A DGEMN desenvolve, desde 1929, as activi- dades de planeamento e execução das acções de valorização, recuperação e conservação do património arquitectónico classificado. Simul- taneamente cabe-lhe a organização e manu- tenção dos arquivos do património, impor- tante acervo de documentos iconográficos, cartográficos e textuais que resulta do exercí- cio desta actividade.
A preocupação em disponibilizar e divulgar esta documentação está presente desde as pri- meiras intervenções realizadas pela DGEMN, concretizada através da publicação de mono- grafias, os Boletins, que registam a investiga- ção e a documentação preparada para uma in- tervenção.
Implantada ao nível nacional através de servi- ços regionais, a DGEMN mantém, desde o início da sua actividade, um contacto directo e permanente com o património classificado e, complementarmente, o recenseamento siste- mático de situações que carecem vir a ser ob- jecto de protecção legal.
Em virtude de um grande número de imó- veis classificados não disporem de um pro- cesso de classificação adequado, torna-se im- prescindível, aos responsáveis pela recupera- ção, a recolha de documentação e informação elementar que sirva de suporte às interven- ções a realizar.
Paralelamente, assistimos, nas últimas déca- das, a uma evolução nas metodologias da con- servação que cria nos técnicos responsáveis por esta área a necessidade do recurso a estu- dos multidisciplinares que fundamentem os critérios e as soluções a adoptar em cada in- tervenção.
A necessidade de gerir e disponibilizar o enorme manancial de informação e documen- tação associadas à conservação e de o tornar facilmente operacional, torna-se uma exigên- cia com a difusão das novas tecnologias de tratamento informático da informação e da imagem.
O projecto IPA – Inventário do Património Arquitectónico surge, por um lado, da neces- sidade de conhecer para poder intervir, assu- mindo-se como um instrumento de trabalho imprescindível na selecção dos imóveis que anualmente são objecto de obras e no estudo das metodologias a utilizar; por outro lado, da vontade expressa de disponibilizar esse conhe- cimento e de o utilizar por meio de um pro- cesso facilmente acessível.
O IPA assenta num ficheiro informatizado de dados textuais, constituído por registos de 48 campos, complementado com um arquivo de imagens, de documentação gráfica e fotográ- fica, em disco óptico. A pesquisa à base de da- dos pode ser efectuada em qualquer campo ou
particulares; numa terceira fase procede-se ao estudo científico de cada imóvel e à sistemati- zação da informação obtida.
As fichas são periodicamente actualizadas e complementadas pelos técnicos dos serviços regionais responsáveis pela conservação. O IPA é, hoje, um instrumento de trabalho simultaneamente de investigação e de troca de informação, um recurso técnico, adminis- trativo, científico e cultural, indispensável à planificação das acções de salvaguarda do pa- trimónio arquitectónico, destinado quer a profissionais quer a um público mais vasto, entre o qual as universidades ocupam um lu- gar destacado.
É nosso objectivo despertar o gosto de ver, co- nhecer e descobrir a herança patrimonial, na certeza de que, só quando fôr totalmente com- preendida a importância desta herança para a vida quotidiana, surgirão as soluções financei- ras necessárias à sua salvaguarda. !
relacionando os campos entre si. O sistema, para além da possibilidade de utilização rá- pida da informação, permite a consulta e re- produção dos documentos e contribui para a preservação dos originais, reduzindo o manu- seamento a casos de excepção. Desta base de dados, essencialmente técnica e com o objec- tivo primário da intervenção, podem ser selec- cionadas bases de dados menos densas, com utilizações diversas, como é o caso da base de dados de divulgação ao público (ver ficha da página seguinte) ou das bases de dados com fins turísticos, administrativos e outros, neces- sariamente menos complexas, onde o número de campos, quer de investigação quer técni- cos, são substancialmente reduzidos e dirigi- dos ao fim a que se destinam.
A utilização de fichas de recolha de dados im- pôs a normalização de princípios de análise e a compilação de um vocabulário normalizado que garanta a utilização de noções precisas e a uniformidade metodológica do conjunto da informação.
A implementação do IPA está a ser desenvol- vida em três fases. Na primeira fase são reco- lhidas as informações de identificação elemen- tar e a documentação em arquivo; realizada no terreno e em colaboração com as autarquias são confirmadas as informações, fotografados os imóveis e anotadas as suas características
O Inventário do Património Arquitectónico
* Directora de Serviços de Inventário e Divulgação Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais
N.oDE INVENTÁRIO – 090742002 CÓDIGO TIPOLÓGICO – 1.O.b
M O N U M E NTO
DESIGNAÇÃO – Sé da Guarda LOCALIZAÇÃO – Guarda, Guarda, Sé ACESSO – Pr. Luís de Camões
PROTECÇÃO – MN, Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 Junho 1910, ZP, DG 154 de 03 Julho 1953; Dec.
