Foi pedida, aos arquiteto de 40/36 anos, sem filhos de serviço, vagas de gar escritório ou filho eventua testada no lado menor, Horizonte. A declividade metros na horizontal e a terreno se situava em loc para quem estivesse situ a aproximadamente 45º (FIG. 18).
o do projeto da residência própria dos arqu
– Projeto de habitação para residência da equipe
tos, a elaboração do projeto de uma residê os, que comportasse 2 quartos, salas, coz garagem para 2 carros e um quarto adicio tual. O terreno era retangular, medindo 17 or, em um condomínio situado nas pro
e era, aproximadamente, de um metro na a rua de acesso tocava o terreno em se local muito arborizado e montanhoso, e a ituado na testada do lote e de frente para o 5º à direita da visada principal, essa volt
FIGURA 18– Dados do terreno
quitetos (FIG. 17).
e – obras em andamento
idência para um casal ozinha, dependências cional para hóspedes, 17 x 25 metros, com a roximidades de Belo a vertical para cada 9 seu lado mais alto. O vista predominante, a o terreno, se situava oltada para o lado N
Os clientes desejavam uma residência com poucos desníveis, de preferência com apenas um pavimento, capaz de ser construída por aproximadamente R$ 250.000,00. O valor proposto indicou aos arquitetos que a área construída deveria ser de aproximadamente 250 m2. A legislação municipal impunha, como demanda mais restritiva, dentre outras, afastamentos laterais de 2,5 m.
Os arquitetos declararam, a respeito dos clientes, que eles tinham bom gosto, a julgar pelos projetos similares com os quais simpatizavam; que eram muito abertos a inovações, e que definiram um programa de projeto sem grande rigidez, o que deixava margens para interpretações e sugestões de alteração no mesmo. Em uma das entrevistas, um arquiteto disse que os clientes não precisavam ser “catequizados”, isto é, reconheciam a qualidade da equipe contratada e a autorizavam para deliberar acerca das definições espaciais que, em conjunto, constituiriam o projeto.
A equipe fez, nesse primeiro dia de trabalho:
Diagrama Gantt do projeto, para encaixá-lo na estrutura produtiva do escritório. Para tanto, analisaram a disponibilidade de horários dos vários componentes da equipe;
Análise de projetos residenciais apresentados pelos clientes e sugeridos pela equipe de arquitetos, em revistas e pela internet – a equipe incentivou os clientes a trazerem revistas de projetos e obras que achassem interessantes (FIG. 19);
Primeiros desenhos de situação geral da edificação e setorização (FIG. 20 a 26), apresentados mais adiante em detalhe.
a) b)
c)
FIGURA 19– Fotos de referências notáveis
a) Residência em Iporanga – SP, 2005, arquiteto Arthur Casas; b) Residência BR em Araras – RJ, 2004, arquiteto Márcio Kogan;
c) Residência Mariante em Aldeia da Serra – SP, 2005, arquitetos MMBB. Fontes: a) CASAS, [2000-];
b) KOGAN, [2000-]; c) NOBRE, 2003.
Foram intenções dos arquitetos (ao mesmo tempo em que falavam, os arquitetos transformavam suas declarações verbais em desenhos):
Elaborar um projeto com poucos desníveis;
Elaborar um projeto retangular e transversal ao terreno, proposta que logo se transformou, devido à falta de largura suficiente disponível, para dar lugar a uma casa dividida em 2 blocos transversais ao terreno, com uma área verde entre eles, e situar a garagem sob o bloco mais a N (FIG. 20);
Deslocar os dois blocos, um em relação ao outro, segundo o eixo transversal ao terreno, para resolver algumas questões (vista, acesso);
Projetar aberturas apenas nas faces voltadas para os lados N e S, para preservar a privacidade em relação aos vizinhos laterais (FIG. 21);
Elaborar um projeto dentro de uma malha ortogonal que permitisse sua edificação tanto em estrutura metálica quanto em estrutura de concreto armado;
Utilizar um leque restrito de materiais e elementos construtivos, para maior simplicidade visual e construtiva;
Elaborar um projeto onde as áreas externas se integrassem às áreas internas – essa intenção veio a partir da análise de um dos projetos que os clientes trouxeram (FIG. 19a);
Optar pelo projeto de um mezanino para ser o espaço a ser utilizado como 3º quarto;
Não dotar o projeto de terraços, por serem, segundo os arquitetos, áridos e inúteis;
Explorar a transparência do vidro;
Evitar contenções de terra e cortes no terreno: a casa deverá apoiar-se no solo, por razões econômicas.
a) b)
FIGURA 21– Deslizamento relativo dos blocos, com bloco íntimo por vezes à frente, por vezes atrás
A equipe analisou demoradamente os projetos trazidos pelos clientes e aqueles procurados na internet – e enquanto viam o trabalho de terceiros, interrompiam a todo instante para projetar. Após essa etapa, eles abandonaram as revistas e a internet e se dedicaram exclusivamente à elaboração do projeto. Um dos arquitetos da equipe parecia projetar como quem vai paulatinamente ensinando a si próprio, firmando um percurso a ser percorrido, ao mesmo tempo em que o percorria.
