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Hotel Clarence Dublin, Irlanda

No documento Edificações com vazio central (páginas 90-105)

Projeto original - 1939

Ampliação e modernização - Foster+Partners, 2006

O projeto de modernização do hotel combina restauração da fachada e incorpora uma série de estratégias de sustentabilidade, incluindo a maximização da luz natural e ventilação.

Figura 1.89 - Clarence Hotel. Dublin, Irlanda. Fonte: <www.fosterandpartners.com>.

O hotel é organizado em torno de um átrio que se eleva desde a base até a cobertura, trazendo luz do dia a todo o conjunto. Na cobertura, um terraço panorâmico une e complementa o edifício existente. O piso térreo de acesso público incorpora restaurantes, lojas, cafés e bares.

Beijing Airport

Pequim, China 2003-2008

Porta de entrada para a 29º Olimpíada, concebido numa escala sem precedentes, o projeto do terminal é um dos mais sustentáveis do mundo. Como um símbolo cultural, a cobertura lembra um dragão.

Incorpora conceitos de desenho ambiental passivo, como as clarabóias orientadas para sudeste, que maximizam o ganho solar da manhã. Projetado e construído em apenas quatro anos, contou com materiais selecionados com base na disponibilidade local, funcionalidade, aplicação de habilidades locais e aquisição de baixo custo.

Figura 1.90 - Beijing Airport.Pequim, China. Fonte: <www.fosterandpartners.com>.

1.2.4

Já se fala da 4ª

Segundo Freitas A. (2005, s/p) 107, o processo de degradação do meio ambiente deverá dar lugar a novos produtos - o combustível limpo substituirá o fóssil; o uso da energia elétrica será de alto desempenho; a concentração do capital financeiro será pulverizada para segmentos do varejo, abrindo oportunidades de negócios com maior flexibilidade e agilidade; as empresas se destacarão ao transferir informações para seus produtos e serviços. A 4ª Revolução Industrial não permite desperdícios por excesso ou a falta, mas pretende garantir a continuidade do homem no planeta.

Surgem organizações como a Community for Tomorrow (2011, s/p, tradução nossa) 108, que vê a viabilidade da civilização determinada pela geração, distribuição e utilização de energia, prognosticando a produção local de energia para suporte à vida.

Para Buchanan (2012, s/p, tradução nossa) 109, o que ainda é descartado deve agora ser tido em conta - a efemeridade pode ser muito destrutiva. Esta postura irá influenciar profundamente o projeto e o fazer da arquitetura. A sociedade pré-moderna via o impacto de suas ações dentro de um intervalo de tempo maior do que o cenario dominante nos negócios de hoje. Para o autor tal arquitetura não era meramente subserviente, mas a mediação entre homem, cultura e natureza. Ressalvando contribuições duradouras da modernidade e da pós-modernidade, acredita que a era que começou com o Renascimento e a emergência da ciência, reconhece seu clímax. A presente era está comprometida com o retorno

107 FREITAS, Alexandre Mendes de. Seja Bem Vindo À Quarta Revolução Industrial. 2005. O

autor é consultor de empresas e mestre em gestão Empresarial pela FGV. Disponível em: <www.supplychainonline.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=150>. Acesso em 12 dez 2011.

108 Community for Tomorrow - organização sem fins lucrativos, nasceu em 2009 no sul da Califórnia (EUA), por iniciativa de um pequeno grupo de indivíduos que inclui professores universitários, estudantes de todas as idades, seus pais, empresários e outros, dedica-se à

pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de próxima geração, Através de fóruns on line,

dispõe-se a capacitar indivíduos com competências, habilidades e recursos a fim de que estes possam dispõe-se tornar apoio da liderança regional com a finalidade de preservação e promoção da comunidade local. Disponível em: <www.communityfortomorrow.org>. Acesso em 17 Dez 2011.

109 BUCHANAN, Peter. The big rethink: farewell to modernism − and modernity too. 2012.

Disponível em: <www.architectural-review.com/8625733.article>. Acesso em 26 fev 2012, tradução nossa.

do homem ao seu papel referencial na arquitetura, depois de ter sido deslocado pelas idéias reducionistas como o funcionalismo, que ignorou a complexidade dos mundos internos da experiência, as conexões psíquicas e seus significados. O autor reporta que pesquisas encontraram trabalhadores satisfeitos em condições consideradas fora das zonas de conforto normativas - que as pessoas preferem trabalhar em edifícios naturalmente iluminados e ventilados; que também preferem controlar suas próprias condições de conforto, como janelas operáveis. Características introduzidas para a eficiência energética, tais como átrios com ventilação e iluminação natural, tornam-se espaços sociais vivos e conferem ao edifício uma agradável e identidade reconhecível.

