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Produto final

SIGEO-ALMADA

V. O SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEO-ALMADA

2. O SIGEO-ALMADA

2.1 Bases de Dados

O sistema de informação concebido neste trabalho integra um conjunto de bases de dados desenvolvidas em ACCESS®, uma parte dos quais, por serem georreferenciados, podem ser visualizados em ambiente SIG, compatíveis com os formatos de ficheiros utilizados pelo GEOMEDIAPROFESSIONAL® da Intergraph. Todos estes ficheiros têm por base o sistema de projecção Transversa de Mercator, utilizando o elipsóide de Hayford (Internacional) como referência, longitude -8:07:54.862 e latitude 39:40:00.000, com unidades em metros; o datum planimétrico é o 73 e as coordenadas têm uma falsa origem no ponto X=180.60 m e Y=-86.99 m. O datum altimétrico utilizado é sempre o do marégrafo de Cascais. A área estudada e cartografada tem uma superfície de cerca de 70 km2 e estende-se entre os meridianos -86300 e -98000 e os paralelos -108000 e -124000, aproximadamente.

Os dados pontuais obtidos encontram-se divididos por duas bases de dados: uma, que contém os referentes a estudos geológicos e geotécnicos, designada de AlfaGEO e outra, com os elementos relativos aos furos de pesquisa e captação de água, designada de FurosGEO. Os resultados obtidos em todos os ensaios de laboratório integram a base alfanumérica LAB_GEO. As tabelas que constituem estas BD são as referidas em III.4 e descritas no Anexo I. A tabela PERFIL_VERTICAL, apresentada em IV.4 e descrita no

Anexo II, permite visualizar e analisar espacialmente a informação contida naquelas três bases.

Os resultados dos trabalhos de cartografia foram incluídos num conjunto de cartas base, digitais, com resolução da escala 1:5 000, adiante apresentadas, às quais se associou informação alfanumérica, segundo a estrutura de dados definida em IV.4 e pormenorizada no Anexo II. A cada tema desenvolvido corresponde uma base de dados, georreferenciados - Declives, Litologia (inclui a litologia, tectónica e outras áreas do concelho para as quais não se obteve informação litológica) e Perigos_Geológicos (movimentos de terrenos e fenómenos de erosão).

A partir deste conjunto básico de informação foi derivada outra, também espacialmente referenciada e com temática no domínio da cartografia geotécnica, apresentada no capítulo seguinte e que integra uma nova base, designada de Derivadas, cujo dicionário de dados se encontra no Anexo III.

A escala óptima das análises efectuadas no presente trabalho é, para a maioria dos dados, a 1:5 000 mas, para minimizar eventuais imprecisões nos limites, considera-se que as cartas derivadas e de síntese não têm precisão superior à da escala 1:10 000. Dada a dimensão da área estudada, acompanham a presente dissertação dois tipos de cópias em papel a ilustrar as cartas digitais elaboradas: no corpo da tese incluem-se figuras em formato A3, na escala 1:50 000, e no Anexo IV deste trabalho apresentam-se cartas em formato A1, nas escalas 1:25 000. Optou-se apenas por apresentar a carta considerada mais importante, a de unidades geotécnicas, na escala 1:10 000, encontrando-se nela assinalados os pontos de inventário da prospecção geotécnica incluídos na BD. Contudo, uma vez que o formato digital da informação é o fundamental, este trabalho é acompanhado por um CD-Rom, com as bases de dados que integram o SIGEO-ALMADA (AnexoV).

2.2 Aquisição de Dados

Foi necessário seleccionar o método de carregamento dos dados para constituir o SIGEO-ALMADA. Aquele poderia desenrolar-se, essencialmente, de duas maneiras:

• entrada de todos os dados semânticos directamente, por teclado ou

scanner com ulterior reconhecimento óptico de caracteres, com base na

leitura dos registos dos diferentes relatórios e elementos pontuais ou de fichas previamente normalizadas, para as diferentes tabelas definidas no sistema de gestão de base de dados adoptado;

• entrada para a BD via menus do SIG, executando primeiro a entrada dos dados gráficos e, em seguida, o carregamento dos respectivos atributos.

De entre os vários estudos entretanto realizados sobre este assunto, salienta-se o de

POWER et al. (1995) que aludem a um projecto de cartografia digital das Ciências da Terra em ambiente SIG. Estes autores referem que, daquelas duas opções acima referidas, a segunda é a preferida, por impor menos problemas no carregamento e possibilitar um controlo melhor sobre os dados introduzidos na BD. Para além disso, esta metodologia requer, por um lado, menor nível de perícia do operador e, por outro, uma diminuição no tempo dispendido em posteriores validações. Uma das principais vantagens, contudo, será a de permitir executar uma conferência cruzada, simultânea, da localização do ponto no écran e das respectivas coordenadas cartesianas (X,Y) e altitude (h), com as que aparecem nos vários registos analógicos. Evitam-se, assim, eventuais erros que possam existir na fonte ou que derivem de equívocos do operador na introdução de coordenadas através do teclado.

