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O Capítulo III do Livro I, referente à Parte Geral do CCivil, é consagrado ao tempo e às suas repercussões nas relações jurídicas. As figuras previstas neste regime, como formas de repercussão do tempo, são a prescrição, a caducidade e o não uso. No entanto, esta enumeração parece não ser taxativa, sendo que a doutrina e a jurisprudência têm apontado outras figuras jurídicas que têm eficácia direta pelo decurso do tempo.

Com efeito MENEZES CORDEIRO245 propõe a hipótese da suppressio ex bona fide ou

supressão por exigência de boa fé, isto é, o autor explica que as regras previstas no ordenamento jurídico, atinentes à repercussão do tempo, servem para assegurar a certeza e a segurança, definido balizas de aplicação generalizada, mas atenta para o facto de o Direito ter uma preocupação diferenciadora que carece de ser tutelada, pelo que nem o instituto da prescrição nem a caducidade “têm aptidões para aderir aos meandros das situações individuais”. Assim, este autor sugere que o corretivo necessário para assegurar tais situações poderia advir da boa fé, preconizando o instituto supra referido, explicitando que: “perde a sua posição jurídica a pessoa que não exerça por um período de tempo e em circunstâncias tais que não mais seja de esperar qualquer exercício”.

Este autor defende que esta figura é uma das diversas modalidades do instituto do abuso de direito e designa a posição do direito subjetivo que não tendo sido exercido em determinadas circunstâncias num dado hiato temporal, não mais deverá poder sê-lo, sob pena de contrariar a boa fé.

Segundo o acórdão da Relação do Porto de 17 de junho de 2013246, “a supressio,

enquanto modalidade do abuso do direito, respeita àquelas situações em que uma posição jurídica que não tenha sido exercida em certas circunstâncias e por certo lapso de tempo, não mais possa sê-lo por, de outro modo, contraria a boa-fé”.

A suppressio é a expressão latina do termo Verwirkung, originário do direito alemão. A origem desta figura é jurisprudencial, mas o seu surgimento deu-se no âmbito da “venda de ofício comercial, a favor do comprador, ficando consignadas em decisões do então

245 Cordeiro, Menezes in “Tratado de Direito Civil” Vol. V, Almedina, Coimbra, 2011, pág. 236.

Reichsoberhandelsgericht – o Tribunal Superior do Comércio do Império Alemão, antes da unificação das jurisdições civil e comercial”247.

Como explica a Relação do Porto248, o seu surgimento deu-se “no tempo da I Guerra

Mundial, de grande inflação, em que se verificavam alterações elevadas no valor das mercadorias, como é típico de tais circunstâncias temporais. Visou obstar aos inconvenientes de se exercer o direito, em matéria comercial, decorridos longos períodos de tempo, onde não existiam prazos de prescrição e o cumprimento dos contratos levaria à ruína de uma das partes pela subida vertiginosa de preços. Daí que o exercício do direito em tais circunstâncias seja entendido como abuso”.

MENEZES CORDEIRO249 elucida que em consequência das alterações monetárias, o exercício

tardio de alguns direitos conduzia a situações de desequilíbrio inadmissível entre as partes, e a suppressio iria funcionar como contrapeso, assegurando o efeito do devedor, indicando que a boa fé requer o equilíbrio da situação das partes. Chama ainda a atenção para um ponto essencial, referindo que a suppressio surgiu como um instituto autónomo e só mais tarde houve aproximação ao conceito da boa fé e ao instituto do abuso de direito.

Relativamente ao sucesso e aceitação desta figura MENEZES CORDEIRO250 indica que foi

com a conciliação da suppressio à proibição de venire contra factum proprium com a seguinte matriz: “o titular do direito, abstendo-se do exercício durante um certo lapso de tempo, criaria, na contraparte, a representação de que esse direito não mais seria actuado; quando supervenientemente, viesse agir, entraria em contradição”.

