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NOME DE DEUS NO ANTIGO TESTAMENTO

No documento Deus no Antigo Testamento (páginas 126-140)

Old Testam ent in M odem Research, 1954, p 101s: “ Ser im­ preciso no uso da terminologia pertinente, não tem servi­

NOME DE DEUS NO ANTIGO TESTAMENTO

Este é o título original de um estudo de Gotti- fried Quell. Trata-se do artigo Kyrios no Theologisches

Wörterbuch zum Neuen Testament. Em dez parágrafos,

Quell expôs os principais problemas, que se colocam à pesquisa veterotestamentária em relação ao tetragra- ma jhwh. E sugeriu uma pista, para soluções, que deve ser levada em conta.1 Desde a publicação dessas colocações de Quell, em 1938, o nome de Deus tem sido çstudado com surpreendente freqüência estimulando, em parte, trabalhos de minúcia invulgar.2 Apesar disso, não se pode dizer que as opiniões tenham sido unânimes. Ora, o tema é antigo. Por causa da inson­ dável profundeza das Considerações filosóficas e teoló­ gicas surgem nuanças sempre diferentes e surpreen­ dentes. Trata-se, pois, de um tema inesgotável. É ines­ gotável como a própria divindade que se oculta atrás

inspiram reflexões básicas. Não se exclui, a.o menos em princípio, uma certa relação com o nome “ Javé” . Pois já há anos se conhece um documento de Amara Oci­ dental da época de Ramsés II, pouco valorizado. 6 E, agora, quando se procuram e se recuperam antiguida­ des egípcias na Núbia, foram encontrados novos do­ cumentos em Solebe, no Sudão. Está se evidenciand' que as listas de Ramsés II em Amara (e Acsa), em geral, são cópias de modelos de Solebe.7

Solebe situa-se a 220 km ao sul de Wadi Halfa, à margem esquerda do Nilo. Por causa de suas ruínas, sobretudo o grande templo de Arnom, da época de , daquelas quatro consoantes — jhwh. Estas quatro c o n _ _ / soantes dão a impressão de ser uma fórmula com va?' riações na pronúncia, e de difícil explicação. 3 Deve-se acrescentar, no entanto, que, pouco mudou nas questõéS básicas, mesmo quando os pormenores constantemen­ te apareçam sob novas luzes. Na verdade, aqueles dez títulos em que Quell subdividiu seu artigo, a prin­ cípio permanecem válidos. 4 E é interessante observar como as publicações mais recentes sobre o assunto5 seguem princípios formais muito parecidos aos de Quell. As questões fundamentais permanecem as mes­ mas. Os diversos pontos de vista, sem dúvida, muitas vezes estão interligados. Uns dependem dos outros ou se completam. Por isso também é tão difícil estabelecer uma determinada relação das soluções até aqui encon­ tradas, e localizar, no todo da pesquisa, as perguntas abertas para delas se tratar isoladamente.

Este pequeno artigo nem mesmo pode querer es­ boçar a amplitude dos problemas que, em grande quan­ tidade, se colocam à orientalística e à teologia em relação ao nome de Deus. O estudo, ao contrário, é motivado por um assunto muito concreto que está preocupando a pesquisa sobre o nome de Deus no AT. Nem mesmo chegou a penetrar na consciência geral dos peritos, apesar de prometer enriquecer a pesquisa com uma contribuição a mais e, eventualmente, consi­ derável. Penso nos documentos egípcios que mostram a configuração das consoantes jhw. Ela insinua, de imediato, alguma ligação com o tetragrama. Os por­ menores dos respectivos contextos em que aparecem,

Amenófis III (1408-1372), já era conhecida dos pes­ quisadores europeus que, no século passado, viajavam pelo Egito. Foi várias vezes descrita. Dessa época tam­ bém existem retratos das imponentes ruínas.8 Em época recente, um grupo de estudiosos se dedicou ao estudo das ruínas de Solebe.9 Desde 1957 realiza­ vam-se seis campanhas. O patrocínio é da universidade de Pisa e a direção cabe a Michela Schiff Giorgini.10 Os resultados estão sendo publicados em vários volu­ mes. 11 Mas o epigrafista da expedição, Jeon Leclant, professor da Sorbonne, não hesitou em tornar conhe­ cido, através de diversas publicações e de informações pessoais, aquilo que poderia ser útil para outras pes­ quisas. 12 Agiu de maneira exemplar. Soube logo in­ dicar o que havia de verdadeiramente novo. Mas se absteve, por equanto, de interpretações mais abrangen­ tes e de avaliações. Isto vale, sobretudo, em relação aos contextos em que o nome jhw’ aparece duas vezes.

