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CAPÍTULO 3 – A HIPERVULNERABILIDADE DO IDOSO NAS

3.2. Aspectos gerais do superendividamento

3.2.3. O superendividamento no âmbito internacional

Em vista do crescente número de superendividados, grande importância tem sido direcionada nesse sentido e normas protetivas que visam prevenir e tratar o fenômeno

283 DAVIS, Christopher G.; MANTLER, Janet. The consequences of financial stress for individuals,

families, and society. Ottawa: Doyle Salewski, 2004, p. 4.

284 Idem, p. 9.

285 LIMA, Clarissa Costa de. O tratamento do superendividamento e o direito de recomeçar dos

têm sido mais presentes. A atenção dada extrapola fronteiras, pois que o consumidor, dotado de uma vulnerabilidade cada vez maior, está inserido num mercado globalizado. Essa realidade representa a importância do papel do Governo na efetivação das suas políticas públicas na proteção do consumidor, que demanda uma regulamentação de forma integrada286.

No ano de 2001, a International Association of Restructuring, Insolvency &

Bankruptcy Professionals – INSOL Internacional, publicou um relatório de débitos do

consumidor, onde traz princípios e recomendações com vistas a melhorar as relações consumeristas287. A grande preocupação da pesquisa não consistiu apenas na junção de

informações de países que possuiam leis de insolvência dos consumidores, mas também compreender o reflexo desta situação em jurisdições onde não são tão bem estabelecidas sobre o tema, demonstrando formas de como lidar com situações de endividamento.

De acordo com o relatório, solucionar questões provenientes de débito pode ser bem complexo. O nível de abstração das relações jurídicas pode revelar particularidade a cada caso, mas geralmente está associado a questões psicossociais, como divórcio, perda de emprego, entre outros fatores. Estas situações, conforme relatado em item anterior, podem interferir na qualidade de vida e, em muitos casos, podem revelar graves consequências para a saúde do devedor e sua família, na sua forma de vida, podendo causar o isolamento social, ou ainda, sua retirada da vida por completo.

A conclusão dos estudos realizados foi a de que é possível tratar os problemas de endividamento analisando cada caso e sempre observando os princípios basilares, mas que a efetividade na solução do grave problema de gastos em excesso e sem planejamento se dá através da prevenção.

Os princípios elencados foram os seguintes: repartição justa e equitativa dos riscos de crédito ao consumidor; disponibilização de meios de quitação dos débitos, reabilitação ou "novo começo" para o devedor; priorização dos métodos extra-judiciais de resolução de conflitos em detrimento dos métodos judiciais; e prevenção para reduzir a necessidade de intervenção.

Cada um dos princípios traz em seu bojo algumas recomendações. O princípio que trata da prenvenção, trouxe as de n. 8 a 10.

286 PERIN JR., Ecio. A globalização e o direito do consumidor: aspectos relevantes sobre a harmonização legislativa dentro dos mercados regionais. Barueri: Manole, 2003.

287 Consumer Debt Report: Report Of Findings And Recommendations. Disponível em: <http://www.insol.org/pdf/consdebt.pdf>

Recomendação 8 Governos, organizações governamentais ou privadas devem criar programas educacionais e melhorar a informação e o aconselhamento sobre os riscos ligados ao crédito ao consumo.

[...]

Recomendação 9 Os credores devem observar a forma como o crédito é disponibilizado para os consumidores e pequenas empresas, como a informação é apresentada e a forma como estes créditos são recolhidos.

[...]

Recomendação 10 Organizações de credores e consumidores devem criar programas conjuntos para monitorar a inadimplência de empréstimos288. Percebe-se o grande papel do Governo na atuação da prevenção do superendividamento dos cidadãos, tanto no controle da atuação de mercado, quanto na capacitação dos próprios consumidores a atuar de forma consciente.

A crise financeira desencadeada em 2008 fez com que a preocupação com a proteção do consumidor de serviços financeiros se fortalecesse num âmbito mundial.

