5 MODELO PROPOSTO
5.1 DEFINIÇÃO DOS DECISORES
Por se tratar de uma pesquisa exploratória que visa apontar os critérios que influenciam nas decisões de compra, neste estudo foi adotada uma abordagem multidecisor, permitindo a contribuição de uma maior variedade de perspectivas. A amostragem foi composta por 39 gestores de compras de hospitais particulares.
O próximo tópico expõe o perfil dos 39 respondentes que desempenham o papel de decisores do modelo multicritério desenvolvido; na sequência, será apresentado o método utilizado na agregação das preferências.
5.1.1 Perfil dos Decisores
A Figura 17 mostra a divisão dos respondentes por região e número de leitos dos hospitais onde trabalham. Os hospitais são predominantemente da região Sudeste (72% - 28 casos), seguido pelas regiões Nordeste (18% - 7 casos) e Sul (10% - 4 casos). Hospitais de grande porte constituem maioria na amostra, sendo 17 casos de hospitais acima de 500 leitos (43%), 12 casos de hospitais entre 151 e 500 leitos (31%) e 10 casos de hospitais entre 51 e 150 leitos (26%). Optou-se por trabalhar na
pesquisa com hospitais gerais e de grande porte, visto que a complexidade operacional é maior, o que se reflete na necessidade de uma maior eficiência e conhecimento do setor de compras.
Figura 17 - Representação das Regiões e Número de Leitos dos Hospitais Participantes
Fonte: Dados da Pesquisa, 2019
Dos participantes, 74% (29 casos) são do gênero masculino e 26% (10 casos) do gênero feminino. As Figura 18 e 19 ilustram a representatividade da amostra em relação à formação e à capacitação dos cargos ocupados pelos compradores. 38% dos respondentes ocupam cargos de diretoria, gerência ou coordenação de compras, 36% ocupam cargos de supervisão ou de analista de compras e 26% ocupam cargos de comprador (Figura 19). Apenas 2 participantes possuem nível técnico/médio. Nos cargos de direção e gerência, profissionais com pós-graduação são predominantes.
Figura 18 - Formação x Cargos Ocupados pelos Compradores
Fonte: Dados da pesquisa, 2019 2 4 1 9 5 14 1 1 2 151 à 500 Leitos 51 à 150 Leitos acima de 500 Leitos 151 à 500 Leitos 51 à 150 Leitos acima de 500 Leitos 151 à 500 Leitos 51 à 150 Leitos acima de 500 Leitos
Nordeste Sudeste Sul
Q t. d e H o spi tai s
Concernente à atualização do conhecimento, 74% dos respondentes afirmam haver participado de cursos, simpósios, feiras ou congressos anualmente, demonstrando, assim, uma preocupação no investimento em capacitação (Figura 18). Verifica-se que a preocupação com a capacitação está presente em todos os cargos, embora seja maior para cargos de diretoria/gerência.
Dos 39 respondentes, aproximadamente, 70% se encontram na função há mais de 5 anos (Figura 19), demonstrando que além de estar em funções que exercem a tomada de decisão cotidianamente, têm muita experiência nos cargos ocupados.
Figura 19 - Capacitação X Cargos dos Compradores
Fonte: Dados da pesquisa, 2019
Os cargos de diretoria e gerência, além de serem ocupados, em sua maioria, por profissionais que possuem pós-graduação, como mostrado na Figura 18, são cargos com baixa rotatividade. Na amostra, a maioria dos ocupantes de cargos de direção e gerência estão nessa função há mais de cinco anos (Figura 20).
Figura 20 - Tempo de Experiência no Cargo
Fonte: Dados da pesquisa, 2019.
Ao verificar, proporcionalmente, o número de respondentes de cada região em relação à formação e à capacitação desses (Tabela 8), percebe-se que a região Nordeste possui um quadro de gestores com elevado investimento em pós- graduação.
