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Gostos e interesses do psicólogo 63

4.2 PERFIL DO PSICÓLOGO 54

4.2.2 Gostos e interesses do psicólogo 63

O quadro 3 refere-se às escolhas representativas da imagem do psicólogo no concernente ao psicólogo no seu tempo livre e momentos de lazer. Que atividades desenvolveria o psicólogo em seu tempo de lazer?

Figuras de pessoas no seu tempo livre Quantidade de escolhas representativ as do psicólogo Participantes que fizeram escolhas representativ as Quantidade de escolhas não representativ as do psicólogo Participantes que fizeram escolhas não representativ as Leitura 13 Magnus, Samuel, Arnold, Kevin, Brianna, Henry, Ford, Paul, Peter, Mark, Jake, Blake, Anthony Cozinha 9 Nolan, Peter, Mark, John, Kent, Jason, Jake, Bob, James

Ioga/Meditação 8 Magnus, Samuel, Arnold, Kevin, Henry, John, Bob, James Balada 5 Gregory, Brianna, Clark, Kent, Anthony Praia 5 Gregory, Ford, Clark, Jason, Blake 1 Mark Computador 2 Paul, Nolan 0 Viagem 1 Kent

Compras 0 1 Mark Musculação/Academia 0 1 Samuel Futebol 0 3 Arnold, Mark, James

Nenhuma/Indiferente 5 Bruce, Gary, Cecília, Bruce, Tommy Quadro 3: Ocorrências de figuras referentes ao lazer do psicólogo

Fonte – Elaboração do autor, 2011.

O hobby mais citado pelos professores como sendo o do psicólogo é o da leitura, com treze ocorrências. Estas escolhas estão ligadas à visão do psicólogo como um intelectual e como um “eterno estudante”, isto é, alguém que está sempre buscando aperfeiçoamento dos seus saberes. “Inevitável pensar naquele cara fazendo a leitura também, acho que o psicólogo realmente mesmo na hora de lazer acho que ele lê bastante, é uma coisa que dá prazer para ele. Eu imagino isso”, diz o professor Arnold. “A leitura, o estudo. É uma área muito subjetiva, né. Precisa, meu deus do céu. E um estudo prazeroso, uma leitura prazerosa, não aquela coisa da obrigatoriedade pela obrigatoriedade”, diz Henry. Com isto, os professores afirmam que o fato de o psicólogo ler não é apenas por uma “obrigação moral” com sua

formação acadêmica (embora alguns o tenham citado, como Jake: “Bom, como qualquer pessoa que tem um curso superior, ela deve ler bastante, até para chegar a terminar o nível superior”), mas sim um interesse genuíno pela leitura como uma forma de lazer.

Na opção pela figura do homem cozinhando (nove ocorrências), obteve-se um resultado semelhante: a imagem do psicólogo como uma pessoa intelectual, que gosta de atividades sofisticadas. Na fala do professor Peter, é evidente que isto está associado ao fato de o psicólogo ser uma pessoa “de bem com a vida”:

A gente imagina que o psicólogo, para chegar num ponto, ele tem que ta bem consigo mesmo. Você ter um lazer lendo...você ta contente consigo mesmo, você ta bem, você ta com a cabeça boa para ler e utilizar isso como lazer [...]E a cozinha é um prazer. O psicólogo se cozinha...é com prazer. Porque ele trabalha, né, não é cozinheiro. Né? Então eu vejo duas relações quando a pessoa ta bem com a vida. Eu acho que o psicólogo ele tem que ta de bem com a vida, senão ele não consegue trabalhar. Né. Não consegue...

Portanto, o fato de o psicólogo ser uma pessoa equilibrada, calma e satisfeita com sua vida e consigo mesmo, possibilita-o a apreciar prazeres e lazeres da vida mais sofisticados, como culinária e leitura. Portanto, antes de inteligente, o psicólogo é, na perspectiva dos professores, uma pessoa bem-resolvida consigo própria.

E uma atividade de culinária prova que ele tem habilidade manual, prova que ele tem coordenação para escolher os diversos, né, ingredientes para sua alimentação, para o seu prato. E evidentemente demonstra que quem, isso na minha visão pessoal, quem cozinha é uma pessoa bastante equilibrada. Então eu vejo aqui, nos gourmets, pessoas equilibradas. Então, essas duas, eu escolheria essas duas atividades de lazer aqui.[...] Quando eu penso num psicólogo, eu penso num indivíduo intelectualizado, que tem um intelecto, que tem sua preferência de atividades em atividades intelectuais. E essas duas aqui são, embora cozinhando não pareça muito intelectual, ela no meu ver é muito intelectual. ( Mark).