Em consonância com o desenvolvimento independente do conceito e a fixação de um regime diferenciador, o autor supra referido indica alguns elementos basilares para a aferição da existência da suppressio nas situações jurídicas. Por um lado, afirma que todos os direitos subjetivos lhe estão sujeitos, salvo determinadas exceções; é exigido um certo decurso de tempo sem exercício, tempo esse que é eminentemente variável consoante as circunstâncias. Ademais requerem-se indícios objetivos de que o direito em causa não irá mais ser exercido251.

247 Cordeiro, Menezes in “Tratado...” Vol. V, pág. 315.

248 Cf. Acórdão do Tribunal da Relação do Porto, de 17 de junho de 2013, Processo n.º 629/10.9TTBRG.P2, disponível no website www.dgsi.pt.

249 Cordeiro, Menezes in “Da Boa-fé no Direito Civil”, Vol. II, Almedina, Coimbra, 1984, pág. 801.

250 Cordeiro, Menezes in “Tratado...” Vol. V, pág. 320.

Neste sentido, é coerente afirmar que o hiato de tempo sem exercício para se poder arguir a suppressio em detrimento do direito do credor sempre terá de ser inferior do que os prazos de prescrição, sob pena de inutilidade da figura da suppressio; sendo que será necessário fazer um juízo equilibrado relativamente ao caso em concreto para aferir que já não é de se esperar o exercício do direito em causa.

Em nota de rodapé252, o mesmo enuncia como exceções, nomeadamente, os direitos que

prescrevem em períodos curtos, por no prazo de prescrição ser sempre de contar com o seu exercício; os direitos legalmente excluídos da suppressio; os direitos emergentes de contratos coletivos de trabalho; certos direitos essenciais dos trabalhadores, como o direito ao salário.

Aponta ainda a suppressio como um instituto objetivo, ou seja, independente de culpa (dolo ou má fé) do titular atingido, requerendo apenas a sua inércia. Sendo que, por um lado, é afetada por elementos voluntários que interrompam ou suspendam o decurso do prazo de prescrição ou caducidade, uma vez que tais ocorrências deitam por terra a ideia de que o direito não mais iria ser exercido. Por outro lado, indica que esta figura é uma “saída extraordinária”, tendo natureza subsidiária e por isso, só podendo ser aplicada se mais nenhuma solução prevista no ordenamento jurídico for aplicável ao caso253.

VAZ SERRA254 refere que a Verwirkung é uma figura análoga à prescrição, acolhida pela

jurisprudência alemã, tendente a valorar o não exercício do direito, em certos casos excecionais, sem que tenha decorrido qualquer prazo de caducidade ou de prescrição.

Por outro lado, PAIS DE VASCONCELOS255 referindo-se a esta figura entende que, tal como a

surrectio (Erwirkung)256, não instituem um novo tipo de abuso de direito. São sim, subtipos do

venire contra factum proprium, e ambas as figuras traduzem o comportamento contraditório do titular do direito que o vem exercer depois de uma prolongada abstenção e acrescenta que é essa abstenção prolongada no exercício de um direito que pode, em certas circunstâncias, suscitar uma expectativa legítima e razoável de que o seu titular o não irá exercer ou que haja

252 Cordeiro, Menezes in “Da Boa-fé...”, pág. 810, nota n.º 603.

253 Cordeiro, Menezes in “Da Boa-fé...”, pág. 812.

254 Serra, Vaz in “Prescrição e Caducidade”, BMJ 105, pág. 5.

255 Vasconcelos, Pedro Pais de in “Teoria Geral do Direito Civil”, Almedina, Coimbra, 2012, pág. 240.

256 Menezes Cordeiro indica que a expressão “Erwirkung” foi proposta por CANARIS para se referir ao “surgimento”, e explica que a língua

portuguesa não comporta a construção de novas palavras, por aditamentos ou partículas,pelo que, para o efeito, propõe a termo “surrectio”

renunciado ao próprio direito, ao exercício de algum dos poderes que o integram, ou a certo modo do seu exercício.