Vários organismos internacionais passaram a incluir como pauta a necessidade de se implementar uma regulamentação que exija maior rigor na transparência das relações contratuais a fim de evitar práticas abusivas, medidas acerca de indenizações, entre outras.

Já no ano de 2009 foi incluída na pauta do Mercosul o tema crédito e superendividamento do consumidor, pois a realidade se demonstrava crescente nos países-membros. Nos dias 13 e 14.08.2009, houve um Encontro Extraordinário, em Salvador, Brasil, promovido pelo CT n. 7289, com a finalidade de buscar soluções sobre o tema290.

No Encontro, constataram-se algumas problemáticas comuns no mercado de consumo, como a publicidade enganosa, a oferta de forma agressiva, a deficiência das informações prestadas, a venda casada, o abuso cometido em relação aos consumidores idosos e também o superendividamento291.

288 Tradução livre. No original: “Recommendation 8 Governments, quasi-governmental or private organizations should set up educational programmers and improve information and advice on the risks attached to consumer credit. [...] Recommendation 9 Lenders should observe the way credit is made available to consumers and small businesses, information is presented and the way these credits are collected.[…]Recommendation 10 Organizations of lenders and consumers should set up joint programmers to monitor consumer loan delinquencies” (Consumer Debt Report: Report Of Findings And

Recommendations, Op. cit.,p. 28-30).

289 MERCOSUL. Comitê Técnico n. 7 – Defesa do Consumidor. Declaração de Salvador. Disponível em: <www.senado.gov.br/senado/codconsumidor/pdf/declaracao_salvador.pdf>. Acesso em: 21 jul. 2016. 290 LIMA, Clarissa Costa de. O MERCOSUL e o desafio do superendividamento. RDC 73, p. 16-17. 291 Idem, p. 17.

Diante disso, o Comitê de Defesa do Consumidor no Mercosul, tendo como base a observância e a busca pela proteção efetiva dos Direitos do Consumidor292, propôs algumas ações:

(a) criação de um Observatório Mercosul sobre Crédito e Superendividamento, para diagnosticar os principais problemas na concessão de crédito na região; (b) criação de um Laboratório para troca de experiências e integração das políticas públicas e ações de prevenção e tratamento do superendividamento na região; (c) criação de fóruns e debates sobre direito comparado a fim de reconhecer e estudar o quadro normativo e jurídico internacional sobre a prevenção e tratamento do superendividamento293.

Essa discussão avançou nos anos seguintes. O que se pretendeu, no presente momento, foi relatar o ponto inicial do tratamento do tema pelo Mercosul. É muito importante o direito comparado para o avanço da prevenção e do tratamento dos superendividados. Cada Estado possui um arcabouço cultural diferente que pode gerar visões distintas acerca da matéria. O tratamento jurídico dos contratos de crédito não é

