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Mundo Árabe

No documento Edificações com vazio central (páginas 43-68)

Quando Roma chegou ao Oriente Medio deparou-se com civilizações muito mais antigas que ela. Embora o Oriente Medio (com exceção da Judeia) nunca tenha sido visto como uma unidade social, cultural e economica homogênia, os árabes tinham uma longa historia no Oriente Medio e no Mediterraneo. O contexto original da sociedade árabe foi tribal e nômade marcado pelas rotas de comercio dos beduínos. O comercio colocou as tribos em contato com os principais centros urbanos do mundo antigo, muito antes do advento do Islão. Foi somente no século VIII que o que pode ser chamado de arquitetura islâmica foi configurada. (ROCCO, 2008, p.10-35) 43.

À época do profeta Maomé 44 (570-632), a construção não havia se

desenvolvolvido significativamente, nem mesmo nas áreas mais urbanizadas. Após a morte do profeta, tropas muçulmanas partiram em conquista e, como rapidamente atingissem uma vasta área (demandando atenção na administração e manutenção da ordem pública) na fase inicial, serviram-se dos edifícios existentes nas regiões conquistadas (Figura 1.28). Para formalizar seus templos na Síria e na Pérsia (atual Irã) ocuparam igrejas bizantinas ou capelas de templos romanos.

42 ŞEKER ILGIN, Aysegül. Op.cit.

43 ROCCO, Lygia Ferreira. A mesquita de Ibn Tulun como representação da herança arquitetônica

árabe. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Filosofia Letras Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. 2008. Disponível em: <www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8154/tde-23042009-122942/pt-br.php>. Acesso em 30 out 2011.

44 A partir de 610 dC., Maomé passou a disseminar a idéia de um deus único formulando a

Formas reapropriadas e reelaboradas a partir do material existente até a época do surgimento do islão (e a partir daí) foram levadas para as regiões onde a religião muçulmana foi difundida. O resultado importante dessas interelações foi a soma ao repertorio local de múltiplas influencias culturais (ROCCO, 2008, p.3-5) 45. Na tradicional casa com pátio islâmica encontram-se os elementos intrínsecos das casas sumérias desenvolvidas em cerca de 2400 aC. Este modelo parece ter sido desenvolvido mais tarde pelos árabes que nela encontraram soluções para a habitação urbana – reservada das ruas, protegida dos saqueadores e do clima extremo (Yu, 1999, p.18, tradução nossa) 46.

A tipologia das mesquitas edificadas seguiram o modelo da casa de Maomé em Medina 47 (Figura 1.29). Sua casa foi convertida em local de oração, centro político, hospital e refúgio para pobres - planta quadrangular com um pátio voltado para o sul e duas galerias com teto de palha sustentado por colunas de tronco de palmeira. Este protótipo islâmico, residencial e religioso, foi ampliado várias vezes no primeiro século do Islão (MIT, 2011, s/p, tradução nossa).

45 ROCCO, op. cit.

46 YU, Nancy. The urban courtyard housing form as a response to the human needs, culture and

environment. Dissertação de Mestrado, Universidade de Guelph, Ontário, Canadá 1999. Disponível em: <www.collectionscanada.gc.ca/obj/s4/f2/dsk2/ftp01/MQ43240.pdf>. Acesso em 14 maio 2011.

47 A arquitetura sagrada islâmica não manteve a rusticidade dos materiais da casa do profeta,

contudo persistiu na atenção às formas geométricas. O geômetra era quem projetava o edifício, enquanto o arquiteto controlava sua realização. Fonte: Arte Islâmica. Disponível em: <www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=47 >. Acesso em 11 jun 2011.

Figura 1.28 – Ilustração de casa-pátio e distribuição dos aposentos típica em Yatz. Fonte: Blaser, 1999, p. 8.

