O século XX poderia ser denominado como a época das metrópoles, em que o processo de urbanização adquiriu um ritmo acelerado de desenvolvimento, com o aumento da população mundial, a sua deslocação em massa para as cidades e a consequente criação de aglomerados urbanos de grande escala (mega‐cidades, conurbações urbanas, territórios metropolitanos, paisagens
urbanizadas, etc.).
As metrópoles de hoje são o reflexo de diferentes formas de apropriação do espaço, lógicas de crescimento urbano e estilos de vida contemporâneos, que se formalizam na construção de um território em constante transformação, vasto e onde convergem milhões de habitantes. Atualmente, a maioria da população mundial vive em espaços urbanos, justificando a insistência no estudo das especificidades destes grandes territórios metropolitanos e dos seus processos de transformação, através da análise dos diferentes estados de desenvolvimento, das configurações urbanas que lhe estão associadas e da desmontagem dos factores que as determinaram.
A contemporaneidade veio assumir‐se como um cenário de constantes e imediatas mudanças, que se desenrolam a velocidades que tornam difícil a sua análise e conceptualização, operadas por um conjunto de alterações demográficas, económicas, de mobilidade e conectividade. A vida urbana de hoje desafia os paradigmas clássicos e coloca novas questões às metrópoles: o desenvolvimento de novas práticas sociais e económicas, assim como as mudanças nos valores estéticos e culturais, alteraram a cidade no seu aspecto e escala, contribuindo para a perda dos seus limites físicos e para a progressiva constituição de uma cidade alargada, dispersa sobre o território e heterogénea (MANGIN, 2004, SECCHI, 2005[2009]). Esta nova entidade contemporânea caracteriza‐se pela extensão das formas urbanas e a dissipação programática, pela dispersão residencial a grandes distâncias do centro, polarização de funções anteriormente centrais em nós de grande acessibilidade metropolitana, grandes transformações internas na cidade consolidada, perda de centralidade, aumento dos perímetros suburbanos e congestionamento das infraestruturas (FONT, A., 2007). O produto e a construção desta mobilidade física e virtual concretizam‐se, então, na vasta urbanização do território (a expressão mais visível da metrópole) e a sua paisagem real, transversal à realidade urbana mundial independentemente da sua escala ou localização geográfica. 4 Tal como propõe MORGADO, S.‐ Protagonismo de la ausencia: interpretácion urbanística de la formación metropolitana de Lisboa desde lo desocupado. Barcelona: Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Barcelona, Universidad Politecnica de Catalunya, 2005. Tese de Doutoramento.
FILAMENTOS METROPOLITANOS. A emergência de morfologias especializadas no território metropolitano de Lisboa | 7 A estrutura do território metropolitano pode ser encarada como a expressão da cultura contemporânea (INDOVINA, 2004), em que as modificações na forma de viver e habitar a cidade provocaram uma fragmentação do tecido urbano, e em que a mobilidade veio moldar a atual configuração, com especial importância desde a introdução da utilização do automóvel no quotidiano das cidades, aliado ao aumento do número de habitantes e à necessidade de resposta às rápidas modificações de escala e usos. Como consequência emergiram novas formas de habitar e de socializar, novas lógicas de mercado e novos processos de urbanização marcados por uma extensão urbana que abandonou a continuidade física para seguir a lógica da conectividade promovida pela rede infraestrutural e pela disponibilidade de áreas por edificar, por novos processos de distribuição dos produtos e da informação, por novas formas de trabalho e pela alteração das estruturas sociais e do cenário económico.
A explicação da distinção entre as diversas áreas da cidade e a sua organização relativa, através da leitura do espaço urbano como não homogéneo, diferenciado e organizado pelo sistema de comunicações e mobilidades, permite entender a sua disposição espacial como estrutura e sistema de relação entre os elementos que constituem o suporte físico de distribuição localizada de serviços, usos e atividades (SOLÀ‐MORALES, 1993). O objectivo de descongestionamento do tráfego automóvel, a necessidade de grandes áreas de implantação e a existência de espaços desocupados, com valores fundiários mais acessíveis localizados na proximidade da rede de mobilidade regional/nacional, vieram determinar a deslocação de empresas de serviços, do centro das cidades consolidadas para a sua periferia. Desta forma, a rede assume‐se como suporte e motor para o aparecimento de novas configurações urbanas (filamentos metropolitanos), caracterizadas pela ocupação de áreas periféricas em localizações estratégicas na rede de mobilidade grande velocidade, que ocupam as parcelas distribuídas ao longo das vias de ligação aos nós das autoestradas e com um elevado grau de especialização funcional5. Estas novas zonas especializadas (Parque industrial, Área
logística, Parque empresarial, Parque de Ciência, Business Park, etc.) são implantadas em espaços
desocupados, de carácter rústico ou em áreas industriais obsoletas, operando transformações apoiadas num marketing urbano que promove a proximidade e acesso ao centro consolidado, ou a eficaz capacidade de ligação à rede rodo‐ferroviária nacional/transnacional ou ao aeroporto.