292 A Declaração de Salvador traz em seu bojo o reconhecimento da “importância de se assegurar e dar efetividade, dentre outros, aos seguintes Direitos do Consumidor: 1) Direito do consumidor de ser protegido contra toda publicidade enganosa ou que oculte, de alguma forma, os riscos e os ônus da contratação do crédito, ou que façam alusão a “crédito gratuito”; 2) Direito do consumidor de ser protegido contra a concessão irresponsável de crédito; 3) Direito do consumidor de ser protegido contra as práticas abusivas ou que se prevaleçam da sua fraqueza ou ignorância; 4) Direito do consumidor de ter tratamento diferenciado, tendo em vista fatores que elevem a sua vulnerabilidade, tais como sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, em toda a relação de consumo; 5) Direito do consumidor de ter acesso, em toda a relação de consumo, a informações claras, precisas e qualificadas, especialmente sobre o objeto e a duração da operação proposta, o número de prestações, a taxa de juros anual, o custo total do crédito, o preço à vista e o preço total financiado, bem como sobre as características essenciais de cada modalidade contratual (arrendamento mercantil, abertura de crédito, cartão de crédito, entre outros); 6) Direito do consumidor de ter acesso prévio à cópia do contrato, sem a qual ele não se vincula, e, a qualquer momento, à cópia escrita do contrato subscrito; 7) Direito do consumidor de receber uma oferta escrita, na qual deverá constar a identidade das partes, o montante do crédito, a natureza, o objeto, a modalidade do contrato, o número de prestações, a taxa de juros anual e o custo total do crédito. A oferta deverá permitir uma reflexão sobre a necessidade do crédito e a comparação com outras ofertas no mercado; 8) Direito do consumidor de se arrepender nos contratos de crédito ao consumo, em período determinado, possibilitando-lhe desistir do contrato firmado sem necessidade de justificar o motivo e sem qualquer ônus; 9) Direito do consumidor de receber aconselhamento em relação à adequação do crédito pretendido; 10) Direito do consumidor de receber ações e políticas de prevenção e tratamento da situação de superendividamento, de educação para o consumo de crédito consciente e de organização do orçamento familiar; 11) Direito do consumidor que se encontra em situação de superendividamento à renegociação das parcelas mensais, para ter preservado o seu mínimo existencial, com fundamento no princípio da dignidade da pessoa humana; 12) Direito do consumidor de ter o princípio do “empréstimo responsável” respeitado pelo fornecedor, tendo inclusive direito à reparação civil em caso de sua não observância”. MERCOSUL. Comitê Técnico n. 7 – Defesa do Consumidor. Declaração de Salvador. Disponível em: <http://www.senado.gov.br/senado/codconsumidor/pdf/declaracao_salvador.pdf>. Acesso em: 21 jul. 2016.

293 LIMA, Clarissa Costa de. O tratamento do superendividamento e o direito de recomeçar dos

obrigado a seguir o mesmo modelo, mas a sua integração, certamente traz maior concretude na busca pela solução.

Seguindo, interessante destacar os princípios protetivos dos consumidores de serviços financeiros desenvolvidos pela Organisation for Economic Cooperation and

Development – OECD. Eles são intitulados de princípios high-level, e foram criados

para proteger os países do G20 e de outras economias interessadas para aumentar a proteção financeira do consumidor. Os príncípios de alto nível têm a função de complementar e não de substituir quaisquer outros já existentes ou diretrizes internacionais que regulem nesse sentido294. São eles: quadro jurídico, regulamentar e de supervisão; papel dos Órgãos de Supervisão; tratamento justo e equitativo dos consumidores; divulgação e transparência; educação financeira; responsabilidade dos prestadores de serviços financeiros e Agentes Autorizados nos Negócios; Proteção de bens de consumo contra a fraude e uso indevido; Proteção da privacidade e de dados do consumidor; tratamento de reclamações e vias de recurso; e livre-concorrência295.

O nosso país faz parte do G20 e, certamente, a observância aos princípios de alto nível e a aplicabilidade deles de forma complementar aos princípios já previstos na nossa norma interna traria grandes benesses aos consumidores. Alguns dos citados princípios já possuem guarida no nosso ordenamento, e a fundamentação nos princípios

high-level representa um endosso da sua importância nas relações jurídicas.

É de se salientar também a importante contribuição trazida no ano de 2012, por meio do 75º Congresso de Direito Internacional ocorrido em Sófia (Bulgária), realizado pela International Law Association (ILA-Londres)296, que baixou a Resolução n. 04/2012. A Resolução prevê a necessidade de proteger o consumidor no Direito Internacional, e fixou princípios básicos para a sua proteção global. Assim, a proteção do consumidor deve ser guiada pelos seguintes princípios: princípio da vulnerabilidade; princípio da proteção mais favorável ao consumidor; princípio da justiça contratual; princípio do crédito responsável; e princípio da participação dos grupos e associações de consumidores.

294 G20 high-level principles on financial consumer protection. Disponível em: <http://www.oecd.org/regreform/sectors/48892010.pdf> Acesso em: 01 ago. 2016.

295 G20 high-level principles on financial consumer protection. Disponível em: <http://www.oecd.org/regreform/sectors/48892010.pdf> Acesso em: 01 ago. 2016.