A Grande Mesquita de Damasco é a primeira obra monumental da arquitetura islâmica. Fundada pelo califa Al-Walid bin Abdul Malek (668-715 dC.) em 706 (Figuras 30-33). O local, incrustrado no centro velho de Damasco, abrigou edifícios sagrados por milhares de anos – a camada arqueológica mais antiga é a de um templo aramaico dedicado ao deus Hadad, seguido pelo templo romano dedicado a Júpiter. No século IV foi transformado em igreja, posteriormente ampliada como Catedral de S. João Batista. No periodo que se segiu à conquista islâmica de Damasco (661), um arranjo peculiar ocorreu - os muçulmanos rezavam na parte leste da estrutura e os cristãos no lado oeste. O uso coletivo continuou até o reinado al-Malek (705–715 dC.), que negociou o espaço com os líderes cristãos dando em troca uma nova igreja dedicada à Virgem (ARCHINET, 2011, s/p, tradução nossa). 48

A construção introduz a típica arquitetura islâmica que representou o estilo árabe de mesquita - grande pátio aberto, limitado por arcadas em três lados e uma sala de orações coberta ao lado da qibla 49, que mostra a localização de Meca. Esta mesquita representa a síntese dos diversos elementos culturais romanos, helênicos e asiáticos, que deu origem às novas formas de expressão que viriam a caracterizar toda a arte islâmica. São os mesmos elementos encontrados nas mesquitas de Alepo, na Síria; Medina, na Arábia; Cairuan, no Magrebe, e em Córdoba, a capital islâmica da Espanha (Figuras 1.29-1.35). A islamização e arabização da região de Al-Andaluz (denominação árabe para a Espanha muçulmana) se deram em incursões militares árabes à região (642-669 d.) partindo do Egito, mais por iniciativas locais do que por uma estratégia do

48 Fonte: <//archnet.org/library/sites/one-site.jsp?site_id=7161>. Acesso em 12 nov 2011.

49Qibla ou Kibla – direção da Mesquita, para a qual os muçulmanos de todo o mundo devem se voltar e rezar cinco vezes ao dia. Fonte: www.ezsoftech.com/islamic/qiblatain.asp. Acesso em 25 out 2011, tradução nossa.

Figura 1.29 - Diagrama da casa de Maomé em Medina e mapa indicativo da ocupação territorial no apogeu expansionista do Islã. Fonte: <datamining.typepad.com/>. Acesso em 25 jun 2011.

califado central. Quando a sede do califado transferiu-se de Medina para Damasco, os omíadas reconheceram a importância do Mediterrâneo. Assim, em 670, o exército árabe, fundou a cidade de Al-Cairouan (160 km ao sul da atual cidade de Túnis), que passou a servir de base para operações militares mais distantes. (MUNIZ, 2011, s/p.) 50.

50 MUNIZ, Mônica. A Expansão Islâmica. Disponível em: <www.historianet.com.br>. Acesso em 25

set 2011.

Figura 1.30 – Grande Mesquita de Damasco, Síria (705-715).

dir.:Fonte:

<//otraarquitecturaesposible.blogspot.com/2011/05/cathedral-mosque-of-cordoba-for_07.html> esq. Fonte: Saeed Arida (2003),

Figura 1.31 - Grande Mesquita de Damasco, planta e vista.

Grande Mesquita de Damasco

Figura 1.32- Vista aérea. Fonte: <//786am.weebly.com/umayyad-mosque.html>. Figura 1.33 - Fiéis em oração. Fonte: <www.tripadvisor.com.br/LocationPhotos-g294011-d561047>.

Figura 1.34 – Vista aérea. Fonte: Imagem Google Earth.

Figura 1.35 – Local de orações. Fonte: <www.scoop.it/t/islamic-art>. Acessos em 12 nov 2011.

Figura 1.35

-

Grande Mesquita de Damasco - Imagem do pátio interno com fiel à sombra.

Foto: Vicky Frost, 2008. Disponível em:<www.guardian.co.uk>. Acesso em 23 jun 2011.

Depois de cruzar o estreito de Gibraltar (711), a construção da Grande Mesquita de Córdoba (785) (Figuras 1.36-1.38) marca o início da arquitetura islâmica na Península Ibérica e norte da África

Figura 1.37 – Vista aérea da Grande Mesquita de Córdoba. Fonte: <www.spanish-architecture.info/SP-CO/CO-001.htm>. Acesso em 12 nov 2011.

