Presume-se que a casa-pátio grega tenha se originado entre os séculos IV e V aC., pois a era clássica da arquitetura 27 carrega evidências de moradias com pátio. Os gregos conceberam suas casas de forma a permitir a entrada do sol baixo de inverno, enquanto os ângulos altos do sol de verão eram bloqueados por beirais (DAS, 2006, p.7, tradução nossa) 28.
Em Memorabilia (III. 8, seções 9,10), Xenofonte 29 relata a visão de Sócrates de uma boa casa:
A boa casa, pensou ele, deve ser fresca no verão e quente no inverno, conveniente para a acomodação da família e suas posses. Os quartos centrais devem, portanto, ser elevados e abrir para o sul, mas para proteção no verão deve haver bons beirais salientes (sobre o peristilo) e, novamente, a exposição dos quartos no norte deve ser menor. Tudo isso faz sentido, mas na realidade, o homem médio ateniense não se importa muito com sua habitação. Ele gasta pouco dinheiro para embelezá-la. A menos que esteja doente, provavelmente vai estar em casa apenas para dormir e comer.
27 Era clássica – entendida como a herança cultural da Grécia Antiga (séculos VI-IV aC.)
continuada pelos diversos períodos político-culturais romanos, até o declínio do império a partir do século III. Fonte: <//greciantiga.org/arquivo.asp?num=0427>. Acesso em 25 maio 2011.
28 DAS, Nibedita. Op. cit.
29 Xenofonte - (431-354 aC.) ateniense discípulo de Sócrates recuperou lições do mestre e
escreveu Memorabilia, cujo título significa literalmente “o que se mantém na memória”. A versão
latina consagrou o título Memorabilia Socratis dicta, ou seja, Ditos memoráveis de Sócrates, que
registra aspectos de natureza mundana da vida de Sócrates. Fonte:
<www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=876&Itemid=2>. Acesso
em 25 out 2011.
Figura 1.11 Torres de terra socada e cenas cotidianas da etnia Hakka em Fujian Tulou, China. Fonte: <www.newchinatours.com/eastchinaadventure/FujianHakka.html>. Acesso 14 jun 2011
Na arquitetura grega o requinte era reservado somente aos edifícios públicos, especialmente templos e monumentos erguidos em homenagem aos deuses. No campo, as casas seriam cabanas retangulares com cobertura de palha, de um único aposento ladeado por um estábulo. Na cidade, em geral, as casas eram de dois pavimentos - o primeiro era frequentemente dividido em dois ambientes, sendo um deles voltado para a rua (servindo ao trabalho como oficina ou loja). O segundo pavimento, por vezes alugado a outras famílias, seria acessado por escada externa. Encontravam-se também grandes casas de aluguel, divididas em pequenos apartamentos. De forma geral, as casas urbanas apresentavam duas tipologias de plantas, referentes às cidades de Priene e Delos. A casa de Priene (Figuras 1.12 e 1.13) seria composta por três partes: um pátio, ao fundo deste um vestíbulo e um ou dois quartos. A casa de Delos tinha na parte central um pátio que podia ou não conter um altar. Neste pátio, por vezes, existia um pequeno lago que servia para captar as águas da chuva 30. As casas refletiam a riqueza do proprietário, sobretudo com respeito às dimensões e ao mobiliário. Janelas não eram comuns nestas habitações. Para criar uma maior sensação de espaço, grandes áreas de paredes eram elaboradas com afrescos e mosaicos (POMBO, 2011, s/p) 31.
30 Reconheceremos mais tarde no impluvium no átrio romano. Nota da autora.
31 POMBO Olga. As Casas Gregas. Disponível em: <www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo>. Acesso
Figura 1.12 – Planta e reconstrução de casa em Priene, séc. IV aC. Fonte: <www.aibim.org/>. Acesso em 12 abr 2011.