O recurso à decomposição do território nos seus elementos base, com vista à sua interpretação como um conjunto estratificado de camadas (CORBOZ, 2001) permitiu a identificação desta nova forma de ocupação do espaço urbano, cuja leitura alargada no tempo permite a sua desmontagem como fruto de processos de transformação territorial. Ou seja, a identificação do conjunto dos principais factores determinantes (de natureza biofísica, antrópica ou de governança) que contribuíram para moldar e transformar as áreas especializadas, permite identificar este processo como distinto do tradicional crescimento urbano por justaposição ou de processos formais de planeamento urbano. Este processo distancia‐se, então, das características dos centros consolidados 5 Com programas ligados na sua origem à indústria transformadora, que foram gradualmente sendo complementados por atividades terciárias e quaternárias ligadas à armazenagem, processamento, distribuição, comércio, serviços e investigação & desenvolvimento.
8 | FILAMENTOS METROPOLITANOS. A emergência de morfologias especializadas no território metropolitano de Lisboa e concentra características específicas e inovadoras ao longo do tempo, na sua relação com o suporte biofísico, com a rede de infraestruturas e com a sua envolvente.
As áreas especializadas emergentes constituem‐se como a resposta privada às necessidades metropolitanas, tendo sido geradas muitas vezes de forma espontânea6 e alheia ao tradicional crescimento urbano e, na sua generalidade, desenvolvidas paralelamente (ou anteriormente) aos instrumentos de planeamento. O processo distancia‐se das lógicas formais e funcionais tradicionais, dando origem a uma imagem espontânea, que revela a falta de integração entre as várias partes – as vias, os novos elementos construídos e o contexto físico envolvente (biofísico e antrópico). A
espessura da estrada (SECCHI, 1989), entendida como a relação entre o traçado viário, o crescimento
e o contexto físico envolvente, encontra‐se, então, dependente de operações individuais, alheias ao processo de planeamento, que não se constituem como um projeto integrado dos seus três elementos‐base, mas como resultado de uma falta de entendimento das lógicas e da incapacidade generalizada de reconhecimento e leitura da estrutura espacial que suporta os ambientes criados. Uma visão mais atenta sobre o território, tanto através do recurso a cartografia como a um percurso pela sua rede viária, revela, entre as múltiplas transformações que se verificam, o aparecimento de áreas que concentram atividades logísticas, industriais, terciárias e de produção de conhecimento em
clusters especializados, cuja existência não passa desapercebida, tanto pela sua escala como pela
imagem produzida. Embora num primeiro contacto a sua localização não seja óbvia em relação ao centro consolidado da cidade, tendem a associar‐se a elementos de grande força e presença territorial: as infraestruturas rodo‐ferroviárias. Desta forma, estrategicamente localizados na rede, tiram partido da conectividade territorial, que lhes permite uma maior proximidade entre os vários pontos, em termos temporais. Da relação de proximidade e dependência com a via de circulação surgiram, assim, as configurações filamentares, que num contexto metropolitano e da rede de alta velocidade assumiram a designação de filamentos metropolitanos, reflectida no título da investigação, que revela a intenção de produção de uma leitura destas emergentes áreas do território metropolitano. Intimamente ligadas à via, estas formações urbanísticas são caracterizadas espacialmente por formas filamentares – que estabelecem uma analogia com a formação filiforme existente em estruturas minerais – e quando lidas à escala metropolitana, formam manchas que se desenvolvem como cordões lineares ao longo das infraestruturas de mobilidade.
