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O questionário como recurso da coleta de dados

No documento 2019DeboraGasparFalkembackOliboni (páginas 59-64)

2 PERCURSO METODOLÓGICO: A INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA

2.3 O questionário como recurso da coleta de dados

Após aprovação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética da Universidade de Passo Fundo e permissão da Secretaria de Educação do Município de Passo Fundo, a segunda etapa da pesquisa se constituiu por meio do encaminhamento de questionários (colocado no

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apêndice), para os professores da Educação Infantil André Zaffari, com o intuito de responder e verificar questões sobre as percepções de leitura e literatura de cada educador e a maneira como conduz o trabalho com o livro literário.

A pesquisadora foi até a escola André Zaffari e explicou a proposta da pesquisa aos professores, suas intenções e objetivos com o estudo, esclarecendo os motivos da escolha daquele campo de trabalho e dos sujeitos da pesquisa envolvidos, professores e alunos. Logo após, entregou uma carta de intenções aos professores e o questionário, composto, dentre outros itens, de um texto que dava destaque à importância e à necessidade de respostas congruentes para melhor análise e interpretação das questões. Sobre esse processo, Martins (2008, p. 10) afirma:

Nesta etapa, são iniciadas reflexões e ações para a definição do escopo do objeto do estudo, e enunciadas proposições- teses – que compõe uma teoria preliminar sobre o caso, sendo discutidas e defendidas ao longo do trabalho, na busca de uma teoria que possa explicar o fenômeno da investigação.

O questionário foi elaborado com a intenção de ter acesso a informações que possibilitassem conhecimentos sobre os dados pessoais e profissionais dos educadores, entre eles, tempo de atuação na Educação Infantil, grau de formação, como foi a formação leitora, as concepções sobre leitura, literatura, investigando como foco principal a forma que cada professor conduz o trabalho com o literatura, sob uma nova perspectiva, destacando as experiências com a leitura vivenciada pelas crianças.

Partindo, então, das observações e do diagnóstico levantado com informações relevantes, os questionários são analisados com o propósito de compreender como ocorrem as práticas leitoras das professoras, discutindo possíveis divergências entre o trabalho com a literatura e a concepção de leitura exposta nos questionários.

Nessa linha de pesquisa, o questionário é um importante e popular instrumento de coleta de dados para uma pesquisa social. Constitui-se de uma lista ordenada de perguntas que são encaminhadas para potenciais informantes, selecionados previamente. Como explica Martins (2008, p. 36): “trata-se de um conjunto ordenado e consistente de perguntas a respeito de variáveis e situações que se deseja medir ou descrever”.

A definição das perguntas da pesquisa é o passo mais importante a ser dado em um processo de estudo. “O questionário tem como pré-requisito a elaboração de um impresso próprio com questões a serem formuladas na mesma sequência para todos os informantes” (PRODANOV; FREITAS, 2013, p. 196). Assim, delimitando o tema e escolhido o campo de

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análise, o próximo passo é formular com clareza perguntas a serem respondidas pela investigação. A esse respeito, Martins (2008, p. 14) enfatiza:

A questão da pesquisa poderá ser expressa, preferencialmente, em forma interrogativa. Questões que favorecem a adoção de uma estratégia de Estudo de Caso são, prioritariamente, da forma: por quê? E como? Tais questões ensejam aprofundamento e tratamento de uma multiplicidade de dimensões, características principais do desafio de se empreender uma estratégia de pesquisa do tipo Estudo de Caso.

Duas técnicas de coleta de dados são utilizadas: a observação e o questionário ordenado, respondido por adesão, pelos professores da Educação Infantil da Escola Municipal André Zaffari, em Passo Fundo, Rio Grande do Sul. O instrumento foi composto por perguntas fechadas e abertas: no primeiro caso, podem ser dicotômicas ou de múltipla escolha; no segundo, – perguntas que conduzem o informante a responder livremente com frases e orações” (MARTINS, 2008, p 37).

As perguntas 1 a 14 do questionário circundaram aspectos relacionados à identificação e à escolaridade. Ao tempo de trabalho na Educação Infantil As questões 15 a 22 diziam respeito ao perfil leitor dos docentes; a concepção leitora foi tema das questões 15 a 17; as preferências literárias foram investigadas nas questões 23 a 25; os espaços de leitura e s tradições culturais foram pauta das questões 26 a 35; a Educação Infantil foi abordada nas questões 36 a 38; a Literatura Infantil, nas questões 39 a 52. As perguntas ainda tinham como propósito identificar outros perfis, tais como: a relação do educador com a leitura na contemporaneidade; se o sujeito se julga leitor; quais os seus hábitos e inclinações de leitura; os estímulos literários; o vínculo com a internet e a vida cultural; tempos dedicados a leitura e lugares de preferência; motivos que o levaram a tornar-se professor da Educação Infantil; sua concepção de literatura infantil; como incentiva o hábito da leitura nos alunos; abordagem da importância das histórias infantis no processo de conhecimento da leitura; resgate da trajetória leitora, buscando o acesso aos gêneros mais lidos e aos estímulos na caminhada de leitura até a graduação; incentivo recebido de algum familiar para a escolha profissional; sua prática docente na Educação Infantil; metodologias utilizadas no trabalho com a literatura. As respostas permitiram que se diagnosticasse um elo relacionado à formação leitora dos professores e à sua concepção de leitura, associado às metodologias utilizadas na prática para o trabalho com o texto literário.