Em suma, a suppressio apresenta-se como uma forma de tutela da confiança do seu beneficiário (devedor), perante a inércia do titular do direito (credor)257. Ora, para cimentar esta

teoria MENEZES CORDEIRO indica que esta figura carece de circunstâncias colaterais que melhor

fundamentem a confiança do beneficiário, a saber: a) um não exercício prolongado; a existência de uma situação de confiança; uma justificação para essa confiança; um investimento para essa confiança e a imputação da confiança ao não exercente do direito.

O fundamento para a tutela da confiança do beneficiário assenta, essencialmente, no não exercício prolongado. Este tem de ser de tal forma relevante que crie no espírito do homem médio, colocado na posição do beneficiário concreto, a legítima expectativa de que aquele direito não mais deverá ser exercido. Pelo que, esta confiança e o investimento nela feito deverão ser protegidos, sob pena de causar danos irreparáveis.

Face ao exposto, o referido autor conclui258 afirmando que “a suppressio manifesta-se

porque, mercê da confiança legítima, uma pessoa adquiriu (por surrectio) uma posição incompatível com um exercício superveniente, por parte de exercente”. Assim, na ponderação dos interesses de ambos, vai-se dar preferência ao beneficiário, porque tendo em conta o investimento de confiança, os danos sofridos com por este último seriam consideravelmente superiores às vantagens que o titular do direito iria colher e porque, face ao nexo de imputação de confiança, o titular do direito não exercido se coloca numa situação que faculta julgar social e eticamente ajustado o seu sacrifício.

Nos termos propugnados pelo acórdão do Supremo Tribunal de Justiça259, “como tem

sido assinalado pela doutrina, os casos redutíveis a um exercício abusivo do direito por suppressio, impõem que, patente ou ostensivamente, se crie, no obrigado, a convicção de que a prestação já não virá a ser exigida, sob pena de a posterior exigência representar para ele um incomportável sacrifício”

257 Cordeiro, Menezes in “Tratado...”, Vol. V, pág. 323.

258 Cordeiro, Menezes in “Tratado...” , Vol. V, pág. 324.

Transponhamos, então, para o campo do Direito do Trabalho a figura que acabamos de apresentar, no âmbito do presente estudo quanto à repercussão que o conceito de retribuição causa na retribuição de férias, subsídio de férias e subsídio de Natal, enquadrando a suppressio nos casos em que o trabalhador vem requerer judicialmente a integração de certos suplementos salariais no conceito de retribuição para efeitos de retribuição de férias, subsídio de férias e subsídio de Natal, volvidos, pelo menos, vinte e trinta anos desde o vencimento dos referidos créditos.

Tem sido entendimento generalizado que “o abuso do direito, na modalidade da suppressio, não terá aplicação, em princípio, em matéria de direito laboral, nomeadamente, em matéria de retribuições, onde existe também prazo de prescrição”260.

No entanto, face ao que anteriormente acobertamos no que concerne à integração de certos complementos no conceito de retribuição, bem como à tese defendida no que diz respeito aos prazos de prescrição dos créditos laborais e da matéria referente aos juros, entendemos que um trabalhador que não tenha reclamado da não integração de certos complementos patrimoniais na retribuição de férias e nos subsídios férias e de Natal, durante um dado hiato temporal, nomeadamente nos casos em que excede o prazo geral de prescrição previsto no CCivil, de vinte e trinta anos, poderá gerar na esfera jurídica do empregador, uma legítima e defensável convicção que o mesmo jamais irá ser demandado.

Sem conceder, a verdade é que o fim social ou económico do direito à retribuição como contrapartida do trabalho prestado visa, essencialmente, a proteção do trabalhador, para quem, em regra, o rendimento do trabalho constitui a fonte principal, senão única, de satisfação das necessidades básicas de subsistência, pelo que se afigura conforme ao fim social e económico do direito o trabalhador procurar obter do empregador o pagamento das retribuições que a lei lhe confere, nomeadamente dos juros de mora que acrescem àqueles créditos.