Os gestores de compras das regiões Sudeste e Nordeste têm se empenhado em atualizar seus conhecimentos anualmente, por meio de participação em cursos, feiras, congresso (Tabela 8). Os gestores da região Sul, apesar de apresentar uma proporção de atualizações anuais inferior às duas regiões anteriormente citadas, possuem um bom índice de capacitação, visto que seus gestores não passam mais do que dois anos sem participar de eventos que promovam o aperfeiçoamento e aquisição de novos conhecimentos.
Tabela 8 - Proporção da Formação e Capacitação dos Compradores por Região
Região/n Formação Atualização
Pós-Graduados Graduados Técnico Anual Há 2 anos Nunca
Nordeste (7) 71% 29% - 72% 14% 14%
Sudeste (28) 43% 57% - 78% 14% 7%
Sul (4) 25% 25% 50% 50% 50% -
O perfil dos respondentes sinaliza a preocupação com a qualidade dos dados coletados. A amostra, apesar de pequena, tem uma valorosa representatividade por ser constituída por grupos hospitalares de grande porte, reconhecidos por sua capacidade tecnológica em medicina avançada, inclusive com alguns dos compradores participantes, pertencentes a hospitais que sobressaem como centros de referência internacional em cuidados da saúde; a maioria desses hospitais estão situados no Sudeste do país. Ademais, primou-se pelo conhecimento e poder decisório dos respondentes, priorizando aqueles que ocupem cargos de decisão na área de compras.
5.1.2 Agregação das Preferências Multidecisor
Alguns problemas de decisão tratados na literatura são avaliados por especialistas individualmente; outros casos tratam de tomada de decisão em grupo (CHEN; LEE, 2006; GURTNER, 2014; HERRERA; MARTÍNEZ; SÁNCHEZ, 2005; LI et al., 2018; PADHI; WAGNER; AGGARWAL, 2012).
A decisão em grupo reduz a influência de vieses individuais por utilizar de múltiplas visões (GURTNER, 2014), tornando o julgamento mais robusto (SCALA et al., 2016). Um dos problemas da tomada de decisão em grupo é a agregação das avaliações, visto que, individualmente, cada especialista expressa suas preferências de acordo com suas experiências, visão e com o contexto organizacional do qual faz parte (HERRERA; MARTÍNEZ; SÁNCHEZ, 2005).
Tradicionalmente, as médias geométricas e aritméticas são utilizadas em procedimentos de agregação multidecisor (SCALA et al., 2016). A média aritmética foi proposta para obter a agregação dos decisores que utilizaram uma escala Fuzzy na avaliação de suas preferências individuais (BORAN et al., 2009; CHEN, 2000; HERRERA; MARTÍNEZ; SÁNCHEZ, 2005; PADHI; WAGNER; AGGARWAL, 2012). A combinação de médias aritméticas e geométricas foi utilizada para agregar as avaliações de decisores em um problema de adoção de tecnologias em hospitais (GURTNER, 2014).
Apesar do crescente uso da PCA para reduzir a dimensionalidade dos critérios, um dos trabalhos que melhor esclarece as possibilidades da PCA, em MCDA, é o estudo de Scala et al. (2016). Os autores defendem o uso da PCA para quando se fazem necessárias a elicitação e a agregação de pesos multidecisor.
No estudo de Scala et al. (2016) é utilizado o método AHP em combinação com PCA. Outros estudos combinaram PCA e MCDA. Liang, Liu e Li (2018) analisaram a capacidade sustentável de pontos turísticos chineses utilizando PCA em combinação com TOPSIS. Forghani, Sadjadi e Moghadam (2018) utilizaram PCA combinada com Fuzzy-TOPSIS para selecionar fornecedores de suprimentos farmacêuticos.
Nesta pesquisa a PCA foi utilizada para validar o número de critérios do modelo, estabelecer os seus pesos, por meio das cargas oriundas do modelo rotacionado e definir as dimensões por meio das variáveis latentes extraídas das componentes principais.
A próxima seção trata das etapas para definição dos critérios e dimensões do modelo proposto.