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4.2. O SIREVE

4.2.4. Efeitos da Aceitação do Plano pelo IAPMEI

O artigo 13º do diploma é claro quanto aos efeitos alcançados com o despacho favorável emanado pelo IAPMEI.

Ipso modo, extinguir-se-ão as acções executivas para pagamento de quantia certa contra o devedor e suspender-se-ão as acções condenatórias para cumprimento.498

Todavia, o nº2 do preceito legal apresenta uma importante excepção e que demonstra a importância do acordo extrajudicial de cumprimento ser subscrito pelos credores. Com efeito, as acções executivas ou as acções declarativas condenatórias para cumprimento de obrigações pecuniárias interpostas por credores que não subscrevam o acordo apresentado não serão suspensas.

Caso tal suceda, mas o requerente tenha tido o seu plano aprovado por dois terços do valor total dos créditos constantes da relação apresentada, deverá remeter a proposta de acordo ao juiz do tribunal competente para o processo de insolvência para suprir a não aprovação dos não subscritores, homologando o plano499 e suprindo judicialmente a falta de consentimento dos credores renitentes em aprovar o plano de pagamentos apresentado.

497 Cfr. artigo 7º DL cit.. 498

Cfr. nº1 do artigo 13º DL cit..

Com este, “o acordo passa a vincular todos os credores relacionados pela empresa, o que (...) facilita extraordinariamente a recuperação do devedor.”500

Tal facilidade traduz-se, como já vimos, na suspensão das execuções dos credores que aderiram ao plano bem com das acções para cumprimento das obrigações pecuniárias existentes. Esta possibilidade permitirá que a empresa possa fazer face aos problemas insolvenciais, pois poderá continuar a sua actividade sem o risco de ser questionada judicialmente para proceder ao cumprimento das obrigações em atraso.

O mencionado artigo 13º, a nosso ver, deverá ser conjugado com o artigo 215º CIRE, que apesar de se referir ao plano de insolvência, aplicar-se-á à situação em estudo nos casos em que o juiz opte pela não homologação do plano apresentado. Tal dever-se-á verificar caso exista uma violação das normas procedimentais ou das normas aplicáveis ao conteúdo, se não se verificarem as condições suspensivas do plano ou não sejam praticados os actos ou executadas as medidas que devam preceder à homologação. Neste tipo de situações contar-se-ão os casos de violação do princípio da igualdade dos credores501, a redução, extinção ou moratória de créditos fiscais sem acordo do estado502, entre outras que afectem o bom desenrolar do processo.

Deste modo, para que tal não ocorra, deverá ser analisado o plano, apreciando “as normas procedimentais como todas aquelas que regem a actuação a desenvolver no processo, que incluem os passos que nele devem ser dados...”.503

Outra relevante excepção ao mencionado reside no tratamento das dívidas para com a Segurança Social e a Fazenda Pública. Estas entidades, declarando que não pretendem participar no plano, não entrarão na lista de credores, podendo continuar a exigir os montantes em dívida.504 Não obstante, pois, a obrigatoriedade de participação destas entidades, sempre que constem na relação de credores apresentada pelo peticionante, terão uma importante palavra a dizer já que podem manifestar a sua indisponibilidade para a celebração do acordo505. Além disso, possuirão uma importante

500 Cfr. CATARINA SERRA, O Regime Português da Insolvência, 2012, 5ª Edição, pág.31. 501

Cfr. o Acórdão de Tribunal da Relação de Coimbra de 25 de Junho de 2013 em que foi relatora a Desembargadora Catarina Gonçalves no processo nº 3369/10.5TBVIS-L.C1, que pode ser consultado em

http://www.dgsi.pt/jtrc.nsf/8fe0e606d8f56b22802576c0005637dc/2b1d200a93f20c7d80257baa004962b0?OpenDocument . Este aresto

jurisprudencial defende que a lei “impõe que sejam tratados de forma igual os credores que se encontrem em idênticas situações, não

colidindo com o referido princípio o tratamento diversificado que é dado a diversos credores, em função da diferente categoria e natureza dos respectivos créditos e em função de quaisquer outras razões objectivas que o justifiquem.”

502 Cfr, o Acórdão do Tribunal da Relação do Porto de 28 de Junho de 2013 em que foi relatora a Desembargadora Maria Amália

Santos no processo nº 4944/12.9TBSTS-A.P1 .Cfr http://www.dgsi.pt/jtrp.nsf/c3fb530030ea1c 61802568d9005cd5bb/2b967b082e2f263880257baa00387fe3?OpenDocument.

503 Cfr. o Acórdão citado na nota 309. 504

Cfr. http://www.plmj.com/xms/files/newsletters/2013/Janeiro/NL_Programa_Revitalizar.pdf.

vantagem que passa pelo acordo de pagamento acordado com elas ter um limite temporal.506

Além disso, mesmo que estas entidades, conjuntamente com os demais credores, aceitem tal proposta a empresa proponente até à extinção do processo ficará impedida de ceder, locar, alienar ou por qualquer modo onerar, no todo ou em parte, os bens que integrem o seu património, sob pena de impugnação ou invalidade por parte dos credores prejudicados, dos actos que diminua, que frustrem ou que ponham em risco a satisfação dos seus direitos.

Posteriormente e caso o acordo de pagamentos homologado não seja cumprido ou se a empresa proponente no prazo de trinta dias a contar da data da notificação para o efeito não cumprir a prestação a que se encontra adstrita, à luz do número 1 do artigo 14º do Decreto-lei, os credores subscritores poderão avançar para a resolução do acordado. Tal acto, ao abrigo do número 3 do mesmo artigo, será comunicado de imediato ao IAPMEI, que deverá dar conhecimento aos demais subscritores do plano de pagamentos e comunicar ao tribunal onde se encontrem pendentes as acções executivas para pagamento de quantia certa ou quaisquer outras acções destinadas a exigir o cumprimento de obrigações pecuniárias para as mesmas se renovarem.

Acrescente-se, ainda, que à luz do nº 1 do artigo 15º do diploma, o prazo de conclusão do processo não deverá exceder os três meses desde a data de aceitação do requerimento de adesão ao processo, sendo que ao abrigo do número subsequente tal prazo poderá ser prorrogado por um prazo de um mês, mediante requerimento em que a empresa explicite as razões para tal prorrogação ou o mesmo pedido seja efectuado por qualquer credor interveniente no processo. Todavia, tal deverá ter a concordância do IAPMEI.

Outro importante efeito deriva do propugnado no artigo 19º do diploma regulador. Neste, procura-se aproveitar os acordos efectuados, estendendo-se os efeitos para lá das partes que neles acordaram.507 Ora, caso o acordo conseguido abranja mais de dois terços dos créditos em dívida, poderá a sociedade em débito lançar mão do processo, já mencionado, de suprimento da vontade dos credores não aderentes.508Não havendo, contudo, tal maioria, o acordo poderá, apesar disso, servir de base à apresentação de propostas atinentes ao processo de insolvência, caso se chegue a essa fase.

506 Cfr. nº5 artigo 9º.

507 Cfr. JOÃO LABAREDA, “Sobre o Sistema de Recuperação de Empresas Por Via Extrajudicial (SIREVE) – Apontamentos” in I Congresso do Direito das Insolvências, Coordenação Catarina Serra, 2013, Almedina, pág. 63 e ss.

4.2.5. Relação do SIREVE com os Regulamentos da Liga Profissional de Futebol