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EXPLICANDO OS PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS

4 COMPREENDENDO O PROCESSO METODOLÓGICO

4.5 EXPLICANDO OS PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS

A pesquisa ocorreu com depoimentos de 20 gestantes que atenderam aos critérios de inclusão pré-estabelecidos e se dispuseram fazer parte da investigação. Esse número de participantes foi considerado satisfatório, quando houve repetição de informações, ou seja, saturação dos dados.

Segundo Strauss e Corbin (2008), a saturação é obtida quando nenhum dado novo ou relevante surge, em relação a uma categoria. Esta se encontra desenvolvida, na medida em que suas propriedades e dimensões são reveladas e as relações entre as demais categorias estabelecidas.

Os dados foram coletados no Centro de Saúde de Jardim Lola, após consentimento formal da direção da unidade, em sala previamente preparada com vistas a respeitar a individualidade das participantes, no período de março a maio de 2009.

As entrevistas seguiram o mesmo rigor de abordagem, a saber: leitura do TCLE em voz alta pelo entrevistador, sob acompanhamento silencioso pela gestante, indagação sobre a compreensão da mesma quanto ao teor do documento, permissão para iniciar a entrevista mediante assinatura do TCLE e autorização para utilizar o gravador, a fim de registrar as falas. Apenas uma mulher não aceitou o uso desse equipamento, visto isso o seu relato foi registrado manualmente.

No que diz respeito ao instrumento utilizado, foi adotado um roteiro de entrevista (APÊNDICE 3) contendo duas partes. A primeira constituída por questões sociodemográficas que serviram para caracterizar as participantes e a segunda por uma questão norteadora inerente ao objeto de estudo.

Com vistas a garantir o anonimato das entrevistadas, apresentamos imagens de flores, com seus respectivos nomes. Na medida em que cada mulher escolhia uma foto para representá-la, esta era excluída da lista de opções para as demais gestantes. Dessa forma, obtivemos como personagens os seguintes pseudônimos: Acácia, Amor Perfeito, Angélica, Camélia, Cravo, Crisântemo, Dália, Flor de Laranjeira, Flor de Lótus, Girassol, Hortência, Jasmim, Lírio, Margarida, Miosótis, Orquídea, Papoula, Rosa, Sempre-Viva e Vitória-Régia.

Ao final de cada entrevista, a fala era reproduzida e apresentada à gestante, com a finalidade de que ela reavaliasse e confirmasse o seu depoimento. Após escuta da gravação, todas as falas foram confirmadas por suas respectivas depoentes.

A coleta de dados propriamente dita se processou da seguinte maneira: realizamos as entrevistas, em busca de obter dados que nos conduzissem ao alcance dos objetivos propostos, a partir da seguinte questão norteadora: – O que é para a senhora não ter seu companheiro participando das consultas de pré-natal? Esta pergunta foi considerada, em todas as entrevistas, como questão inicial. A intensão de mantermos essa abordagem padronizada teve o intuito de proporcionar a captação de possíveis novos aspectos, na medida em que o diálogo ocorria.

Como forma de melhor operacionalizar essa etapa, prosseguimos com as entrevistas até haver saturação das informações, fato este obtido nos 15

depoimentos iniciais. Eles foram divididos em cinco subgrupos contendo três transcrições de falas cada um. Assim sendo obtivemos cinco amostragens teóricas que, depois de passadas pelos processos de ordenamento conceitual, microanálise e codificação, suscitaram hipóteses (APÊNDICES 4 A 19).

Assim, cada grupo amostral foi analisado seguindo o processo da codificação aberta e axial, sem perder de vista a relação existente entre os depoimentos e a interação estabelecida pelas gestantes no seu contexto social.

Seguindo os princípios da teoria fundamentada nos dados, na codificação aberta, realizamos a transcrição de todas as entrevistas e analisamos cada uma, linha por linha, parágrafo por parágrafo, em busca da ideia central de cada trecho. Dessa forma surgiram códigos, componentes, subcategorias e categorias.

A codificação axial se deu através da avaliação dos dados, em busca de relacionar as categorias com suas subcategorias, ao longo das linhas de suas propriedades e dimensões. Isso objetivou verificar a profundidade e estrutura de cada categoria estudada. Essa forma de investigação deu ao fenômeno confiabilidade, visto considerar que as subcategorias respondem questionamentos acerca das categorias, mediante indagações, tais como: quando, onde, por que, quem, como e com quais consequências, para poder saber como as categorias se cruzavam e se associavam.

Paralelamente a essa fase, os memos foram elaborados. Desta mesma forma os demais grupos foram trabalhados mediante comparação constante com os antecedentes, e várias hipóteses foram construídas e testadas. Isto significa dizer que, com o surgimento de dados novos, novas conjecturas iam sendo formuladas e verificadas junto a outras gestantes, até haver adensamento de informações, o que foi conseguido com um total de 20 depoimentos.

Figura 3 – Elaboração de hipóteses iniciais

As hipóteses, quando comparadas entre si, apresentaram semelhanças. Em função disso, foram reagrupadas em três novos grupos De posse dessa classificação, as conjecturas iam sendo investigadas e, consequentemente, novas hipóteses surgiam e eram testadas. Assim, prosseguimos até obter saturação dos dados (APÊNDICES 20 A 23). A decisão de abordarmos outras participantes estava atrelada à condição de que as hipóteses, uma vez confirmadas, seriam desconsideradas em termos de testagem subseqüente até atingirmos a saturação dos dados, ou seja, quando nenhuma outra informação nova surgiu (APÊNDICES 24 A 27).

ENTREVISTAS INICIAIS

GRUPO 1 GRUPO 2 GRUPO 3 GRUPO 4 GRUPO 5

Figura 4 – Obtenção de saturação dos dados NOVA ENTREVISTA NOVAS HIPÓTESES NOVA ENTREVISTA SATURAÇÃO DE DADOS AGRUPAMENTO DE HIPÓTESES POR SEMELHANÇAS

NOVA ENTREVISTA NOVA ENTREVISTA NOVA ENTREVISTA

A opção de trabalharmos inicialmente com um número de entrevistas determinado pelo princípio da saturação teve como propósito agilizarmos o processo da coleta de dados sem, no entanto, desconsiderar os princípios da teoria fundamentada nos dados.

Durante todo o processo, a comparação constante foi mantida e as categorias e subcategorias emergiam gradativamente. Na codificação seletiva intensificamos a análise, para integrar as categorias existentes em um conceito e assim gerarmos a categoria central.

Nessa perspectiva, os conceitos das categorias secundárias foram inter- relacionados como forma de identificarmos melhor o fenômeno observado e promover sistematização do pensamento.

O passo seguinte foi o de refinar a teoria, por intermédio de releituras das etapas anteriores e constante avaliação dos conceitos registrados, com vistas a sanar possíveis excessos e ou lacunas existentes na construção da teoria.

Em suma, conseguimos captar o entendimento do grupo pesquisado sobre a ausência do companheiro nas consultas de pré-natal. Vale destacar que foi necessário retornarmos aos dados brutos frequentemente, na medida em que avançávamos na análise dos mesmos, em busca das categorias, para nos certificarmos quanto à coerência entre a interpretação e o teor das falas. Como resultados das três etapas que dizem respeito ao processo de codificação, foram obtidas a categoria central, três categorias secundárias, quatro subcategorias e 21 componentes.

CAPÍTULO 5

DESVELANDO AS EXPERIÊNCIAS DAS GESTANTES

¨Devias vir para ver os meus

olhos

tristonhos

e,

quem

sabe,

sonhavas meus sonhos por fim. ¨