Fatores X e V requeridos para o crescimento
OUTROS ESPIROQUETAS
Espiroquetas saprófitas anaeróbios são proeminentes na mi- crobiota normal da cavidade oral humana. Tais espiroquetas participam de infecção mistas por anaeróbios, mordeduras humanas infectadas, úlceras de estase, etc..
Spirillum minor causa um tipo de febre da mordedura de rato em humanos. Streptobacillus moniliformis, um bacilo gram-negativo, também causa febre da mordedura de rato (ver maiores informações no Capítulo 27.).
RESUMOS DOS ORGANISMOS
Resumos breves sobre os organismos descritos neste capítulo iniciam-se na página 499. Favor consultar esses resumos para uma rápida revisão do material essencial
QUESTÕES PARA ESTUDO
As questões sobre tópicos discutidos neste capítulo podem ser encontradas nos itens Questões para estudo (Bacteriolo- gia clínica) e Teste seu conhecimento.
Clamídias
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As clamídias são organismos intracelulares obrigatórios, isto é, crescem somente no interior de células. São os agentes de doenças sexualmente transmitidas comuns, como uretrite e cervicite, bem como outras infecções, como pneumonia, psi- tacose, tracoma e linfogranuloma venéreo.
Doenças
Chlamydia trachomatis causa infecções oculares e dos tratos respiratório e genital. C. trachomatis é a causa mais comum de doença sexualmente transmitida nos Estados Unidos. Chlamydia pneumoniae (anteriormente denominada linha- gem TWAR) causa pneumonia atípica. C. psittaci é o agente da psitacose (Tabela 25-1).
C. pneumoniae e C. psittaci apresentam suficientes di- ferenças moleculares em relação a C. trachomatis, de modo que foram reclassificadas em um novo gênero denominado Chlamydophila. Taxonomicamente, esses organismos hoje são Chlamydophila pneumoniae e Chlamydophila psittaci. No entanto, do ponto de vista médico, ainda são conhecidos como Chlamydia pneumoniae e Chlamydia psittaci, que serão as denominações utilizadas neste livro.
Propriedades importantes
As clamídias são bactérias intracelulares obrigatórias, in-
capazes de produzir energia suficiente para o crescimento independente, e, por essa razão, capazes de crescer apenas no interior de células hospedeiras. Apresentam parede celular rígida, mas não têm uma típica camada de peptideoglica- no. Suas paredes celulares são similares àquelas de bactérias gram-negativas, mas desprovidas de ácido murâmico.
As clamídias apresentam um ciclo replicativo diferente das demais bactérias. O ciclo é iniciado quando o corpo ele- mentar extracelular, metabolicamente inerte e semelhante a
um “esporo” penetra na célula e reorganiza-se em um corpo reticulado maior e metabolicamente ativo (Figura 25-1). Este
último sofre fissão binária repetida, originando corpos ele- mentares filhos, os quais são liberados pela célula. No interior das células, o sítio de replicação apresenta-se como um corpo de inclusão, o qual pode ser corado e visualizado ao micros- cópio (ver Prancha Colorida 14). Essas inclusões são úteis na identificação desses organismos no laboratório clínico.
Todas as clamídias compartilham um antígeno polissa- carídico grupo-específico, o qual é detectado por testes de fixação do complemento. Elas também possuem antígenos (proteínas) espécie-específicos e imunotipo-específicos, os quais são detectados por imunofluorêscencia. C. psittaci e C. pneumoniae apresentam 1 imunotipo cada, enquanto C. trachomatis exibe pelo menos 15 imunotipos.
Transmissão e epidemiologia
C. trachomatis infecta apenas humanos, sendo geralmente
transmitida por contato pessoal próximo, por exemplo, se- xualmente ou pela passagem através do canal de parto.
Indivíduos com infecções assintomáticas do trato genital
correspondem a um importante reservatório de infecção para terceiros. No tracoma, C. trachomatis é transmitida pelo contato entre dedos e olhos ou entre fômites e olhos. C. pneumoniae infecta somente humanos, sendo transmiti- da interpessoalmente por aerossóis. C. psittaci infecta aves e
diversos mamíferos. Os humanos são infectados principal- mente pela inalação de organismos presentes em fezes resse- cadas de aves.