Houve oito escolhas para a figura do homem que está com os olhos fechados, sentado, com uma perna cruzada na frente da outra. Esta foi a terceira mais escolhida pelos professores. Ela indica o psicólogo no seu tempo livre pois, para eles, o psicólogo é uma pessoa que deve buscar tranqüilidade, relaxamento e equilíbrio. Kevin afirma, sobre a escolha por esta figura, que “ também de ser...ser alguém que pensa, né, mais sobre...sobre as coisas...alguém com a meditação buscando uma evolução, aí, alguma coisa assim”.

Acho que a meditação...deve ser...é importante para todo mundo, na verdade. Eu também pratico. Te dá paz, serenidade. Você...você tem que ta bem, para deixar os

outros bem, na minha opinião. Não basta só conhecimento, você tem que ter uma paz interior. (Arnold).

Aparece como justificativa para a escolha desta figura, também, o fato de o psicólogo precisar aliviar o seu estresse decorrente do seu trabalho cotidiano, que é o de “escutar o problema dos outros”. O professor Henry diz: “Acho assim ó, meditação, porque, sabe, o psicólogo ele acaba muitas vezes tão envolvido com o problema dos outros que ele precisa de um tempo para ele se recuperar também. Se restabelecer, recarregar as baterias”.

Ioga, né, porque ouvir o problema de muita gente precisa ser uma pessoa muito equilibrada, né [...] Mais uma questão dele relaxar, pra que ele possa ter um equilíbrio suficiente, para que os problemas das demais pessoas não venham a afetar a própria vida dele, e ele não seja uma pessoa com mais problemas. Para ter sua vida piorada em função disso. (Bob).

Com cinco ocorrências, foi escolhida a figura do homem conversando em um ambiente público com algumas pessoas, aparentemente em alguma situação de festividade. Justificativas para a escolha desta figura são encontradas no fato de o psicólogo, novamente, precisar aliviar o estresse do seu trabalho; bem como no fato de ele ser uma pessoa que precisa saber se relacionar bem com as outras pessoas. O professor Clark afirma: “Eu acho que tu ouvir o problema de outros tu fica muito...tu fica estressado mesmo. Então, tem que relaxar”.

[...] e eu espero que você...tenha amigos. Porque nenhum psicólogo consegue criar uma relação com o seu paciente se ele não souber criar relações pessoais. Acho que ele precisa ter assim...não misturar, óbvio, né...mas ele precisa ter essa capacidade de se relacionar com outras pessoas para que na sua profissão ele consiga fazer também.(Brianna).

A figura de um homem em uma praia foi escolhida por cinco professores. Aparecem, aqui, falas referentes ao psicólogo cultivar o relaxamento e o bem-estar. “Ó, praia, porque ele tem que desestressar [...] O relaxamento mesmo. Para relaxar, para desestressar o que tu...do que que os outros tão falando”, diz o professor Clark. O professor Jason diz: “quando penso num tempo livre, penso em algo muito assim, contrastante com o ambiente de trabalho, eu penso em algo que seja como uma espécie de relaxamento mental. Uma espécie de distanciamento de tudo aquilo, de todas aquelas pressões do ambiente do trabalho”. Blake fala que o “contato com a natureza é uma fonte inspiradora”.

E a segunda figura, eu vejo assim, eu acho que um dos maiores desafios do ser humano é o próprio...o autoconhecimento. O conhecer, se conhecer, né. E aqui eu vejo aqui uma figura de um homem na praia, num lugar paradisíaco...só ele, não tem mais ninguém na imagem, somente ele. Eu acho que esse momento também de reflexão, de estar sozinho, é um momento importante também, né. (Ford).

