se adaptou i nSo sabe
I EDUCANDOS IHorários normais pa-
Ira a maior parte do Ipessoal; diferencia- Iciação entre vida I"pessoal" e vida pro Ifissional, Tempos li Ivres regulares e pre lYistQS.,
Mix idade
Ausência total ou apenas entre crianças com menos de seis anns RelaçSes socio-afectivas
lApenas institucionais e possíveis (maiores ou Imenores) contactos com a família, em períodos Iprevistos,
Actividades/Horários
linstitucionais e com Icoetâneos e adultos Ida comunidade (Esco- ' la ATL.etr ) Isó institucionais; ho- Iidêntico a A, mas com Ipara além das activi Irários rígidos; reduçSoluma componente de acti-ldades correntes do Ida prépria noçîo de Ividades alargadas em IInternato, participa (actividade a dormir, Iregime interno ;0TL, IçSo eu actividades 1 COffler, estudar lofitinas, etc, Ina Comunidade
A. Isolamento t ã o completo quanto p a s s í v e l . A p r ó p r i a r e p r e s e n t a ç ã o da sociedade é t r a n s m i t i d a aos educandos, por pessoas que d e l a s e afastaram. "Colocados sob uma única e mesma autoridade todos os
aspectos da existência se inscrevem no mesmo quadro" (GOFFKAN, 1975,
envelhecimento dos próprias educandas que, fechadas num "internisma" irremediável, não têm alternativa, mantendo-se dependentes até ao fim da vida.
B. Isolamento quase idêntico ao de A. A representação da sociedade surge aqui com dois modelos diferentes - o do pessoal internado e o do pessoal externa - senda interiorizados, de forma ambivalente, pelos educandos. 0 pessoal externo é mais instável, sendo frequentemente qualificada de "mercenária", em aposição aos "inteiramente dedicados". A instabilidade daqueles leva a sentimentos renovados de abandono por parte das educandos, a que se sobrepõem sentimentos de culpa^or laços afectivos criados e pela atracção que o mundo exterior representa.
A existência de ateliers no interior da instituição mantém a situação de internisma. Os educandas desconhecem a experiência da autonomia, são apenas objectos passivas da ocupação que a Instituição lhes impõe.
C. 0 isolamento é aqui menos visível. Ele existirá, no entanto, se não houver educadores capazes de criar um clima de afectividade e autonomia, enquanto a imagem da criança e da família forem desvalorizadas e a Instituição guardar o seu cariz caritativo. A criança e o jovem terão dificuldades em se integrar nos grupos exteriores, mantendo uma atitude de auto-marginalização por interiorização de uma situação de inferioridade, que lhes é reenviada pelo cenário que a
Internato representa e a sociedade aceita.
Característica comum destas instituições, apesar dos seus diferentes graus de isolamento, é a ausência de mixidade, tanto a nível do pessoal como dos educandos. 0 seu crescimento faz-se assim num quadra artificial e alienante em que papeis sociais diferentes são uniformizados num modelo de vida aposto àquele em que são supostas vir a integrar-se.
4.7 Contactos com a família
Um mito comum que envolve os Internatos é o que leva a pensar que
"as crianças devem estar ao abrigo das más influências dos pais"
(TOKKIEVICZ, 1984, p.15). Já em 1978, a grupo de trabalho sobre internatos (Semana de Estudos, referida no CAP.IV) levantara a questão
dos "problemas consequentes dos fins de semana e férias em famílias
- 134 -
extremamente perturbadas", surgindo a par destes a constatação de que "em muitas casos, os internatos não têm qualquer contacto com as famílias", "a incapacidade para se evitar a rejeição das jovens por parte das famílias" e ainda o facto de que "as famílias aparecem nalguns casas aos 17-18 anos dos jovens para os explorarem ou desviarem" (p. 4/5).
São questões que têm pertinência numa perspectiva parcelar. São também questões que se mantêm e manterão coerentes com uma Pedagogia da Separação. Elas relacionam-se com _ o afastamento geográfico das
Instituições, relativamente ao meio de origem da criança, com a visão desvalorizadora e culpabilizante das famílias, com a ausência de apoio à família, com a organização formal auto-suficiente do Internato, etc.
Discurso parcelar, discursa ambivalente. Foram os pais que
"deixaram a .^encomenda", são eles que "não visitam os filhos", "não os vêm buscar nos fins de semana e nas férias", mas são também eles que
" lhes dão maus hábitos", "não os alimentam suficientemente", "não têm
regras em casa". Diz-se ainda relativamente a algumas crianças "é demasiado mimada, a mãe vem vê-la todos os fins de semana..."
