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CAPÍTULO 2 METODOLOGIA DE PESQUISA

2.4 Instrumentos e procedimentos de geração de dados

Nesta subseção, serão apresentados e descritos os instrumentos de pesquisa e os procedimentos empregados na geração de dados de acordo com os objetivos do trabalho e os pressupostos teóricos em que se baseia esta investigação.

Para a visualização geral dos instrumentos de pesquisa que serão apresentados, exponho o seguinte quadro, o qual é constituído pela data em que os instrumentos foram aplicados e o objetivo do seu uso:

Quadro 9: Instrumentos de pesquisa

Instrumento Data Objetivo

Questionário 27/02/2012 a

03/03/2012

Levantar características gerais dos participantes, principalmente, em relação ao uso de novas tecnologias.

Fórum on-line 12/03/2012 a

25/11/2012

Acompanhar o desenvolvimento de conceitos pelos participantes relacionados ao uso de TIC no ensino de línguas.

Observação das aulas de regência

18/08/2012 a 01/12/2012

Obter outra perspectiva sobre o que era realizado no estágio de LE.

Sessões de reflexão 22/08/2012 a 04/12/2012

Permitir que os participantes refletissem sobre a aula observada.

Relatório final 23/11/2012 e 25/03/2013

Levantar os planejamentos de aula dos participantes e suas reflexões sobre o estágio.

Diário de pesquisadora 02/2012 a 04/2013

Organizar as percepções e reflexões da professora-pesquisadora ao longo da coleta. Entrevista com os participantes 15/03/2013 a 15/04/2013

Levantar as percepções dos participantes sobre a disciplina em questão e suas concepções iniciais e finais sobre o uso de novas tecnologias. Questionários para os alunos do estágio de regência 03/2013 a 04/2013

Obter a visão dos alunos sobre as aulas regidas pelos participantes.

Entrevista com os coordenadores dos contextos de estágio

10/2013 a 12/2013

Obter a visão dos coordenadores sobre as aulas regidas pelos participantes. Autobiografia 09/2014 Obter informações sobre a história de

aprendizagem de inglês das participantes.

2.4.1 Questionário

Questionários são conhecidos como uma das maneiras mais populares de coletar informações. De acordo com Munn e Drever (1990), existem quatro vantagens em usá- los na pesquisa qualitativa: uso eficaz de tempo, anonimato, possibilidade de uma alta taxa de retorno e perguntas padronizadas. Os autores também apontam limitações, tais como informações descritivas, não explicativas e superficiais. Ainda que eu tenha percebido essas limitações nas respostas de alguns questionários, acredito que o uso dos demais instrumentos de pesquisa possibilitou que essas informações fossem completadas em outros momentos e dúvidas fossem sanadas.

Dessa maneira, o questionário com perguntas abertas e fechadas (Anexo 4) foi aplicado no início da disciplina Estágio Interdisciplinar III e foi caracterizado como a primeira atividade a ser desenvolvida pelos professores em formação. O objetivo desse instrumento de pesquisa era obter informações gerais sobre todos os participantes, principalmente, no que se refere ao uso de TIC, o que ajudaria a guiar o desenho da disciplina que seria oferecida.

Devido ao contexto virtual da disciplina, a professora-pesquisadora optou por aplicar o questionário por meio de um site na internet36, o qual foi selecionado, após uma busca com o uso da ferramenta de pesquisa Google por ser de fácil utilização pelo usuário. Desse modo, o link para o questionário foi enviado aos professores em formação na primeira postagem feita pela professora-pesquisadora. Eles deveriam acessar esse link e responder ao questionário dentro do prazo de uma semana. Dos 24 alunos do grupo, 20 responderam ao questionário e se tornaram participantes da pesquisa.

2.4.2 Fórum on-line

Como já explicado anteriormente, a área da disciplina a distância em questão não disponibilizava nenhuma ferramenta que possibilitasse a interação assíncrona entre professor e professores em formação. A única ferramenta de interação era um chat que

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nunca havia sido utilizado. Por essa razão, foi feito uso de um fórum on-line para que os textos e atividades abordados durante as aulas pudessem ser discutidos.