O mundo mudou. O futuro já não pertence a pessoas que podem raciocinar como computador - com lógica, velocidade e precisão. Ele pertence a um tipo diferente de pessoa com um tipo diferente de mente. [...] A Era da Informação para a qual estamos todos preparados está terminando. Surge em seu lugar o que chamo a Era Conceitual, uma época em que o domínio de nossas habilidades, muitas vezes esquecidas e desvalorizadas, marca a linha divisória entre quem fica à frente e quem fica para trás (PINK, 2005, s/p, tradução nossa)

110.

Para Buchanan, progredimos de uma sociedade de agricultores para uma sociedade de operários e desta para uma sociedade de trabalhadores do conhecimento. Agora progredimos mais uma vez - para uma sociedade de criadores, reconhecedores de padrões e fabricantes de significado. Para florescer nesta época, é preciso complementar nossas já desenvolvidas capacidades de alta tecnologia com aptidões de "alto conceito".

Alto conceito envolve a capacidade de criar beleza artística e emocional, para detectar padrões e oportunidades, para criar uma narrativa satisfatória, e para trazer invenções que o mundo não sabia que faltavam. Envolve a capacidade de empatia, para entender as sutilezas da interação humana, para encontrar alegria em si mesmo e provocá-la nos outros, e para ir além do cotidiano em busca de propósito e significado. Desenvolver este alto conceito, não será fácil para todos. Para alguns, a perspectiva parece inatingível. Não tema (ao menos tema pouco). Os tipos de habilidades que agora são mais importantes são atributos fundamentalmente humanos. Afinal de contas, nossos ancestrais das cavernas não eram plugados em números de planilhas ou código de depuração. Eles

110 PINK, Daniel H. Revenge of the right brain. 2005. Disponível em:

contavam histórias, demonstravam empatia, projetavam inovações. Essas habilidades sempre foram parte do que significa ser humano. Em apenas algumas gerações da Era da Informação, muitos de nossos altos conceitos, como músculos se atrofiaram. O desafio é fazê-los voltar a forma. Quer ir em frente hoje? Esqueça o que seus pais lhe disseram. Em vez disso, faça algo que estrangeiros não podem fazer mais barato. Computadores não podem fazer mais rápido. E algo que preencha com desejo imaterial, transcendente de uma era abundante. Em outras palavras, vão em frente jovens, vão. (BUCHANAN, 2012, s/p, tradução nossa).

A mudança climática global é uma preocupação que unifica o mundo. A arquitetura conta com governos, clientes, forças de mercado, incentivos ao investimento e tecnologias emergentes para planejar e desenhar das cidades do futuro, meta não apenas na escala do edifício, mas na escala de cidades e regiões. É uma questão de sobrevivência.

1

capítulo 2

O átrio

O único privilégio da arquitetura entre todas as artes, quer crie habitações, igrejas ou interiores, não é hospedar uma cavidade cômoda e rodeá-la de defesas, mas construir um mundo interior que mede o espaço e a luz segundo as leis da geometria, de uma mecânica e de uma ótica necessariamente implícitas na ordem.

Bruno Zevi 2

1 Silhuetas e sombras refletidas no piso polido do átrio do Edifício de Engenharia da Universidade

de Wisconsin, Madison, EUA. Foto: Jeff Miller, 2006. Disponível em:

<//photos.news.wisc.edu/photos/5146/view>. Acesso em 15 nov 2011.

2.1

Atrium, plur. atria

A definição de átrio é controversa. Alguns o definem como um ambiente com abertura zenital, outros como um pátio coberto. A resposta depende de se o átrio é tido, ou não, como uma área simbolicamente coberta - um “teto sobre a cabeça”. (DUPONT, 1989, p. 95, tradução nossa, destaque do autor) 3.

Na busca da definição, do que se apresenta mais como um conceito espacial que configura um vazio central, seguem-se definições para átrio e pátio encontradas em dicionários de língua portuguesa e em dicionários de arquitetura:

ALBERNAZ; LIMA 4

Átrio – 1. Recinto ou compartimento na entrada do prédio. O termo é mais aplicado quando referido a antigas construções. Quando se constitui em um compartimento é frequentemente chamado vestíbulo, particularmente não se tratando de edifícios suntuosos. 2. Em prédio de maior porte, amplo recinto de distribuição de circulação. Comumente possui esmerado acabamento com o uso de materiais nobres. Nos edifícios mais recentes é frequentemente chamado hall

(p.71).

