1. Introdução 16
2.6. Modelos de referência para desenvolvimento de produtos 51
2.6.5 Modelo de desenvolvimento de produto de Henrique Rozenfeld e outros 63
Com base em metodologias, estudos de caso, experiências e melhores práticas desenvolvidas nos últimos anos, Henrique Rozenfeld e uma equipe de pesquisadores criaram o modelo de referência unificado para desenvolvimento de produtos (ROZENFELD et al., 2006), conforme mostra a Figura 2.13. Esse modelo é genérico, mas é voltado para o setor de bens de consumo duráveis e empresas de tecnologia de fabricação mecânica.
De acordo com Amaral e Rozenfeld (2008), o modelo de referência se divide em três macrofases: Pré-Desenvolvimento, Desenvolvimento e Pós-desenvolvimento. Cada macrofase se divide em fases, atividades e tarefas que, em conjunto, descrevem as melhores práticas para gestão do processo de desenvolvimento de produto.
Existem atividades que se repetem em todas as fases do desenvolvimento, como a atividade “avaliar fase” (gates), “monitoramento da viabilidade econômico-financeira” e “documentação das decisões tomadas e lições aprendidas”.
Figura 2.13 – Modelo unificado de desenvolvimento de produtos de Rozenfeld et al. Fonte: Rozenfeld et al.(2006)
A primeira fase do modelo de referência de Rozenfeld et al. (2006) é o planejamento
estratégico de produtos, que compreende a elaboração de um plano com a descrição do
portfólio de produtos da empresa com base no planejamento estratégico da unidade de negócios. Na elaboração do planejamento estratégico, a empresa precisa estar atenta às reações do mercado, isto é, quais os hábitos e necessidades dos clientes, que novas tecnologias estão sendo desenvolvidas, o que os concorrentes estão oferecendo. Com essas
informações a empresa consegue atingir as suas metas estratégicas de negócio, através da definição da linha de produtos e dos projetos que serão desenvolvidos.
As pessoas que atuam nessa fase são os membros da diretoria e os gerentes funcionais. Os resultados dessa fase são a aprovação do portfólio de produtos e a minuta do projeto, que é um documento que contém a descrição básica do produto que autoriza o início do projeto do produto que será desenvolvido.
Na segunda fase do modelo, denominada como planejamento do projeto, realiza-se o planejamento macro de um dos projetos de um novo produto definido na fase anterior.
No planejamento do projeto são definidas informações extremamente importantes para execução do projeto e redução dos riscos de falhas na macrofase de desenvolvimento. Essas informações são: escopo do projeto, escopo do produto, previsões das atividades e sua duração, prazos, orçamento, definição do pessoal responsável, recursos para realizar o projeto, análise de riscos e indicadores de desempenho para o projeto e produto.
Através das informações levantadas no planejamento do projeto, inicia-se a fase projeto
informacional, que tem como principal atividade a definição das especificações-meta do
produto, onde um conjunto completo de informações são identificadas.
A primeira informação é o levantamento de todas as necessidades dos clientes que podem ser pessoas ou organizações. Essas necessidades identificadas através da “voz do cliente” são tratadas formando os chamados requisitos dos clientes, mas ainda expressos de maneira subjetiva. Esses requisitos são transformados em requisitos do produto, passando a ser descritos por meio de características técnicas e mensuráveis. Por último, são definidos parâmetros quantitativos e mensuráveis que o produto deverá ter para atender às necessidades dos clientes, que são as chamadas especificações-meta.
A próxima fase é chamada de projeto conceitual, cujo principal objetivo é a busca de soluções para o projeto. Nessa fase primeiramente define-se a função global do produto que, em seguida, é desdobrada em várias funções para posteriormente ser definida a melhor função para o produto. Cada função desdobrada recebe um princípio de solução através da utilização de métodos de criatividade, permitindo criar alternativas de solução que dão origem às concepções. Ocorre então a escolha de uma concepção que melhor atende as especificações- meta, ou seja, será definido a forma e o princípio de funcionamento do produto para satisfazer as necessidades dos clientes.
macroprocesso de fabricação.
Com o objetivo de desenvolver e finalizar todas as especificações do produto prossegue a fase de projeto detalhado. Através de informações da concepção do produto ocorre nessa fase o detalhamento dos sistemas, subsistemas e componentes do produto, resultando na documentação final e na configuração do produto. Ocorre também o planejamento do processo de fabricação e montagem, o projeto de recursos (ferramentais, máquinas e instalações), o desenvolvimento de fornecedores para os recursos e a otimização do produto e do processo através da análise de protótipos funcionais. Em seguida, o estudo de viabilidade econômico-financeira é atualizada para completar a documentação final do produto.
Os resultados finais dessa fase são: estrutura final do produto, desenhos finais com tolerâncias, planos de processos, protótipo funcional e projeto dos recursos.
As próximas duas fases preparação da produção e lançamento do produto têm o objetivo de colocar o produto no mercado, atendendo aos requisitos dos clientes e seguindo as especificações finais do produto e processo de fabricação. Apesar disso, essas duas fases possuem algumas atividades distintas. A preparação da produção inicia-se com a obtenção dos recursos de fabricação solicitados na fase anterior. Logo depois ocorre a produção do lote piloto, definição dos processos de produção e manutenção. Com o produto do lote piloto ocorre a homologação do processo e as atividades genéricas dessa fase. Já as atividades de lançamento do produto englobam desenvolvimento dos processos de venda, distribuição, atendimento ao cliente, assistência técnica e campanhas de marketing para intensificar a venda do produto.
Depois do lançamento do produto a empresa quer alcançar as metas de lucratividade e participação no mercado. Para isso existem as duas fases de pós-desenvolvimento, que permite o entendimento de todo o ciclo de vida do produto. Uma dessas fases é acompanhar
produto e processo que compreende o acompanhamento do produto na produção e no
mercado, identificando necessidades ou oportunidades de melhoria. As principais atividades são: auditoria pós-projeto, avaliação da satisfação do cliente, monitoramento do desempenho do produto e registro das lições aprendidas.
A outra fase e última do modelo de referência é chamada de descontinuar produto, que envolve atividades quando o produto não apresenta mais vantagens econômicas (volume de vendas, contribuição para o lucro e crescimento da empresa) e estratégicas (vantagem competitiva, participação do mercado e imagem da marca).
Essa fase compreende o fim da assistência técnica e atendimento ao cliente, bem como o fim da fabricação das peças de reposição. Deve garantir que a retirada do produto do mercado cause o menor impacto aos consumidores, empresa e meio ambiente.