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Parte II – Temas Desenvolvidos ao Longo do Estágio

1. Higiene do Sono

1.2. Desenvolvimento do Projeto

O projeto “Higiene do Sono” surgiu da perceção da dificuldade em dormir entre diversos utentes da FB durante o primeiro mês de observação ao balcão. Para além disso, a crescente preocupação com a saúde mental e a implicação da qualidade do sono na mesma despertou-me o interesse. Tal como foi referido acima, o sono é um elemento fundamental do quotidiano e o seu défice pode levar a diversas consequências a nível da saúde física e mental.

No que diz respeito ao papel do farmacêutico nesta área, por um lado, é um tema sobre o qual este se pode informar para conseguir prestar aconselhamento ao utente e, por outro, é algo que é útil para o doente e fácil de pôr em prática.

A ideia inicial do projeto, tal como já foi referido no início, era envolver a farmácia e as pessoas e locais que esta serve. Assim sendo, o plano consistia num panfleto informativo, um aconselhamento

27 personalizado – na forma de rastreio – para os utentes da farmácia e uma sessão de formação na Escola Básica da Barranha que fica nas imediações da farmácia.

1.2.2. Panfleto Informativo “Higiene do Sono – Saiba o que é e como pode

melhorar a qualidade do seu descanso”

O objetivo do panfleto acerca da HS (Anexo VII) era informar os utentes, utilizando uma linguagem simples e acessível, sobre em que consiste a HS e, também, sobre medidas a adotar para ter um sono de qualidade. Para além disso, a finalidade passava igualmente pela consciencialização da importância deste tema e as consequências dos distúrbios de sono.49, 56-58

Antes da sua distribuição, os panfletos foram apresentados à equipa da FB, nomeadamente à DT e à orientadora de estágio. Dentro da equipa obtiveram uma boa receção e foi promovida a sua distribuição. Durante os atendimentos nos quais foram distribuídos os panfletos, foi feita referência, sempre que possível, ao rastreio “Higiene do Sono” e, ainda, foi pedido aos utentes feedback das medidas implementadas. De um modo geral, os panfletos foram bem recebidos pelos utentes que se mostravam interessados em ler e em levar. Notou-se ainda que, muitas das vezes, estes referiam que iam levar a brochura para um familiar que não dormia bem, mostrando a preocupação que a falta de sono incute nas pessoas.

1.2.3. Rastreio “Higiene do Sono”

Tal como foi referido no enquadramento teórico, os aconselhamentos acerca da HS devem ser individualizados de modo a garantir que as medidas são as mais adequadas para um determinado utente.47 Assim sendo, foi planeado um rastreio que consistia numa conversa privada com o utente

no gabinete, na qual iria ser feita uma avaliação e distribuído um “diário do sono” com recomendações e espaço para o próprio utente escrever. O rastreio foi promovido na farmácia através do cartaz apresentado no Anexo VIII e nas redes sociais com a publicação que se encontra no Anexo I.

Para avaliar o tipo de intervenção que seria mais conveniente para o utente, foram feitas uma série de perguntas baseadas nos critérios de diagnóstico do ICSD e, ainda, num índex validado por um estudo de 2006.50,59 A escala utilizada encontra-se representada no Anexo IX .

A manutenção de um diário do sono é uma recomendação frequente na literatura, quando se fala em distúrbios do sono.21, 4252, 54 Assim sendo, a ideia de fornecer um diário ao utente surgiu de

modo a aliar um método de incentivo ao cumprimento das medidas recomendadas, à descrição da qualidade do sono por parte do utente. O objetivo do aconselhamento era melhorar a qualidade do sono, mas, no caso de as medidas não serem suficientes, a descrição detalhada pode ajudar o médico a identificar a causa e a solução para o problema do indivíduo.

No diário, presente no Anexo X, é possível observar uma coluna com medidas a implementar, seguida de outras que representam os diferentes dias da semana, durante duas semanas. Na imagem anexada encontra-se a medida “Definir uma hora de deitar e de acordar” a título de exemplo. A finalidade é o utente assinalar o número de dias em que cumpriu a recomendação com um visto e,

28 ainda, aqueles em que não cumpriu com uma cruz. No verso da folha, tem um espaço para descrever como se sentiu durante o dia seguinte, quantas horas dormiu, o que o fez acordar, entre outros aspetos relevantes para cada utente. Caso o utente não conseguisse escrever seria dado instruções para utilizar um código de cores ou de figuras – visto ou cruz – para que este pudesse assinalar se sentiu melhor, pior ou igual. Não foi necessário utilizar esta metodologia em nenhum dos utentes que compareceu ao rastreio.