Pátio – espaço descoberto, cercado por muros ou paredes, sem uso definido. Pode ser situado no interior do edifício ou externamente, sendo neste ultimo caso, acesso a edificação. O pátio interno tem muitas vezes a função de receber e distribuir luz e ar a alguns compartimentos localizados internamente. Pode ser particular ou coletivo. Algumas vilas antigas e cortiços possuem pátios coletivos. Usualmente é pavimentado. Nas antigas edificações era em geral lajeado. Pode ser ou não provido de um pequeno jardim (p.442).

CHING, 2000 5

Átrio – Pátio central iluminado por luz natural em uma construção, esp. Um grande espaço interno com telhado de vidro e cercado por vários pavimentos de galerias. Pátio aberto, iluminado por luz natural, a cuja volta se ergue uma casa ou edifício. (p. 85).

3 DUPONT, Florence. Daily Life in Ancient Rome. Oxford: Blackwell, 1989.

4 ALBERNAZ, Maria Paula; LIMA, Cecília Modesto. Dicionário ilustrado de arquitetura. 2ª ed. São

Paulo: Proeditores, 2000.

Pátio – Área a céu aberto, cercada em sua maior parte ou na totalidade por paredes ou edifícios. Área adjacente a um edifício ou no interior desde. Pátio interno – área de uma casa delimitada por construções baixas, arcadas ou paredes. Cortil – Pátio espaçoso ou principal de um palácio italiano Área adjacente a um edifício, ou no interior deste. Pátrio interno (p.85) Igreja: Área quadrangular circundada por um claustro (p.150).

CORONA; LEMOS 6

Átrio – Vestíbulo, pátio ou espaço que vai, nos palácios e grandes edifícios, desde a entrada principal até a escadaria, serve de acesso ao pavimento superior. Nome também dado a adornos das igrejas. Parece que em certos lugares do Brasil é comum dar-se o nome de átrio ao sótão das residências (p.59).

Pátio – Recinto coberto no interior de uma construção, ou área a ela encostada. Quintal murado. Átrio, vestíbulo. Grande saguão. Antigamente, escola onde se professavam humanidades (p. 362).

HOUAISS; VILLAR 7

Átrio – 1. ARQ. HIST. A sala principal, contigua a entrada das casas no antigo mundo romano. 2. ARQ. HIST. espaço cercado por pórticos ou outras construções à frente das basílicas paleocristãs e de igrejas bizantinas ocidentais realizadas até o século X. 3. ARQ. RELIG. m.q.ADRO (pórtico externo). 4.ARQ. Pátio interno fechado por alas da construção que dá acesso ao interior de um edifício, vestíbulo. 6. ARQ.Vestíbulo espaçoso que serve como sala de estar. 7. ANAT. 8.A primeira câmara de cada lado do coração [...] (p. 218).

Pátio – 1. Recinto térreo ou calçado, murado e descoberto no interior de um edifício ou anexo a ele (p. de uma escola) (p. de um convento). 2. Espaço descoberto que em muitos edifícios vai desde a entrada externa até a construção principal; átrio, adro (p. de uma igreja). 3. Em colégios religiosos edifício ou aulas

6 CORONA, Eduardo. LEMOS, Carlos Alberto Cerqueira. Dicionário da arquitetura brasileira. São

Paulo: Companhia das Artes, 1998, 2ª ed.

7 HOUAISS, Antônio. VILLAR, Mauro Salles. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de

Janeiro; Objetiva, 2009.

8 Anatomia – O coração apresenta quatro cavidades: duas superiores, denominadas átrios (ou

aurículas) e duas inferiores, denominadas ventrículos. Os átrios recebem sangue da veia cava e do próprio músculo cardíaco através do seio coronariano que passa para os ventrículos através de válvulas, as quais devem garantir que o sangue siga uma única direção, sempre dos átrios para os ventrículos. Fonte: <www.worldinvisible.com/apologet/humbody/heart.htm>. Acesso em 26 nov 2011.

em que se ensinavam humanidades. 4. Espaço para manobrar locomotivas junto a estações ferroviárias ou de metrô. 5. AER.Átrio de grande extensão usado para manobras, manutenção, carga, descarga e abastecimento de aeronaves (p. 1446).

