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Formas de produção e comportamentos das organizações

No documento 1.2 Design de Jogos ( game design ) (páginas 108-113)

Capítulo 4 - Análise histórica: As relações de trabalho e brincadeira em jogos de tabuleiro

4.1 Formas de produção e comportamentos das organizações

As a vidades de jogar e projetar jogos apresentam relações com outras a vidades na camada gené ca de Cole (2007). O jogar e o projetar jogos estão engajados nos sistemas compar lhados de valor e significado, estão em correlação com outras a vidades (SALEN e ZIMMERMAN, 2012). Em especial, os jogos de tabuleiro coopera vos que promovem dinâmicas de cooperação e colaboração entre os jogadores estão em correlação com a vidades laborais. A cooperação e a colaboração são comportamentos presentes em diversas a vidades, para a presente pesquisa, cabe traçar um panorama histórico dos comportamentos de estabilidade, compe ção, cooperação e colaboração em corporações.

Charles Snow (2015) apresenta uma visão das organizações comerciais em três diferentes períodos: era da compe ção, era da cooperação e era da colaboração.

Tal divisão foi elaborada à luz de organizações à par r do século XIX (SNOW, 2015, p. 435). Entretanto, será necessário acrescentar uma era anterior, de um período de estabilidade que antecede a perspec va organizacional, a era da estabilidade. Assim estas quatro eras podem ser relacionadas com quatro categorias de trabalho adotadas por Engeström (2006, 2007, 2009b) que abrangem quatro formas de produção: produção artesanal (cra work); produção em massa (mass produc on); co-configuração (co-configura on); e produção social (social produc on). A relação entre as formas de produção e os comportamentos das organizações serão úteis para a macro análise da a vidade.

Podemos estabelecer a seguinte relação entre as categorias de produção e os comportamentos:

● Produção artesanal - comportamento estável.

● Produção em massa - comportamento compe vo.

● Co-configuração - comportamento coopera vo.

● Produção social - comportamento colabora vo.

Produção artesanal - Estabilidade

A produção artesanal ocorria em uma estrutura social determinada e estável.

Período caracterizado pelo trabalho em ateliês, pela associação de artesãos em guildas ou outras formas simples de organizações. Engeström (2007, p.8) argumenta que na produção artesanal os par cipantes estão focados em seu próprio objeto, e são comumente man dos juntos pela imposição extrema ou tradição de subordinação e iden ficação com sua função. Na produção artesanal,

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o operário e o proje sta fundiam-se essencialmente em uma única e mesma pessoa, o mestre artesão (ENGESTRÖM, 2006, p. 4).

FIGURA 4.1: Representação da comportamento estável da produção artesanal

(FONTE: A AUTORA)

A representação gráfica mostra o comportamento estável, no qual os sujeitos são artesãos e trabalham em ateliês, u lizam ferramentas artesanais para a produção de artefatos que são exatamente seu modo de vida e definidos por sua posição social.

Produção em massa - Competição

Snow (2015) caracteriza a era da compe ção como o momento em que as empresas veem o seu know-how como a vo e principal meio de valor no mercado. Os gerentes entendem que proteger o know-how é como uma empresa defende sua compe vidade. E a compe ção - entre empresas e entre unidades e indivíduos dentro de empresas - é a peça central de grande parte da economia.

As empresas aprendem a acomodar as pressões compe vas com estratégias que maximizam a u lização de recursos e capacidades. Dentro das empresas, alguns sistemas de recompensa encorajam comportamentos compe vos entre unidades e indivíduos, de modo que os membros da organização devem aprender ao longo do tempo onde e como compe r, bem como onde e como cooperar. Ser cuidadoso - e calcular quando, onde e com quem compar lhar informações - é inques onável. O comportamento compe vo é impulsionado pelos desejos dos membros da organização de alcançar o máximo de recompensas possível - maximizar seus retornos. (SNOW, 2015, p. 433-34). Cabe relacionar a era da compe ção com a produção em massa, entendendo que existe segmentação nas organizações e nos processos produ vos. Segundo Engeström (2006, p. 4) o projeto fica segmentado, parte se concentra nas mãos de designers e a produção fica radicalmente separado da concepção. A segmentação e separação são dominantes e a compe ção ocorre neste ambiente dividido.

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FIGURA 4.2: Representação do comportamento competitivo

(FONTE: A AUTORA)

A representação gráfica mostra o comportamento compe vo, no qual os sujeitos são compe dores que trabalham separadamente uns dos outros, controlam cuidadosamente os instrumentos, recursos e informações visando ao máximo retorno pela superação dos concorrentes.