Adoptou-se, como método, executar o carregamento das informações semânticas à medida que os correspondentes elementos gráficos fossem digitalizados em ambiente SIG. Contudo, alguns dados referentes aos ensaios de laboratório ou de campo foram carregados directamente em ambiente ACCESS®.

Os maiores problemas quanto à entrada dos dados gráficos na base foram os relativos à litologia e tectónica, bem como a construção do modelo digital de terreno.

A digitalização das minutas das diferentes cartas temáticas que versavam os diversos aspectos geológicos e geotécnicos abrangidos pelo estudo foi efectuada em duas fases:

• primeiramente, realizou-se a rasterização em scanner óptico da Vidar

Systems Corporations com uma resolução de 400 dpi, utilizando o

respectivo software, True Info Quick Scan®, versão 1.3.5 de 1998; a

georreferenciação de cada ficheiro, para a qual se utilizaram, em regra, entre 5-6 pontos do sistema de coordenadas cartesiano, foi realizada em ambiente Microstation® da Bentley Systems Incorporated, versão 05.05.01.64 de 1995, recorrendo ainda ao I/RASC® da Intergraph, versão 06 de 1999;

• em seguida o ficheiro, em formato cfg, foi importado para o GEOMEDIA PROFESSIONAL®, da Intergraph, efectuando-se a respectiva

vectorização.

Uma vez vectorizadas as diferentes folhas das cartas que cobrem o concelho, os respectivos contactos eram acertados e gerada a sua união. Este procedimento é importante para garantir a integridade dos elementos geológicos representados e uma certa suavidade nos contactos, uma vez que estes, na maioria dos casos, não estão perfeitamente alinhados.

O carregamento dos pontos de inventariação de dados pontuais e a elaboração do modelo digital de terreno foram executados numa estação de trabalho TDZ 2000-GX1, com Pentium II xeon TM a 450 MHz e 500 Mbytes de memória RAM e 4 Gbytes de disco

rígido. As aplicações utilizadas no desenrolar destes trabalhos foram também a versão de Microstation® já acima referida e, no caso do modelo digital e elaboração da carta de declives, recorreu-se ainda ao Site Select CAD® da Intergraph, versão 08.00 de 1999.

No caso dos dados relativos aos elementos de prospecção inventariados (sondagens, trincheiras, poços, furos e pontos de colheita de amostras) e para minimizar os erros de carregamento das coordenadas cartográficas por teclado, depois de se confirmar se os elementos geométricos (pontos) estavam completos em ambiente CAD, optou-se por uma aquisição diferente para o SIG. Assim, a partir de ficheiros digitais, em formato dgn, utilizou-se um editor próprio deste programa (EDG) e obteve-se uma listagem das coordenadas de projecção (X,Y) e a altimetria (z) de todos os pontos de informação. Em seguida, exportou-se esta informação para o Microsoft EXCEL® e foram estes os dados que foram importados para o GEOMEDIA PROFESSIONAL®, através de ligação a uma tabela externa seguida da sua geocodificação.

O controlo de qualidade dos dados digitalizados/geocodificados incluiu sempre uma inspecção visual com base em impressões em plotter de rolo A0, a jacto de tinta, modelo HP 750 Plus, com uma resolução máxima de 600 dpi. Compararam-se, assim, os limites/pontos de observação do ficheiro digital com os das cartas analógicas originais (respectivamente, nas escalas 1:5000 e 1:1000), para garantir que os dados estavam completos e avaliar a exactidão da vectorização/conversão de dados. Só então, em ambiente GEOMEDIA PROFESSIONAL®, se converteu cada um dos ficheiros vectoriais para uma estrutura topológica. Para o efeito recorreu-se às ferramentas de manipulação, edição e validação dos elementos gráficos disponibilizadas pelo software a fim de validar a topologia. Seguidamente, povoaram-se os atributos das tabelas associadas. Deste

software foram utilizadas três versões no desenrolar dos trabalhos: desde a versão 2.0

até à versão 04.00.22.12 de 2000, tendo-se migrado sucessivamente a informação; o mesmo se passou com as versões de ACCESS® utilizadas, do Office 97® para a do 2000®.

As características geotécnicas para cada unidade cartografada foram extraídas da BD e transferidas para um programa de estatística para processamento e interpretação (determinação dos valores mínimo, máximo, média, etc.). Os restantes dados foram analisados com o recurso às ferramentas disponibilizadas pelo SIG, permitindo obter “cartas derivadas e de síntese”.

Apresenta-se, seguidamente, uma descrição mais pormenorizada das cartas digitais incluídas no SIGEO-ALMADA e da análise dos dados efectuada.