No setor do grande salão de colunas do templo de Amom encontram-se representações de prisioneiros. Estão gravadas ao pé das colunas. Sua forma mais ou menos estilizada é do tipo das conhecidas listas dos faraós dos povos estrangeiros, O mais importante é aquela parte da gravura, o assim chamado “ escudo” em que estão registrados lugar ou região do respec­ tivo prisioneiro.13 As representações de prisioneiros de Solebe são do tipo de gravuras, que também apa­ recem em outros lugares: não aparecem em meio a grandes e contínuas listas, mas servem antes de orna­ mento. Isso não elimina mas, em todo caso, em muito dificulta conclusões históricas que viessem a esclarecer a inter-relação dos nomes registrados.14 Mesmo assim, pode-se estabelecer comparação com nomes semelhantes que aparecem em Amara e Acsa. E ali o princípio que determinou a composição da lista é mais evidente.15 Por isso, pode-se afirmar que a seqüência dos nomes não é somente obra do arbítrio ou do acaso, mas reúne nomes que ao menos na época de Amenófis III eram suficientemente conhecidos.16

Interessam aqui dois escudos, ou registros, que em <So'ebe ioram encontrados uns distantes dos outros.17 Apresentam em grafia quase idêntica designação geo-

gráfica um pouco mais extensa

:

t‘ sh‘ sw jhw‘. 18 Esta,

hipoteticamente pode ser traduzida por “ terra dos be­ duínos (sh‘sw) de (? ) jhw‘” .A comparação com outros registros de nomes, principalmente com a lista de Ram­ sés II de Amara Ocidental, mostra que aqui estamos diante de um certo tipo de designação que dá defi­ nições étnicas e geográficas (“ terra de Tal des­ crição era apropriada para territórios não constante­ mente povoados ou não definitivamente atribuídos a uma organização política já existente. Seria, pois, uma designação exata e adequada para beduínos que eram (e são) elementos migrantes. Ora, justamente os gru­ pos designados por Shasu (sh‘sw) também são conhe­ cidos de outros documentos. Em suas migrações atin­ giam aparentemente um grande raio de ação, sendo por vezes altamente agressivos.19 Os mais conhecidos, por­ tanto, são os stisw beduínos de Edom. Na época de Zetos II (por volta de 1200 a.C.) requereram campos de pastagem e entrada no Egito, na fronteira leste, se­ gundo consta na carta de um funcionário aduaneiro.20 Costuma-se citar esta carta como exemplo de como os israelitas — ou melhor, aquelas partes de tribos “ pro- to-israelitas” , que mais tarde tomaram parte no êxoto — penetravam no Egito .Em nosso contexto não é, po­ rém, menos importante que a grande atividade destes Shasu tenha ocorrido exatamente naquela extensa área ao sul da Palestina. Não somente a lista de Ram­ sés II, de Amara, mas também o papiro Harris men­ ciona os Shasu Seir. 21 Em geral esta expressão foi traduzida por “ beduínos do Seir” . 22 Seir vem a ser aquele maciço ao sul da Palestina, de onde, conforme o AT, sai Javé 23 e que está provavelmente situado ao leste da Arabá. Portanto, a lista de Amara realmente menciona, lado a lado, a “ terra dos beduínos de Seir” e a “ terra dos beduínos de jhw‘” . Isso naturalmente só vale se, para ser breve, a gente aceita como válidas estas traduções das expressões egípcias. Com uma mar­ gem de certeza relativamente grande, somos induzidos a localizar o nome jkw‘ na região de montanhas e este­ pes no sul da Palestina. Para dizê-lo mais exatamente, em jogo está a área entre o Negev e o golfo de Ácaba. Seja esta uma primeira constatação. Ela se torna pos-