Assim, fruto das transformações aceleradas dos últimos anos, iniciou‐se um processo observável na paisagem metropolitana contemporânea, com o aparecimento e consolidação de formações urbanísticas especializadas, os filamentos metropolitanos, estrategicamente localizadas na estrutura
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Segundo B. Secchi, por espontânea consideram‐se “… uma sucessão de iniciativas por meio das quais se procurou responder a um conjunto disperso de exigências contingentes, que se modificavam ao longo do tempo…”, por oposição às iniciativas que “… são o resultado de um projeto que procurou descrever antecipadamente um possível estado de coisas futuras …”. In SECCHI, B.‐ Prima lezione di urbanistica ‐ Primeira lição de urbanismo (tradução de BARDA, M.; SALES, P.). São Paulo: Perspectiva, 2006[2000]. ISBN 8527307731. P.17.
FILAMENTOS METROPOLITANOS. A emergência de morfologias especializadas no território metropolitano de Lisboa | 9 urbana, associadas à concentração de atividades económicas (na sua maioria ligadas aos sectores terciário e quaternário7, que assumiram um peso dominante na economia a partir da década de 90). A identificação dos principais motores das transformações que levaram ao aparecimento das áreas em estudo, abre portas para uma discussão multidisciplinar que abrange temáticas variadas e interdependentes, mas o estudo proposto centra‐se em três eixos principais: a) análise dos processos dos sistemas urbanos e no seu funcionamento; b) das alterações nas atividades económicas ao longo dos últimos cinquenta anos; e c) nas vivências urbanas, fruto do contexto social, económico e político do momento em que ocorrem.
As alterações operadas a nível do suporte físico e do funcionamento dos sistemas urbanos surgiram como resposta às solicitações económicas e sociais, associadas à extensão da urbanização pelo território e à necessidade de deslocação eficientes. De forma a suportar estes movimentos, foi criada uma rede rodo‐ferroviária articulada ligando pontos distantes e permitindo deslocações rápidas e eficazes entre os mesmos, assim como se assistiu à generalização da utilização do automóvel como meio de transporte individual e ao aumento dos movimentos de transporte de mercadorias. Esta leitura e hierarquização do território em relação às infraestruturas de mobilidade (GRAHAM, [et al.], 2001) permitiu a deslocação de determinados programas urbanos para áreas de boa conectividade em relação à rede, independentes do centro consolidado, o que abriu portas a uma dispersão urbana. Simultaneamente, a expansão da urbanização, que alargou os limites da cidade à área metropolitana, veio introduzir a necessidade de infraestruturas de suporte e de integração na rede e nos sistemas urbanos. Ou seja, se por um lado, a construção das infraestruturas impulsionou e permitiu o crescimento urbano para além dos limites da cidade, foi também resultado da necessidade de infraestruturação que os novos aglomerados urbanos periféricos introduziram. O automóvel, como o adaptador territorial universal (DUPUY, 2008 [1991]), contribuiu de forma estruturante para a recomposição de um vasto número de territórios, permitindo um movimento individual e quebrando a hierarquia das estruturas organizativas do espaço urbano – o primeiro nível definido pela rede viária, pela rede de transportes públicos e pela rede de comunicações; o segundo nível definido pela rede de produção, pela rede de consumo e pela rede doméstica; e, finalmente, o terceiro nível definido pela rede/território residencial urbano (DUPUY, 2008 [1991]). A consequência mais visível no território metropolitano consiste numa maior conexão entre os diversos pontos ligados pela rede, mas por outro lado, também uma maior desconexão e fragmentação do tecido urbano, com o aparecimento de novas áreas de crescimento da cidade, com lógicas distantes da tradicional contiguidade, mas em que as distâncias são medidas em tempo de deslocação. A criação da rede infraestrutural permitiu, então, uma extensão urbana ilimitada suportada pela conectividade, mas também esteve na base do aparecimento de antigas áreas industriais obsoletas (substituídas por cadeias produtivas distintas, apoiadas na distribuição), áreas de vazio entre
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Sector quaternário, ou terciário superior, da economia é uma expansão dos três sectores tradicionais, que classifica as atividades relacionadas com serviços intelectuais, especificamente, com a geração e difusão de conhecimento: cultura, educação, tecnologias de informação, investigação e desenvolvimento.
10 | FILAMENTOS METROPOLITANOS. A emergência de morfologias especializadas no território metropolitano de Lisboa ocupações urbanas, expectantes pela infraestruturação planeada ou simplesmente desinteressantes sob a óptica de deslocação metropolitana.
