Para além das transposições e da expansão dos perímetros irrigados existem outros
investimentos, programas e planos, em curso e previstos, com potencial impacto na quantidade de água e usos múltiplos, notadamente:
1. Planos Diretores de Agricultura Irrigada: A elaboração e implantação dos Planos Diretores de Agricultura Irrigada, que têm recebido incentivos do MI para a sua elaboração, com financiamento do PAC;
2. Perímetros Públicos de Irrigação: Os investimentos da CODEVASF em projetos de intervenções para economia da água em perímetros de irrigação;
3. Programa Produtor de Água: O incremento e a ampliação do Programa Produtor de Água da ANA, propondo e estimulando o desenvolvimento de outras iniciativas que incentivem o pagamento por serviços ambientais no meio rural;
4. Programas da EMBRAPA: As propostas de ações de curto e médio prazo da EMBRAPA, como os programas de capacitação para gestão integrada e sustentável da água no meio rural e a implantação de tecnologias de adequação de propriedades para captação de água das chuvas, recarga de lençóis freáticos e revitalização de mananciais e riachos.
5. Plano Decenal de Expansão de Energia 2023: O Plano Decenal de Expansão de Energia 2023, que prevê uma ligeira diversificação da matriz energética proporcionada pela expansão prevista de potência gerada a partir de biomassa e eólica entre 2015 e 2018, em particular no Médio, Submédio e Baixo SF e o fato da Região Nordeste ter a maior participação na expansão de fontes renováveis de geração até 2023 (MME/EPE, 2014).
Os projetos hidroelétricos que compõem o parque gerador no decênio que encerra em 2023 não incluem novos projetos hidrelétricos a serem viabilizados de 2019 a 2023 na bacia do São Francisco.
Encontram-se, contudo, planejadas novas pequenas centrais hidroelétricas (PCH), mantendo-se a possibilidade de aproveitamento de potencial hidrelétrico ainda por explorar na bacia;
6. Plano Nacional de Mineração 2030: O Plano Nacional de Mineração 2030 (MME, 2010), que prevê, entre outras, medidas de apoio e incentivo à utilização mais eficiente dos recursos hídricos nos processos produtivos, incluindo o tratamento de efluentes e o aumento da recirculação da água, com levantamentos periódicos sobre o uso de água na indústria mineral.
O Plano prevê ainda a promoção de inventário sobre minas abandonadas, objetivando criar um programa nacional para as áreas impactadas, bem como o apoio a medidas de acompanhamento, fiscalização e controle de barragens da mineração.
Acresce ainda que desde 2005 encontram-se estabelecidas diretrizes para a elaboração do Plano de Utilização da Água na Mineração, que visa subsidiar a autoridade outorgante na análise do pedido de outorga de direito de uso de recursos hídricos para empreendimentos de mineração.
7. Estudos do PERH/MG: No contexto dos estudos do Plano Estadual dos Recursos Hídricos de Minas Gerais (vol. 4), foram apresentados estudos desenvolvidos pela CODEVASF que pretendem implantar um conjunto de cinco barragens em território mineiro (uma no rio das Velhas, três no rio Paracatu e uma no rio Urucuia), com o objetivo de aumentar a garantia e elevar as vazões a serem potencialmente transpostas no âmbito do Projeto de Integração do Rio São Francisco.
O conjunto de barramentos tem capacidade de regularizar cerca de 1.200 m3/s, com a intenção de este incremento de disponibilidade não ser objeto de outorgas para usos consuntivos de recursos hídricos, uma vez que o objetivo é, substancialmente, elevar as disponibilidades para a transposição de águas via Eixo Norte, rumo aos Estados de Pernambuco, Paraíba e Ceará.
O Comitê do rio das Velhas, já se manifestou, no âmbito do CERH/MG, contrariamente à obra, apontando problemas, sociais, técnicos e ambientais; condição muito semelhante pode ser esperada para as demais barragens, principalmente no Paracatu, uma vez que as obras alagam áreas férteis, ainda com baixo nível de exploração agrícola (ECOPLAN/SKILL, 2015).
8. Outros: Investimentos, planos e programas que poderão contribuir para a promoção de um uso mais racional da água na agricultura:
Há que considerar ainda o investimento na melhoria do conhecimento hidrogeológico da bacia do São Francisco.
Já o Plano de Recursos Hídricos do Rio São Francisco 2004-2013 realçava a importância do conhecimento científico dos principais aquíferos para garantir a utilização sustentável e a proteção de um recurso estratégico.
Para tanto, destacava a melhoria do conhecimento dos aquíferos sedimentares isolados do Submédio São Francisco e a formulação de diretrizes para o gerenciamento integrado do uso e proteção dos recursos hídricos subterrâneos dos aquíferos Bambuí e Urucuia.
Refira-se ainda a individualização e sistematização dos 44 sistemas aquíferos da bacia apresentados no Mapa Hidrogeológico do Brasil ao Milionésimo, publicado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM, 2014), e a compilação do vasto conjunto de
O Programa Nacional de Águas Subterrâneas, em particular, o Subprograma VIII. 1 – Ampliação do Conhecimento Hidrogeológico tem como um dos seus objetivos a promoção da caracterização básica de sistemas aquíferos interestaduais, incluindo a determinação de balanços hídricos regionais, parâmetros hidrogeológicos, definição das reservas, modelos de fluxo, áreas de recarga e descarga, visando subsidiar o gerenciamento integrado das águas.
Também os Planos Estaduais e Diretores de Recursos Hídricos, ou a atividade desenvolvida pela ANA e pelos Estados abrangidos pela bacia hidrográfica, consideram as questões relativas à quantidade da água subterrânea como de particular relevância, e têm previsto(a)s vário(a)s programas/medidas/ações/projetos com o objetivo de aprofundar o conhecimento hidrogeológico, mas também proteger e garantir o melhor planejamento e gerenciamento de um recurso estratégico.
A “Carta de Petrolina”, de julho de 2011, contempla um conjunto de componentes integradas em intervenções prioritárias para a bacia hidrográfica do rio São Francisco que constituem particular relevância ao nível da quantidade, notadamente, as intervenções previstas para garantir “Água para Todos”.
Ao nível da quantidade prevê-se que, até 2030, se executem intervenções de proteção de áreas de recarga e nascentes, da recomposição das vegetações e matas ciliares e instituir os marcos legais para apoiar financeiramente as boas práticas conservacionistas na bacia hidrográfica.
Refira-se ainda a propósito da preservação do meio hídrico, e em uma perspectiva de gerenciamento integrado dos recursos hídricos, o significativo esforço levado a cabo pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco no tocante às nascentes (Programa Nascentes do CBHSF).
No escopo dos projetos de recuperação hidroambiental que têm sido desenvolvidos em diversas micro ou pequenas sub-bacias têm sido realizadas intervenções destinadas à proteção das nascentes, contribuindo desta forma para aumentar a quantidade e a qualidade da água.