A MOBILIDADE NOS PROCESSOS DA AGENDA 21 LOCAL
4.5 Modelo proposto para o planeamento da mobilidade, no âmbito dos processos da A21L
Não estando padronizada a metodologia de medição da mobilidade ou da avaliação do desempenho para o desenvolvimento sustentável ao nível da mobilidade local, não surgindo uma metodologia que seja genericamente aceite e aplicável a todas as comunidades locais, apresenta-se, de seguida, algumas reflexões que sustentarão a formulação de modelos conceptuais que sejam resultado de uma análise efectuada no âmbito de um conjunto de experiências já desenvolvidas ao nível local.
Sabe-se que a integração e coordenação de políticas é uma tarefa complexa, não só devido à tensão que se cria entre os diversos objectivos de cada política mas, também, porque se procura apostar em novos caminhos que influenciem os comportamentos económicos e sociais, susceptíveis de alterarem os padrões habituais de consumo, produção e organização.
Integração, gestão de conflitos, quantidade e qualidade de informação, relacionados com a tomada de decisões políticas para um desenvolvimento sustentável a nível da mobilidade, estes de natureza dinâmica e evolutiva, são questões problemáticas, sem resposta padronizada. Embora a responsabilidade do prosseguir um caminho em sustentabilidade não caiba apenas aos governos locais, estes têm um papel determinante no liderar e formar uma estrutura em que todos os stakeholders estejam envolvidos e sejam co-responsáveis.
Neste processo, os governos municipais devem reunir com todos os actores locais, envolvendo-os de forma a estruturarem um conjunto de indicadores de avaliação do progresso para a sustentabilidade, adequados à especificidade das suas comunidades. Deve, pois, ser encontrado um consenso na maior parte das áreas de análise que afectam o desenvolvimento sustentável da respectiva comunidade (Bossel, 1999).
Figura 3: Proposta de planeamento da mobilidade sustentável
Fonte: Elaboração própria a partir de Bossel, (1999)
Quanto mais autoridades locais utilizarem os programas de mobilidade, mais facilmente se arranjarão novos contributos para a reformulação e melhoria dos mesmos; Quanto mais se estimular a discussão entre as autoridades e os parceiros da comunidade e organizações, melhor decorrerá o processo de escolha e selecção de programas e medidas. Neste contexto, propomos um
modelo adoptado (ver figura anterior), o qual constitui um ponto de apoio ao planeamento da mobilidade sustentável, implicando, desde logo, a criação de um Gabinete Agenda 21 Local.
O objectivo final é melhorar a integração do processo da A21L, em que os conhecimentos e competências dos elementos da organização local constituem a base para a sustentabilidade da mobilidade.
O processo participativo deve sempre acompanhar o ciclo de vida do processo e toda a dinâmica organizacional municipal associada, em defesa de uma democracia deliberativa.
Assim, o Departamento Municipal de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável deverá promover:
- A integração e coordenação, na tomada de decisões, das diferentes políticas relacionadas com o desenvolvimento sustentável, entre os diversos serviços (departamentos, divisões, órgãos de staff), coordenando a sua intervenção com os organismos da administração central.
- A gestão e resolução das tensões e conflitos que decorrem do próprio processo integrado de tomada de decisões.
- A informação para a tomada de decisões e a informação das decisões tomadas. A implementação da mobilidade nos processos da A21L e o seu sucesso, só serão concretizados se houver consenso no caminho a seguir, se se actuar, de facto, com verdadeiro interesse na sua implementação. Isto significa, como factores de sucesso, incluir todos os actores da comunidade, nomeadamente as autoridades locais, o sector público, o sector privado, o voluntariado, estabelecer parcerias, usando os seus talentos, recursos, experiência e entusiasmo, (Echebarria & Agudo, 2003).
Figura 4: Proposta de modelo de Auditoria Ambiental do Processo A21L
Na figura 4 apresenta-se um modelo de auditoria ambiental, onde consta, naturalmente, a questão da mobilidade, representando-se as fases da integração no processo da A21L e onde se reforça a inclusão, no processo, da participação do cidadão em todas as suas fases, i.e., desde o diagnóstico até a implementação do plano de acção. Esta assume-se como premissa essencial do modelo, pois na fase de pré-diagnóstico dos aspectos estruturais da mobilidade, entre outras análises, a participação do cidadão deverá induzir análises de comportamento e padrões de estrutura melhor apercebida para a problemática da mobilidade.
A título de exemplo, refira-se a estruturação dum inquérito de satisfação e qualidade percebida pelos cidadãos, a fim de se avaliar, entre outras variáveis de comportamento da mobilidade, os padrões de viagens e tipos de mobilidade dos vários estratos sociais e etários.
Esta proposta do modelo conceptual acima apresentado apoia-se, também, na promoção da interactividade entre todos os serviços municipais, na sua articulação com as fases do processo da A21L, de construção de políticas, nomeadamente na identificação dos problemas, na definição de políticas e sua implementação, na monitorização e avaliação e sequente reformulação. Durante o ciclo, serão diferentes os tipos de questões levantadas requerendo, consequentemente, diferentes tipos de apoio: i) ao nível da investigação, quer se recorrendo à investigação académica, mormente através do recurso ao saber das Instituições de Ensino Superior, quer se recorrendo a todo o capital societário; ii) ao nível da investigação de soluções alternativas de integração; iii) ao nível do apoio orientado em termos de um sistema integrado de informação documental, geográfica e outros; iiii) ao nível da selecção e gestão de projectos orientados para a intervenção.
4.6 Conclusões
Neste capítulo abordou-se, numa primeira fase, os vários saberes sobre mobilidade sustentável, pela inclusão de revisão da literatura sobre experiências internacionais. Essas experiências internacionais revelaram-se importantes marcos de informação sobre o tema da mobilidade sustentável no processo da A21L, de onde se extrai a existência de défices entre os requisitos para se
alcançar a sustentabilidade e a sua realização prática. Apenas um desenvolvimento marginal na direcção da sustentabilidade parece ter lugar. Há falta de conceitos e, consequentemente, o processo da A21L está insuficientemente integrado no planeamento urbano convencional.
Sugestões para a melhoria do processo da A21L incluem o desenvolvimento de um conceito concreto, juntamente com a continuação de exemplos práticos, a integração de quatro áreas principais (o ambiente, o social, a economia e o mundo menos desenvolvido), e o fortalecimento de temas populares no processo da A21L, como a protecção climática e a política dos países menos desenvolvidos (Peter Moser, 2001)
Formulou-se, ainda, a proposta de um modelo conceptual para o planeamento da mobilidade sustentável com a criação de um Gabinete Agência 21 Local, de forma a formular e implementar o processo integrado de sustentabilidade, onde a inclusão da participação do cidadão é a sua premissa de maior valor acrescentado. Esta proposta teve, como alvo, responder ao objectivo especifico de avaliar o Plano Municipal do Ambiente, como instrumento importante para a operacionalidade da mobilidade sustentável no processo da A21L.
Na parte final deste capítulo, apresenta-se um modelo operativo para o processo da A21L, de forma a interligar as diferentes fases do processo, focalizando as análises e metodologias de actuação conjunta, cujos antecedentes são instrumentos de avaliação de diagnóstico para as propostas de mobilidade, de forma a ser possível obter medidas consequentes (propostas estratégicas e medidas associadas ao plano de acção), com mais valias para a comunidade local e cuja matriz de concepção sustentou a elaboração do questionário a ser apresentado no capítulo seguinte deste estudo.
CAPÍTULO V