Figura 1.38 - Detalhes das arcadas da Mesquita de Córdoba. Fonte:

<otraarquitecturaesposible.blogspot.com>. Acesso em 12 nov 2011.

A planta da Mesquita de Cordoba seguiu a tradição estabelecida pela de Damasco (Síria), no entanto, o interior do Salão de Orações, com 856 colunas de jaspe, ônix, mármore e granito é sem precedentes. O material foi tomado dos fragmentos do templo romano, que anteriormente ocupou o local. Os arcos duplos permitiram tetos mais altos.

A história da Alhambra (1334-1391) está ligada à sua localização geográfica em Granada - uma colina rochosa de difícil acesso, às margens do Rio Darro, protegida por montanhas e cercado por bosques(Figuras 1.39-1.42). Concebida

como uma área militar, tornou-se residência real e corte de Granada, no meio do século XIII. O conjunto também abriga o palácio Generalife, cercado por pomares e jardins.

Figura 1.39 – Colina de Alhambra e Generalife, Granada (Espanha). Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1984. Fonte: <www.alhambra.org>. Acesso em 12 nov 2011.

Imagens de Alhambra, Granada, Espanha. Acessos em 13 nov 2011. Figura 1.40 - Pateo de los Arrayanes. Foto: Kurt Hielscher, 1925. Disponível em: <www.periodpaper.com/index.php/1925-alhambra-patio-arrayanes-granada-spain-hielscher>.

Figura 1.41 – Pateo de los Leones. Disponível em:

<www.flickr.com/photos/darrellg/3201837112/in/set-72157623392152317>.

Figura 1.42 – Palau de la Generalitat, Barcelona. esq.: Pati dels Tarongers (Pátio das Laranjeiras) dir.: Pátio interno ladeado por galeria.

Mesmo após o término da reconquista dos territórios pelos reis católicos em 1248, o impacto islâmico se manteve sobre a arquitetura espanhola, em particular na Idade Média, no que se conheceu como estilo mudéjar 51. Um dos melhores exemplos deste impacto é o Palácio de Alcazar em Sevilha (Figura 1.43), fortificação erguida pelos árabes após a conquista de Sevilha em 713 d.C. Trata-se de um complexo palaciano composto por vários edifícios de diferentes épocas. A fortificação original foi construída sobre antigo assentamento romano. Serviu de alojamento para os reis de Castela, passando a hospedagem habitual dos monarcas seguintes. Em 1364, foi convertido no primeiro palácio de um rei castelhano, não protegido por muralhas e defesas. É considerado o mais completo exemplo da arquitetura mudéjar na Espanha (Figura 1.44) (KAMIYA, 2004, s/p, tradução nossa) 52.

Figura 1.43 - Imagens do Pateo de las Donzelas, Alcazar, Sevilha, Espanha. Fonte: <www.carhirex.com> . Acesso em 12 jun 2011.

Com o desenvolvimento da arquitetura árabe-islâmica, o pátio tornou-se um elemento essencial, atendendo à necessidade de uma área de estar aberta. A transição do exterior para o interior é marcada por um contraste de experiência

51 Mudejar - estilo artístico que se desenvolveu entre os séculos XII e XVI nos reinos cristãos da

península Ibérica. Incorpora elementos ou materiais de estilo hispano-muçulmano. Trata-se de um fenômeno exclusivamente hispânico que combina e reinterpreta estilos artísticos cristãos (românico, gótico e renascentista) com a arte islâmica. Fonte: <//pt.wikipedia.org/>. Acesso em 11 jun 2011.

52 KAMIYA, Takeo. Islamic Architecture. 2004. Disponível em:

espacial, a partir de uma entrada modesta e austera, para um grande pátio interno, não raro com uma fonte central (ALABID, 2010, p.1, tradução nossa) 53.

Figura 1.44– Exemplo de arquitetura doméstica sevilhana do século XVI em estilo Mudejar.

