Ainda sobre o acesso à tecnologia nos domicílios brasileiros verificamos que apenas 39,8% dos lares do país recebiam o sinal digital de TV aberta, segundo o PNAD 2014 (IBGE, 2015a).
Considerando a recepção do sinal digital em áreas urbanas e rurais separadamente, os percentuais de acesso abrangiam, respectivamente, 43,5% e 15,7% dos domicílios brasileiros, conforme detalhamento por região nas Tabelas 16 e 17. Isso significa dizer que nem mesmo nos centros urbanos do país o sinal de TV digital alcançava metade ou mais dos domicílios.
Região Metropolitana de Belém) e Região Sul (Urbano, Rural, Rio Grande do Sul e Região Metropolitana de de Porto Alegre) Tipos de recepção do sinal de TV e
de aparelho disponível/Região
Brasil Norte Sul
Total
(%) Urbana (%) Rural (%) Total (%) Urbana (%) Rural (%) (%) PA
RM Belém
(%)
Total
(%) Urbana (%) Rural (%) (%) RS RM POA (%)
Número absoluto de domicílios (1000 unidades) 65 122 56 489 8 633 4 606 3 647 959 2 107 632 10 056 8 675 1 381 4 005 1 516 Tem TV por assinatura 32,10 35,90 7,50 19,80 23,40 6,00 14,70 22,10 32,50 35,90 11,20 35,90 48,00 Tem somente TV por assinatura 7,40 * * 3,90 * * 3,00 2,80 6,40 * * 7,30 7,50 Recebe sinal digital de TV aberta 39,80 43,50 15,70 32,10 37,30 12,60 26,40 48,60 41,50 45,20 18,30 43,50 60,80 Recebe somente sinal digital de TV aberta 11,70 * * 12,80 * * 12,10 27,20 11,30 * * 11,30 19,50 Recebe sinal de TV por antena parabólica 38,00 31,80 78,50 43,70 34,00 80,80 43,20 8,40 40,70 35,50 73,50 34,00 12,50 Recebe sinal de TV somente por antena parabólica 22,60 * * 30,70 * * 32,30 2,20 22,60 * * 17,50 2,40 Tem TV de tela fina142 e de tubo 22,10 24,00 9,40 14,80 16,80 7,30 * * 28,70 30,50 17,00 * * Tem somente TV de tela fina 33,60 35,80 19,50 32,00 34,50 22,50 * * 30,30 32,20 18,50 * * Tem somente TV de tubo 44,30 40,20 71,10 53,20 48,70 70,20 * * 32,50 35,90 11,20 35,90 48,00 Fonte: Elaborada pela autora com base nos dados PNAD 2014 (IBGE, 2015a). Tabela 17 – Percentual de moradores de domicílios com TV por tipo de recepção de sinal e de aparelho em 2014 no Brasil (Urbano e Rural), Região Norte (Urbano, Rural, Pará e Região Metropolitana de Belém) e Região Sul (Urbano, Rural, Rio Grande do Sul e Região Metropolitana de de Porto Alegre) Tipos de recepção do sinal de TV e de aparelho disponível/Região
Brasil Norte Sul
Total
(%) Urbana (%) Rural (%) Total (%) Urbana (%) Rural (%) (%) PA
RM Belém
(%)
Total
(%) Urbana (%) Rural (%) (%) RS RM POA (%)
Número absoluto de domicílios (1000 unidades) 198 276 169 918 28 358 16 289 12 781 3 508 7 643 2 162 28 567 24 563 4 004 11 084 4 147 Tem TV por assinatura 33,00 37,20 7,50 20,70 24,60 6,30 15,00 22,90 34,2 37,80 12,40 37,80 50,00 Tem somente TV por assinatura 7,50 * * 4,20 * * 3,10 2,70 6,8 7,90 7,90 Recebe sinal digital de TV aberta 40,30 44,40 15,70 32,70 38,00 13,30 26,40 50,00 42,7 46,60 19,00 44,50 62,00 Recebe somente sinal digital de TV aberta 11,60 * * 12,70 * * 11,70 27,50 11,1 11,10 19,10 Recebe sinal de TV por antena parabólica 39,20 32,60 79,00 44,20 34,30 80,40 44,50 8,80 41,2 35,90 73,60 34,20 13,20 Recebe sinal de TV somente por antena parabólica 23,30 * * 30,7 * * 33,10 2,00 22,3 16,90 2,20 Tem TV de tela fina e de tubo * * * * * * * * * * * * * Tem somente TV de tela fina * * * * * * * * * * * * * Tem somente TV de tubo * * * * * * * * * * * * * Fonte: Elaborada pela autora com base nos dados PNAD 2014 (IBGE, 2015a). 142 TVs de LCD ou LED. Optamos por manter a nomenclatura adotada pelo IBGE (2015a).