10-01-1907, de 17 Janeiro 1907 GRAU-I
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO – Séc. XIV / XVI (documentada)
ARQUITECTO CONSTRUTOR – Irmãos Pedra e Filipe Henriques (documentado)
AMBIENTE – Urbano, isolado; situado no centro histórico, intra-muralhas, a meia encosta, em espaço principal, estruturador da cidade; fronteiro ao alçado dos “balcões” (edifícios com arcada); adro murado circundando três alçados e acesso através de escadaria de ângulo.
DESCRIÇÃO – Planta composta em cruz latina, 3 naves, transepto saliente, cabeceira tripartida de planta poligonal; cobertura diferenciada em terraço e a 4 águas. Frontespício orientado; 2 torres, pórtico encimado por 2 frestas e óculo. Alçado N.: 5 panos nas naves; transepto, absídiola e abside, contrafortes e arcobotantes; 3 capelas adossadas no l.oregisto e clerestório no 2.o; transepto: pórtico em arco quebrado e janelão em arco trilobado. Alçado E.: 2 panos nos braços do transepto e 3 panos na abside e absídiolas; contrafortes; braço S. do transepto: pórtico em arco quebrado, absídiolas: 3 frestas em arco pleno, abside: 3 frestas em arco que- brado. Alçado S.: 5 panos nas naves; transepto, absídiola e abside, contrafortes e arcobotantes, três capelas adossadas no l.oregisto e clerestório no 2.o, transepto: janelão em arco trilobado. Interior: espaço diferenciado; nave central: clerestório, 5 tramos, 2 anda- res, 1.aarcada longitudinal em arco pleno; 2.oarcos formeiros de volta inteira e arcos torais quebrados, colunas embebidas, pilares cruciformes com colunas adossadas; abóbada de cruzaria de ogivas. Naves laterais cegas; 5 tramos; 1 andar; abóbada de cruzaria de ogivas. Cruzeiro: 4 óculos, pilares cruciformes e fasciculados com colunas torsas adossadas; abóbada estrelada. Transepto: 2 janelões nos topos; 2 andares, 4 tramos, piso intermédio: trifório interrompido no alçado E. do braço S. e N.. Abside: 3 frestas; 2 andares; 2 tramos, 3 arcadas cegas em arco quebrado; retábulo escultórico no altar-mor, arcos torais quebrados; abóbada de cruzaria de ogi- vas com cadeia longitudinal e rematada em 5 panos. Absídiolas: 3 frestas; 1 andar, 1 tramo, arcos torais quebrados, colunas embe- bidas; abóbada de cruzaria de ogivas rematada em 5 panos. Corpos secundários: Capela dos Pinas e Capela dos Ferros, nave lateral N.; cinco capelas laterais no alçado N. e S., sacristia adossada à absídiola N., baptistério e capela sob as torres.
UTILIZAÇÃO INICIAL – Religiosa UTILIZAÇÃOACTUAL – Religiosa, turística PROPRIEDADE – Estado
N.oDE INVENTÁRIO – 0907420 CÓDIGO TIPOLÓGICO – 1.O.b
M O N U M E NTO
DADOS TÉCNICOS – Estrutura autónoma e mista, abóbada de cruzaria de ogivas e abóbada estrelada. MATERIAIS – Granito, cantaria; madeira; betão, aparelho isódomo; revestimento inexistente.
CONSERVAÇÃO: COBERTURA EXTERIOR – Bom COBERTURA INTERIOR – Regular
ESTRUTURA – Regular PAVIMENTOS – Regular
ELEMENTOS SECUNDÁRIOS – Regular DECORAÇÃO – Regular PERIGOS EVENTUAIS –
BIBLIOGRAFIA – CASTRO, José Osório Gama, Diocese e Distrito da Guarda, Porto, 1902; CARVALHEIRA, Rosendo, Me- mória sobre a Catedral da Guarda, Lisboa, 1902-1903; PEREIRA, Ernesto, A Catedral da Guarda e o seu Retábulo, Porto, 1940; CHICÓ, Mário Tavares, A Arquitectura Gótica em Portugal, Lisboa, 1954; DGEMN, Sé Catedral da Guarda, Lisboa, 1957; RODRIGUES, Adriano Vasco, Monografia Artística da Guarda, Guarda, 1980; GOMES, Rita Costa, A Guarda Medieval, 1200- -1500, Lisboa, 1987; ATANÁZIO, Mendes, Para um Estudo Crítico da Catedral da Guarda, Guarda, 1990; MUSEU DA GUARDA, Sé Catedral da Guarda – As Formas no Tempo, Guarda, 1990.
