegou anunciando o reino de Deus, curando os enfermos, perdoando pecados e expelindo demônios, os principais sacerdotes e os escribas estavam cegos para os caminhos e para as obras do próprio Deus a quem diziam servir.
A maior de todas as tragédias era a ausência da gloriosa nuvem
shechinah, que antes residira no Santo dos Santos
Acostumados com a sua decadência espiritual, os líderes de Israel preferiam seguir as suas tradições de feitura humana a observar a verdade. Citando o profeta Isaías, Jesus repreendeu-os, porquanto, davam mais valor à letra da lei do que ao poder de Deus:
"Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens. E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição" (Mc 7.6-9).
Nem todos os olhos, porém, estavam cegos para a majestade de Cristo. João, -um ex-pescador e discípulo fiel do Senhor, declarou: "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigénito do Pai" (João 1.14).
No final do primeiro dia da festa judaica dos tabernáculos, para exemplificar, os sacerdotes e o povo de Israel observavam uma cerimônia que envolvia a iluminação do templo. No átrio das mulheres, eram postos grandes candeeiros de ouro, cujas lâmpadas eram munidas de pavios feitos dos calções e dos cintos já desgastados dos sacerdotes. Em seguida, as lâmpadas eram cheias de azeite e então eram acesas.
Enquanto os homens, entoando hinos e cânticos de louvor, dançavam com tochas acesas na mão, o magnífico templo ficava intensamente iluminado. A luz criada pelos homens, que chegava a sair para fora do templo, iluminando a noite, servia de nostálgica memória da nuvem shechinah que antes havia enchido o templo de Jerusalém. Não foi por mera coincidência que Jesus, apenas alguns dias antes, tinha-se posto de pé, no átrio do templo, a fim de proclamar corajosamente à multidão que se acotovelava à Sua volta: "Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, pelo contrário terá a luz da vida" (João 8:12; os itálicos são meus). A luz da glória de Deus havia retornado ao templo, cumprindo assim a profecia de Ageu.
No último dia da festa dos tabernáculos, Jesus pôs-se de pé no átrio do templo a observar calmamente enquanto um dos sacerdotes, de acordo com um costume, voltava do poço de Siloé. Ele trazia na mão um balde de ouro cheio de água, que então derramou à base Hr> altar de bronze.
Os rabinos interpretavam a cerimônia como um símbolo das chuvas anuais, supostamente determinadas por Deus por ocasião daquela festividade; mas Jesus percebeu que a cerimônia representava o jubiloso derramamento do Espírito Santo, predito no trecho de Isaías 12.3. Jesus, recusando-se a reverenciar os ritos mortos dos judeus, deu um passo à frente e clamou em voz alta:
"Se alguém tem sede, venha a rnim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva" (João 7.37,38).
Milhares de crentes, ministros e congregações, por toda a nossa pátria, estão despertando para a realidade de que a glória divina abandonou
muitas das nossas igrejas
João, o discípulo de Jesus que registrou esses eventos, passou então a explicar que Jesus estava falando sobre o Espírito Santo, a Quem os crentes receberiam depois que Jesus fosse glorificado e exaltado nas alturas (vs. 39).
Que Se Deve Fazer Quando A Glória Se Vai?
Jesus chorou amargamente ao predizer a sorte de Jerusalém e de seu magnífico templo. Ao rejeitar a Ele, o povo de Israel tinha rejeitado o sangue que faz expiação pelo pecado e remove a culpa. Eles tinham- se negado a reconhecer o sangue que firmaria o nove > pacto. Eles
haviam escarnecido do sangue libertado! e protetor do Cordeiro Pascal de Deus. Ora, uma vez rejeitada a misericórdia e provisão de Deus, tanto Jerusalém como todo o sistema religioso judaico tinham mergulhado no juízo divino e na destruição. A hora da visitação de Israel havia chegado ao fim (leia Lucas
19.42-44; 21.24).
Milhares de crentes, ministros e congregações, por todo o nosso território, estão despertando para a realidade de que a^glória tem abandonado a muitas de nossas igrejas. Como podemos reverter o julgamento e evitar a destruição? Como podemos fazer a glória retornar?
Quatro passos seguros, para desviarmos o juízo divino, são esboçados nas familiares palavras de II Crônicas
7.14:
Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.
Devemos Humilhar-nos
É difícil para seres humanos humilharem-se e confessarem que a glória divina afastou-se de suas vidas. No entanto, esse é o primeiro passo para a restauração. Precisamos tratar com o nosso pecado. Como? É muito simples. Basta admiti-lo e abandona-lo. Basta pedir o perdão, o livramento e a restauração da parte do Senhor.
Se quisermos ver a glória divina retornar, perdoemos os pecados e falhas de outras pessoas, e paremos de criticar. Abandonemos o estado rancoroso!
Se perdemos o rumo da glória de Deus, é porque t e m o s negligenciado a oração. Lucas registrou, no capitulo dezenove do livro de Atos, que todos os habitantes da Ásia Menor tinham ouvido falar de Jesus, causa da igreja em Éfeso. Quarenta anos mais tarde,
entretanto, João prestou relatório no sentido que ; iquela mesma igreja havia perdido o seu primeiro amor (leia Apocalipse
2).