Uma vez estudada a proposta de alinhar e deslizar blocos no sentido transversal ao terreno, os deslizamentos repetiram-se segundo o eixo longitudinal. A equipe buscava embasamento para cada uma das opções de deslizamento. Ao optarem por uma que lhes parecera mais interessante, seguiam adiante, aprofundando-a em escala e procurando inserir cômodos nos blocos de setores, com os quais trabalhavam. A proposta de se passar pelo bloco íntimo para se alcançar o bloco social, apresentada na FIG. 21, foi refutada na FIG. 22 para ser retomada na seguinte (FIG. 23).
a) b)
FIGURA 22– Deslizamento relativo dos blocos, no desenho à esquerda, e bloco único, no desenho à direita
Ao definirem colocar, lado a lado, os blocos íntimo e social, deslizados relativamente ou não (FIG. 22), passaram, em seguida, a detalhá-los (FIG. 23).
FIGURA 23– Alocação de cômodos
Após as experimentações possibilitadas pelos deslizamentos, a proposta de transformar o projeto em um pavilhão horizontal único foi retomada. Essa evolução se encontra apresentada nas FIG. 24 e 25, onde se pode observar o aumento de complexidade e o uso da estratégia de espelhamento entre as faces N e S. O pavilhão único permitia uma solução compacta e plana do corpo construído (FIG. 25). Segundo a equipe, a solução em pavilhão único solucionaria várias questões. A partir dessa constatação, o desenho se adensou. A equipe se animou ao ver uma primeira solução já configurada no primeiro dia de trabalho. A proposta do pavilhão único trazia, como inconveniente, a geração de muito espaço ocioso sob uma edificação que se desenvolve em um único pavimento, apoiada sobre um terreno em declive. Observam-se, na FIG. 25, algumas indicações que fazem sugerir que o desenho é uma tentativa de convencer os próprios arquitetos de que esse inconveniente seria suplantado pelos benefícios que tal configuração oferecia
(indicações a respeito do escoamento da água, das possibilidades de iluminação e de continuidade visual).
FIGURA 24– Retomada da proposta do pavilhão único
a) b)
c)
FIGURA 25– Retomada da proposta do pavilhão único, em planta, corte e elevação frontal, em estágio mais avançado
Como a equipe só deveria pormenorizar o programa de espaços em uma reunião posterior com os clientes, eles acharam que não valia mais a pena evoluir os trabalhos, naquele dia, a partir do ponto em que chegaram. Restava a questão: deslocar relativamente ou não os blocos? A proposta final do dia, que muito agradou à equipe, propunha colocar a garagem sob a área íntima, desnivelando os dois
blocos para não gerar excesso de área sob o bloco social (FIG. 26): a estratégia de deslizamento ocorria, àquele momento, também segundo o eixo vertical. A estratégia de deslizamento, nos três eixos, passou a ser objeto de atenção da equipe. Eles agora procuravam explorar as possibilidades que esses deslizamentos podiam oferecer ao projeto.
Ao se lembrarem do fato de que a cliente era nadadora, passaram a inserir uma raia (piscina estreita para natação) num projeto que, a partir de então, se definia em dois blocos dispostos lado a lado (FIG. 26). À medida que a equipe foi ficando satisfeita com os resultados do trabalho, os desenhos adquiriam maior vida: deixavam de ser um conjunto de traços esquemáticos (FIG. 20) para se carregarem de informações (FIG. 26).
c)
FIGURA 26– Solução final do primeiro dia
Os desenhos se sucederam, aumentando-se o nível de complexidade, e nota-se também que, aos poucos, novos condicionantes de projeto, não observados até
b) a)
então, passaram a sê-los, defletindo o projeto em direção a novas configurações. O aumento na complexidade exigiu o uso de desenhos em escala (ainda que feitos à mão), o que ocorre a partir da FIG. 24, e de cor, no projeto (FIG. 26).