Fonte: <www.insidethetravellab.com/casa-de-la-pilatos/. Acesso em 05 dez 2011

53 ALABIDIN, Mahmoud Zein. The Courtyard Houses of Syria. 2010. Artigo disponível em:

1.2

Desenvolvimento

O legado arquitetônico romano incluía especialmente a abóbada e o arco como configuradores de espaço. Na Idade Média, a pedra cortada com precisão e as inovações do românico (800-1100) e do gótico (1200-1500) levaram aos contrafortes, à altura e às aberturas alargadas. O movimento gótico que floresceu na Europa Ocidental continental durante o século XII, no século seguinte foi uma tendência generalizada de arquitetura, inicialmente nos círculos eclesiásticos e posteriormente nos residenciais. (TRABIA, 2006, s/p) 54

Georg Dehio 55 desenvolveu a teoria de que a basílica cristã teria evoluído da casa romana de átrio, onde este corresponderia à nave, o lararium ao altar; as

alae laterais ao transepto. Hoje a teoria parece ter poucos adeptos. O edifício cristão em Dura-Europos 56 (Figura 1.45) mostra diferentes transformações da casa privada em igreja. O pátio dianteiro das igrejas dos séculos IV ao IX na Itália, França e Alemanha, preservou não só a designação atrium, mas também o status e função social do espaço e, parecem ter derivado seu termo não das casas romanas, mas dos espaços públicos deste nome, tais como Atrium Regnum no Fórum Romano (um protótipo para basílicas onde dignitários estrangeiros eram recebidos) e o Atrium Libertatis, espaço amplo que abrigava os registros públicos (GRAFON; MOST; SETTIS, 2010, s/p, tradução nossa) 57.

54 TRABIA, Carlo, 2006. Sicilian Romanesque Gothic. Disponível em:

<www.bestofsicily.com/mag/art193.htm>. Acesso em 28 nov 2011

55 DEHIO, Georg (1850-1932) - historiador de arte e arquitetura; professor da Universidade

Königsberg e Strasbourg. Fonte: <//www.dictionaryofarthistorians.org/dehiog.htm>. Acesso em 24/ abr 2011.

56 Dura Europos (Forte Europos) - cidade greco-romana amuralhada, fundada em 303 aC. por Alexandre o Grande, em Salhiyé, atual Síria, 90 metros acima das margens do rio Eufrates, no cruzamento de rotas comerciais. Destruída por guerra e abandonada no século III dC., foi redescoberta em 1920, quando as escavações revelaram a mais antiga sinagoga já encontrada, é apelidada de "Pompéia do deserto sírio." Fonte: <http://history-of-macedonia.com/>. Tradução nossa, acesso em 25 abr 2011.

57 GRAFON, Anthony; MOST, Glenn; SETTIS, Salvatore. The Classical Tradition. Boston: Harvard

Figura 1.45 – Planta e reconstituição da transformação da casa privada em igreja em Dura Europos. Fonte: <//www.pitt.edu/~tokerism/0040/chrbyz.html>. Acesso em 24 abr /2011.

P

or esta época, o termo se referia as loggias, ou salões no espaço publico aberto, como Broletto Nuovo 58 (Figura 1.46) em Milão, denominado Atrium na inscrição datada do século XIV. O uso doméstico do termo foi revivido no Renascimento, quando humanistas e arquitetos, ainda desconhecendo os exemplos de Pompéia 59, utilizaram material arqueológico para reconstruir vários tipos de átrios. Influenciado pelo átrio das igrejas, o historiador Flavio Biondo 60

interpretou o átrio romano como sendo o espaço de transição entre a rua e a casa.

58 O termo "Broletto", do latim brolo, significa pátio. Antes da construção do edifício esta era uma

área livre, onde o mercado era realizado. Na Idade Média, o Broletto foi utilizado para funções da

administração municipal, onde também se realizavam reuniões e atividade judicial. O conjunto arquitetônico é composto por quatro corpos dispostos em torno de um pátio, construído em sucessivos períodos. Fonte: <www.torinopiupiemonte.com/>. Acesso em 24 abr 2011, tradução nossa.