No norte da península itálica, na região hoje equivalente a Toscana, os etruscos
32 construíam casas de único pavimento, sem janelas. O fogo situava-se no centro do espaço, em cuja cobertura havia uma abertura para extração do fumo do fogo, cuja dimensão foi sendo progressivamente aumentada (Figura 1.14). A luz penetrava através desta abertura zenital e da passagem de acesso. O fogo, originalmente no centro da casa, transferiu-se para outro espaço, sendo a função da abertura zenital substituída pela recolha da água da chuva. Estima-se que foi esta evolução que deu surgimento a um tanque de recolha de água de chuva (DUARTE, 2010, p.28-29) 33.
32 Etruscos - em cerca de 700 aC., a maioria das tribos do atual território da Itália eram
relativamente recém chegadas, vindos por terra do norte ou por mar pelo Adriático. Eram compostas por indo-europeus, falando línguas do subgrupo conhecido como Itálico. Naquele momento, a parte sul da península, incluindo a Sicília, encontrava-se dominada por colônias gregas, assentadas nas regiões costeiras. Os etruscos foram o grupo dominante e controlaram grande parte do centro da península até cerca de 500 aC., quando perderam poder para os romanos e foram subjulgados. Fonte: <www.historyworld.net>. Acesso em 29 maio 2011, tradução nossa.
33 DUARTE, Daniel Filipe Folgado. A habitação em torno de um vazio nuclear: princípios de
reabilitação do alto da Cova da Moura. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa, 2010. Disponível em: <www.repository.utl.pt/>. Acesso em 10 maio 2011.
Figura 1.13 – Planta e ruína de casa em Delos. Fonte: <pages. uoregon.edu>.
Figura 1.14 – Ruína de casa etrusca de cerca de 2.400 anos encontrada em sitio arqueológico
em Vetulonia, Toscana, Itália. Fonte: <www.italymag.co.uk
>
. Acesso em 12 nov 2011.Segundo Jason e Jason (1988), o Império Romano foi uma sociedade extraordinariamente aberta e cosmopolita, que absorveu os traços regionais num modelo ao mesmo tempo homogêneo e diversificado. Para os autores, a "romanidade" deve ser buscada nesse modelo complexo e não em uma única e consistente qualidade formal. A arquitetura romana mesclou influências etruscas e gregas com as características de sua própria civilização, principalmente a partir do século II aC., quando as conquistas possibilitaram a formação de uma elite enriquecida. Obras públicas de dimensões monumentais (templos, basílicas, anfiteatros, arcos de triunfo, arcos comemorativas, termas, edifícios administrativos e privados, mansões nas cidades e em seus arredores) refletiam a riqueza e o gosto pelo luxo (JANSON e JANSON, 1988, s/p, destaque do autor, tradução nossa) 34.
A casa romana original, ou domus italica, herdada dos etruscos (Figura 1.15), tinha apenas um cômodo, sendo este constituído pelo atrium 35 onde se cozinhava, comia e dormia. Com a evolução econômica, os romanos acrescentaram partições a casa. Na época de Cícero (106-43 aC.,) o átrio havia
34 JANSON, H. W. , JANSON, Antony F. Iniciação á História da Arte. São Paulo: Martins Fontes,
1988.
deixado de ser o centro da vida doméstica para tornar-se um aposento de status. Johnston afirma que a historia desconhece os passos do processo de mudança, porém acredita que os aposentos ao longo do átrio, foram utilizados pela primeira vez como quartos de dormir para maior privacidade. (JONHSTON, 1903, s/p, tradução nossa).
Figura 1.15– Templo e casa etrusca.
Fontes: respectivamente <//digilander.libero.it/JackLoSquartatore666/Tesina.htm> e <//addovereor.com/2011/01/the-roman-period/>. Acessos em 18 abr 2011.
Tipicamente retangulares e resguardados da entrada principal, os atria
constituíram um recurso de projeto de casas das classes altas no período do império romano (27 aC.-476 dC.). Simbolizavam status e estrutura patriarcal, sendo utilizados para a vida familiar e para receber. Vitruvius considerou “átrios de grande estilo desnecessários para os de baixa renda, mas homens de classe, com obrigações sociais para com seus companheiros cidadãos, requeriam sublime entrada em estilo régio e átrio e peristilo espaçosos”. Atrium
correspondiaao salão ou sala de audiências na casa romana (GRAFON; MOST;
SETTIS, 2010, p.105-106, tradução nossa) 36. Vitruvius relata quatro estilos de átrios:
1. Atrium Tuscanicum - cobertura formada por dois pares de vigas que se cruzam em ângulos retos, deixando espaço descoberto para formar o
compluvium (Figura 1.16).
