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Nesta tese, uma rede é considerada efetiva quando seus gestores realizam adequadas práticas gerenciais, apresentam comportamentos de liderança, utilizam mecanismos formais e informais de governança, bem como utilizam o modelo híbrido de governança e quando a rede estiver no estágio evolutivo de desenvolvimento com tendência para o de maturidade. Além disso, quando a rede consegue atingir os seguintes resultados: alcance dos objetivos estabelecidos; atendimento das expectativas das organizações e demais partes interessadas quanto ao nível de serviços e benefícios ofertados pela rede; geração de oportunidades de negócios para as associadas, tem capacidade de inovação e consegue criar uma cultura de confiança dentro da rede. (PROVAN, MILWARD, 1995; PROVAN, SEBASTIAN, 1998; TURRINI et. al, 2010; POPP et al., 2013).

Com base no item 4.6 do Capítulo 4 sobre métodos e procedimentos, para fins de avaliação, foi elaborada uma escala de avaliação, baseada no conjunto de dados desta tese, com os seguintes pontos de corte: as redes que obtiverem valores médios da dimensão do estudo entre o intervalo de 1 e 4,9 serão consideradas com um nível baixo de efetividade ou baixa presença da dimensão. As que obtiverem valores entre 5,0 e 5,9 serão consideradas com um nível intermediário/moderado de efetividade ou moderada presença da dimensão e, por fim, aquelas que obtiverem valores acima de 5,9, serão consideradas com alto nível de efetividade ou alta presença da dimensão de rede.

A seguir, conforme Tabela 10, a efetividade das redes Petro foi avaliada pela ótica dos gestores das organizações integrantes destas redes. A primeira constatação relevante da análise do nível de efetividade das redes Petro é que 58% das redes avaliadas pelos gestores das organizações integrantes destas redes apesentam um nível moderado de efetividade, de acordo com a escala de avaliação utilizada nesta tese. São as redes R2, R3, R5, R7, R10, R1 e R6. Nenhuma rede apresentou um alto nível de efetividade (>5,9), exceto a R2 que mais se aproximou (5,8).

Essas redes (R2, R3, R5, R7, R10, R1 e R6), dentro de suas particularidades e segundo a visão dos gestores respondentes, apresentam a presença de todas as dimensões, porém não em sua plenitude, o que nos leva a concluir que são efetivas em níveis intermediários, uma vez que a maioria dos respondentes concordou, mas não totalmente, nos itens usados para medir tais dimensões. No entanto, os achados indicam que os respondentes são favoráveis à presença dessas dimensões em suas redes e, com isso, elas conseguem ser moderadamente efetivas tanto em relação à presença dos fatores determinantes de efetividade quanto em relação aos

resultados alcançados (efetividade), em termos de atingimento dos objetivos, satisfação das partes interessadas sobre os serviços e benefícios oferecidos, capacidade de inovação, geração de oportunidades de negócios e criação de cultura de confiança.

Tabela 10 - Nível de efetividade sob a ótica dos gestores das organizações integrantes das

redes Petro

Fonte: Elaborado pela autora.

Outra constatação importante é que as dimensões que mais influenciam a efetividade das redes Petro são os Comportamentos de Liderança e os Mecanismos Relacionais de Governança. Essas dimensões receberam as maiores pontuações, indicando de médio a alto nível de presença nas redes, ou seja, os gestores respondentes percebem a existência dessas dimensões de forma marcante, o que ratifica a visão de McGuire; Silvia (2009), confirmadas, também, por Cristofoli; Maccio e Pedrazzi, (2015), assim como por Popp et al. (2013) quando dizem que os gestores de rede exercem um papel crucial na construção da confiança, devendo exercer comportamentos de liderança para fortalecer os laços e, consequentemente, aumentar a confiança das relações da rede. McGuire; Silvia (2009) ressaltam também que essas dimensões juntas são críticas para o sucesso da rede.

Vale mencionar que foi constatado no resultado dessa avaliação de efetividade, que as Práticas Gerenciais e os Resultados da Rede (efetividade) também exercem influência no nível de efetividade das redes Petro, achados esses que estão em consonância com os estudos de Wegner (2011); Roth et al. (2012), Cristofoli; Maccio e Pedrazzi (2015), pois, esses autores enfatizam que as práticas/papéis gerenciais, quando alinhadas aos objetivos da rede, tendem a potencializar os resultados das empresas integrantes, permitindo com isso que os propósitos da rede sejam alcançados e as empresas integrantes aperfeiçoem seu desempenho individual.

Por fim, seguindo a análise sobre a visão dos respondentes acerca da avaliação do nível de efetividade das redes, verifica-se que 42% das redes Petro (R12, R4, R8, R9 e R11) apresentaram baixa presença das dimensões do estudo e consequente baixo nível de efetividade, o que ratifica a importância e influência dessas dimensões na efetivadade de uma

Redes Práticas Gerenciais Comport. Liderança Mod. Híbrido de Gov. Mec. Formais de Gov. Mec. Relacionais de Gov. Estágios Evolutivos de Desenv. Efetividade de Rede (Resultados) Média Nível de Efetividade R1 5,1 5,3 5,5 5,1 5,7 5 5,5 5,3 Moderado R2 5,6 6,3 5,1 5,9 6,3 6 5,3 5,8 Moderado R3 5,6 5,8 5,4 5,2 5,8 5,2 5,7 5,5 Moderado R4 4,3 4,5 3,8 4,4 4,3 4,3 4,5 4,3 Baixo R5 5,6 5,9 5,7 5,4 5,4 5,1 5,4 5,5 Moderado R6 5,1 5,6 4,6 4,8 5,4 5 5 5,1 Moderado R7 5,6 5,8 5,3 5,3 5,8 5,3 5,7 5,5 Moderado R8 4 4,6 4,8 4,7 4,9 4,4 4,5 4,6 Baixo R9 4,5 5,1 4,8 5,1 4,8 3,8 4,8 4,7 Baixo R10 4,9 5,4 4,8 5 4,8 5 5,1 5,0 Moderado R11 4,9 5,3 4,9 4,7 5,1 4,7 4,8 4,9 Baixo R12 3,9 4,5 3,4 4,2 4,3 3,3 4,2 4,0 Baixo

rede (PROVAN, MILWARD, 1995; PROVAN, SEBASTIAN, 1998; TURRINI et. al, 2010; POPP et al., 2013).

Com base neste contexto, as próximas seções farão essa análise mais aprofundada para verificar se há ou não relações positivas entre as dimensões Práticas Gerenciais, Comportamentos de Liderança, Modelo Híbrido de Governança, Mecanismos Formais de Governança, Mecanismos Relacionais de Governança, Estágio Evolutivo de Desenvolvimento e a efetividade de Rede.

Essas dimensões de rede serão analisadas por meio de procedimentos multivariados, ou seja, primeiro pela análise fatorial exploratória, seguida da análise fatorial confirmatória e, por fim, a modelagem de equações estruturais via mínimos quadrados parciais.

5.4 ANÁLISE DAS DIMENSÕES DO ESTUDO PELA ANÁLISE FATORIAL