Analisando criticamente, o rastreio obteve um resultado positivo, apesar de não ter tido muitas inscrições. A adesão não foi grande por parte dos utentes a quem foi recomendado, contrariando a popularidade dos panfletos, ilustrando o tabu que ainda existe acerca da saúde mental. Muitos utentes quando questionados acerca do interesse em participar no rastreio, afirmavam que dormiam bem e que “não precisavam dessas coisas”. Quando confrontados com a ideia de que a HS era um conjunto de práticas que podia ser utilizado por toda a população e não só pelas pessoas que sofriam de insónia, a resposta era ainda de hesitação. Na maior parte das vezes, as pessoas afirmavam que o panfleto já era suficiente, mesmo após a explicação de que o aconselhamento era personalizado.

No entanto, apesar da baixa adesão, os utentes a quem foi realizado o aconselhamento mostraram-se interessados em tentar cumprir as recomendações e em regressar à farmácia para mostrar os resultados obtidos. Para os utentes, foi uma forma de se consciencializarem de práticas menos saudáveis e de fatores que poderiam estar a perturbar o sono. Foi também uma oportunidade de testar a capacidade de interação e de aconselhamento e, ainda, de melhorar a qualidade dos cuidados farmacêuticos prestados na FB. No que diz respeito à opinião da equipa da FB, todos acharam que o rastreio seria algo benéfico para os utentes, mas reconheceram que seria difícil promover a adesão dos mesmos. Os materiais utilizados tiveram também uma boa recetividade por parte dos colaboradores.

1.2.3. Sessão “Higiene do Sono” – Escola Básica da Barranha

Nos dias 30 de Setembro e 3 de Outubro foram realizadas, no total, 6 sessões acerca da higiene do sono na Escola Básica da Barranha. Os anos selecionados foram o 5º e 6º ano, tendo sido possível levar este tema a todas as turmas dos mesmos. Este evento decorreu do contacto prévio à escola que, em situações anteriores, já tinha sido parceira da farmácia na promoção da saúde pública.

Os materiais utilizados foram uma apresentação em PowerPoint (Anexo XI) e uma ficha “Medidas para Dormir Melhor” (Anexo XII) para os alunos preencherem. A apresentação foi dinâmica e contou com a participação dos próprios alunos, num formato pergunta-resposta. A parte final da apresentação, consistiu num conjunto de medidas para melhorar a higiene do sono, baseadas nas recomendações da WSS e de um trabalho conjunto da Associação Portuguesa do Sono com a Sociedade Portuguesa de Pediatria.60, 61 Estas medidas foram apresentadas uma a uma, sendo que

o objetivo seria os alunos refletirem sobre se praticavam ou não as mesmas. Sempre que não o faziam, deveriam escrever na ficha fornecida. Este tipo de metodologia facilita a consolidação do

29 conhecimento adquirido e antes de ser empregue foi validada com a coordenadora da Escola, a Dra. Benilde Alves.

No total, foram realizadas 5 palestras a 8 turmas diferentes – 4 turmas de 5º ano e 4 turmas de 6º ano. A avaliação é positiva visto que houve uma interação grande com os alunos, revelando curiosidade no tema e a aquisição de conhecimentos. Os alunos mostraram-se interessados nas sessões. Fizeram várias perguntas e partilharam as suas experiências quer durante a sessão, quer no final da mesma em privado. Constatou-se que um dos problemas mais frequentes foi o uso da televisão diariamente como forma de adormecer, visto que grande parte dos alunos referia que só conseguia dormir se visse televisão antes e que colocavam temporizador para a desligar. A maioria tirou anotações na lista fornecida e mostrou-se motivada para cumprir as medidas propostas.

O feedback obtido pelas professoras foi bom, assim como pela coordenadora da escola. Foi percecionado pelas docentes envolvidas que este é um tema pertinente na idade escolar e que, possivelmente, seria útil alargar a intervenção aos encarregados de educação. Esta sessão será algo a pensar no futuro em colaboração com a FB e com a Escola Básica da Barranha. Na farmácia, a DT e os restantes colaboradores mostraram-se satisfeitos com esta vertente do projeto quer pela colaboração que foi feita com a escola, quer pela dinamização de um tema pertinente junto das crianças da comunidade.