2. Atrium Tetrastylon – cujas vigas eram apoiadas em suas interseções por pilares ou colunas.
36 GRAFON, Anthony; MOST, Glenn; SETTIS, Salvatore. The Classical Tradition. Boston: Harvard
3. Atrium Corinthium - que difere do segundo por ter mais de quatro pilares de sustentação.
4. Atrium Displuviatum - com telhado inclinado para as paredes exteriores.
Figura 1.16 – Esquema do madeiramento da cobertura e corte do átrio toscano. Fonte: JOHNSTON, 1903, p.195-196.
Segundo os autores da The Penny Cyclopædia 37, Varro 38 ao descrever as partes da casa romana, associou o termo atrium a cavædium 39. Atrium seria o espaço entre o cavædium, ou área aberta, e as paredes, constituindo o conjunto da abertura entre o compluvium (de onde a água caía) e o impluvium (onde seria recolhida). Segundo Varro, o termo atrium teria tido origem em Atriates, um povo toscano de quem o padrão etrusco havia sido herdado.
37 Society for the Diffusion of Useful Knowledge (SDUK) - Sediada em Londres, fundada em 1826
por iniciativa de Lorde Brougham, foi uma organização dedicada a tornar acessível o conhecimento cientifico ao publico. A sociedade acabou em 1848, embora algumas de obras, aparentemente,
continuaram a ser publicadas. Entre os anos de1833 e 1843 publicou Penny Magazine (editada por
George Long e publicada por Charles Knight, que em seu auge teve uma circulação de 200.000 exemplares por semana) com textos que pretendiam levar o conhecimento científico ao público que não tivesse acesso ao ensino formal, ou que preferiram autoeducação. Os textos foram
reunidos na The Penny Cyclopædia, estando atualmente digitalizada pela Google e disponível em:
<http://books.google.com/books>. Acesso em 24 abr 2011, tradução nossa.
38 VARRO, Marcus Terentius (116–27 aC.) nasceu em Reate, e estudou em Roma e Atenas. Foi
chamado de "os mais sábios dos romanos" por seu conhecimento enciclopédico. Escreveu cerca
de 490 livros, mas apenas alguns sobrevivem de forma bastante completa. Sua obra De lingua
Latina, em 25 volumes, é de interesse não apenas como um trabalho linguístico, mas como uma fonte de informação. Fonte: <//history.howstuffworks.com/ancient-rome/marcus-terentius-varro.htm>. Acesso em 23 abr 2011, tradução nossa.
39 Do Latim, contração de cavum (casa) + ædium (buraco), literalmente buraco na casa. Fonte:
A casa romana teve múltiplas plantas e evoluiu em função da região onde foi construída - se urbana ou rural - e de acordo com o clima e também pelas posses do proprietário, o que determinaria sua dimensão e opulência. Eram dois os tipos de casa: domus e villae.
Domus - a residência senhorial romana (Figuras 1.17 e 1.18) dispunha, quase sempre, de todos os confortos que a civilização romana dispensava aos senhores de posses. Voltada para o interior, por vezes incorporava a taberna ou
loggia, onde o dono da casa vendia os produtos de suas propriedades rurais. O acesso ao interior da casa se dava através do vestibulum, um pequeno espaço atrás do qual se abria o atrium. Num recanto do atrium ficava o lararium 40, altar destinado ao culto doméstico. O atrium fornecia a luz necessária às divisões que o circundam: o triclinium, utilizado para as refeições do dia-a-dia e o tablinum, escritório do senhor da casa, utilizado como sala de reuniões com pessoas que não fossem da família. Andron, um pequeno corredor ligava o atrium ao
peristylium, ou pátio interno. A entrada de serviço fazia-se pelo posticum. Junto ao peristylium estariam os cubicula (sing.: cubiculum: quarto de dormir), a
40 Lararium – Lugar dos Lares, deuses que protegem a família contra ameaças externas. Lar, Lares (pl.) deo della famiglia, dei ~; lari (pl.), geralmente mostrados como dois jovens dançarinos,
cada qual com uma cornucópia. Lararium, santuário doméstico para os Lares: um altar, um nicho
em uma parede ou templo em miniatura colocado sobre pedestal. Fonte: <www.pompeiiinpictures.com/pompeiiinpictures/R0/GlossA6.html#L>. Tradução nossa. Acesso em 25 out 2011.