OBSERVAÇÕES -3.ae actual SÉ: iniciada por D. João I e concluída cerca de 1540: sofreu vários acrescentos sucessivos até ao séc. XIX; talvez construída no local da 1.aSé, constituindo as torres elementos desse edifício (M. Atanázio). *1 Precoce preocupação pela unificação espacial: dado manuelino (M. Atanázio).
AUTOR / DATA – Margarida Conceição 1991 REVISOR / DATA – Luís Teixeira 93 AA
DOCUMENTAÇÃO : GRÁFICA – X ADMINISTRATIVA -X
FOTOGRÁFICA – X
CRONOLOGIA – Faseamento (E. Pereira, J. O. G. Castro): 1.o(1390-1396) – alicerces; 2.o(13971426) – abside e absídiolo N., sacristia, pórtico lateral N., levantamento parcial da nave lateral N.; 3.o(1435-1458) – pórtico E., absídiolo S., levantamento par- cial da nave lateral S.; 4.o(1504-1517) – período mais activo das obras, elevação de todo o edifício, torres, pórtico principal, remate das abóbadas e coroamento; 5.o(1530-1540) – lageamento e vedação das plataformas, coro-alto. Acrescentos, séc. XVI – Retábulo do altar-mor; Capela dos Pinas; Capela dos Ferros; séc. XVII – reparações no absídiolo N.; séc. XVIII – abertura de porta lateral de acesso ao coro-alto, cinco capelas laterais; coro de baixo; ampliação do coro-alto; reparações no absídiolo S. e N.; grande órgão; reparação da absídiola N.; púlpitos; abertura de duas janelas nas torres e da tribuna do Bispo; séc. XIX – órgão pequeno; Acres- centos não datados – casa sobre a sacristia acrescentamento de um piso sobre as naves laterais; Casa do Capítulo e do Sacristão; al- teração da empena da fachada principal; modificação do pórtico principal; alteamento do pavimento.
TIPOLOGIA – Arquitectura religiosa, românica, gótica, manuelina. Planta em cruz latina, 3 naves, transepto saliente, abside e 2 absídiolas de planta poligonal; contrafortes e arcobotantes; 5 tramos; 2 andares com clerestório, a cruzaria de ogivas e estrelada. Românico: horizontalidade, arco pleno, cachorrada, contrafortes. Gótico: arco quebrado, clerestório, cruzaria de ogivas, pilares cru- ciformes, decoração. Manuelino: arco trilobado, pilares fasciculados, colunas torsas, abóbada estrelada. Filiações principais atribuí- das: Mendicante; Gótico Flamejante; Batalha; Santa Cruz de Coimbra.
CARACTERÍSTICAS PARTICULARES – Mestres documentados. Pedro Henriques e Filipe Henriques no 1.oquartel séc. XVI. Atribuição do portal O. a Marcos Pires; a Boitaca. Particularidades: torres; contrafortes; cabeceira; conjugação de diferentes estilos; capela-mor e nave central da mesma altura *1
O Plano de Obras para 1994 con- templava 260 estudos e emprei- tadas, 2/3 das quais se encontram já em curso e as restantes em fase administrativa prévia ao seu arranque. Apresentamos algu- mas delas, a título de exemplo.
Direcção Regional dos Edifí- cios e Monumentos do Norte
! Igreja de Santa Maria de Azinhoso, Mogadouro Iniciou-se a primeira fase do pro- cesso de recuperação deste templo ro- mânico, no qual se salienta a grande diversidade de motivos que caracterizam a sua cachorrada. Destacam-se, nesta fase, a execução dos trabalhos de renovação dos te- lhados e consolidação das paredes e contrafortes da capela-mor.
!Igreja Matriz, Vila do Conde Com a colaboração do Laboratório Nacional de Engenharia Civil e a partir de estudos desenvolvidos por Nuno Proença de Almeida, elaborou- -se internamente o projecto de restauro do pórtico manuelino. Prevê-se para breve o início do referido restauro.