sível a partir dos já mencionados textos egípcios. E agora se coloca mais outra pergunta; ela é muito im­ portante e passa a merecer toda a atenção. Afinal, as consoantes jhw‘ podem ser comparadas com o tetra- grama Javé? E caso a resposta for positiva: que signi­ ficado têm as consoantes jhw‘ se tomarmos em conta o material comparativo até agora conhecido sobre o nome de Deus? Pretendo anexar ainda algumas breves con­ siderações históricas. Por fim, será enfocada,, ainda que concisamente, a relação existente entre as consi­ derações filológicas e históricas e Êx 3.14, um texto teologicamente muito importante.

1. Parto da hipótese de que a forma do nome jhw' de fato, é um conjunto de consoantes que, com bons m o­ tivos, pode ser comparado ao tetragrama. Então sua primeira importância reside no fato de que assim se acrescenta um documento novo, e, evidentemente, muito antigo. Pois até agora só conhecíamos um único texto fora do AT que continha o nome completo de Deus. Trata-se da linha 18 da esteia, de Mesa (por volta de 840 a.C.), onde inequivocamente se fala de Javé, o Deus de Israel.24 Agora, com as gravuras de Solebe, da época de Amenófis III, temos documentos com o tetragrama, de aproximadamente 100 anos.antes

Jf? da estada de Israel no Egito. No entanto71TsãBldõ~qüe

nas ciências orientalísticas, as pesquisas básicas sobre a origem do nome de Deus e sua estrutura filológica não se preocupara somente com a forma completa do tetragrama. Mas basearam-se essencialmente nos ele­ mentos teofóricos Jõ-, Jehõ-, e -jã, jahü, que aparecem em nomes de pessoas. Este tipo de nome está princi­ palmente representado em Israel, contudo, aparece de forma rudimentar também em outras culturas. 25 Neste ^contexto a pergunta pela função da letra hê antes do

^ waw assume um papel preponderante. Este hê é parte

constitutiva do tetragrama. Mas não aparece regular­ mente nos elementos teofóricos que se verificam em nome de pessoas. Nestes nomes, observa-se uma ten­ dência para a assimilação do hê. E as vogais que res­ tam são, então, contraídas (de.jãhu surge jaw, e daí

teofóricos. No fim de nomes, usa-se -jã e jãhü. 26 Pe lo menos em parte é possível estabelecer a cronologia deste processo. A forma com hê é mais antigo. 27 Já na época dos juizes as formas contraídas passam a ser mais usadas. Na época dos reis, são predominantes. Mas depois, em parte, ocorre uma restauração; pode-se deduzir que o hé tenha sido restituído.28 Estas con­ siderações dizem respeito aos elementos teofóricos nos nomes de pessoas e à sua provável proftáncia no de­ correr dos tempos. Neste sentido, sem dúvida, conti­ nuam sendo válidas. E, além disso, dão valiosas pistas para a reconstrução da forma original do nõme de Deus.

Seria, contudo, bem mais desejável que as pesqui sas não dependessem só de tais nomes compostos e hete­ rogêneos de pessoas. Seria importante basear as aná­ lises não só em elementos teofóricos, em nomes, mas em ocorrências do nome completo de Deus. A grafia do tetragrama, ao contrário do que ocorre com os ele­ mentos teofóricos, permanece sempre igual e não tom; em consideração as mudanças na pronúncia. No uga- rito, as letras j-w designam uma divindade; que esta palavra tenha algo a ver com a forma básica do tetra grama não passa de uma hipótese que, às vezes, é total­ mente rejeitada.29 Em contrapartida, a forma jehd- que se verifica em antigos nomes israelitas, poderia ter sido derivada das consoantes jhw que possui um hê autônomo. Com efeito, considerações recentes mostra­ ram ser ao menos provável, que a forma mais antiga do nome de Deus teria sido “ jahu’. 30 Neste caso, o hê seria parte constitutiva do nome. Isto seria confirmado pela forma jhwi de Solebe. Ali também aparece o