Figura 1.17 – Identificação dos aposentos em uma Domus italica típica. Fonte:
exedra, sala destinada aos banquetes e, nas casas mais ricas, ainda havia aposentos para banhos. Muitas casas ainda tinham um segundo jardim (DUPONT, 2004, p.96, tradução nossa). O peristylium, ou o peristylum dos gregos, tornou-se uma importante parte da casa romana. Um pátio interno descoberto ladeado por cubicula. Mais aberto ao sol do que o átrio, abrigava um jardim protegido de ventos frios. Como os romanos apreciassem o ar livre e o contato com a natureza, o peristilo era o centro de sua vida doméstica em todas as casas abastadas, onde se reservava o átrio para as funções mais formais que a política e cargo público exigiam.
Figura 1.18 – Planta e reconstituição da Domus Italica, integrante do arquivo da Fototeca Unione.
Fonte: <//www.arch.mcgill.ca/>. Acesso em 20 abr 2011.
Villae - moradia rural, cujos edifícios formavam o centro de uma propriedade agrícola. A partir do século II aC. tornaram-se cada vez mais sofisticadas sendo frequentemente utilizadas como casas de campo senhorial. As terras seriam cultivadas por arrendatários ou sob supervisão de um administrador. Havia dois tipos de vilas: 1. Villa Urbana – situada no campo ou próxima ao mar, eram um complexo habitacional de luxo destinada aos senhores com finalidade de lazer. Dispunham de grandes jardins, bibliotecas, piscinas, balneários e, em alguns casos, anfiteatros. Adaptavam-se ao terreno e refletiam forte influência grega. Um exemplo é a Villa Adriana, nas proximidades de Tivoli, encomendada pelo Imperador Adriano (Figura 1.19). 2. Villa Rustica – assemelha-se à Domus, porém com área para a agricultura (Figura 1.20). Uma área destinada a agropecuária de rendimento, com acomodações para o proprietário.
Figura 1.19 – Reconstrução da Vila Adriana, Tivoli, Itália. Fonte: <www.villa-adriana.net>. Acesso em 14 nov 2011.
Figura 1.20 – Villae rustica. Fonte: <//historiadaarte.pbworks.com. Acesso em 30 out 2011.
Em Roma e outras cidades, a forma mais comum da habitação social foi a
insulae, rodeada por ruas estreitas (Figuras 1.21 e 1.22). As tarbenae (lojas e armazéns), no piso térreo, davam passagem aos andares superiores, acessados a partir do pátio central, geralmente ajardinado, onde se encontrava um chafariz para fornecer água. Os melhores apartamentos seriam os dos níveis inferiores - mais proximos da água, mais acessíveis e mais seguros em caso de incêndio.
Os andares superiores eram subdivididos em cenacula, pequenos apartamentos
Figura 1.21 – Ilustração esquemática de uma Insulae. Fonte: <www.midisegni.it>.
Figura 1.22 – Corte esquemático de uma Insulae. Fonte: <www.waterhistory.org>.
Acessos em 08 jun 2011.
No período imperial (27 aC. – 476 dC.) o átrio era o espaço central da casa. Tratado com o esplendor e a magnificência que os recursos dos proprietários permitissem, possuía na cobertura a abertura do compluvium ampliada para admitir mais luz, suportado por pilares (Figura 1.23). Entre esses pilares, e ao longo das paredes, estátuas e outras obras de arte eram colocadas.
