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Defesa, Gerenciamento de Portfólio, Programas e Projetos

No documento BRUNA ROBERTA RIBEIRO BRUM (páginas 34-39)

De acordo com Brasil (2012a), cabe ao Estado prover a segurança e a defesa necessárias

para que a sociedade não corra risco de uma agressão externa, não esteja exposto a pressões

políticas ou imposições econômicas insuportáveis, sendo capaz de livremente dedicar-se ao

próprio desenvolvimento e progresso.

Para facilitar o entendimento, ressalta-se que Defesa Nacional é o conjunto de medidas

e ações do Estado, com ênfase na expressão militar, para a defesa do território, da soberania e

dos interesses nacionais contra ameaças preponderantemente externas, potenciais ou manifestas

(BRASIL 2012b).

Cabe ao Exército Brasileiro, como integrante das Forças Armadas, ser um garantidor da

soberania e da autonomia decisória da sociedade brasileira. Nesse esforço, é necessário que seja

detentor de todo um sistema de defesa, que compreende os meios humanos, materiais,

organizacionais e tecnológicos (BRASIL, 1988).

Para a sustentabilidade desse sistema, faz-se necessária uma base industrial e

tecnológica de defesa capaz de dotar o Exército Brasileiro de equipamentos e de autonomia

tecnológica frente a outras nações. As ações de preparo e de emprego do poder militar são

intrinsecamente interdependentes e não podem ser dissociadas da capacitação da indústria de

materiais e de serviços de Defesa (DA SILVA e MUSETTI 2003).

Desta forma, a BID é elemento constitutivo do sistema que assegura os meios

necessários para a realização da missão de Defesa do Estado, seja concebendo, seja

desenvolvendo e mantendo tecnologia de equipamentos militares essenciais para a

independência nacional (MELO 2015).

Visando a esse atendimento, a END estabelece o desenvolvimento da indústria de

Defesa Nacional e a independência tecnológica como diretrizes indispensáveis para a adequada

prontidão das Forças Armada se para o próprio desenvolvimento nacional (BRASIL 2012c).

Dunne (1995) destaca que o desenvolvimento de uma Indústria de Defesa geralmente

tende a ser benéfico, pois leva ao desenvolvimento tecnológico de diversos setores, à criação

de empregos e à alocação de profissionais qualificados.

Segundo a PND, a BID é o conjunto das empresas estatais e privadas, das organizações

civis e militares que participam de uma ou mais das etapas de pesquisa, desenvolvimento,

produção, distribuição e manutenção de produtos estratégicos de Defesa (BRASIL 2012b).

A indústria de defesa é uma área que demanda grandes investimentos de alta tecnologia.

Por isso mesmo, deve-se levar em consideração que economia, logística de defesa e política

estão diretamente relacionadas à capacidade de defesa de um país, refletindo tanto em seu

potencial dissuasório, como na operacionalidade de suas Forças Armadas (AITA et al. 2016).

Os investimentos em P&D militar são umas das principais rubricas dos grandes países

industrializados. Devido à necessidade de alto grau tecnológico, os investimentos nessa área

são estruturantes, na medida em que orientam as capacidades futuras das empresas, dando-lhes

condições de adquirir competitividade mundial. (MELO 2015)

Considerando o nível e a complexidade dessas iniciativas estratégicas, não se pode

deixar de estudar o que o referencial teórico acadêmico-corporativo apresenta. Contudo, ainda

que as FA de países com relevância no sistema internacional tenham utilizados estes mesmos

conhecimentos, as mudanças implementadas pelo EB levaram em conta sua cultura

institucional e a realidade do cenário atual.

No que tange ao gerenciamento de Portfólio, Programas e Projetos, um dos referenciais

teóricos é o Guia Project Management Body of Knowledge (PMBOK) do PMI (Project

Management Institute). Deste Guia foram extraídas as seguintes definições:

Projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou

resultado exclusivo. A natureza temporária dos projetos indica que eles têm um início e um término definidos. O término é alcançado quando os objetivos do projeto são atingidos ou quando o projeto é encerrado porque os seus objetivos não serão ou não podem ser alcançados, ou quando a necessidade do projeto deixar de existir (PMBOK, 2012, p. 2).