Parece uma conclusão precipitada afirmar categoricamente que um qualquer trabalhador, que não tenha tido um comportamento expresso durante largos anos quanto à sua vontade de fazer repercutir na retribuição de férias e nos subsídios de férias e de Natal aqueles complementos patrimoniais, cuja natureza não é claramente retributiva (tendo em conta as

considerações já expostas), não ultrapassa os limites impostos pela boa fé, pelos bons costumes ou pelo fim social e económico do direito.

Com efeito, a renúncia tácita do crédito laboral sempre seria inválida, uma vez que o direito à retribuição é indisponível durante a vigência da relação laboral, o que se justifica, quer pela natureza da retribuição, entendida como crédito alimentar, indispensável ao sustento do trabalhador e da sua família, quer pela situação de subordinação económica e jurídica em que o trabalhador se encontra face ao empregador, que, segundo o entendimento tradicional, o pode inibir de tomar decisões verdadeiramente livres, em resultado do temor reverencial em que se encontra face aos seus superiores ou do medo de represálias ou de algum modo poder vir a ser prejudicado.

No entanto, não deixa de causar algum desconforto que o exercício tardio do direito do trabalhador, sendo reclamado apenas vinte anos após a data do vencimento dos complementos patrimoniais que alegadamente integrariam o conceito de retribuição para efeitos de retribuição de férias e nos subsídios férias e de Natal, mais do que poder representar, concretamente, um incomportável sacrifício para o empregador, mormente num contexto de crise socio económica como o atual, signifique desvalorizar a legítima convicção do empregador de que aquele direito não mais iria ser exigido, derivada da falta de exigência do cumprimento durante um acentuado período de tempo, tornando as relações jurídicas laborais bastante incertas.

Reiteramos que em nosso entendimento, salvo melhor parecer, não se patrocina a teoria de que o trabalhador não é livre de fazer valer os seus direitos, sobretudo no que concerne ao direito à retribuição e que o facto de ser constitucionalmente protegido, não seja por si só um forte fundamento para que o trabalhador se sinta desprendido de quaisquer constrangimentos, especialmente aquele trabalhador em concreto que se encontra sob a alçada de um sindicato, com robustez suficiente para assegurar o cumprimento pleno dos direitos dos seus trabalhadores.

Assim, parece-nos legítimo invocar a figura da suppressio nas causas que tenham como litígio o conceito de retribuição, se as prestações complementares são consideradas para o referido conceito e em caso afirmativo, quais a que nele devam ser integradas para efeitos de retribuição de férias, subsídio de férias e subsídio de Natal, e que apenas venham a ser exigidas após uma duração prolongada de tempo, durante o qual o trabalhador (máxime o trabalhador

sindicalizado) nunca tenha tido um comportamento discordante de tal prática, provocando no empregador a legítima expectativa de que não se encontra sequer em incumprimento.

Conclusões

1. O contrato de trabalho, enquanto mecanismo jurídico de regulação das relações laborais, tem as suas raízes no Direito Romano.

2. A obrigação de remuneração da atividade prestada, já consagrada na era Romana, na qualidade de elemento essencial do contrato de trabalho, sofreu algumas alterações decorrentes da evolução histórica das circunstâncias políticas e sociais.

3. Em Portugal, o processo de formação do Direito do Trabalho é relativamente recente, tendo acompanhado o desenrolar dos desenvolvimentos políticos e socias europeus derivados dos movimentos sindicais que requeriam melhores condições de trabalho, que se faziam sentir um pouco por toda a Europa.

4. Os primeiros diplomas legais concernentes às questões laborais em Portugal remontam apenas ao século XIX, tendo sobretudo a formação do ordenamento jurídico-laboral alcançado um espaço relevante ao longo do século XX, nomeadamente com a consagração do direito à greve e do lock-out.

5. A retribuição é um dos elementos essenciais do contrato de trabalho, enquanto mecanismo máximo das relações juslaborais, consagrada no art. 258.º do CT.

6. Por ser um elemento essencial do contrato de trabalho o legislador estabelece vários mecanismos de proteção da retribuição, mormente de consagração constitucional, no art. 59.º, n.º 3 da Lei Fundamental.