A coleta de dados ocorreu inicialmente no mês de junho de 2018, relacionou a escola André Zaffari, vinculada à Secretaria Municipal de Passo Fundo. Nesse mesmo período, os questionários foram levados à escola com a Carta Convite ou de Apresentação. Foram entregues

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treze questionários diretamente aos professores e, após o prazo combinado de quinze dias, procedeu-se ao recolhimento dos instrumentos. Dos 13 questionários entregues, obteve-se o retorno de 12, correspondendo a 92.30%, quadro que traduz a disponibilidade e o interesse dos professores da Educação Infantil dessa escola em contribuir com a pesquisa. Os documentos aqui referidos são apresentados como anexo, ao final desta dissertação.

Com o intuito de assegurar e manter a imagem dos professores, optou-se em estabelecer nomes de flores para cada sujeito pesquisado: Rosa, Orquídea, Girassol, Violeta, Margarida, Amor-Perfeito, Lírio, Hortênsia, Jasmim, Flor de Laranjeira, Tulipa e Brinco de Princesa. Sobre a importância de manter a integralidade dos participantes, André (2008, p. 39) comenta que é “justamente essa estrutura flexível e aberta que torna o estudo de caso atrativo para muitos, principalmente para aqueles que se sentem à vontade frente ao novo, ao imprevisto, que gostam de trabalhar em condições pouco estruturadas e que aceitam o desafio do incerto, do impreciso”. Desse modo, para desenvolver um estudo de caso que seja qualitativo, o pesquisador precisa, antes de tudo, saber conviver com as dúvidas e incertezas que ocorrem durante o desenvolvimento de sua investigação. Deve ser aberto e flexível a situações inesperadas. Por isso, decisões sobre o método de coleta, sobre o local, os sujeitos envolvidos, o tempo, a análise do conteúdo comumente têm de ser repensadas e modificadas ao longo do processo.

Sobre isso, Marli Eliza Dalmazo Afonso de André (2008, p. 41) relata:

Nesse momento, o pesquisador vai fazer uma “leitura” interpretativa dos dados, recorrendo sem dúvida aos pressupostos teóricos do estudo, mas também às suas intuições, aos seus sentimentos, enfim à sua sensibilidade. É esse movimento de vai- e-vem da empiria para a teoria e novamente para a empiria, que vai tornando possível à produção de novos conhecimentos.

A subjetividade transcende a neutralidade do pesquisador, pois, desde a seleção do problema de pesquisa e das escolhas metodológicas, com a seleção dos aportes teóricos concebidos, as indagações sempre evidenciam a postura do investigador. Ele precisa ser criativo, utilizar sua experiência pessoal e intuição para, “quando começar a olhar o material coletado, tentar apreender os conteúdos, os significados, as mensagens implícitas e explícitas, os valores, os sentimentos e as representações nele contidos” (ANDRÉ, 2008, p. 41).

Quanto à análise e à tabulação da investigação, com referência às práticas e às concepções de leitura dos professores de Educação Infantil da escola pública municipal André Zaffari, de Passo Fundo, as perguntas fechadas abrangeram alternativas fixas, de múltipla escolha, “em que o pesquisador se depara com dois aspectos essenciais: o número de alternativas oferecidas e os vieses de posição” (PRODANOV; FREITAS, 2013, p. 110).

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As perguntas abertas proporcionaram aos educadores a liberdade de responder com suas próprias palavras, sem estar frente a frente com a pesquisadora, o que gerou maior comodidade e tempo, pois puderam refletir melhor sobre as questões expostas. Para o progresso da tabulação, os dados foram estruturados, organizados e quantificados, de configuração sistemática, como os quantitativos retratados nas questões discursivas, uma vez que perguntas abertas “são livres, permitem que o informante responda livremente. Nesse caso, a análise dos dados é difícil, cansativa, demorada” (PRODANOV; FREITAS, 2013, p. 109).

Sobre o nível da análise do conteúdo, existe a organização por fases, que compreende três etapas: a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos dados e interpretações. “Entre a descrição e a interpretação, interpõe-se a inferência, buscando-se entendimentos sobre as causas e os antecedentes da mensagem, bem como seus efeitos e consequências” (MARTINS, 2008, p. 35). Assim, a categorização foi realizada pelo reconhecimento do âmago das respostas, nos detalhes dos dados e as informações disponíveis, estabelecendo um elo com os estudos teóricos dos autores sobre o assunto.

Procedeu-se, após a tabulação, à síntese e à análise. As categorias de análise desta investigação procuraram identificar o perfil dos professores da Educação Infantil da escola municipal André Zaffari de Passo Fundo, bem como sua trajetória de leitura e concepções acerca da Literatura Infantil. Tiveram especial relevância dados como as preferências literárias; os espaços de leitura e as tradições culturais; e a opção profissional, com enfoque nas experiências literárias proporcionadas às crianças em situações concretas com a leitura.

Decidiu-se, portanto, pelo estudo de campo, realizado pela observação e aplicação de questionários semiestruturados, com questões abertas e de múltipla escolha, os quais combinam questões abertas e fechadas, oportunizando à investigadora informações e a melhor condução do tema, delineado aos professores que fazem parte do corpus de análise da presente investigação.

Nesse sentido, pode-se afirmar que o estudo que ora se apresenta visa valorizar as especificidades de cada objeto, reconhecendo a importância da socialização dos agentes da pesquisa nessa fase do conhecimento, por meio de uma prática interpretativa interdisciplinar situada e vivenciada em momentos concretos com o livro literário.

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No documento 2019DeboraGasparFalkembackOliboni (páginas 59-64)