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Doenças não diarreicas Bacilos gram-positivos

Microbiota Normal

DETERMINANTES DA PATOGÊNESE BACTERIANA

II. Doenças não diarreicas Bacilos gram-positivos

Bacillus cereus Arroz reaquecido Solo Diarreia

Clostridium perfringens Carne cozida, ensopado e molho de carne

Solo, animais ou humanos Diarreia

Listeria monocytogenes Produtos lácteos não pasteurizados Solo, animais ou plantas Diarreia

Bacilos gram-negativos

Escherichia coli Diversos alimentos e água Humanos Diarreia

E. coli linhagem O157:H7 Carne malcozida Gado bovino Colite hemorrágica

Salmonella enteritidis Aves, carnes, e ovos Animais domésticos, especialmente aves

Diarreia

Salmonella typhi Vários alimentos Humanos Febre tifoide Espécies de Shigella Vários alimentos e água Humanos Diarreia (disenteria)

Vibrio cholerae Vários alimentos, p. ex., alimentos marinhos e água

Humanos Diarreia

Vibrio parahaemolyticus Alimentos marinhos Água salgada quente Diarreia

Campylobacter jejuni Vários alimentos Animais domésticos Diarreia

Yersinia enterocolitica Vários alimentos Animais domésticos Diarreia

II. Doenças não diarreicas Bacilos gram-positivos

Clostridium botulinum Legumes e peixe defumado envasados inadequadamente

Solo Botulismo

Listeria monocytogenes Produtos lácteos não pasteurizados Vacas Sépsis no neonato ou mãe

Bacilos gram-negativos

Vibrio vulnificus Frutos do mar Água salgada quente Sépsis Espécies de Brucella Carne e leite Animais domésticos Brucelose

Francisella tularensis Carne Coelhos Tularemia

Micobactérias

Tabela 7-6 Doenças bacterianas transmitidas por insetos

Bactéria Inseto Reservatório Doença

Bacilos gram-negativos

Yersinia pestis Pulgas de rato Roedores, p. ex., ratos e cães selvagens Peste

Francisella tularensis Carrapatos (Dermacentor) Diversos animais, p. ex., coelhos Tularemia

Espiroquetas

Borrelia burgdorferi Carrapatos (Ixodes) Camundongos Doença de Lyme

Borrelia recurrentis Piolhos Humanos Febre recorrente

Riquétsias

Rickettsia rickettsii Carrapatos (Dermacentor) Cães, roedores e carrapatos (Dermacentor) Febre maculosa das Montanhas Rochosas

Rickettsia prowazekii Piolhos Humanos Tifo epidêmico

Ehrlichia chafeensis Carrapatos (Dermacentor) Cães Ehrlichiose

Tabela 7-7 Doenças zoonóticas causadas por bactérias

Bactéria Principal reservatório Mecanismo de transmissão Doença

Bacilos gram-positivos

Bacillus antracis Animais domésticos Contato direto Antraz

Listeria monocytogenes Animais domésticos Ingestão de produtos lácteos não pasteu- rizados

Sépsis no neonato ou mãe

Erysipelothrix rhusiopathiae Peixe Contato direto Erisipeloide

Bacilos gram-negativos

Bartonella henselae Gatos Arranhadura na pele Doença da arranhadura do gato Espécies de Brucella Animais domésticos Ingestão de produtos lácteos não pasteu-

rizados; contato com tecidos animais

Brucelose

Campylobacter jejuni Animais domésticos Ingestão de carne contaminada Diarreia

Escherichia coli O157:H7 Gado bovino Fecal-oral Colite hemorrágica

Francisella tularensis Vários animais, especialmente coelhos

Picada de carrapato e contato direto Tularemia

Pasteurella multocida Gatos Mordedura por gato Celulite

Salmonella enteritidis Aves domésticas, ovos e gado bovino

Fecal-oral Diarreia

Yersinia enterocolitica Animais domésticos Fecal-oral Diarreia

Yersinia pestis Roedores, especialmente ratos e cães selvagens

Picada por pulga de rato Sépsis

Micobactérias

Mycobacterium bovis Vacas Ingestão de produtos lácteos não pasteu- rizados

Tuberculose intestinal

Espiroquetas

Borrelia burgdorferi Camundongos Picada de carrapato (Ixodes) Doença de Lyme

Leptospira interrogans Ratos e cães Urina Leptospirose

Clamídias

Chlamydia psittaci Aves psitacídeas Inalação de aerossóis Psitacose

Riquétsias

Rickettsia rickettsii Ratos e cães Picada de carrapato (Dermacentor) Febre maculosa das Montanhas Rochosas

