Projeto liderado por Portugal como EM coordenador que visa desenvolver um cen- tro de excelência em cibersegurança e ciberdefesa que seja capaz de promover coopera- ção e inovação entre os seus membros, nomeadamente ao nível da educação, treino, pesquisa, inovação e desenvolvimento industrial tendo como finalidade proporcionar as competências necessárias para dar resposta às necessidades na nova geração de profissio- nais, maximizando a resiliência das Forças Armadas ao reforçar as capacidades de ciber- defesa da União e dos EM participantes.
De um modo geral, o objetivo principal é construir uma força de trabalho ciberné- tica, sendo desenvolvidas componentes como o aumento da resiliência cibernética atra-
vés de soluções colaborativas, a criação de modelos de desenvolvimento das forças e instalações seguras afetas à educação e treino (formação imersiva, relevante e flexível), pesquisa e condução de operações.
Relativamente à sua correspondência com as prioridades do CDP verifica-se que contribuirá para uma área prioritária, nomeadamente a Cyber Responsive Operations, atuando
ao nível do aumento das competências do pessoal envolvido nas missões e operações sob a CSDP, contribuindo para melhorar a resiliência cibernética ao longo do todo o espectro de missões e operações.
Conclusão
A premissa de Jean Monnet continua válida em 2019, isto é, a União continua a ser forjada por crises e é, de facto, a soma das soluções encontradas para responder às mes- mas crises.
O domínio da Defesa representa de forma precisa essa máxima, uma vez que o divi- dendo integracionista deve-se mais ao contexto externo que afeta a União do que pro- priamente à vontade política interna para aprofundar as competências da União nesse domínio. Mas, como Mogherini referiu no seu discurso de despedida na Conferência de Embaixadores de 2019, este é precisamente um domínio onde a União pode dizer que houve sucessos concretos sob a liderança da Comissão Juncker e da HR/VP. Em 2013, mesmo reforçando que a Defesa importava, os EM ficaram aquém de conceptualizar o que tal poderá significar e poucos ou nenhuns avanços foram efetuados no imediato. Apenas quase 10 anos depois da sua realização é que o potencial do Tratado de Lisboa se encontra hoje a ser explorado e o que há cinco anos poderia parecer impossível, é hoje uma realidade, que continua a fornecer à União as suas características sui generis.
Com a PESCO, a União tenta lentamente afirmar-se como um produtor de segu- rança internacional construindo lentamente as peças fundamentais de uma União Euro- peia da Defesa, algo que deve ser prezado, logo no momento em que mais ameaças pai- ram sobre o velho continente e que os seus cidadãos Europeus começam a ter uma noção mais clara da necessidade de uma autonomia europeia no domínio da CFSP, como retrata o mais recente projeto do European Council on Foreign Relations, o projeto Independence Play: Europe’s Pursuit of Strategic Autonomy.
Não obstante os sucessos, urge reconhecer que nem tudo funciona pelo melhor, pelo que reconhecer a falta de conceptualização clara e precisa dos objetivos da União, quando esta e os seus EM se referem a uma autonomia europeia, será o primeiro passo para o sucesso, ao impedir que continue a coexistir uma panóplia de visões distintas e por vezes contraditórias de interpretação das diferentes iniciativas, recordando que, no passado, todas as outras iniciativas que se focaram na capacitação do velho continente acabaram por falhar. Mas agora existe algo que parece ser diferente.
O quadro estratégico vivido pela União, especialmente o crescente afastamento tran- satlântico, faz com que a credibilidade Europeia esteja em cima da mesa num momento em que o SI se encontra numa fase de retorno do power politics entre as grandes potências
os próprios cidadãos. Neste sentido, muito se poderá dizer sobre a retórica possivelmente demasiado otimista dos policymakers e as promessas que estes fizeram acima de tudo sobre a PESCO e o que esta será capaz de realizar, quando a realidade mostra que só a vontade política poderá determinar que a UE seja mais do que apenas um “tigre de papel”, e nesse sentido, talvez Macron estivesse certo quando pedia um grupo avant-garde
exclusivo para iniciar a iniciativa.
É certo que a PESCO se encontra numa fase inicial do seu desenvolvimento e os ciclos de desenvolvimento industrial no domínio da defesa, bem como o planeamento pelos EM, são algo que é elaborado a longo prazo, pelo que determinar o insucesso das iniciativas é precoce. No entanto, já mais de dois anos já se eclipsaram desde que os 23 EM subscreveram a Notificação ao Conselho e à HR/VP e a complacência que tem marcado a iniciativa não poderá continuar, uma vez que se o objetivo é conferir à CFSP um poder credível que a sustente, trabalhar para agradar aos interesses nacionais dos 25 EM será receita para o fracasso.
Nesse sentido, é necessário salientar a necessidade de ultrapassar desafios como a inclusividade e nível de compromisso, nomeadamente o debate sobre uma PESCO exclu- siva e mais ambiciosa (versão defendida pela França) ou uma PESCO inclusiva (versão defendida pela Alemanha) mas que corre o risco de ver os seus compromissos e ambição diluídos, ainda que sendo certo que se fundamentam em instrumentos legais com caráter vinculativo.
Outro dos desafios é, pois, o nível de ambição e a sua relação com os projetos já aprovados. Ainda que estes últimos estejam, grosso modo, dentro das prioridades defini- das, verifica-se que, até à data, nenhum projeto incide sobre as grandes prioridades estra- tégicas. Ainda, a realidade parece demonstrar que alguns EM podem estar a agir acima da sua capacidade ao estar inseridos num tão grande número de projetos sem o correspon- dente aumento do orçamento de defesa nacional, i.e., Itália e Grécia. Por último, mas não menos importante a manutenção da coerência entre as diferentes iniciativas da defesa da União será fundamental. O quarteto CDP-CARD-PESCO-EDF só fará sentido e terá sucesso conduzido de forma coerente, uma vez que estes são complementares entre si em larga medida.
Assim, num mundo que vê o retorno do confronto entre grandes potências, a auto- nomia europeia é não só algo desejável como imperativo.
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