A oração tornara-se apenas um ritual, e não uma consumidora força divina. Elesnão
tilnham mais um amor fervoroso ao Senhor Jesus. Se o nosso amor anda morno, se a oração é a apenas um dever enfadonho e não um deleite, não nos desesperemos: ainda há um remédio. Peçamos que o Espirito Santo implante em nós o desejo de orar e a disciplina. Separemos um tempo, a cada dia, para ministrar como crentes-sacerdotes dedicados à oração, illante de Deus, no santuário de nossa alma.A (¡loria se vai quando buscamos a Deus somente para que Ele faça coisas para nós, em lugar de O adorarmos por aquilo que Ele é para nós
Devemos Buscar A Face De Deus
Já se pôde observar que o trecho de II Crônicas 7 . 1 4 não diz
"buscar a minha mão"? Não. Ali é nos recomendado "me buscar". Não devemos somente buscar a mão de Deus - o que Ele pode fazer por nós, o que Ele nos pode dar. Essa mentalidade egoísta precisa
desaparecer de nosso meio. Se quisermos experinentar o poder da mão de Deus, precisaremos buscar a aprovação de Seu rosto - o Seu sorriso; o Seu assentimento; a Sua correção; o Seu olhar reas segurador; a Sua plena atenção. Mas a glória divina desaparece, quando constantemente buscamos o que Deus pode fazer por nós, em vez de O adorarmos por aquilo que Ele é para nós.
Devemos Abandonar Os Nossos Maus Caminhos
A despeito do custo pessoal em termos de sacrifício, precisamos afastar-nos de tudo quanto desagrada ao Espírito Santo. Não
podemos permitir que as preocupações e pressões deste mundo nos distraiam.
Podemos ouvir mil sermões por dia, e, mesmo assim, não mudarmos para melhor. Mas se houvesse humildade e resolução para passarmos uma hora diante de Deus a cada dia, ministrando a Ele como sacerdotes dedicados à oração; intercedendo por nós mesmos e por outras pessoas, então acontecerá algo sobrenatural. A glória do Senhor retornará e transformará nossa vida e a vida de nossos familiares.
Intercedendo Diante Do Propiciatório
Deus me convocou para levantar trezentos mil intercessores que se ponham diante Dele a cada dia, lamentando-se e arrependendo-se pelos pecados de nossa terra, clamando pelas Suas promessas do pacto e rogando que Ele use de misericórdia.
Jeremias, o profeta que chorava, declarou:
"As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade" (Lm 3.22,23, os itálicos são meus).
Jamais se esgota a misericórdia de Deus. As misericórdias de Deus são tão boas hoje, quanto foram nos dias passados.
Penso sobre o meu passado: cresci no lar de um alcoólatra. Também me lembro dos dias, já distantes, em que passei em enfermaria de um hospital psiquiátrico. Lembro-me de quão derrotado eu me senti, quando parecia que meu ministério estava terminado, depois que deixei a Igreja Batista Beverly I li lis. Mas quando respondi à chamada divina, para I ornar-me um crente-sacerdote dedicado à oração, a misericórdia do Senhor reescreveu a minha vida. Deus me conduziu a Rockwall, no Texas, para dar nascimento a uma poderosa igreja, e agora está-me usando para levar a Sua mensagem sobre a oração, à minha nação inteira.
Isso me diz que, se há misericórdia para um homem na América do Norte, então todos podem ser alvos da misericórdia divina. Ainda não é tarde demais para as famílias da Terra! Diferente do que sucedeu
com Jerusalém, nossa hora de visitação ainda não terminou. Não nos resta mais muito tempo; mas, há (empo suficiente para responder à chamada de Deus, lornando-nos crentes-sacerdotes que se dedicam à oração.
Um ser humano, tomado pelo poder e pela presença do Espírito Santo, é um dos melhores dons que Deus pode dar à Sua Igreja. Um exército de I rezentos mil sacerdotes que oram, cheios do poder e da presença do Espírito Santo, pode ser o maior dom que Deus pode dar a uma nação que se tornou corrupta <• que nem ao menos pensa Nele.
Se há misericórdia para um homem na América do Norte, então todos podem receber essa misericórdia. Não é tarde demais para as famílias da
Terra
O Espírito Santo está selecionando e testando os crentes. (N.E.: Sugerimos a leitura de Plantar Igrejas Para a Grande Colheita de C.Peter Wagner). Ele está convocando o Seu poderoso exército, agora mesmo. Se assumirmos nossas responsabilidades e reivindicarmos nossos privilégios sagrados, então poderemos tomar parte ativa no desvio dos julgamentos divinos, recuperando a unção e trazendo de volta a glória divina. Poderemos estar nas fileiras da frente do exército que ora, derrubando os portões do inferno.
Somos sacerdotes! É tempo de entrarmos decididamente em nossa missão!
NOTAS Capitulo Um
1.Alexander Roberts e James Donaldson, editores, The Ante-Nicene Fathers, primeiro volume, Against Heresies (Grand* Rapids: Eerdmans, 1973), päg. 409. Capitulo Tres
1 .W. J. Hollenweger, The Pentecostals: The Charismatic Movement in the