waw que segue ao hê. Pois no sistema silábico dos egíp­

cios usa-se um w : para descrever um w-som, ao qual provavelmente ainda pertence uma vogal.31 Neste caso, o início do processo talvez não seja só um “ jahu” , mas uma forma que incluía uma consoante waw. Esta possibilidade, em todo caso, não pode ser excluída, A voealização desse nome original agora não vem ao caso. No mínimo, o conjunto de consoantes jhw deve­ ria ser considerado como forma básica e normativa. Esta afirmação não vale, em primeiro lugar, por ter

sido documentada em Solebe. Também porque é difícil de se imaginar que um conjunto de consoantes com­ posto de jw ou jh possa ter sido aumentado por intef- posição ou acréscimo. Tal desenvolvimento teria sido possível apenas sob uma condição: se o nome rudi­ mentar oferecesse, na sua estrutura básica, uma certa disposição para tal, seja por causa de tradições foné­ ticas, seja por causa de convenções antigas de escre­ vê-lo. Aquele kê com o qual termina o tetragrama, so­ mente pode indicar que o nome de Deus termina com uma vogal, não sendo ela colocada em dúvida em do­ cumento algum. Mas quem haveria de dizer que isto realmente é assim! Aquele hê no fim do tetragrama, também pode dever sua existência a uma antiga con­ soante, agora perdida.

Isto, todavia, significa que o ponto de partida legítimo para uma explicação e tradução do nome de Javé não é a forma abreviada. O único ponto de parti­ da possível é a forma completa jhto(h). Para explicar esta forma deve-se pensar num tipo de formação de nomes comum entre os semitas ocidentais.32 É for­ mado pelo prefixo jod ou por um ja-, que inúmeras vezes aparece no início de palavras.33 Este prefixo é secundado por hwh, ou hw : Assim se postula uma raiz com três consoantes. Não obstante, por ora ainda desconhecemos o significado desta raiz. 34 Por iíiso seria aconselhável desistir da tradução do nome

jhwh. Isso faz jus a uma tendência recentemente se­

guida de diferenciar os diversos elementos que vieram a formar o tetragrama ao invés de precipitar uma tra­ dução. Temos o direito, quando não também o dever, de atribuir a cada uma das três últimas consoantes do tetragrama um valor independente e inalienável. Não podemos contar com acréscimos meramente ortográfi cos. Isto se confirma em Solebe, pela forma do nome

jhw'. Todavia, até agora estão colocadas tão somente

considerações filosóficas. Devemos examiná-las, à se­ guir, sob o pano de fundo de seu contexto histórico. 2. Já nos referimos acima à lista de Ramsés II de Amara. Ali aparece a “ terra dos shasu jhw‘ ao lado da “ terra dos shasu s‘r ( r ) ” . A lista da época de Ram-

sés II indica, pois, com alguma segurança, para a re­ gião ao sul do Mar Morto. Por isto é adequado tentar localizar igualmente a terra dos shasu jahw‘, das ins­ crições de Solebe, nestas montanhas ao sul da Pales­ tina, pois ali se deve procurar o Seir, do qual fala a

Bíblia. A partir daí se deve combinar. E, se estas com­

binações tomam em conta alguns fatos conhecidos, então se apresenta um quadro, que em seu todo é acei­ tável. Pois, com efeito, desde tempos remotos Javé manteve contato intensivo com as montanhas de Seir. Esta área era território dos edomitas. 35 Seir pôde até ser considerado moradia, de Javé.36 E lá, não por último, se procura localizar os midianitas e os quenitas. Com estes povos se costuma ligar os inícios da religião de Javé. Mas, aberta está a pergunta pelo que este nome jhw' na expressão “ terra dos shasu

jhw” ' vem a significar. A comparação com os shasu

de Seir, talvez ajude. Conforme Gn 36. 30, Seir e designação de uma região ( ‘erets seir). Mas original­ mente ela parece ter se restringido a uma região montanhosa (har se‘ir). Do mesmo modo também

jhw' originalmente pode ter sido designação de uma

região, eventualmente também de região montanhosa. Mas, principalmente, há de ter-se relacionado de ma­ neira íntima com os habitantes daquela região. Pois os shasu Seir são os benê Seir (filhos ou habitantes de Seir). E o mesmo pode valer para os shasu jhw'. Afora isso, o papiro Harris relaciona a palavra seir a um grupo de pessoas. 37 E em Amara fala-se de uma “ terra” dos shasu Seir. Seria plenamente compreensí­ vel que se designasse os beduínos em migração de acordo a certos lugares marcantes de sua estadia ou de sua origem.