Houve duas escolhas para a figura do homem sentado na cama com um computador e uma escolha para o homem em um assento de avião. Não houve escolhas para as figuras relativas a compras, à musculação e ao jogo de futebol. A negativa para a figura de compras foi do professor Mark, que afirma: “eu não vejo o psicólogo preocupado em escolher roupa, vejo mais preocupado com o intelectual”. A negativa para a figura da musculação adveio do professor Samuel, que diz que não acha que o psicólogo combina com esportes pesados como o representado na figura. As três não-escolhas para o futebol advém de os professores não associarem a imagem do psicólogo ao futebol. “Não vejo um psicólogo como um jogador de futebol”, diz Mark, e o professor Arnold diz:

Nada a ver? Eu acho que aquele cara ali com a bola de futebol ali no pé. Acho que não tem nada a ver o futebol [...] É...pois é, né? Assim...não é de associar muito psicólogo a esporte. Não tem porque não associar, né. Poderia, realmente...apesar que tem, tem um sentido, né? Mas você falou o psicólogo em si fazendo, isso eu não consigo imaginar muito.

Cinco ocorrências foram em função da afirmativa dos professores em não identificarem um conjunto de atividades de lazer que seria mais característico de um psicólogo.

Bom, eu vejo o psicólogo em todos eles. Eu vejo o psicólogo como homem normal, comum, assim como um professor, que muita gente acha que tem que sair, né, certinho, na linha. [...] Para mim, qualquer. Devia viajar bastante. Mas todos eles, para mim, é, não vejo diferença alguma, no ser humano, independente de formação profissional. Ta?. (Cecília).

Ai, ai, ai...eu não concordo com essa ideia, mas...pode ser qualquer um, né. E também acho que não tem essa de um psicólogo tem tal coisa. Né. [...]Na verdade qualquer um dos comportamentos pode ser dum psicólogo. Então, tanto faz, pode ser qualquer um. Não vejo um perfil de psicólogo. Psicólogo pode ser qualquer um. Qualquer pessoa. Pode ter, consequentemente, qualquer comportamento. Pode ta num jogo, pode ta viajando, pode ta fazendo ioga, pode ta fazendo o que quiser. (Bruce).

No tocante às escolhas representativas da imagem do psicólogo no que se relaciona ao seu gosto musical, tem-se os seguintes resultados (Quadro 4):

Figuras de CDs musicais Quantidade de escolhas representativas do gosto musical do psicólogo Participantes que realizaram as escolhas representativas do gosto musical do psicólogo Quantidade de escolhas não representativas do gosto musical do psicólogo Participantes que realizaram as escolhas não representativas do gosto musical do psicólogo Elis Regina 14 Magnus, Samuel, Gregory, Arnold, Kevin, Brianna, Henry, Paul, Lucas, Peter, Clark, John, Bruce, Bob Enya 9 Magnus, Alexander, Brianna, Henry, Lucas, Mark, Jason, Jake, Anthony Mozart 7 Samuel, Stabbin, Ford, Paul, Mark, Bruce, Blake

Cazuza 7 Gregory, Arnold, Kevin, Ford, Peter, John, Bob Eric Clapton 6 Alexander, Nolan, Clark, Jake, James, Anthony 0

The Rolling Stones

3 Jason, James, Blake 1 Mark Iron Maiden 1 Stabbin 8 Alexander, Peter, Clark, Mark, John, Bruce, Anthony, Henry

Quadro 4: Ocorrências de músicas de preferência do psicólogo Fonte – Elaboração do autor, 2011.

B. B. King 0 0 Madonna 0 2 Samuel, Peter Ivete Sangalo 0 4 Brianna, Mark, Jason, Jake Bruno e Marrone 0 6 Gregory, Mark, John, Kent, Jake, James

Nenhuma/Indiferente 5 Bruce, Gary,

Cecília, Kent, Tommy

Em relação às músicas que melhor combinam com o perfil de um psicólogo, as mais votadas foram Elis Regina e Enya – a primeira com quatorze ocorrências e a segunda com nove. As justificativas para Elis Regina foram a de que ela é uma grande poeta da alma, cujas músicas – principalmente as letras – refletem uma diversidade ampla de sentimentos humanos, os quais os entrevistados julgaram como de interesse do psicólogo. Samuel afirma que Elis Regina é “música e poesia”, e não é agressiva, é mais tranqüila. Gregory afirma que Elis Regina cantava músicas que refletiam muito o “interior da alma humana”. O professor Magnus afirma que Elis Regina reflete um gosto “notadamente intelectual”, o que combinaria com o psicólogo. O professor Arnold afirma que Elis Regina interpreta “canções com mais conteúdo, sabe, que transmitem mais sentimento; canções que expõem muito o seu ponto de vista, não simplesmente uma canção comercial. Então acho que se encaixa bem”. Portanto, Elis Regina foi a mais indicada pelos professores como sendo a música de preferência do psicólogo, por refletir um gosto mais intelectualizado e um apreço – de acordo com os professores – que este profissional teria pela alma humana, pelo ser humano e seus sentimentos e complexidades, retratados bem nas letras da artista brasileira. Também aparece a questão de ser uma música mais “calma” e menos agressiva, o que combina com a personalidade imagina por eles de um psicólogo.