Co-configuração - Cooperação

A era da cooperação é caracterizada quando uma pessoa ou grupo ajuda outro na realização de uma tarefa cujo resultado beneficia a ambos. A principal questão do comportamento coopera vo é cooperar quando uma tarefa não pode ser realizada somente por um sujeito. A maioria dos empreendimentos coopera vos surgem porque as partes escolhem trabalhar juntas para a ngir obje vos mútuos, mas elas agem de acordo com seus próprios interesses – e, entretanto, existe interdependência entre os pares. A necessidade de parcerias faz com que seja necessário certo compar lhamento de informações. Tanto indivíduos como organizações devem lidar com a questão da confiança em situações coopera vas.

A cooperação é bem-sucedida quando as partes trazem seus respec vos recursos para o empreendimento e, em seguida, determinam conjuntamente como usar esses recursos. A maioria dos empreendimentos coopera vos, mesmo aqueles em que as partes confiam umas nas outras, são garan dos por contratos. (SNOW, 2015, p. 434). A era da cooperação pode ser relacionada com uma forma de co-configuração. Neste arranjo a segmentação deixa de ser aspecto dominante e as ar culações e obje vos comuns prevalecem sobre a compe ção.

Engeström elenca seis critérios necessários para a co-configuração: (1) combinações adaptáveis de produtos e serviços, (2) relações con nuas de troca entre clientes e produtores, (3) configuração e customização con nuas de produtos e serviços, (4) envolvimento a vo do cliente em inputs no processo de configuração, (5) múl plos colaboradores operam em redes dentro ou entre organizações, e (6) aprendizagem mútua das interações entre as partes envolvidas nas ações de configuração. Normalmente, a co-configuração inclui a

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interdependência entre vários produtores ou fornecedores que formam uma aliança estratégica. (Engeström, 2006, p.4).

FIGURA 4.3: Representação do comportamento cooperativo

(FONTE: A AUTORA)

A representação gráfica mostra o comportamento coopera vo, os sujeitos são parceiros que dependem uns dos outros, dividem o trabalho definido por contratos, compar lham sele vamente seus recursos e informações, e visam a seus próprios interesses ob dos pelo trabalho conjunto.

Produção social - Colaboração

A era da colaboração é um processo de tomada de decisão compar lhada em que todas as partes envolvidas no problema exploram constru vamente suas diferenças e desenvolvem uma estratégia conjunta para a ação. A colaboração pode ser direcionada para qualquer obje vo mutuamente desejado: resolver um problema complexo, resolver um conflito persistente, criar algo novo, e assim por diante. A colaboração é mais eficaz quando indivíduos maduros e competentes tratam uns aos outros de forma justa e valorizam seu relacionamento. Na colaboração, cada parte é tão comprome da com os interesses do outro quanto com os seus, e esse compromisso reduz a necessidade da avaliação con nua da confiança e suas implicações em como as recompensas serão divididas. (SNOW, 2015, p. 435). A era da colaboração pode ser relacionada com uma forma de produção social.

Na produção social ou peer produc on, a mobilidade assume a forma de uma enxame expansiva e mul direcional, com ênfase nas transições laterais e no cruzamento entre fronteiras. Os processos se tornam simultâneos, mul direcionais e frequentemente recíprocos. A densidade e o entrecruzamento de processos tornam a dis nção entre processo e estrutura algo obsoleto. Os movimentos de informação, pessoas e coisas criam tessituras que estão constantemente mudando, mas não de maneira arbitrária. Três diferenças historicamente significa vas devem ser apontadas: (1) os atores estão engajados na produção social para alcançar e produzir algo, eles são orientados para um objeto; (2) o movimento de enxame da produção é fundamentalmente cole vo; e

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(3) os novos padrões de produção social não são formas puras, pois se hibridizam e buscam simbioses com as estruturas ver cais e lineares. (ENGESTRÖM, 2009b, p. 4).

FIGURA 4.4: Representação do comportamento colaborativo

(FONTE: A AUTORA)

A representação gráfica mostra o comportamento colabora vo (no alto), os sujeitos são colaboradores comprome dos em igualdade, confiam na divisão e nas competências dos demais colaboradores, compar lham informações e recursos abertamente, são comprome dos com os demais para a ngir novas soluções.

Os comportamentos da compe ção, cooperação e colaboração foram sinte zados por Snow (2007) na tabela abaixo.

TABELA 4.1: Características de competição, cooperação e colaboração

Competição Cooperação Colaboração Confiança Arm's length

(operam separados uns dos outros)

Assegurada por contrato

Alta

Motivação Extrínseca Extrínseca Intrínseca

Informação e

comunicação Tightly held

(protegida) Selectiva Aberta, compartilhada Objetivos Sucesso sobre os

competidores

Trabalhar junto para atingir os objetivos desejados

Trabalhar junto para atingir novas soluções (FONTE: SNOW, 2015, p. 435 - tradução nossa)

As caracterís cas de comportamento em organizações comerciais apresentadas na tabela servem de base para uma representação para as eras de

comportamento de Snow (2015). Estas categorias servirão de referência para a análise histórica de a vidades ligadas aos jogos de tabuleiro.

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No documento 1.2 Design de Jogos ( game design ) (páginas 108-113)