Posteriormente, embora tenha sido percebido que as discussões no fórum eram superficiais e o número de participações de alguns professores em formação era baixo, visto que consideraram esse uso como mais uma tarefa extra da disciplina e reclamaram do volume de trabalho, essa ferramenta foi utilizada como instrumento de pesquisa ao ser notada a necessidade de acompanhar não apenas a construção de conceitos relacionados ao uso de TIC no ensino e aprendizagem de línguas ao longo das discussões para que depois eles pudessem ser relacionados ao modo como as TIC foram utilizadas no estágio, mas também o modo como as discussões se desenvolveram e o papel da professora-pesquisadora na mediação das discussões.

Ao todo, oito fóruns foram realizados ao longo da disciplina (os temas de cada fórum estão no Anexo 3), os quais estavam relacionados à discussão de textos ou à produção de atividades sobre web 2.0. As postagens eram feitas pela professora- pesquisadora e incluíam orientações sobre as discussões. Todas as interações foram armazenadas pelo site do fórum e, por fim, foram salvas em formato .doc para que pudessem ser posteriormente analisadas.

2.4.3 Observação das aulas

Embora a ideia inicial tenha sido fazer gravações em vídeo das aulas do estágio de LE das participantes focais da pesquisa a fim de evitar que a presença da professora- pesquisadora influenciasse o andamento da aula, optei por observar as aulas das participantes focais, visto que, como todas elas trabalharam com crianças e adolescentes, seria muito difícil obter autorização de todos os pais responsáveis para realizar as filmagens, o que poderia, inclusive, atrasar o planejamento das aulas. Estou atenta, no entanto, para o fato da observação ser multifacetada, visto que a realidade é construída e interpretada de modos diferentes por pessoas diferentes (MCDONOUGH; MCDONOUGH, 1997).

O objetivo da observação das aulas, então, era obter outra perspectiva sobre o que os participantes realizavam durante o estágio no que concerne ao uso das TIC. A professora-pesquisadora, após autorização dos participantes, chegava por volta de 10 minutos antes do início da aula e sentava-se em uma das cadeiras ou carteiras no canto e

no fundo da sala para não chamar atenção. Para saciar a curiosidade dos alunos, a professora-pesquisadora era apresentada como uma professora da faculdade que estava realizando um trabalho. Apesar de não ter gravado as aulas ou feito anotações durante o seu desenvolvimento, a professora-pesquisadora fazia um relato sobre a aula, logo após sua finalização, no diário de pesquisadora.

Aqui cabe ressaltar que essas ações foram seguidas com o intuito de evitar o “paradoxo do observador” e manter a rotina de sala de aula a mais natural possível, já que, por mais discreto que se tente ser, o pesquisador em sala de aula é considerado um “intruso”, que não deve, contudo, interferir na validade dos dados (ALLWRIGHT; BAILEY, 1991; DÖRNYEI, 2007). Por outro lado, é sabido que pesquisas que envolvam a presença do pesquisador em sala de aula vêm sendo realizadas há anos e têm se mostrado de extrema importância e não causadora de problemas, principalmente, depois de superado o período inicial de reconhecimento das razões para o trabalho. Esse foi o caso da presente pesquisa.

Ademais, três aulas de cada participante focal deveriam ser observadas durante o estágio de inglês: uma no início (terceira ou quarta aula), uma na metade e uma no final (penúltima ou última aula). Contudo, apenas a participante Beatriz teve as três aulas observadas assim como havia sido planejado, uma vez que Isabela não conseguiu realizar a última aula por conta da falta de participação dos alunos e, assim, teve duas aulas observadas. Já Camila realizou o estágio sem avisar previamente a professora- pesquisadora e, por isso, não teve nenhuma aula observada.

2.4.4 Sessão de reflexão

A sessão de reflexão (Anexo 5) relaciona-se à aula observada pela professora- pesquisadora e era realizada alguns dias após a observação para que as participantes focais tivessem tempo de organizar suas considerações sobre a aula. O objetivo desse instrumento era possibilitar que o participante da pesquisa refletisse sobre a aula realizada no que concerne ao uso de TIC, permitindo que explicasse suas escolhas em relação a esse uso, levantasse aspectos positivos e negativos desse uso naquela aula e avaliasse a aula a partir do uso da tecnologia e de um modo geral.