As justificativas por Enya foram referentes tanto ao fato de ser um gosto mais intelectualizado quanto por ser uma música “calma”. O professor Lucas afirma que Enya (assim como Elis Regina, sua outra escolha) é um tipo de música “mais calmo, né, mais com cara de consultório”. O professor Magnus afirma, bem como afirmou sobre Elis Regina (sua outra escolha), que Enya reflete um gosto notadamente intelectual – o que combina com o seu perfil imaginado de psicólogo. Alguns professores afirmam que Enya combina mais com o trabalho do psicólogo. O professor Jason afirma: “mais assim, nova era, relaxamento, introspecção, Enya. Aí já to entrando com uma conotação mais profissional, mais de internalização do próprio psicólogo”. O professor Mark afirma, sobre sua escolha por Enya:

Música clássica, na minha visão, acalma. Relaxa. E eu te confesso que nunca consultei um psicólogo, nunca entrei no consultório de um psicólogo...muito menos de um psicanalista. Ta? Mas se eu entrasse no consultório de um psicólogo e encontrasse Ivete Sangalo cantando, Bruno e Marrone, ou Rolling Stones, ou Iron Maiden, eu mal entraria no consultório. Mas se eu encontrasse uma Enya, uma música clássica, isso certamente até na sala de espera me acalmaria e eu teria mais tranqüilidade para fazer, para receber o atendimento desse psicólogo. Música, né, de relaxamento, de tranqüilidade, eu acho que combina bem com o psicólogo.

Aqui, o professor também afirma sobre sua escolha por Mozart como sendo músicas características do perfil do psicólogo, e da não-escolha por músicas como Bruno e Marrone, Ivete Sangalo ou Iron Maiden. Outros professores também justificam que Enya é uma música que favorece a reflexão e a introspecção – e que, por isso, combinam com o perfil que imaginam de um psicólogo. “As músicas da Enya são músicas mais lentas, músicas de fundo, que acredito que pode ajudar o psicólogo a fazer suas reflexões, pode ajudar o psicólogo na terapia”, diz Henry. Brianna afirma que

Enya por causa na verdade da...da musicalidade. Né? Engraçado, são...duas coisas bem paradoxais. Aqui é pela ausência de letra...então é a sensação que a musicalidade desse tipo de música traz...eu acho que...er...assim...uma musicalidade tão forte, ela deixa a cabeça livre para...para você refletir sobre outras coisas. Você não presta atenção a aquela música em si, mas você ganha a sensação que aquela música te dá. E isso dá a possibilidade para você ficar viajando sobre outras coisas. [...]ajudar a você refletir sobre a sua vida, sobre a sua situação, a situação do outro, entendeu? [...]O resultado da reflexão. Da tentativa de...de colocar em palavras...né, de colocar o pensamento em funcionamento, botar o pensamento para rodar.

O professor Jake afirma que Enya é “uma coisa mais transcendental, meio meditação, meio pensar, tal”. Portanto, as escolhas por Enya refletem não apenas o gosto pessoal do psicólogo pelas faculdades de refletir e pensar sobre si mesmo, ou de meditar e relaxar a mente; mas também refletem a característica imaginada por eles do trabalho deste profissional. O psicólogo, nesta perspectiva, não se separa do seu trabalho. Assim como seu trabalho é provocar reflexões, insights e fazer as pessoas pensarem mais sobre si mesmas, sua vida pessoal e seus interesses também se voltam para essas mesmas atividades consigo próprio.