Coxiella brunetii Ovelhas Inalação de aerossóis de líquido amniótico Febre Q

encontram-se adjacentes um ao outro nessas ilhas. Variantes não patogênicos dessas bactérias não apresentam tais ilhas de patogenicidade. Aparentemente, essas grandes regiões do genoma bacteriano foram transferidas como uma unidade por meio da conjugação ou transdução. Diferentemente dos plasmídeos e bacteriófagos, as ilhas de patogenicidade não possuem a capacidade de replicar-se independentemente do cromossomo bacteriano. As ilhas de patogenicidade são en- contradas em vários bacilos gram-negativos, como E. coli, Salmonella, Shigella, Pseudomonas e Vibrio cholerae, assim como em cocos gram-positivos, como S. pneumoniae. Infor- mações adicionais sobre as ilhas de patogenicidade são apre- sentadas na página 58.

Após a colonização e multiplicação das bactérias na porta de entrada, elas podem invadir a corrente sanguínea, disseminando-se a outras regiões do corpo. Os receptores das bactérias na superfícies das células determinam, em grande parte, os órgãos afetados. Por exemplo, certas bactérias ou ví- rus infectam o cérebro porque os receptores para esses micró- bios estão localizados na superfície dos neurônios cerebrais. Acredita-se que a “barreira hematoencefálica”, a qual limi- ta a capacidade de certos fármacos penetrarem no cérebro, não corresponda a um determinante da infecção microbiana do cérebro. O conceito de uma “barreira hematoencefálica” refere-se principalmente à incapacidade de fármacos hidro- fílicos (carregados, ionizados) penetrarem no parênquima cerebral rico em líquidos, contrariamente aos fármacos lipo- fílicos (solúveis em lipídeos).

Duas importantes doenças, difteria e colite pseudo- membranosa, caracterizam-se por lesões inflamatórias de- nominadas pseudomembranas. As pseudomembranas são

exsudatos espessos, aderentes, acinzentados ou amarelados, presentes nas superfícies mucosas da garganta, no caso da

difteria, e no cólon, na colite pseudomembranosa. O termo “pseudo” refere-se à natureza anormal dessas membranas, contrariamente às membranas anatômicas normais do cor- po, como a membrana do tímpano e as membranas placen- tárias.

4. Produção de toxinas

O segundo principal mecanismo pelo qual as bactérias cau- sam doenças consiste na produção de toxinas. Uma com- paração entre as principais características de exotoxinas e endotoxinas é apresentada na Tabela 7-9.

Exotoxinas

As exotoxinas são produzidas por várias bactérias gram-po- sitivas e gram-negativas, ao contrário das endotoxinas, pre- sentes apenas em bactérias gram-negativas. A característica essencial das exotoxinas é serem secretadas pelas bactérias,

enquanto a endotoxina é um componente da parede celular. As exotoxinas são polipeptídeos cujos genes frequentemente estão localizados em plasmídeos ou vírus bacterianos lisogê- nicos (bacteriófagos). Algumas importantes exotoxinas codi- ficadas pelo DNA de bacteriófagos correspondem às toxinas diftérica, colérica e botulínica.

As exotoxinas estão entre as substâncias mais tóxicas co-

nhecidas. Por exemplo, estima-se que para um ser humano a dose fatal da toxina tetânica seja inferior a 1 μg. Uma vez que algumas exotoxinas purificadas podem reproduzir todos os aspectos da doença, podemos concluir que determina- das bactérias não desempenham outro papel na patogênese, além da síntese de exotoxina. Os polipeptídeos de exotoxinas correspondem a bons antígenos e induzem a síntese de anti- corpos denominados antitoxinas, alguns dos quais são úteis na prevenção ou no tratamento de doenças como botulismo Tabela 7-8 Fatores de virulência superficiais importantes na patogênese bacteriana

Organismo Fator de virulência Utilizado em vacina Comentários

Cocos gram-positivos

Streptococcus pneumoniae Cápsula polissacarídica Sim Determina o sorotipo

Streptococcus pyogenes Proteína M Não Determina o sorotipo1

Staphylococcus aureus Proteína A Não Liga-se à região Fc da IgG, impedindo a ativação do complemento

