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4 RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL (RSE)

4.3 RSE no Brasil e os líderes no movimento

4.3.2 Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social

Criado em 1998, idealizado por empresários e executivos oriundos do setor privado em São Paulo, o Instituto Ethos é um pólo de organização de conhecimento, troca de experiências e desenvolvimento de ferramentas que auxiliam empresas a analisar suas práticas de gestão e aprofundar seus compromissos com a responsabilidade corporativa44. É considerado uma referência internacional no assunto e desenvolve projetos em parceria com diversas entidades no mundo todo, como o Business for Social Responsibility (BSR), Kellog Foundation e International Business Leaders Forum.

Para ter-se uma dimensão da importância do Instituto Ethos para a institucionalização da RSE no Brasil, ele foi constituído no ano de 1998 por apenas onze empresas/empresários. Em 1999, já eram 143 adeptos; em 2000, 287; em 2001, 420; em 2002, 623; em 2003, 753; e, em 2004, 926, de acordo com informações obtidas no I Seminário sobre Responsabilidade Social Corporativa, no Rio de Janeiro (SEMINARIO, 2004b). Em 02.02.2005, eram 984 empresas associadas – empresas de diferentes setores e portes – que têm faturamento anual

44 O Instituto Ethos trabalha em cinco linhas de atuação: 1. ampliação do movimento de responsabilidade social

empresarial (sensibilização e engajamento de empresas em todo o Brasil, articulação de parcerias, sensibilização da mídia para o tema da RSE, coordenação da criação do comitê brasileiro do Global Compact etc.); 2. aprofundamento de práticas em RSE (Indicadores Ethos de RSE – incluindo versões para micro e pequenas empresas e alguns setores da economia –, Conferência Nacional anual para mais de 1 mil participantes, constituição de redes de interesse, promoção da publicação de balanços sociais e de sustentabilidade, produção de publicações e manuais práticos); 3. influência sobre mercados e seus atores mais importantes no sentido de criar um ambiente favorável à prática da RSE (desenvolvimento de critérios de investimentos socialmente responsáveis com fundos de pensão no Brasil, desenvolvimento de programa de políticas públicas e RSE, participação em diversos conselhos governamentais para discussão da agenda pública brasileira). 4. Articulação do movimento de RSE com políticas públicas: 4.a) desenvolvimento de políticas para promover a RSE e desenvolver marcos legais; 4.b) promoção da participação das empresas na pauta de políticas públicas do Instituto Ethos; 4.c) fomento à participação das empresas no controle da sociedade, por meio de acompanhamento e cobrança das responsabilidades legais, transparência governamental e conduta ética; 4.d) divulgação da RSE em espaços públicos e eventos; 4.e) estruturação de processos de consulta a membros e parceiros da companhia.5. Produção de informação (pesquisa anual Empresas e Responsabilidade Social – Percepção e Tendências do Consumidor, produção e divulgação de conteúdo e um site de referência sobre o tema na Internet, coleta e divulgação de dados e casos das empresas, promoção do intercâmbio com entidades internacionais líderes no tema da responsabilidade social).

correspondente à cerca de 30% do PIB brasileiro e empregam cerca de um milhão de pessoas. Entre as dez maiores empresas associadas figuram, sob o ponto de vista da pesquisa: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Banco Itaú. Ainda, outros associados referentes ao Campo das Organizações Bancárias são: Banco Rural, Tribanco, ABN Amro Real, Banco Fibra, HSBC, JP Morgan Chase, Banco Panamericano, Banco Safra, Banespa Santander, Banco Votorantim, BankBoston, entre outros (ETHOS, 2005b). A grande participação de bancos no Instituto Ethos sinaliza a inserção do Campo das Organizações Bancárias no movimento pela RSE no Brasil, o que será confirmado nos capítulos subseqüentes.

O Instituto Ethos tem a missão de mobilizar, sensibilizar e ajudar empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável, de modo a torná-las parceiras na construção de uma sociedade sustentável e justa, sensibilizando e mobilizando esta classe, numa perspectiva local e global, a fim de assumir a promoção do desenvolvimento econômico com responsabilidade social45 (ETHOS, 2005).

Entre outras iniciativas, em 1999, o Instituto Ethos lançou a “Cartilha Primeiros Passos”, que foi o balizador para muitas empresas iniciarem sua inserção na discussão. Em 2001, criou a Rede Ethos de Jornalistas, destinada a capacitá-los na área. Em 2004, já eram mais de 400 profissionais da mídia cadastrados. Esta ação evidencia a preocupação do Instituto Ethos com a disseminação na mídia do tema RSE, mobilizando a opinião pública, então, para a questão. Entendemos que, como líderes no movimento, assim agem em busca de legitimidade, para si e para o movimento, e como uma forma de disseminá-lo, buscando o apoio da sociedade.

Em 2002, lançaram os Indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial, já em sua quinta versão, amplamente utilizado pelas empresas nacionais – o que será ratificado na pesquisa de campo e evidenciado nos próximos capítulos, em relação ao Campo das Organizações Bancárias. Os indicadores têm como característica principal o interesse em estabelecer padrões éticos de relacionamento com funcionários, clientes, fornecedores, comunidade, acionistas, poder público e com o meio ambiente. Posteriormente, estes

45 Para o Instituto Ehtos, a RSE é mais do que, simplesmente, atitudes filantrópicas: é ver a empresa como agente

de uma nova cultura empresarial e de mudança social, com Ética/princípios de valores adotados, como Geração de Valor para todos, e como uma atitude estratégica, não apenas postura legal ou filantrópica. Segundo o Instituto Ethos, a RSE pode gerar enriquecimento do ambiente de trabalho, reconhecimento do consumidor, valorização da imagem institucional, visibilidade na mídia, acesso a capitais e mercados, atração e retenção de talentos, melhor gestão sobre os riscos e, por fim, criação de “boa vontade” (ETHOS, 2005b).

indicadores foram desenvolvidos também para setores específicos, como é o caso do setor financeiro, como também se verá.

Ainda, o Instituto Ethos realiza todo ano o Prêmio Ethos-Valor46, voltado à comunidade acadêmica; o Prêmio Ethos de Jornalismo47, dirigido a jornalistas; e o Prêmio Balanço Social48, para empresas. Enfim, o Instituto Ethos representa um esforço de mobilização de vários atores sociais em direção à RSE, visando sua reprodução. Conseguem, então, em grande medida, que o conceito – sua forma de entender a RSE – seja disseminado em todo o meio empresarial brasileiro. Além disto, com todos esses processos, a sociedade também passa a conhecer, envolver-se, reproduzir o discurso e exigir esse posicionamento socialmente responsável das empresas. O Instituto Ethos, portanto, é líder na institucionalização da prática social no Brasil, de acordo com o referencial teórico.