A doença sexualmente transmitida causada por C. tra- chomatis ocorre em nível mundial, porém o tracoma ocorre com maior frequência nos países em desenvolvimento, em regiões secas e quentes, como norte da África. O tracoma corresponde à principal causa de cegueira nestes países.
Pacientes acometidos por uma doença sexualmente transmitida são coinfectados por C. trachomatis e Neisseria gonorrhoeae em aproximadamente 10-30% dos casos.
Patogênese e achados clínicos
As clamídias infectam principalmente as células epiteliais
das membranas mucosas ou os pulmões. Raramente causam infecções invasivas e disseminadas. C. psittaci infecta prin- cipalmente os pulmões. A infecção pode ser assintomática (detectada somente por um elevação no título de anticorpos) ou pode causar febre alta e pneumonia. Em geral, a psitacose humana não é transmissível. C. pneumoniae causa infecções do trato respiratório superior e inferior, especialmente bron- quite e pneumonia, em adultos jovens.
C. trachomatis apresenta mais de 15 imunotipos (A-L). Os tipos A, B, e C causam tracoma, uma conjuntivite crôni-
ca endêmica na África e na Ásia. O tracoma pode recorrer ao longo de vários anos e pode levar à cegueira, porém não causa enfermidade sistêmica. Os tipos D-K causam infecções do trato genital que ocasionalmente são transmitidas aos olhos
ou ao trato respiratório. Em homens, C. trachomatis é uma causa comum de uretrite não gonocóccica (frequentemente abreviada por UNG), que pode progredir para epididimite, prostatite ou proctite. Em mulheres, desenvolve-se cervici- te, podendo progredir para salpingite e doença inflamatória pélvica (DIP). Episódios repetidos de salpingite ou de DIP podem resultar em infertilidade ou gravidez ectópica.
Crianças nascidas de mães infectadas frequentemente desenvolvem conjuntivite mucopurulenta (conjuntivite de Tabela 25-1 Clamídias de importância médica
Espécie Doença Hospedeiro natural Mecanismo de transmissão a humanos Número de tipos
imunológicos Diagnóstico Tratamento
C. trachomatis Uretrite, pneumo- nia, conjuntivite, linfogranuloma ve-
néreo, tracoma
Humanos Contato sexual; trans- missão perinatal
Mais de 15 Inclusões em células epi- teliais, observados por coloração de Giemsa ou imunofluorescência; tam- bém por cultura celular
Tetraciclina, eritromicina
C. pneumoniae Pneumonia atípica Humanos Gotículas respiratórias 1 Teste sorológico Tetraciclina
C. psittaci Psitacose (pneu- monia)
Aves Inalação de fezes res- secadas de aves
1 Teste sorológico (cultura ce- lular raramente realizada)
Tetraciclina
Adesão e entrada do corpo elementar
Núcleo da célula
Reorganização de
corpos reticulados em corpos elementares A multiplicação
é interrompida
Corpos elementares Desenvolvimento de uma grande inclusão citoplasmática
Liberação Corpo elementar extracelular infectante
Multiplicação de corpos reticulados por fissão binária
Corpos reticulados Formação do corpo reticulado
Figura 25-1 Ciclo de vida de Chlamydia. O corpo elementar inerte e extracelular penetra em uma célula epitelial e transforma-se em um corpo reticulado, o qual se divide por fissão binária. Os corpos reticulados filhos transformam-se em corpos elementares e são libe- rados pela célula epitelial. O corpo de inclusão citoplasmático, característico de infecções clamidiais, consiste em vários corpos elemen- tares e reticulados filhos. (Modificado e reproduzido, com permissão, de Ryan K et al: Sherris Medical Microbiology, 3rd ed. Originalmente publicado por Appleton e Lange. Copyright © 1994 por The McGraw-Hill Companies, Inc.)
inclusão neonatal) 7-12 dias após o parto, e algumas desen- volvem pneumonite clamidial 2-12 semanas após o nasci- mento. A conjuntivite clamidial também ocorre em adultos como resultado da transferência dos organismos a partir da genitália para os olhos. Pacientes com infecções genitais cau- sadas por C. trachomatis apresentam uma alta incidência de síndrome de Reiter, que se caracteriza por uretrite, artri-
te e uveíte. A síndrome de Reiter é uma doença autoimune causada pela reação cruzada entre os anticorpos formados contra C. trachomatis e os antígenos das células da uretra, articulações e trato uveal (ver Capítulo 66).