As escolhas por Mozart e Cazuza contaram com o mesmo número de ocorrências (sete, cada uma). O professor Ford afirma:

Difícil, né, a gente ta querendo, acabando rotulando um pouco o psicólogo, né. Eu vejo Mozart porque, primeiro, um pouco, na minha opinião a música clássica é uma música eterna. É uma música que... vai ta sempre presente. E ela...como é que eu posso te explicar. Ela tem um sentimento na música, ela tem um...permite uma reflexão, permite...eu sempre vejo a música clássica como em um mundo antigo, num mundo onde...era aquele momento que você tinha para ouvir a música, não havia como reproduzi-la posteriormente, né. Então eu acho que é uma música singular, eu acho que não existe nada igual à música clássica, né. E o psicólogo como uma pessoa que ta sempre também....é um estudante, é uma pessoa que tá sempre refletindo sobre a sociedade, buscando novas perspectivas, acho que essa música pode também ajudá-lo aí na...nesse, nesse trabalho.

Portanto, para este professor, Mozart ajudaria o psicólogo em sua reflexão pessoal. O professor Blake afirma que Mozart é um tipo de música que “mexe com a alma”; Bruce afirma que esta música combina com o perfil de um psicólogo, mais “centrado”; Samuel afirma que é um tipo de música calma e não agressiva. O professor Paul faz referência a psicólogos que já conheceu, que punham música clássica no ambiente de consultório. Percebem-se justificativas diversas para a escolha por Mozart, porém, em todas a referência principal é à música clássica, e às suas características (combinar com pessoas mais centradas e reflexivas).

As escolhas por Cazuza são, em parte, em referência às letras do artista brasileiro, que tinham um teor de crítica em relação à sociedade.

E o Cazuza porque o Cazuza nas suas letras ele tinha uma abordagem sobre a sociedade muito interessante, né. Ele tinha uma crítica contundente à sociedade e a alguns pré-conceitos que existem na sociedade...é...também a forma que...e trabalha, querendo ou não, essas relações humanas, né. Como que a sociedade tem sua hipocrisia, como tem muitas questões que permeiam, né, o trabalho do psicólogo. Então por isso que eu acho o Cazuza, também, uma personalidade interessante. (Ford).

As escolhas pelo artista brasileiro também refletem algo semelhante ao encontrado nas escolhas por Elis Regina: a questão das letras. O professor Arnold, que escolheu as duas figuras, afirma que os dois artistas interpretam letras com mais conteúdo e menos “comerciais” e superficiais. Peter afirma que

o psicólogo lê muito. Muita coisa boa, o psicólogo tem que ler muito. E esses dois...a Elis Regina não é compositora, mas as músicas que ela canta e as composições do Cazuza, têm muito a dizer. Sabe. Tem muita coisa a dizer e tal. E eles falam bem das relações humanas. E eu acredito que...acho que seriam esses dois.

Gregory afirma que são canções que revelam mais o estado interior de cada um. A questão da rebeldia de Cazuza combinar com o psicólogo é encontrada em falas como:

E esse cara aqui, Cazuza, é o medo de não querer mudar. É o medo de não mudar. Não ter medo de mudar. De rebeldia. Eu quero mudar e tenho condições de mudar, e por mais que isso possa ser difícil, tem terapia, Psicanálise aí, uma terapia difícil, autoanálise, você vai encontrar um monte de problemas em você e cabe a você saber se você quer ou não quer...eu acho que essa questão de rebeldia de coragem, que eu acho que é importante para as pessoas, e também para o psicólogo. (Bob).

O comportamento dele, pra época, um comportamento vamos dizer assim, rebelde, para a época...poderia ser muito bem trabalhado pelo psicólogo, entender o porquê da rebeldia, dele, dos parceiros, né? Cazuza e os parceiros formavam, como é o nome da banda...esqueci a banda cara...acho que sim, Rebeldia com o Frejat...Barão Vermelho, acho que é a banda. Encaixa bem. (John).

Cazuza, portanto, é escolhido pelos professores por ser um símbolo de rebeldia pelo qual o psicólogo poderia se interessar, tanto para analisar a personalidade do artista quanto para entender e refletir sobre o que este expõe em suas músicas. Trata-se de uma escolha que, novamente, valoriza o caráter culto e reflexivo do psicólogo.

Houve seis ocorrências para o cantor Eric Clapton. O professor James afirma que Eric Clapton simboliza o fato de o psicólogo ser alguém com gosto refinado e diferente da