59 Pompéia – cidade a 22 km de Nápoles, soterrada pela erupção do vulcão Vesúvio em 79 dC.

Petrificada por 1600 anos, manteve ocultas cenas e circunstâncias do cotidiano do Império Romano. Em 1763 foi casualmente descoberta por um agricultor. Hoje, sitio arqueológico tombado pela UNESCO. Fonte: <//pt.wikipedia.org/wiki/Pompeia>. Acesso em 17 mar 2011.

60 Flavio Biondo (1392-1463) - arqueólogo e historiador da Renascença italiana foi quem cunhou o

termo "Idade Média". Fonte: <//heritage-key.com/rome/flavio-biondo-latin-flavius-blondus>. Acesso em 23 abr 2011, tradução nossa.

Figura 1.46 – Broletto Nuovo, Milão (1228), construído em substituição ao antigo. Fonte: <www.italiaabc.it/monumenti/milano/piazza-mercanti.html>. Acesso em 23 abr 2011.

No Quattrocento 61, os conceitos da ordem arquitetônica foram explorados e regras foram formuladas. O espaço, como um elemento de arquitetura, passa a ser encarado de forma diferente da que havia sido até a Idade Média, passando a ser organizado pela lógica proporcional, com forma e ritmo sujeitos à geometria. O principal exemplo disso é a Basilica de San Lorenzo (1419-60), em Florença, Itália, por Brunelleschi 62 (Figura 1.47-1.48). É também de Brunelleschi uma das mais notáveis estruturas de suporte de carga de alvenaria no mundo - a cúpula da catedral de Santa Maria dei Fiore, em Florença, Itália. A construção da cúpula, concluída em 1471, ainda fornece lições importantes sobre a realização de geometrias complexas estrutural e de construção em alvenaria (Figura 46).

61 Quattrocento – denominação da totalidade dos eventos culturais e artísticos que ocorreram na Itália durante o século XV, o maior período da Renascença. Fonte: <www.britannica.com/>. Acesso em 10 Jun 2011, tradução nossa.

62 Filippo Brunelleschi (1377-1446) – a quem se atribui a invenção da perspectiva linear, construiu

um mecanismo designado Tavolleta, que permite representar o objeto segundo regras de

perspectiva rigorosas. Fonte: <//clubedegeometria.blogspot.com/2008/01/renascimento-sc-xv.html>. Acesso em 10 jun 2011.

Figura 1.47 - Filippo Brunelleschi. Basílica di São Lorenzo. Florença, Itália (1419-60). Fonte: <www.behance.net/gallery/>. Acesso em 10 jun 2011.

Figura 1.48 - Ilustrações de Dragos C. Sulgheru sobre trabalhos de Brunelleschi em Florença,

Itália: domo basílica Santa Maria del Fiore, Sacrestia Vecchia,Cappella Pazi,Ospedale degli

Innocenti. Disponível em: <www.artflakes.com/en/products/filippo-brunelleschi>. Acesso em 28 Nov 2011.

Na segunda metade do Quattrocento, aparece na Itália, um tipo novo de arquitetura suburbana, interpretação clássica de tipologias existentes, que recupera os conceitos e as teorias de Vitruvius referentes à casa de vila. Deve-se aos romanos a difusão. O deDeve-senvolvimento da vila, entretanto é preciso recordar que não se pode atribuir-lhes o invento tipológico, pois esta forma, ao

menos de forma rudimentar, já existia no Egito, Babilônia e Pérsia (FENOLL, 1986, p.6, tradução nossa). 63

O Renascimento , entre os séculos XV e XVII, é o período a partir do qual uma análise das plantas de arquitetura erudita torna-se viável, uma vez que nos chega extensa documentação gráfica original dos projetos. Nas vilas e palácios renascentistas italianos percebe-se a sistematização de soluções tipo-morfológicas. Bastante evidentes quando comparadas aos palácios urbanos da Toscana (organizados a partir de um pátio central), esta tipologia parece sugerir a recuperação teórica dos ideais clássicos, mais do que questões pragmáticas da tradição de pátios informais, gradualmente regularizados, em busca da perfeição geométrica clássica. Dentro da concepção de espaços urbanos contidos pela massa edificada, edifícios sobre lotes de formas irregulares, obtinham uma imagem aparentemente racional a partir de seus pátios (LUCCAS, 2011, s/p.) 64.