Dessa maneira, alguns dias após a observação da aula, a professora-pesquisadora e as participantes encontravam-se em uma sala da faculdade em questão, em horário

estabelecido pelos dois. A sessão de reflexão durava, em média, 40 minutos e foi gravada em áudio com consentimento das participantes e posteriormente transcrita para facilitar a análise dos dados.

Como essas sessões relacionam-se às aulas observadas, cada participante deveria realizar três sessões de reflexão. Contudo, apenas Beatriz fez todas as sessões planejadas, já que foi a única participante que teve três aulas observadas. Isabela teve o número de sessões de reflexão reduzido e correspondente às aulas observadas, ou seja, fez duas sessões de reflexão, pois teve duas aulas observadas. Camila não fez nenhuma sessão de reflexão, já que não teve nenhuma aula observada.

2.4.5 Relatório final

O relatório final deve ser entregue por todos os professores em formação no final do ano, após a realização do estágio interdisciplinar, e faz parte da nota do último bimestre da disciplina Estágio Interdisciplinar.

Esse relatório é composto por cinco documentos, a saber, ficha de identificação do aluno, carta de aceite, ficha de frequência, atestado final e projeto de ação pedagógica, além de uma reflexão geral sobre as aulas. No início da disciplina Estágio Interdisciplinar III, a professora-pesquisadora exigiu ainda que o relatório apresentasse o plano de aula de cada aula planejada e uma reflexão sobre cada uma dessas aulas, além da reflexão geral sobre o estágio.

O objetivo da utilização do relatório final como instrumento de geração de dados é levantar o que foi planejado pelos participantes para cada aula por meio dos planos de aula e analisar suas reflexões principalmente sobre o uso das TIC. Cabe ressaltar que os participantes foram orientados a escrever suas reflexões logo após o término da aula para que não se esquecessem de nenhum detalhe.

A data para entrega dos relatórios foi estipulada pela professora-pesquisadora e todos os participantes da pesquisa entregaram-no dentro do prazo estabelecido. Os relatórios foram, então, xerocados para posterior análise, corrigidos e entregues para a coordenação do curso para que fossem arquivados, como é de praxe na instituição.

2.4.6 Diário da pesquisadora

O diário de pesquisadora foi utilizado como instrumento de geração de dados com o intuito de organizar as percepções e reflexões da professora-pesquisadora ao longo da geração, possibilitando que fossem analisadas posteriormente (WALLACE, 1998; BURNS, 1999). O ato de escrever, para McDonough e McDonough (1997), é uma maneira de reestruturar, formular e reagir àquela experiência que depois fica disponível para reflexão e análise.

Desse modo, o diário foi escrito semanalmente e dividido por datas, e incluía as percepções da professora-pesquisadora, os assuntos debatidos com participantes durante conversas informais e as reflexões sobre as aulas observadas.

2.4.7 Entrevista com os participantes

Entrevistas são consideradas um tipo de instrumento de pesquisa versátil e o mais utilizado em pesquisas qualitativas geralmente. Como penúltimo instrumento de geração de dados utilizado com as participantes focais, foi realizada uma entrevista semiestruturada, a qual se caracteriza por apresentar uma lista de questões pré- preparadas que guiam e direcionam o entrevistador ainda que o entrevistado também seja encorajado a desenvolver assuntos que não estavam previstos (DÖRNYEI, 2007).

O objetivo desse instrumento (Anexo 7), então, era levantar suas concepções iniciais, retrospectivamente, e finais sobre o uso de TIC no ensino e aprendizagem de línguas, assim como suas percepções sobre a disciplina Estágio Interdisciplinar III e sua relação com o estágio de LE. Além disso, a entrevista visava abordar a visão das participantes focais em relação às tecnologias utilizadas, ou não, por elas nas aulas do estágio e, ainda, tirar possíveis dúvidas que pudessem ter surgido durante a análise dos outros instrumentos de pesquisa.

As entrevistas foram realizadas entre março e abril de 2013, em uma sala da faculdade, após agendamento com as participantes. Todas realizaram a entrevista, que tinha duração média de uma hora e foi gravada em áudio, após permissão das participantes, e transcrita para facilitar a análise dos dados.