7. O cálculo do montante retributivo tem em conta vários fatores, tais como a quantificação da prestação fixada em função do tempo, o posto de trabalho ou categoria, a performance ou mérito no desempenho da função e a evolução na empresa, ou seja a antiguidade.

8. Há doutrina que entende que o problema da aferição do cálculo da prestação retributiva coloca-se em dois patamares, sendo um o da determinação em concreto da retribuição, quando a mesma não se encontra fixada pelo contrato de trabalho e o segundo o da determinação em abstrato da prestação retributiva.

9. O n.º 2 do art. 258.º indica que para que uma prestação seja considerada retribuição, o legislador faz depender a sua qualificação como tal de um pagamento regular e periódico e, uma vez que o legislador não fixou concretamente um critério para a aferição da “regularidade e periodicidade”, a qualificação das prestações como retributivas, tendo em conta a sua “regularidade e periodicidade”, não tem sido uniforme no seio da jurisprudência.

10. Em nosso entendimento, e na senda das mais recentes decisões do Supremo Tribunal de Justiça, deve considerar-se regular e periódica a prestação cujo pagamento ocorre todos os meses de atividade do ano, constituindo, assim, um complemento normal da retribuição do trabalhador.

11. O legislador consagra no art. 258.º, n.º 3 uma presunção de que constitui retribuição qualquer prestação do empregador ao trabalhador; no entanto, esta presunção carece sempre, em nosso entendimento, de uma avaliação casuística, isto é, de aferir se aquela atribuição é uma mera liberalidade ou tolerância do empregador, ou se se traduz numa intenção de atribuição de um benefício económico ao trabalhador, digno de tutela.

12. O legislador laboral prevê no art. 264.º do CT o direito a retribuição de férias, sendo que defendemos que o legislador quis manter a retribuição de férias proporcional à retribuição que o trabalhador aufere em período de não férias, ou seja em serviço efetivo e, portanto, excluem-se as prestações que pelas suas circunstâncias não se verifiquem em período de férias por não terem sequer natureza retributiva, sem prejuízo do previsto na parte final da al. a), do n.º 1 do art. 260.º.

13. Quanto ao subsídio de férias, é nosso entendimento que devem ficar excluídos aqueles complementos remuneratórios que dizem respeito às condições que afetam a pessoa do trabalhador pelo exercício efetivo do trabalho, às despesas que o mesmo tem de efetuar para a realização da sua prestação de trabalho, bem como ao seu desempenho.

14. Relativamente ao subsídio de Natal, consagrado pelo legislador no art. 263.º, entendemos que não devem ser tidas em consideração as atribuições patrimoniais que pressupõem a efetiva prestação do trabalho e que visam, tão-somente, compensar o trabalhador das despesas que realiza pela efetiva execução das suas funções, nem as prestações que sejam contrapartida do modo específico da execução do trabalho, e sendo o subsídio de Natal considerada uma prestação complementar o seu cálculo deverá obedecer ao disposto no art. 262.º n.º 1 do CT. 15. Somos da opinião de que se o legislador consagrou as exclusões legais do conceito de retribuição em artigo posterior à previsão da presunção retributiva (art. 258.º, n.º 3), fê-lo com a intenção de amenizar a prova a ser produzida pelo empregador, pelo menos, quanto à não integração daquelas prestações no montante retributivo.

16. Igualmente consideramos que no que concerne à prescrição de créditos laborais, quer para o trabalhador quer para o empregador, não é absurdo que se aplique aos créditos laborais as regras gerais do CCivil. Uma vez que a norma jurídica relativa à prescrição no CT não exclui liminarmente a aplicação das regras gerais. Além disso, não é razoável, do ponto de vista da paz, previsibilidade e segurança jurídica, que passados vinte e trinta anos, ou mais, possa vir ser exigido um crédito que até então nunca havia sido considerado para efeitos de retribuição de férias, subsídio de férias e Natal.

17. Quanto à obrigação de juros de mora, não nos parece que no âmbito das relações laborais os juros assumam natureza laboral apenas porque a obrigação principal reveste essa natureza.