O arquiteto mais representativo do Alto Renascimento foi Bramante 65 (1444-1514), que ampliou a aplicação da arquitetura clássica ao renunciar ao elemento supérfluo e decorativo, na busca da monumentalidade, através da simplicidade e harmonia das partes. Seu pequeno templo San Pietro in Montorio (1503), na (Figura 1.49) foi diretamente inspirado pelos templos circulares romanos.

Para Andrea Palladio (1508-1580), o atrium combinava a forma de três corredores com o poço de luz do cavædium. A crença de que os monastérios haviam sido construídos sobre antigas casas, estimulou Palladio a projetar o Convento della Carità (Figura 1.50), em Veneza, como uma domus vitruviana. Posteriormente, o atrium foi reinterpretado e configurou-se como um grande

pátio interno, como o fizeram Antonio Sangallo no Palazzo Farnese em Roma,

1515 (Figura 1.51) e, também, Pier Francesco Cantone e Michele Moncino no Palazzo Reale em Genova, 1643.

63 FENOLL, Maria Del Carmen Sanches-Rojo. La villa renacentista. Artigo em Imafronte nº 2, p.

5-24, 1986. Disponível em: <//revistas.um.es/index.php/imafronte/article/view/40951>. Acesso em 16 maio 2011, tradução nossa.

64 LUCCAS , Luís Henrique Haas. Distribuição na arquitetura do renascimento italiano: sobre

arranjos, compartimentação e circulação interior na casa renascentista. São Paulo: Arquitextos, 2011. Disponível em: <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/11.129/3748>. Acesso em 27 out 2011.

65 Donato Bramante (1444‑1514) - Arquiteto e pintor. Suas primeiras obras foram realizadas na

Figura 1.49 – Bramante. San Pietro in Montorio, Roma (1444-1514). Fonte:

<//recursos.crfptic.es/temporal/diapo/098_San_Pietro_in_Montorio>. Acesso 27 abr 2011.

Figura 1.50 – Planta e corte do Convento della Carità, Veneza (1560). Andrea Palladio.

Fonte: <//library.kiwix.org:4201/A/Palladio.html>. Acesso em 25 abr 2011.

Figura 1.51 – Palazzo Farnese em Roma, projetado em 1515 por Antonio Sangallo. Fonte da planta:

<www.gutenberg.org/files/26319/26319-h/arch2.html>. Fonte da imagem: <www.britannica.com/>. Acessos em 23 abr 2011.

1.2.1

1ª Revolução industrial

66

Embora o conceito de fabricação remonte à época romana, na “idade das máquinas” a produção em massa e a linha de montagem teve um grande impacto na indústria da construção. A disponibilização de componentes metálicos e vidro, como materiais de construção possibilitaram o que se seguiu. Arquitetos e construtores puderam aplicar adornos em grande quantidade e em nenhum outro lugar, isto é mais evidente do que no estilo vitoriano (MCRAE, Shelly, 2007, s/p, tradução nossa).67

Figura 1.52 – Ponte de Coalbrookdale, próximo a Birmingham (Inglaterra), 1779. Foi a primeira em arco a ser feita de ferro fundido. Sem precedentes, utilizou metodos de carpintaria para criar a estrutura metálica. Fonte:

<www.architecture-student.com/architecture/technical-transformations-in-architecture-impact-of-industrial-revolution/>. Acesso em 25 Out 2011.

A Revolução Industrial levou a mudanças radicais em todos os níveis de civilização em todo o mundo. O crescimento da indústria pesada precisava de estruturas até então inimagináveis em função, dimensões e forma. A nova economia, em rápido cresciment,o demandou estações ferroviárias, armazéns,

66 1ª Revolução Industrial - (1760-1850) Período em que, pela mecanização das atividades,

ocorreram mudanças fundamentais na agricultura, fabricação têxtil e de metal, transporte, políticas

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