FERREIRA, 19759

Átrio – [Do latim atriu] O segundo vestíbulo nas casas romanas. 2. Anat. Aurícula do coração 3. Arquit. Grande sala central, de distribuição de circulação num edifício. 4. Arquit. Pátio interno de acesso a um edifício, vestíbulo. 5. Arquit. Espaço defeso na frente de um edifício. 6. Arquit. Adro. 7. Geogr. Depressão em forma de anfiteatro ou de meia coroa, proveniente da destruição parcial de uma cratera vulcânica (p.159).

Pátio – [Do latim patiu] 1. Recinto geralmente lajeado para o qual dá entrada a porta principal de algumas casas. 2. Espaço descoberto fechado por muro ou por outro tipo de construção anexo a um edifício. 3. Recinto descoberto no interior de um edifício: o pátio de um convento; um pátio espanhol. 4. Espaço descoberto cercado de edifícios. 5. Recinto junto a estações ferroviárias onde as locomotivas manobram. 6. Átrio, vestíbulo (p.1055).

Da busca em dicionários etimológicos, segue-se nossa tradução do verbete dos termos átrio e pátio no Vocabolario Etimologico di Pianigiani 10.

Átrio lat. ÀTRIUM, que entre os Romanos era um pátio ou claustro interno da casa, de forma retangular, fechado ao redor, e com uma abertura para o escoamento das águas do centro do dossel, comumente sustentado por colunas. Era acessado pela sala de entrada e nos tempos primitivos de Roma servia para lugar de encontro, onde as mulheres trabalhavam seus bordados, e onde estavam expostas as imagens dos antepassados, o altar dos deuses domésticos. Chamado por alguns do gr. ÀTRION sereno, porque uma parte era descoberta (sub diu) como se lê em Tertulliano chamado também subdival, que tem sentido equivalente. Outros querem trazê-lo do gr. ÀTOR (doricamente por ÉTOR), peito, ou melhor, as duas câmeras superiores do coração, pois o átrio

9 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro:

Nova Fronteira, 1975,1ª ed.

10Vocabolario Etimologico di Pianigiani - um dos mais famosos dicionários etimológicos italianos. Publicado pela primeira vez em 1907 em dois volumes, seguido em 1926 por um volume de adições e correções. Foi republicado várias vezes em versões quase idênticas (Sonzogno 1937, Melita 1990, Castor de 1998, Polaris 1993), sinal da vitalidade do trabalho de Pietro Ottorino Pianigiani (1845-1926), linguista e magistrado italiano. Fonte: <www.etimo.it/?pag=inf>. Consulta online disponível em: <www.etimo.it/?term=atrio>. Acesso em 24 Out 2011, tradução nossa.

servia de passagem ao interior da casa: o que faz presumir que os originários habitantes do Roma tinham conhecimentos de anatomia, sobre o que paira duvida. É, portanto mais verossímil que derive do lat. ÀTER fosco, escuro, da cor das paredes enegrecidas pelo fumo da cozinha (ibi etiam culina erat, unde et

ATRIUM dictum est, diz Servio, ATRUM enim erat ex fumo): o que parece

submeter o nome a uma circunstância muito acidental, pois encontra certa valorização na comparação com AEDES templo, casa, que por uma ordem idêntica se refere a rad. sscr. AIDH arder. – Hoje equivale a Pórtico ou Sala em edifícios, que dá acesso aos espaços internos: difere do Vestíbulo, pois este é externo e dá para a rua.

Cortile – lat. CORTILEM de CORS corte (v. Corte). – Corte no sentido primitivo de recinto; Lugar espaçoso e aberto em palácios frequentemente ornado por galerias.

Corte rum. curte; prov. cortz; fr cour; esp e port corte: do lat. CHÒRTEM. CHÒRTEM – gr. CHÒRTOS, que tem a mesma origem de HÒRTUS horto, e tem o sentido primitivo de lugar cintado, tem raiz em GAR pegar, agarrar, no sentido de cingir, circundar: cfr. sscr. Harati cingliare, gr. Cheir mano, lat. hara ovile, onde se prendem as ovelhas (v. Jardim e Horto). – Os latinos chamam assim o recinto para as ovelhas, não que o espaço em meio ao pátio da colônia, onde todos os animais vivos, o gado, os porcos, galinhas etc. eram mantidos e alimentados em espaços separados. Na idade media o termo se expandiu para indicar o recinto, que compreendia casa, horto e outras partes de uma vila. Aqui não terminou sua sorte, porque teve a tarefa de representar um território interno, quer seja no castelo ou igreja, e finalmente encontra-se entre as armas, no palácio de justiça e por fim no palácio real. – Hoje lembra a origem, significando aquele recinto descoberto entre as casas do qual recebem luz os aposentos internos. – Usa-se para indicar o palácio dos monarcas com toda a sua filiação e metaf. As pessoas que constituem a casa do príncipe; certos tribunais superiores e a Alta cúpula dos magistrados, que lhe são adidos. – Não muitos anos trás chama-se assim as famílias de executores ligadas à corte de justiça, que depois se chamaram oficias de justiça. - <Fazer a corte> é propr. Ir ao encontro do príncipe para presentear onde o auto signif. Genérico de mostrar: assíduo, servidor devoto para obter afeto ou favores.