Direcção Regional dos Edifí- cios e Monumentos do Centro
! Convento de Santa Maria de Semide, Miranda do Corvo O processo de recuperação e valori- zação da igreja e coro encontra-se em fase de conclusão. Destacam-se, os trabalhos de beneficiação de vãos, de rebocos, de instalação eléctrica e de consolidação de azulejos, este úl-
timo com a colaboração do Museu Nacional do Azulejo.
! Igreja Conventual de Nossa Senhora dos Anjos,
Montemor-o-Velho
Fundado em finais do século XV pelos frades eremitas da Ordem de Santo Agostinho, a igreja encon- tra-se em avançado estado de de- gradação. O projecto de recupera- ção, actualmente numa primeira fase de intervenção, reconstrução e beneficiação das coberturas, tem por objectivo a recuperação integral do imóvel.
!Capela da Misericórdia,
Montemor-o-Velho
Edifício provinciano do final de Quinhentos com características re- nascentistas, será objecto de recupe- ração parcial, na continuidade de intervenções anteriores, com a reali- zação de trabalhos de beneficiação das coberturas, dos paramentos ex- teriores e interiores e da instalação eléctrica.
!Igreja da Misericórdia,
Batalha
Construção de traço setecentista, o conjunto tem sido objecto de inter- venção para valorização e revitali- zação, prevendo-se para o corrente ano obras de beneficiação da igreja.
! Igreja de São Julião de Azurara, Mangualde
A mais antiga referência a São Ju- lião de Azurara remonta a 1103, aquando da doação por Pedro Ses- nandes à Sé de Coimbra. A DGEMN está a proceder à conclu- são dos trabalhos de beneficiação e conservação do imóvel, sendo de as- sinalar o contributo prestado pela Associação Cultural Azurara da Beira, apoiada pela Câmara Mu- nicipal e Paróquia, que assumiu os encargos da conservação e restauro do tecto da capela-mor, composta por 18 caixotões pintados com mol- duras e florões dourados, bem como das pinturas que restam do retábulo maneirista, pintado em 1635, por António Vieira.
Direcção Regional dos Monumentos de Lisboa
! Capela do Codeçal, Mafra Concluiu-se a recuperação dos mag- níficos interiores desta capela sete- centista. Os trabalhos incidiram, fundamentalmente, sobre os estuques e as pinturas decorativas. O arco triunfal foi consolidado e reformu- lou-se o sistema de iluminação. Os custos desta intervenção foram su- portados integralmente pela DGEMN.
!Mosteiro de São Vicente de Fora, Lisboa
Na sequência das profundas in- tervenções levadas a cabo pela DGEMN neste imóvel, procedeu- -se à recuperação integral dos ar- cazes, do tecto pintado, dos mosai- cos florentinos da sacristia e, ainda, da teia da portaria. Vá- rias salas foram remodeladas e
reconvertidas em espaços museoló- gicos, a instalação eléctrica foi re- novada e o Pátio das Laranjeiras integralmente recuperado, segundo projecto do arquitecto Ribeiro Te- les. Estas intervenções foram fi- nanciadas parcialmente por fun- dos comunitários.
!Antigo Convento de Santa Marta, Lisboa
Foi lançada uma empreitada com vista à recuperação da igreja, sala do capítulo, coro alto e claustro deste convento, onde actualmente se encontra instalado o hospital do mesmo nome. Para além de diver- sas obras de construção civil e elec- tricidade, proceder-se-á ao res- tauro de todo o conjunto azulejar, prevendo-se que esta intervenção esteja concluída em finais de 1995.
!Castelo de Óbidos, Óbidos Foi lançada uma empreitada, supor- tada integralmente pela Direcção- -Geral do Património do Estado, com vista à consolidação de alguns troços da muralha. Numa segunda fase proceder-se-á à recuperação da chamada “Porta da Vila”, entrada principal do castelo, a qual com- preenderá a substituição da cober- tura e o restauro dos azulejos sete- centistas e da pintura decorativa da abóbada.
! Palácio das Necessidades,
Lisboa
Proceder-se-á à recuperação da esca- daria nobre e da galeria de comuni- cação entre os dois corpos deste imó- vel, bem como à beneficiação da ins- talação eléctrica da biblioteca e de algumas salas, e à remodelação do sistema de detecção de incêndios. Es- tas intervenções serão suportadas pelo próprio Ministério dos Negócios Estrangeiros.