Programa é definido como um grupo de projetos, subprogramas e atividades de

programa relacionados, gerenciados de modo coordenado visando a obtenção de

benefícios que não estariam disponíveis se eles fossem gerenciados

individualmente. Os programas podem incluir elementos de trabalho relacionados fora do escopo dos projetos distintos do programa. Um projeto pode ou não ser parte de um programa, mas um programa sempre terá projetos. (grifo nosso) (PMBOK, 2012, p. 8).

Subportfólios, inseridos em um Portfólio, podem ser compostos por Projetos e/ou

Programas. Implicam operações gerenciadas em grupo, a fim de alcançar objetivos estratégicos. (grifo nosso) (PMBOK, 2012, p. 9).

Portfólio refere-se a projetos, programas, subportfólios e operações gerenciados

como um grupo para atingir objetivos estratégicos. Os projetos ou programas

do portfólio podem não ser necessariamente interdependentes ou diretamente relacionados. (grifo nosso) (PMBOK, 2012, p. 9).

Gerenciamento de portfólios refere-se ao gerenciamento centralizado de um ou

mais portfólios para alcançar objetivos estratégicos. O gerenciamento de

portfólios se concentra em assegurar que os projetos e programas sejam analisados a fim de priorizar a alocação de recursos, e que o gerenciamento do portfólio seja consistente e esteja alinhado com as estratégias organizacionais. (grifo nosso) (PMBOK, 2012, p.10)

Portfólio, Projetos, Programas, Subportfólios e operações gerenciados em grupo,

para alcançar objetivos estratégicos. (grifo nosso) (PMBOK, 2012, p. 557).

Vale registrar a relação gerencial que o PMBOK (2012, p. 7) estabelece entre os

conceitos apresentados:

O gerenciamento de portfólios, gerenciamento de programas e gerenciamento de projetos estão alinhados ou são acionados por estratégias organizacionais. Por outro lado, o gerenciamento de portfólios, o gerenciamento de programas e o gerenciamento de projetos diferem na maneira em que cada um contribui para o alcance das metas estratégicas. O gerenciamento de portfólios se alinha com as estratégias organizacionais selecionando os programas ou projetos certos, priorizando o trabalho e proporcionando os recursos necessários, enquanto que o gerenciamento de programas harmoniza os componentes dos seus projetos e programas e controla as interdependências a fim de obter os benefícios especificados. O gerenciamento de projetos desenvolve e implementa planos para o alcance de um escopo específico que é motivado pelos objetivos do programa ou portfólio a que está sujeito e, em última instância, às estratégias organizacionais. O gerenciamento organizacional de projetos promove a capacidade organizacional ligando os princípios e práticas do gerenciamento de projetos, programas e portfólios com facilitadores organizacionais (p.ex., práticas estruturais, culturais, tecnológicas e de recursos humanos) para apoiar as metas estratégicas. Uma organização mede as suas capacidades e então

planeja e implementa melhorias visando o alcance sistemático das melhores práticas (PMBOK 2012, p. 7).

A partir das definições apresentadas, é possível concluir que cada conceito possui uma

especificidade e um foco único. Assim, um projeto tem por resultado um produto, o programa

gera um benefício e um portfólio visa ao alcance dos objetivos estratégicos da organização.

Uma vez demonstrado como a teoria acadêmico-corporativa define Portfólio,

Subportfólios, Programa e Projeto, cabe analisar o impacto desses conceitos no contexto do EB.

Buscou-se com este referencial teórico fundamentar os aspectos que embasaram a

pesquisa, atendendo ao rigor científico. Neste sentido, sob o alicerce da literatura econômica,

buscou-se a fundamentação para o desenvolvimento.

A seguir, abordar-se-á a metodologia utilizada para a pesquisa a fim de que, na

sequência, sejam abordados os resultados dos dados colhidos em fontes primárias e secundárias

relacionadas ao tema.

3 METODOLOGIA E TÉCNICAS DE PESQUISA

No documento BRUNA ROBERTA RIBEIRO BRUM (páginas 34-39)