Por outro lado, as alterações no campo económico, relacionadas com os avanços tecnológicos e dos transportes, assumiram uma grande importância para a viragem da economia centrada no sector produtivo, para uma economia apoiada nos transportes e nos serviços. Assim, do modelo de produção industrial, de concentração em áreas de grande presença territorial, passou‐se a um modelo pós‐fordista centrado nos serviços e caracterizado pela segmentação dos ciclos produtivos e sua consequente deslocação para localizações distantes, impulsionando o crescimento das atividades de processamento e distribuição dos bens.
Por outro lado, a transformação de uma economia local para uma economia global foi suportada pela melhoria da capacidade de transportes de mercadorias, mas também pelas inovações no campo das telecomunicações (CASTELLS, 2009 [1999], SASSEN, 2001), que permitiram o contacto a grandes distâncias e a criação de uma vasta rede de transações económicas e produtivas, estabelecendo ligações virtuais entre pontos distantes do globo, sem a necessidade de presença física entre os diferentes intervenientes no processo. As principais consequências territoriais nos países desindustrializados formalizaram‐se no abando das vastas áreas industriais obsoletas e na viragem para áreas de concentração periférica de pequenas e médias empresas, que procuram tirar o melhor partido das sinergias entre as diferentes atividade. Distanciam‐se, então, das anteriores áreas industriais a nível programático pela mistura funcional entre atividades de investigação, desenvolvimento e produção, assim como de produção, distribuição e comércio.
Finalmente, a nível individual, são múltiplas as causas que sustentam a fragmentação do território metropolitano, porque se por um lado, as novas tecnologias permitiram um maior grau de liberdade e de deslocação espacial, por outro lado vieram colocar a questão da necessidade de existência de espaço físico para o contacto social e exercício de cidadania, em alternativa aos tradicionais espaços públicos, uma vez que cada indivíduo poderá criar a sua própria rede de interação a partir do acesso à tecnologia (VIEIRA, 2008). O acesso e utilização generalizada das novas tecnologias de telecomunicação e o automóvel privado permitiram maior mobilidade territorial que impulsionou a visão fragmentada e o uso alargado do território metropolitano, sustentando o aparecimento de deslocações variadas e distantes dos movimentos pendulares de trabalho‐casa e para a construção de uma realidade urbana individual (ASCHER, 2010 [2001]). Para este fenómeno contribuíram, igualmente as novas formas de socialização, os locais físicos (ou virtuais) onde decorre, os novos padrões familiares e a multiplicidade de solicitações e ofertas de práticas urbanas associadas ao lazer e consumo. O habitante do espaço mosaico territorial (LLOP, 2008), o cidadão cyborg (GRAHAM, [et
al.], 2001, SARAIVA, 2008), move‐se e habita em cidades dispersas, com peças ligadas por
infraestruturas de mobilidade de alta velocidade, percorridas com recurso ao automóvel e de forma fragmentada, por oposição ao flâneur do século XIX que percorria as avenidas contínuas e densas, o que origina diferentes formas de socialização, de apropriação do espaço físico (e virtual) e cidadania.
FILAMENTOS METROPOLITANOS. A emergência de morfologias especializadas no território metropolitano de Lisboa | 11 Da postura analítica face a este conjunto de transformações recentes surgiu a identificação da crescente tendência para a especialização das áreas periféricas de concentração de atividades económicas, embora nem sempre acompanhadas por um planeamento e desenho adequado dos espaços urbanos. O resultado evidencia a segregação dos novos núcleos urbanos especializados em relação aos tecidos envolventes, constituindo formações por justaposição ao longo de linhas de força associadas às infraestruturas viárias de grande velocidade, que integram a rede metropolitana e permitem um alto grau de conectividade, em pontos estratégicos. Esta segregação espacial apresenta‐se como um dos problema que se pretende abordar através da desmontagem dos processos e das lógicas subjacentes à formação de áreas especializadas, com vista a revelar e demonstrar o potencial do plano/desenho/funcionamento do conjunto formado pelas infraestruturas, núcleos emergentes e a sua envolvente, de forma a gerar melhorias na qualidade destes espaços e na vida dos seus habitantes.
O desafio coloca‐se, então, na leitura e descodificação da paisagem metropolitana contemporânea, a partir deste conjunto de espaços que apresentam grande dinamismo e adaptação. O principal motor da investigação foi a vontade de entender as lógicas que sustentam os processos de transformação urbana ao longo do tempo, as configurações urbanas resultantes e os elementos que as determinam, focando o contexto específico do território metropolitano de Lisboa. No entanto, ao longo do período de desenvolvimento do presente trabalho, verificaram‐se múltiplas transformações na realidade metropolitana, que vieram introduzir novas visões e a necessidade de ajustes ao rumo da investigação no sentido de uma abordagem multidisciplinar gradualmente mais alargada, como está presente ao longo deste documento.
