Produto final
4. PROPOSTA DE BASE DE DADOS GEORREFERENCIADOS
4.1 Metodologia
Pretendeu-se criar uma BD espacial que possibilite a ligação entre a representação gráfica dos objectos geológicos e as suas características geológicas e geotécnicas e que permita pesquisar a informação geográfica no que se refere a litologia, falhas, propriedades geotécnicas ou hidrogeológicas, fotografias e pontos de informação (sondagens, furos de captação, poços e/ou trincheiras). O objectivo foi, assim, organizar um núcleo base e um pequeno conjunto de tabelas alfanuméricas associadas que, futuramente, podem ser complementadas face a necessidades específicas. Desde que a informação esteja convenientemente indexada, poder-se-ão obter deste repositório de dados geológicos e geotécnicos, espacialmente referenciados, vários mapas para uma área geográfica específica, no caso o concelho de Almada. O ideal é que tais dados possuam todos a mesma resolução, e que esta seja a melhor possível.
A carta geotécnica é, como se referiu no capítulo II, uma síntese de informação obtida a partir de cartas de dados básicos, e outras derivadas das anteriores, com dados já interpretados.
As entidades a considerar no modelo lógico, constituem três grupos (LAXTON & BECKEN, 1996):
1) Sem componente espacial - são por exemplo as entidades que constituem tabelas em BDR e podem restringir a entrada dos dados na base devido ao seu formato. Estas tabelas podem estar associadas a outras para constituir meios alternativos de classificação; é o caso do domínio litológico associado ao domínio litostratigráfico.
2) Com e sem componente espacial - por exemplo, falhas (nome, tipo e
rejeito); zonas de afloramento de unidades geológicas e entidades lineares, como estratos pouco espessos que, em função da resolução adoptada, sejam representados por uma linha.
3) Entidades cartográficas - são meros elementos gráficos, sobre os
quais não se podem efectuar pesquisas à BD; incluem aqueles que estão inseridos no mapa, mas a que não está associado nenhum elemento espacial: é o caso de notas de texto, bem como a legenda do mapa.
O único ficheiro de dados gráficos existente para o concelho de Almada, o "TAGUS", efectuado em AutoCAD®, versão 3.5i (SILVA, 1990), integra essencialmente as sondagens efectuadas, a grande maioria, junto ao rio Tejo, e as “cartas digitais” relativas à litologia, aos declives e aos movimentos de terreno da faixa marginal do Tejo, entre Cacilhas e Portinho da Costa, nas escalas de 1:2 000 e 1:5 000. Como todos eles se encontram num sistema de coordenadas e numa versão de software cuja transformação implicaria a correcção de demasiados erros, optou-se por não os utilizar e digitalizar novamente essa informação, directamente, a partir das mesmas fontes ou de outra obtida no decurso da presente dissertação (Quadro IV.11).
Para a concepção e desenvolvimento da estrutura dos dados foram seleccionados, à partida, os seguintes critérios:
• existir um número mínimo de tabelas para todas as entidades;
• considerar metadados, como sejam referências bibliográficas relativas ao objecto geológico - fonte original do objecto (descritiva ou gráfica), e informação descritiva dos mapas (originais ou derivados);
• utilizar uma mesma terminologia, através da utilização de listas de termos genéricos e simples para preencher campos;
• evitar a utilização de dicionários de códigos para traduzir os termos geológicos;
• ter um mecanismo para identificar ocorrências de objectos geológicos individuais. Este mecanismo é proporcionado, por exemplo, através da descrição de uma trincheira que interessou uma determinada litologia.
Quadro IV.11 - Principais fontes cartográficas utilizadas.
Autoria Escala Área abrangida do concelho
RODRIGUES-CARVALHO et al.,1989 e 1990 SILVA, 1990.
1:2 000 1:5000
Faixa marginal dos taludes da margem sul do Tejo.
RODRIGUES-CARVALHO et al., 1990 1:5 000
1:2000
Arriba Fóssil da Costa da Caparica, entre a Descida das Vacas e a Lagoa de Albufeira.
LAMAS, 1989 e 1998
1:2 000 1:1000
Faixa marginal dos taludes da margem sul do Tejo e Arriba Fóssil da Costa da Caparica, entre S. Pedro da Trafaria e a Costa de Caparica.
AZEVEDO, 1982 1:25 000 Zona situada a sul do IC 20 - Vala do Caramujo (Plio-
-Quaternário).
MANUPPELLA, PAIS et al., 1995 1:50 000 Zona a sul da Fonte da Telha até ao limite Sul do concelho.
SILVA (presente dissertação) 1:5 000 Todo o concelho.
A interpretação, em computador, de unidades sedimentares para tentar obter uma carta com os dados normalmente disponibilizados, é dificultada pelas variações espaciais e pela eventual inexactidão estratigráfica dos respectivos registos. As imprecisões espaciais devem-se, essencialmente, a áreas onde os limites entre unidades não foram observados directamente; as zonas onde a informação era diminuta e difícil a extrapolação de dados, optou-se por deixá-las sem informação, para serem completadas mais tarde. Por outro lado, a imprecisão estratigráfica deriva das descrições da sequência estratigráfica conterem subdivisões incorrectas, bem como uma caracterização litológica vaga e/ou incompleta. Estes dois tipos de imprecisão ocorrem muitas vezes independentemente um do outro. Um registo de sondagem pode ter uma localização espacial muito precisa e conter uma descrição generalizada da sequência de terrenos, ou inversamente como é o caso dos cortes realizados por
CARVALHO (1968) na zona da Fonte da Telha. Qualquer uma destas imprecisões limita a exactidão da cartografia digital, independentemente da densidade espacial dos dados na base.
As unidades litogenéticas devem ser definidas com base no seu comportamento geomecânico, medido ou estimado, e necessitam de estudos de campo e de laboratório para a recolha das características físicas e mecânicas relevantes de cada tipo litológico. Infelizmente, uma estratégia consistente para extrapolar medições pontuais daquelas propriedades para unidades litológicas cartografáveis ainda não existe; de facto, a variação espacial de cada propriedade medida é geralmente pobre ou totalmente
desconhecida.
Considerou-se que o modelo devia contemplar a observação de locais específicos: trincheiras onde se descreveram sucessões litológicas, se colheram amostras ou se observaram determinados tipos de movimentos de massas, etc..
4.2 Modelo Conceptual
Dado que os SIG interpretam a distribuição geográfica e as relações de entidades através da informação sobre a sua geometria e das respectivas coordenadas, dividiram- se os dados a incluir na BD em função dos que correspondem a objectos com componente espacial na sua descrição, que se traduzem pelas respectivas coordenadas cartesianas (x, y) e altitude (h). Uma vez que se pretende ligar esta BD geométrica a outra, alfanumérica, que contém a descrição de algumas entidades da primeira, estes elementos serão comuns a ambas as BD. Devido à especificidades dos software a utilizar, é necessário constituir vários subconjuntos de tabelas, isto é, de BD, em função das respectivas entidades que foram individualizadas.
O modelo adoptado é apresentado sob a forma de modelo Entidade-Associação (E-A) na Figura IV.2.
Objectos tipo do meio geológico
Objectos geométricos do meio geológico (pontos, linhas, polígonos
e texto)
Objectos geométricos do meio geológico (pontos, linhas, polígonos
e texto)