No caso da Região Norte, o percentual de recepção do sinal digital era inferior à média nacional em todos os casos, com exceção da RM de Belém, onde a chegada do sinal digital era realidade em 48,6% dos lares. No Pará, por exemplo, apenas 26,4% dos domicílios dispunham de recepção digital, ficando atrás somente do estado do Tocantins, que tinha 18,1% de seus domicílios com sinal digital. Já no Rio Grande do Sul, o sinal digital abrangia 43,5% dos lares do estado e 60,8% dos da RM de Porto Alegre, demonstrando uma condição de acesso completamente distinta da Região Norte e, inclusive, das demais RMs brasileiras, já que Porto Alegre era, à época, a mais digitalizada do país143.
Ainda que as realidades de acesso nos extremos do Brasil sejam muito distintas, vale ressaltar que quando aproximamos as áreas rurais das regiões Norte e Sul, os percentuais de recepção do sinal digital convergiam e alcançaram, respectivamente, 12,6% e 18,3% das casas. Dado que revela o quanto o processo de implantação da TV digital no Brasil estava concentrado nas capitais, o que permitia que realidades de acesso completamente diferentes se assemelhassem e apresentassem dificuldades comuns, próprias dos extremos do território brasileiro.
Outro dado que corroborava essa proximidade entre os extremos, foi o percentual de domicílios rurais que dispunham apenas de televisores de tubo no Norte e no Sul do país, sendo respectivamente, 70,2% dos lares nortistas e 64,5% das residências sulinas. A diferença entre esses percentuais era muito pequena se comparados à de domicílios que possuíam tanto os aparelhos analógicos quanto os mais modernos de tela fina, sendo 14,8% na Região Norte e 28,7% na Região Sul.
Para complexificar ainda mais essa aproximação entre as referidas regiões, foi interessante observar que, no caso dos domicílios que dispunham apenas de TV de tela fina, a região Norte estava ligeiramente à frente em termos de acesso aos aparelhos mais modernos do que o Sul do país. Enquanto no Norte 32% dos domicílios tinham TV de tela fina, sendo 22,5% nas áreas rurais, no Sul o percentual era de 30,3%, sendo apenas 18,5% no rural.
Ainda com base nos dados da Tabela 16, constatamos a proximidade entre os percentuais de domicílios que recebiam sinal de TV por antena parabólica. Enquanto na Região Norte o percentual era de 43,7%, no Sul era de 40,7%. Os dados se assemelham quando observamos áreas urbanas e rurais separadamente, sendo 34% nas cidades do Norte e 35,5% nas do Sul, e 80,8% nos espaços rurais do Norte e 73,5% nos do Sul. 143 Considerando os dados de acesso no Distrito Federal, com 62,6% dos lares com TV digital, é possível que Brasília tenha percentual superior a POA, entretanto, os dados disponibilizados no PNAD 2014 não consideram nenhuma RM no DF.
Apesar disso, o número de domicílios que só recebiam sinal por antena parabólica é significativo. No Pará, 32,3% dos domicílios possuem essa configuração, enquanto no Rio Grande do Sul essa era a realidade de apenas 17,5% dos lares. Em termos populacionais, isso significava dizer que mais de 33% dos paraenses em 2014 não dispunham de acesso regular ao sinal de TV aberta em suas casas, mesmo com o processo de digitalização em curso no país há sete anos naquele período.
Com base nos dados do IBGE (2015a), foi importante verificar o percentual de domicílios com TV por assinatura no Brasil, cerca de 32%. Entre as regiões Norte e Sul, a diferença de acesso era significativa, sendo 32,5% no Sul, acima da média nacional e 19,8% no Norte. Nos estados e RMs, as distâncias se agravavam, sendo 35,9% no RS e 48% em Porto Alegre, e 14,7% no PA e 22,1% em Belém.
6.3 Dinâmicas de consumo de vídeos a partir de dispositivos móveis conectados