2.4.8 Questionário para os alunos dos estágios

O uso do questionário (MUNN; DREVER, 1990) para os alunos das aulas regidas pelas participantes focais não havia sido planejado inicialmente, mas foi considerado importante para obter a perspectiva dos envolvidos nas aulas regidas pelas participantes, principalmente, no que concerne ao uso de TIC. A possibilidade de realizar uma entrevista foi cogitada, contudo descartada em razão da dificuldade de se ter acesso aos alunos que participaram das aulas nos diferentes contextos em que os estágios foram realizados.

Assim, um questionário com perguntas abertas e fechadas (Anexo 8) foi elaborado com perguntas que se referiam às tecnologias utilizadas nas aulas e à opinião dos alunos sobre o seu uso em relação à aprendizagem de língua inglesa. Em seguida, eles foram entregues para as participantes para que elas pudessem aplicá-los nos respectivos contextos.

2.4.9 Entrevista com os coordenadores dos contextos dos estágios

O uso da entrevista (Anexo 9) com os coordenadores dos contextos onde as participantes focais realizaram o estágio de LE também não havia sido cogitado inicialmente, mas foi considerado importante para se obter a perspectiva dos coordenadores sobre o andamento das aulas das participantes, o uso de TIC e a orientação aos professores em relação a esse uso.

A entrevista era semi-estruturada (DÖRNYEI, 2007) e foi realizada em outubro, pessoalmente, com o coordenador do contexto de Isabela. Já a entrevista com a coordenadora do contexto de Beatriz foi realizada em dezembro por meio do Skype. Ambos estavam cientes da realização da pesquisa e autorizaram, por escrito, a gravação da entrevista em áudio. As entrevistas duraram, em média, 20 minutos e foram posteriormente transcritas.

Esclareço que não foi realizada a entrevista com o coordenador do contexto onde Camila realizou o estágio, pois a possibilidade de usar os dados dessa participante havia sido descartada em razão dos problemas enfrentados por ela e que comprometeram a realização do estágio e a utilização de alguns instrumentos de pesquisa. Contudo, justamente por conta desses problemas, que caracterizam o contexto de pesquisa desta

investigação, ela foi incluída posteriormente como participante focal embora a entrevista com o coordenador não tivesse sido realizada no período de geração dos dados.

2.4.10 Autobiografia

A autobiografia foi solicitada apenas às participantes focais para que se pudesse obter informações sobre a história de vida dessas participantes no que concerne às suas experiências como alunas de língua inglesa ao longo da educação básica e do ensino superior. Cabe salientar que a autobiografia foi requisitada apenas em setembro de 2014 ao ser percebida a necessidade de compreender melhor o tipo de uso das TIC que as participantes fizeram nas aulas de estágio, o que poderia ser explicado também pelas experiências prévias que tiveram como alunas de LE.

A fim de que elas abarcassem os tópicos esperados em seus textos, foi elaborado um roteiro (Anexo 10) que foi enviado às participantes por e-mail juntamente com uma explicação sobre sua importância. Posteriormente, todas as participantes enviaram, também por e-mail e dentro do prazo estipulado, suas autobiografias.

Lamento, por fim, que todos os instrumentos de pesquisa não tenham sido utilizados com todas as participantes focais como planejado inicialmente, uma vez que eles geram dados importantes que colaboram para alcançar os objetivos desta investigação e responder às perguntas de pesquisa. Entendo, no entanto, que esse é um dos empecilhos da pesquisa qualitativa por depender da colaboração de outros indivíduos e cabe, assim, ao pesquisador lidar com esses contratempos.

Para melhor visualizar os instrumentos de geração de dados utilizados com cada participante focal, apresento o quadro a seguir:

Quadro 10: Instrumentos de coleta de dados com cada participante focal

Instrumento de coleta Isabela Beatriz Camila

Questionário semiaberto para os participantes 9 9 9

Fórum on-line 9 9 9 Observação de aula 2 3 0 Sessão de reflexão 2 3 0 Relatório final 9 9 9 Entrevista Semiestruturada 9 9 9

Questionário semiaberto para os alunos 9 9 9

Entrevista semiestruturada com os coordenadores

9 9 0

Autobiografia 9 9 9