C. trachomatis dos imunotipos L1-L3 causam linfogra- nuloma venéreo, uma doença sexualmente transmitida que
apresenta lesões na genitália e nos linfonodos.
A infecção por C. trachomatis leva à formação de anti- corpos e reações mediadas por células, porém não promove resistência à reinfecção nem eliminação dos organismos.
Diagnóstico laboratorial
As clamídias formam inclusões citoplasmáticas que podem
ser visualizadas mediante o uso de corantes especiais (p. ex., corante de Giemsa) ou imunofluorescência. A coloração de Gram não é útil. Em exsudatos, o organismo pode ser identificado no interior de células epiteliais pela coloração com anticorpos fluorescentes ou pela hibridização com uma sonda de DNA. Os antígenos clamidiais podem também ser detectados em exsudatos ou na urina por ELISA (ensaio imunoabsorvente ligado a enzima). Um teste com base na reação de polimerização em cadeia (PCR, do inglês, poly- merase chain reaction) utilizando urina do paciente também pode ser utilizado para o diagnóstico de doença clamidial sexualmente transmitida. Atualmente, os testes que não en- volvem a cultura são mais frequentemente realizados que os testes baseados na cultura.
As clamídias podem ser cultivadas em culturas celulares tratadas com cicloheximida, que inibe a síntese proteica das células hospedeiras, mas não das clamídias, intensificando, assim, a replicação clamidial. Em cultura, C. trachomatis for- ma inclusões contendo glicogênio, enquanto C. psittaci e C. pneumoniae formam inclusões que não contêm o glicogênio. As inclusões contendo glicogênio são visualizadas pela co- loração com iodo. Exsudatos derivados dos olhos, do trato respiratório ou do trato genital originam culturas positivas em aproximadamente metade dos casos.
Testes sorológicos são utilizados para o diagnóstico de infecções por C. psittaci e C. pneumoniae, entretanto rara- mente são úteis para o diagnóstico de doença causada por
C. trachomatis, uma vez que a frequência de infecção é tão elevada que vários indivíduos já apresentam anticorpos.
Tratamento
Todas as clamídias são suscetíveis a tetraciclinas, como doxi- ciclina, e a macrolídeos, como eritromicina e azitromicina. A azitromicina é o fármaco de escolha para doenças sexual- mente transmitidas causadas por C. trachomatis. Uma vez que a taxa de coinfecção por gonococos e C. trachomatis é elevada, qualquer paciente com diagnóstico de gonorreia deve também ser tratado para C. trachomatis com azitro- micina.
A eritromicina é o fármaco escolhido para o tratamento da conjuntivite de inclusão neonatal. O fármaco de escolha para tratar infecções por C. psittaci e C. pneumoniae, bem como para o linfogranuloma venéreo, consiste em uma te- traciclina, como doxiciclina.
Prevenção
Não há vacina contra qualquer doença clamidial. A melhor medida preventiva contra doenças sexualmente transmitidas causadas por C. trachomatis consiste em limitar a transmis- são pelo pronto tratamento tanto do paciente como dos parceiros sexuais, incluindo os indivíduos assintomáticos. Os contatos sexuais devem ser localizados e aqueles que mantiveram contato no decorrer de um período de 60 dias devem ser tratados. Com frequência, vários tipos de doenças sexualmente transmitidas estão presentes de forma simultâ- nea. Desse modo, o diagnóstico de uma dessas requer uma pesquisa por outros agentes etiológicos. A administração de eritromicina a crianças recém-nascidas de mães infectadas pode prevenir a conjuntivite de inclusão e pneumonite cau- sadas por C. trachomatis.
A psitacose em humanos é controlada restringindo-se a importação de aves psitacinas, a eliminação de aves doentes, e adição de tetraciclina à ração das aves. Perus e patos do- mésticos são testados quanto à presença de C. psittaci.
RESUMOS DOS ORGANISMOS
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QUESTÕES PARA ESTUDO
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