12 | FILAMENTOS METROPOLITANOS. A emergência de morfologias especializadas no território metropolitano de Lisboa
FILAMENT Fig. 2 Fig. 4 Fig. 6 Fig. 8 TOS METROPOLLITANOS. A emeergência de moorfologias espec Fig. 3 Fig. 5 Fig. 7 Fig. 9 cializadas no te rritório metroppolitano de Lisb boa | 13
14 | FILAM Fig. 10 Fig. 12 Fig. 2: Foto Fig. 3: Foto Fig. 4: Foto Fig. 5: Foto Fig. 6: Foto Fig. 7: Foto Fig. 8: Foto Fig. 9: Foto Fig. 10: Fo Fig. 11: Fo Fig. 12: Fo Fig. 13: Fo MENTOS METR ografia (1) Fábr ografia (2) Cent ografia (3) Plata ografia (4) Port ografia (5) Arm ografia (6) Arm ografia (7) Arqu ografia (8) Lago otografia (9) Mo otografia (10) Ce otografia (11) Es otografia (12) Es OPOLITANOS. A rica Solvay, Póv tral de tratame aforma logística to de Setúbal, M azéns logísticos azéns DHL, Par uiparque, Linda oas Park, Porto ontijo retail par entro comercia spaço onde ope spaço onde ope A emergência d voa de S. Iria – V nto e recolha d a do Sobralinho Mitrena – Setúb s, Alverca do Ri rque industrial d ‐a‐Velha – Oeir Salvo – Oeiras rk, Montijo. 201 l Beloura, Sintr erava a Siderurg erava a CUF, Lav de morfologias Fig. 1 Fig. 13 V.F.Xira. 2013. de resíduos Valo o, S. João da Ta bal. 2013. ibatejo – V.F.Xi do Passil – Alco ras. 2013. . 2013. 13. a. 2012. gia Nacional, P vradio – Barrei especializadas 1 3 or Sul, S. João d lha – Loures. 20 ra. 2013. ochete. 2013. aio Pires – Seix ro. 2013. no território m daTalha – Loure 013. al. 2013. metropolitano d es. 2013. e Lisboa
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O contexto específico de Lisboa
A presente investigação centra‐se nas alterações ocorridas nos últimos cinquenta anos, no seu significado, causas e efeitos, definindo como objecto de estudo as alterações na estrutura e a emergência de áreas periféricas especializadas no território metropolitano de Lisboa. Embora a temática incida sobre uma região já abordada por variados autores, a investigação foca o aspecto específico relacionado com a configuração urbana destas áreas e estabelece uma leitura alargada do território, estruturada pelas transformações operadas pelos espaços destinados às atividades económicas que ocuparam a periferia de Lisboa, desde a segunda metade do século XX.
A relação entre os filamentos metropolitanos, as dinâmicas económicas, sociais e políticas e a configuração metropolitana é uma questão de fundo, para a qual se procuram respostas na interpretação destas formações urbanísticas emergentes, como parte integrante do conjunto que necessita de estabelecer um diálogo com os tecidos envolventes. Desta forma, é considerado como área de observação o território metropolitano de Lisboa – entendido como o limite administrativo da Área Metropolitana de Lisboa, com os seus 18 municípios8, em conjunto com o município de Benavente – por se tratar do território em que a estrutura metropolitana tem mais impacto na
ocorrência de fenómenos de alteração de ocupação de usos de solo cujo estudo se propõe, através de uma leitura independente dos seus limites administrativos (MORGADO, 2005). Lisboa é assim
entendida como uma laboratório metropolitano, assente numa perspectiva alargada e mais próxima das reais dinâmicas de funcionamento da região – esta abordagem tem vindo a guiar variadas investigações9 que partem da vontade de conhecer, caracterizar e descodificar esta realidade metropolitana para poder depois operacionalizar e propor estratégias para um melhor funcionamento e melhorias na qualidade de vida dos seus habitantes.
A par com a construção da rede de mobilidade, a constituição de áreas de especialização funcional ligadas às atividades económicas no território metropolitano de Lisboa foi fruto de um processo. A