Em português o termo corte, parte de uma família de termos derivados do latim

cohort, e se presta a uma ampla significação e aplicação. Esta matriz linguística tem como significado de base algo como “recinto”, sendo do que dão conta seus

principais derivados. Cour no francês, cortile no italiano e court no inglês são evidências imediatas (ROSSA, 2010, p.10, destaque do autor) 11.

Figura 2.02 - Ilustração de Jaime de Angulo para Indian Tales (1973). Fonte: Cobijo (Título original:

Shelter). Madrid: Blume, 1979, p.1.

A definição encontrada no Whole Building Design Guide, no portal web da

WBDG 12, parece corresponder a um entendimento contemporâneo do termo:

Nos tempos antigos o átrio romano foi o centro da casa, mas hoje o termo átrio é tipicamente associado a edifícios públicos e comerciais. O espaço típico do átrio inclui um pátio envidraçado e múltiplos andares. Átrios são usados como elemento arquitetônico em entradas principais, áreas de circulação pública ou destinos especiais dentro do edifício. Projetos de átrios frequentemente envolvem claraboias e generosas áreas envidraçadas que provêm entrada de luz natural transformando-o em uma área proeminente do edifício, capaz de servir funções cerimoniais e sociais (CHANNELL 2010, s/p, tradução nossa) 13.

11ROSSA, Walter. Ensaio sobre a itinerância da capitalidade em Portugal. In LIBBY, Douglas Cole

(Org.) Cortes, cidades, memórias e transformações na modernidade. 2010, p.10. Disponível em:

<www.ces.uc.pt/myces/UserFiles/livros/659_28.pdf>. Acesso em 16/05/2011.

12 O WBDG - portal web do governo norte-americano dedicado a fornecer informações atualizadas

para arquitetos, engenheiros e gerentes de projeto, para melhorar o desempenho e a qualidade dos seus edifícios, com base em critérios e tecnologia a partir de uma perspectiva sistêmica. Atualmente organizado em três categorias: Orientação de projeto, Gestão de Projetos e Operações/Manutenção. Fonte: <www.wbdg.org/about.php>. Acesso em 14 mar 2011, tradução nossa.

13CHANNELL, Cecily. Atrium. Disponível em: <www.wbdg.org/design/atrium.php>. Acesso em 19

Blaser (1997) 14 parece seguir a indicação mais verossímil de Pianigiani, pois vincula átrio ao negro da fuligem originada do fogo no interior do abrigo. Para BACKER e STEEMERS (2002, p. 47) 15, os termos pátio, poço de luz, galeria e átrio têm sido aplicados com imprecisão o que requer uma nomenclatura sem ambiguidades:

Átrio - espaço coberto com abertura zenital envidraçada, dentro ou entre edifícios.

Poço de Luz - átrio sem parede entre o poço e os espaços adjacentes. A característica impacta significativamente na ventilação e no desempenho térmico do espaço.

Pátio - espaço destelhado, frequentemente circundado por clautros ou varandas.

Galeria - originalmente conversão de ruas comerciais em espaços envidraçados.

2.2

Considerações

A arte e a ciência de projetar com luz do dia (daylighting) além de fornecer os níveis de luminância necessários para um bom desempenho visual, é também fazê-lo sem efeitos indesejáveis e proporcionando um ambiente confortável e agradável. Projetos bem sucedidos invariavelmente incorporam dispositivos de sombreamento para reduzir excessos de brilho e contraste no espaço de trabalho. Além disso, o tamanho das aberturas, o espaçamento, a seleção do

14 BLASER, Werner. Pateos: 5000 años de evolución desde la antigüedad hasta nuestros días.

Barcelona: Gustavo Gili, 1997.

15 BACKER, Nick, STEEMERS, Koen. Daylight design of Buildings. Londres: James & James, 2002

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