Há três coisas que eu vejo, investigações que gostaria de empreender e que eu lego às gerações futuras. Em primeiro lugar, a semiótica discur- siva resta por fazer [...]. Por outro lado, não esqueçamos que o plano do signifi cante, da expressão, não foi ainda estudado semioticamente [...]. Portanto, é preciso considerar, de um lado, a semiótica discursiva sobre o plano do conteúdo e, de outro, o percurso gerativo do plano da expres- são: fazer algo equivalente ao que existe para o plano do conteúdo. Em terceiro lugar, há o que eu chamei recentemente de aventura axiológica.
A. J. Greimas (1986: 56-7)
O percurso proposto por Fontanille está, em verdade, longe de ser um percurso defi nitivo9 ou de ser tão operacional quanto o percurso gerativo do
sentido, que, além de delimitar os níveis de pertinência de análise, contém as instruções mínimas da constituição da semântica e da sintaxe de cada nível. Os níveis do percurso da expressão fontanilliano podem ser analisados, isolada ou conjuntamente, segundo a grade de leitura do percurso gerativo do sentido. Por um lado, isso mostra a continuidade e a compatibilidade da semiótica clássica com os novos desdobramentos da semiótica atual, por outro, uma suspeita justi- fi cada pode tomar de assalto o espírito do semioticista: não seria preciso desen- volver novos instrumentos teóricos para analisar novos níveis de pertinência? A
8 No caso da televisão, a proposta de organização dos gêneros televisivos de François Jost (1999: 21-34), que prevê a existência dos modos lúdico, autentifi cante (real) e fi ccional, pode servir de base para uma abordagem socioletal das formas de vida, em detrimento das abordagens de cunho idioletal que até hoje predominaram. 9 Nesse sentido, são oportunas as críticas que lhe fazem Sémir Badir (2006; 2007; 2008) para quem o percurso
da expressão de Fontanille mistura expressão e conteúdo e não leva em consideração a distinção entre práticas interpretativas e práticas produtivas.
pergunta a essa resposta virá certamente com o tempo: tempo de análise e veri- fi cação, tempo de experimentação, partilha e consolidação do saber semiótico.
O devir do percurso gerativo da expressão seguirá de perto o devir da pró- pria semiótica e dependerá, entre outros fatores, do lugar que a semiótica ocu- pará em um futuro próximo nas ciências humanas e sociais, na medida em que a elaboração dos níveis de pertinência de que trata uma disciplina está intima- mente ligada à maneira como a disciplina recorta o campo científi co.
Diante da produção constante e fecunda e de sua penetração generalizada na elaboração dos novos desdobramentos em semiótica geral, à semiótica mi- diática caberá provavelmente a tarefa de liderar o projeto que estabelecerá os limites da atuação da semiótica enquanto aventura axiológica.
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