2.3 A Teoria das Forças Competitivas de Porter
2.3.2 Intensidade da rivalidade entre os concorrentes
A rivalidade entre os concorrentes pode ser benéfica ao mercado, uma vez que as empresas são forçadas a desenvolver novos produtos ou serviços para se diferenciar dos concorrentes. Essa ação beneficia todos os envolvidos no setor, estabelecendo um cenário ideal para o desenvolvimento e aperfeiçoamento do mercado.
Pode, entretanto, ser maléfica quando os concorrentes disputam fatias do mercado, utilizando o critério “fator preço final”. Essa redução dos preços pressiona o setor como um todo, levando todas as empresas atuantes a enfrentar problemas financeiros. Isso contribui para a baixa rentabilidade imposta pelos baixos preços. Essa disputa representa não somente uma posição no mercado, mas a sobrevivência no setor. Ações desse tipo costumam empregar a tática da concorrência de preços ou batalhas e estratégias de marketing. De tais ações de competitividade entre as
empresas resulta a diminuição de preços, impactando assim as margens de lucro e a rentabilidade das empresas.
Essa rivalidade é consequência da interação de vários fatores estruturais, a exemplo de concorrentes numerosos ou bem equilibrados; crescimento lento do setor; custos fixos ou de armazenagem altos; ausência de diferenciação ou custo de mudança; capacidade aumentada em grandes incrementos; concorrentes divergentes; grandes interesses estratégicos; barreiras de saídas elevadas, que serão detalhados a seguir:
Concorrentes numerosos ou bem equilibrados: No cenário com vários concorrentes, a probabilidade de desarmonia entre os participantes é intensa em função da grande competitividade, o que demanda das empresas a capacidade de grandes investimentos. Quando, pelo contrário o cenário é de poucos concorrentes, cria-se a instabilidade no setor, com as empresas competindo diretamente entre si e gerando retaliações negativas. Um terceiro cenário é o mercado dominado por uma empresa líder, que impõe disciplina ao setor, coordenando os preços do mercado e direcionado as demais empresas a seguir a essa tendência.
Crescimento lento do setor: Essa situação gera uma concorrência desesperadora no setor pela participação no mercado. A concorrência torna- se tensa e instável, visto que a maioria das empresas acredita que a expansão é uma forma de manter-se firma e estável no mercado.
Custos fixos ou de armazenagem altos: Os custos fixos e os altos custos de armazenagem exercem fortes pressões nas empresas. Devido à necessidade de obter ganho de escala, essa coerção exige que se produza em excesso, gerando mercadoria excedente e, por decorrência, queda no preço dos produtos em virtude do excesso de oferta.
Ausência de diferenciação ou custo de mudança: Para este quesito, o comprador baseia-se na necessidade. Se for um artigo de necessidade básica, o primeiro critério considerado pelo comprador é quase sempre o fator preço, resultado de um mercado intensamente competitivo e pressionado pelo
preço final. Considerando as necessidades secundárias, a diferenciação é primordial para que as empresas se tornem únicas, já que o intuito central é fidelizar os clientes, mantendo uma relação cliente-empresa. Para os concorrentes romperem essa barreira, são necessários investimentos altos no custo da mudança.
Capacidade aumentada em grandes incrementos: Quando as economias de escala determinam que a capacidade deve ser aumentada em grandes incrementos, os acréscimos de capacidade podem romper cronicamente o equilíbrio de oferta/procura do setor, particularmente há um risco de os acréscimos de capacidade serem excessivos.
Concorrentes divergentes: Essa situação de divergência surge quando os concorrentes estão em desacordo sobre as “regras do jogo”. As empresas divergem quanto às estratégias e objetivos, visto que tais escolhas são distintas e adequadas para cada uma. Entretanto, a definição das regras não poderá resultar em cartel, porque os concorrentes estarão delimitando os pontos críticos a todos do setor.
Grandes interesses estratégicos: A rivalidade criada pelos interesses estratégicos pode ficar ainda mais instável caso alguma empresa tenha interesses em jogo, com o propósito único de obter sucesso. Esses interesses individuais de certas empresas podem superar os interesses coletivos do setor, gerando problemas estruturais para todos os atuantes. Isso acontece de praxe com empresas globais que buscam participação no mercado, desestabilizando o setor e não se importando em sacrificar a lucratividade de forma a satisfazer seus interesses estratégicos.
Barreiras de saídas elevadas: Barreiras de saídas são fatores econômicos, estratégicos e emocionais que mantêm as companhias competindo em atividades a despeito dos retornos baixo ou mesmo negativos para seus investimentos. As principais fontes de barreiras de saída são:
Ativos especializados: compostos por máquinas e equipamentos específicos de determinada atividade ou localização. Geralmente, têm baixos valores de liquidação ou alto custos de transferência / conversão dos proprietários para outros setores, o que lhe tira o atrativo comercial.
Custos fixos de saída: além dos ativos especializados, incluem ainda os acordos sindicais, dentre eles os trabalhistas, que forçam a permanência da empresa em determinado setor. Os custos de restabelecimento de operação também são altos, se a empresa tiver a reduzir o volume de escala, uma vez que se perde a competitividade.
Inter-relação estratégica: é a inter-relação entre as unidades de negócios das empresas em termos de imagem representativa da empresa ao mercado, capacidade produtiva com o ganho de escala, acesso ao mercado financeiro para capturar recursos e ainda instalações compartilhadas com as unidades de negócios. Desse modo, fica estabelecida a compreensão e aceitação do negócio.
Barreiras emocionais: essencialmente, é a resistência da administração em aceitar a decisão abandonar um negócio apesar dos resultados econômico-financeiros abaixo do esperado. Situação causada pelo sentimento de orgulho, pela identificação com a atividade exercida, além da lealdade com os empregados, ou ainda pelo receio quanto à própria carreira profissional.
Restrições de ordem governamental e social: incluem os interesses governamentais, porque a saída de uma empresa desencadeia o desemprego, provocando efeitos econômicos regionais. Outro ponto de interesse governamental são as negativas ou o desencorajamento limitando as barreiras de saídas.
Quando as empresas se deparam com barreiras de saída altas se encontram em batalhas competitivas altas, a última alternativa será desistir. Ao invés disso o
costumeiro é recorrer a táticas extremas. Portanto, todo o setor sofrerá com a redução constante da rentabilidade. O cenário ideal para um setor, considerando o quesito lucratividade, é o que apresenta altas barreiras de entradas e baixas barreiras de saídas. Neste cenário, os novos entrantes enfrentariam dificuldades de entrada e as empresas com resultados insatisfatórios deixariam o setor, sem prejudicar o mercado como um todo.