Quanto aos shasu jhw' talvez seja possível ir um passo além. Sabemos que as alusões mais antigas a Javé de fato tem a ver com uma região montanhosa. Estão ligadas ao “ monte de Deus” . Seu nome por vezes é Sinai, por vezes Horebe. A região montanhosa de Seir ou de Parã, por vezes também é a moradia, de Javé. Local e nome deste monte não mais são verificáveis. É, todavia, um fato difundido38 que o nome de uin monte pode se identificar com o nome do deus que em

seu alto é adorado. Por isso, o nome jhw‘ original­ mente poderia ser a designação tanto de um lugar, de um monte, quanto de uma divindade lá adorada. Por­ tanto, com todo cuidado podemos dizer que no nome dos shasu jhw‘ temos diante de nós uma alusão muito antiga a uma divindade local, adorada na região mon­ tanhosa de Edom. Neste caso, ter-se-ia que pressupor para desenvolvimento posterior, que se perdeu a lem­ brança de um certo lugar ou monte jhw‘. Restou tão somente o nome do deus desse monte. O nome do deus permaneceu por estar ligado profundamente ao círculo de pessoas que o adoravam. Evidentemente, tudo isso permanece bastante hipotético, já que o AT não dá nenhum indício de que o nome de Javé pudesse ter tido algum lugar fixo. A tradução “ terra dos shasu de

jhw‘” é gramaticalmente possível. Mas o grande pro­

blema consiste em que a caracterização de um grupo de shasu através do nome de uma pessoa ou de um deus até agora ainda não foi documentada.

Ainda há outra pergunta: Como se pode relacio­ nar cronologicamente, de maneira autêntica, o material egípcio com os acontecimentos da fase mais antiga da história de Israel? Se a revelação decisiva de Javé só tiver ocorrido depois da saída do Egito, a época de Amenófis III pode ser considerada como distante de­ mais para servir de testemunho. Mas o próprio livro do Êxodo (Êx 3.18) pressupõe que o santuário dos israelitas lá mencionado, está no deserto. E a própria revelação de Deus ocorre na terra dos midianitas “ atrás do deserto” (Êx 3.1). Aqui ainda transparecem lembranças antigas. Yê-se nelas que o Deus adorado por aquelas tribos provavelmente já lhes era conhe­ cido antes da entrada no Egito. Precisamos conside­ rar mais uma outra possibilidade: as assim chamadas “ tribos egípcias” (i.é. aquelas que estiveram no Egito), bem como as demais tribos que mais tarde vieram a formar Israel, faziam parte de maiores contingentes populacionais. Esses partiram do deserto árabe e atin­ giram em grandes levas a terra cultivada da Síria e Palestina, provenientes do leste e do sudoeste. Neste processo migratório algumas tribos foram impelidas para a península do Sinai e por fim, acabaram se fi­

xando no delta oriental do rio Nilo. Mas também ali não puderam permanecer por muito tempo. Nesta época, já tinham experimentado uma longa história de vida nômade. Neste passado necessariamente também devem estar localizados os inícios de sua adoração a Deus. Sob estas circunstâncias já há mais tempo pode­ riam ter conhecido o nome de jhwh. Neste caso a época de Amenófis III não seria muito antiga. O AT relata a “ aparição” de Javé a Moisés. Deve ser reflexo de um acontecimento religioso especial: um dos grupos, que mais tarde veio a constituir Israel, descobre a irrupção de Javé em sua vida,. Esta aparição não ne­ cessariamente tem que corresponder ao surgimento his­ tórico da forma do nome de Deus. Contudo, Êx 3 quer relacionar a aparição do Deus expressamente com o anúncio do nome de Deus. Pelo que parece, este anún­ cio tem também um caráter de surpresa, ou ao menos quer insinuar algo. A este respeito, é necessário que se diga alguma coisa.

3. A cena de Êx 3.9ss é conhecida. Nela o comissio­

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