Cocos gram-negativos

Neisseria meningitidis Cápsula polissacarídica Sim Determina o sorotipo

Bacilos gram-positivos

Bacillus anthracis Cápsula polissacarídica Não

Bacilos gram-negativos

Haemophilus influenzae Cápsula polissacarídica Sim Determina o sorotipo

Klebsiella pneumoniae Cápsula polissacarídica Não

Escherichia coli Pili proteicos Não Responsável pela adesão

Salmonella typhi Cápsula polissacarídica Não Sem importância para outras salmonelas

Yersinia pestis Proteínas V e W Não

1

e tétano. Quando tratados com formaldeído (ou por ácido, ou por calor), os polipeptídeos das endotoxinas são conver- tidos em toxoides, que são utilizados em vacinas protetoras,

uma vez que retêm sua antigenicidade, porém perdendo sua toxicidade.

Muitas exotoxinas possuem uma estrutura em subu- nidades A-B; a subunidade A (ou ativa) possui a atividade

tóxica, enquanto a subunidade B (ou de ligação; do inglês, binding) é responsável pela ligação da exotoxina a recepto- res específicos na membrana da célula humana. Importantes exotoxinas que possuem a estrutura em subunidades A-B in- cluem a toxina diftérica, toxina tetânica, toxina botulínica, toxina colérica e a enterotoxina de E. coli (Figura 7-1).

A subunidade A de diversas exotoxinas importantes atua por meio da ADP-ribosilação; isto é, a subunidade A

é uma enzima que catalisa a adição de adenosina difosfato ribose (ADP-ribose) à proteína-alvo da célula humana. A adição de ADP-ribose à proteína-alvo frequentemente pro- voca a inativação desta, porém pode também promover sua hiperativação, sendo qualquer dos processos capaz de cau- sar os sintomas da doença. Por exemplo, a toxina diftérica

e a exotoxina A de Pseudomonas realizam a ADP-ribosilação do fator de elongação 2 (EF-2; do inglês, elongation factor), promovendo, assim, sua inativação e consequente inibição da síntese proteica. Por outro lado, a toxina colérica e a to- xina de E. coli realizam a ADP-ribosilação da proteína Gs, promovendo, assim, sua ativação. Isso acarreta um aumento na atividade da adenilato ciclase, um consequente aumento na quantidade de adenosina monofosfato cíclico (AMP) e produção de diarreia aquosa. A toxina pertussis corresponde a uma interessante variação nesse tema. Ela ADP-ribosila a proteína Gi, inativando-a. A inativação de proteínas G ini- bitórias ativa a adenilato ciclase, causando um aumento na quantidade de AMP cíclico, que desempenha papel no de- sencadeamento dos sintomas da coqueluche.

As exoenzimas são liberadas pelas bactérias a partir es- truturas especializadas denominadas “sistemas de secre- ção”. Alguns sistemas de secreção transportam as exotoxinas

ao espaço extracelular, enquanto outros transportam as exo- toxinas diretamente para o interior da célula de mamíferos. Aqueles que transportam as exotoxinas diretamente ao inte- rior da célula de mamíferos são especialmente efetivos, uma Tabela 7-9 Principais características de exotoxinas e endotoxinas

Comparação de propriedades

Propriedade Exotoxina Endotoxina

Fonte Determinadas espécies de bactérias gram-positivas e gram-negativas

Parede celular de bactérias gram-negativas

Secreção pela célula Sim Não

Química Polipeptídeo Lipopolissacarídeo

Localização dos genes Plasmídeo ou bacteriófago Cromossomo bacteriano

Toxicidade Elevada (dose fatal na ordem de 1 μg) Baixa (dose fatal na ordem de centenas de microgramas) Efeitos clínicos Vários efeitos (ver texto) Febre, choque

Mecanismo de ação Vários mecanismos (ver texto) Inclui TNF e interleucina-1 Antigenicidade Induz altos títulos de anticorpos, denominados antitoxinas Fracamente antigênica

Vacinas Toxoides utilizados como vacinas Sem formação de toxoides e não há vacina disponível Termoestabilidade Destruída rapidamente a 60oC (exceto a enterotoxina esta-

filocóccica)

Estável a 100o C por 1 hora

Doenças típicas Tétano, botulismo, difteria Meningococcemia, sépsis por bacilos gram-negativos

TNF = fator de necrose tumoral; do inglês, tumor necrosis factor.

Subunidade ativa ADP-R