Para além da distância geográfica, há outras formas de diminuir as relações com a família. Basta, para isso, que não se prevejam horários de visita, ou que estes sejam reduzidos a períodos curtos, não se coadunando com os horários de trabalhos dos familiares. Outra situação - a que pudemos assistir - é a da presença, no espaço destinado a receber os pais, de um elemento da Instituição que se encarregue de preencher o tempo previsto com comentários sobre o comportamento da criança e com críticas, mais ou menos veladas, à forma como a família a educou. Fugindo a um ambiente carregado de queixas e de culpabilidade, crianças e pais preferem a ida a casa nos fins de semana e férias, mesmo que de forma irregular.
A " má influência das fami lias" é então posta em evidência : elas são "perturbadas", daí que as crianças regressem "muito piores", "mal
comportadas", "rebeldes", , etc.
De facto - qualquer que seja o ambiente familiar - o normal, na situação anormal de internamento, é que as crianças apresentem sintomas de perturbação,
Supondo, na melhor das hipóteses,' que a família enviou a criança ou adolescente para o internato, a fim de que prosseguisse os seus
estudos, o contraste entre as dais tipas de vida e a saudade seriam suficientes para explicar tais sintomas.
Aceitando a noção de "família perturbada" - na realidade excessivamente lata - podemos pôr-nos a questão de saber o que foi feito relativamente a ela para a ajudar a mudar. A diferença -entre uma perspectiva de internamento, efectivamente temporário, e a de um internamento "sine die", verifica-se, não só relativamente a um projecto de futura da criança, como nas formas de actuação junto da família, a fim de superar as causas que levaram àquela situação.
Por outro lado, as férias com a família são o reencontro com valores e costumes não aceites, subestimadas ou ignorados pelo
Internato. São também a certeza de que os esperam - de que não deixaram de existir - num espaço que lhes pertence (por reduzida que seja) e a que pertencem. Os sentimentos ambivalentes renovam-se. As suas fantasias de abandono, mais ou menos próximas da realidade (e o que é a sua realidade senão aquela que constroem com as suas experiências, fantasias e desejas?) confrontam-se com as dificuldades familiares. A criança que durante as férias vê vedada a possibilidade de chamar mãe à própria mãe, apenas porque esta escondeu ao marido, a existência de um filho ao casar-se, sofre não só uma humilhação, como se sente culpada de existir
(ela é a "prava da culpa" da mãe). Mas, este sofrimento pode-se tornar suportável pela cumplicidade, pela partilha de um segredo com a mãe. As situações são pois, complexas e uma visão moralista e simplista não encontra formas correctas de compreender e ajudar a criança no seu regresso à Instituição. Será difícil voltar a mantê-la calada à mesa, re-habituá-la aos horários rígidas. Haverá de novo surtos de enurese, acessos de mau humor e agressividade, choros "sem razão". Coma defender-se da angústia envolvente do círculo vicioso em que se vive, senão à custa de sintomas, sejam eles somáticas ou comportamentais?
Compete à Instituição criar um clima compreensivo para estas reacções naturais e minorar as suas razões :
mantendo tanto quanto possível a relação com a família, proporcionando visitas mútuas (para o que é necessário que esteja geograficamente próxima e permita uma relação autêntica); respeitando a intimidade dos contactos telefónicos e da correspondência; permitindo à criança que guarde os seus objectos pessoais (que não são apenas as
- 136 - roupas e brinquedos, mas também as fotografias, as pequenas recordações que se trazem de casa); permitir-lhes que falem da família e de sua casa, como de algo de bom, de que se tem saudade, sem que por isso a pessoal deva sentir-se em competição ou temer que se siga a "vida de pecado" dos pais; aceitar ainda, que ela exprima as suas queixas, para melhor a ajudar a entender as suas dificuldades;
- criando condições de intimidade e convivência, tanto na Instituição como em contacto com o meio;
- respeitando os seus ritmos e costumes do mesmo modo que se quer que ela respeite os do grupo em que vive;
- e, sobretudo, preparando desde o dia de entrada na Instituição o momento da partida; apoiando a família, para um regresso tão rápido quanto possível; sem prevenções contra o meio, mas permitindo-lhe construir um projecto de futuro, a partir de aspirações a que tem direita.