Figura 1.23 – Interior de um a casa senhorial romana. Ilustração de 1885. Fonte: <www.anthonylingwood.com/index.php/>. Acesso em 20 abr /2011
O impluvium tornou-se uma bacia de mármore, com um chafariz no centro, muitas vezes ricamente adornado. No piso mosaico e nas paredes mármores ou pinturas em cores brilhantes. Em tal átrio, o anfitrião recebia seus convidados e clientes, e nele seu corpo haveria de ser velado. Os restos preservados de
Pompéia (Figuras 1.23-1.26) sugerem que as casas romanas foram iluminadas por aberturas relativamente pequenas.
Figura 1.24 Átrio de casa romana em Pompéia. Fonte: Brooklyn Museum Archives. Disponível em: < -www.flickr.com/photos/brooklyn_museum/2787926122/>. Acesso em 09 maio 2011
Figura 1.25 - Imagem de Atrium e Impluvium em ruína de Pompéia. Foto: Giulia Felice, 1983.
Disponível em: <//friendsofsdarch.photoshelter.com/gallery-image/Pompeii>. Acesso em 11 abr 2011.
Figura 1.26 – Lararium da Casa dei Vettii, Pompéia, Foto Sami Sarkis, 2011. Fonte:
<www.worldofstock.com/stock_photos/ADT3889.php>. Dois genios guardiões ladeiam o representativo do espírito do chefe de família. Abaixo uma serpente, outra forma de genio guardião familiar. Fonte:
<www.bbc.co.uk/history/ancient/romans/pompeii>. Acesso em 30 out 2011, tradução nossa.
As escavações nas ruínas de Pompéia, Herculano e Saint-Rémy-de-Provence revelaram o uso de vidro na vedação de janelas em edifícios públicos e habitações abastadas. Uma surpreendente quantidade de vidro, encontrada
ainda presa às janelas, denota que a prática não era rara (BESÈME et al, 2009, s/p, tradução nossa). 41
Segundo ŞEKER (2008, p. 37, tradução nossa), a casa romana era planejada ao longo de um eixo central, visualmente transpassável ao se adentrar pela porta. O eixo central era, portanto, significativo para dar um sentido à posição do espectador no limiar da entrada. A configuração da casa era arranjada para ser capturada deste ponto de vista. Ao atravessar a fauce e parar no início do átrio, o visitante também poderia observar o arranjo simétrico da casa ao longo do eixo vertical. Entretanto, as sequências visuais capturadas ao longo dos eixos não coincidiam com a possibilidade da sequência do movimento físico, uma vez que o impluvium interpelava o fluxo. No projeto arquitetônico das casas romanas, o olho pode mover-se axialmente, mas o corpo não. Como se observa na Figura 1.27, o eixo visual que ligava a fauce ao tablinum, e então ao jardim dos fundos atravessando o átrio, ligava o eixo horizontal ao vertical e, assim, ligava o átrio ao céu, a partir de seu centro ao nível do telhado.
Figura 1.27 – Eixos vertical e horizontal a partir do Atrium da casa romana. Fonte: ŞEKER ILGIN, 2008, p. 34. Acesso em 02 Maio 2011.
Essa noção de expansão em ambos os sentidos deu o átrio uma qualidade porosa, tanto em termos visuais quanto físicos. Devido a esta qualidade permeável - visual e física - o átrio era espacialmente capaz de focalizar o relacionamento entre os diferentes espaços domésticos e o ambiente externo. A importância desta vista foi revelada pela simetria elaborada, onde o enquadramento (por meio de portais, colunas e objetos focais ao longo do eixo
41 BESEME, Odile et al. Architecture et lumière. Disponível em:
central, como o impluvium), não era meramente uma conveniência do arquiteto, mas algo projetado para impressionar o visitante. Como o átrio ocupasse o centro geométrico na planta da casa, seu papel central no acolhimento dos afazeres domésticos e sua proximidade com os espaços circundantes, como o jardim e as fauces, o transformaram no centro operacional da casa. Forma e espaço deram ao átrio o atributo de uma atmosfera dinâmica, cenário de diferentes atividades que ocorriam em momentos e com participantes diferentes, ao longo o dia (ŞEKER, 2008, p.34-39, tradução nossa, destaque nosso). 42