296 A ILA é um dos principais fóruns de Direito Internacional do mundo. A conquista tem grande contribuição brasileira através da jurista Claudia Lima Marques, que presidiu o Comitê de Proteção Internacional dos Consumidores, composto por juristas de 14 (quatorze) países, sendo os relatores o Professor Diego Fernández Arroyo, da Faculdade Science-Politique de Paris (França) e a Professora Wei Dan, da Universidade de Macau (China).

1. Os consumidores são a parte mais fraca em situações de contratos de massa ou de contratos-tipo, nomeadamente no que respeita à informação e ao poder de negociação.

2. É desejável desenvolver normas e aplicar regras de direito internacional privado que dêem aos consumidores o direito de beneficiarem da proteção mais favorável do consumidor.

3. A regulamentação dos contratos celebrados com os consumidores deve ser eficaz e equitativa e garantir a transparência.

4. O crédito responsável incumbe a todos os envolvidos em operações de crédito ao consumo, incluindo fornecedores de crédito, corretores e consultores.

5. Os grupos de consumidores devem participar activamente no desenvolvimento e regulamentação da proteção dos consumidores297.

Assim como os princípios high-level, constatamos a existência de alguns destes princípios internamente.

Ao par das tratativas no âmbito do Direito Internacional Privado, alguns países regulamentam a matéria.

A doutrina portuguesa define o superendividamento como “a impossibilidade do devedor, de uma forma durável ou estrutural, de pagar o conjunto das suas dívidas, ou mesmo quando existe uma ameaça séria de que não possa fazê-lo no momento em que elas se tornarem exigíveis”298. Assim como no Brasil, não há norma específica acerca do superendividamento, mas há de se ressaltar a previsão da insolvência do devedor tratada no âmbito empresarial, através do Código da Insolvência e Recuperação de Empresas – CIRE. O artigo 3º, 1, dispõe que “É considerado em situação de insolvência o devedor que se encontre impossibilitado de cumprir as suas obrigações vencidas”299. O citado dispositivo trata da pessoa física.

Tratando o tema de forma mais avançada, adentramos na seara no sistema francês, que possui norma evidenciando o superendividamento explicitamente.

Artigo L 330 - 1. A situação de sobreendividamento de pessoas físicas é caracterizada pela impossibilidade manifesta de o devedor de boa-fé para

297 Tradução livre. No original: “1. Consumers are the weaker party in situations of mass contracts or standard form contracts, in particular concerning information and bargaining power. 2. It is desirable to develop standards and to apply rules of private international law that would entitle consumers to take advantage of the most favorable consumer protection. 3. Regulation of consumer contracts should be effective and fair and ensure transparency. 4. Responsible lending is incumbent on all those involved in consumer credit transactions, including credit providers, brokers and advisors. 5. Consumer groups should participate actively in the development and regulation of consumer protection”

298 MARQUES, Maria Manuel Leitão (coord.). O endividamento dos consumidores. Coimbra: Almedina, 2000, p. 2.

299 PORTUGAL. Decreto-Lei n.º 53, de 18 de Março de 2004.Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas. Disponível em:

<http://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_busca_assunto_diploma.php?buscajur=em+situa%E7%E3o+de+insolv %EAncia+o+devedor+que+se+encontre&exacta=on&artigo_id=&pagina=1&ficha=1&nid=85&tabela=leis &diplomas=&artigos=&so_miolo=> Acesso em: 03 jul. 2016.

satisfazer todas as suas dívidas não profissionais devidas e exigíveis. A incapacidade se manifesta por pessoa física de boa fé para cumprir o compromisso que deu para endossar ou solidariamente pagar a dívida de um empresário individual ou de uma empresa também caracteriza uma situação de sobreendividamento. O simples fato de ser proprietário de residência principal com valor estimado, igual ou superior ao montante das suas dívidas não profissionais exigíveis, vencidas ou vincendas, não impede a caracterização do sobreendividamento.300.

No âmbito francês, o tratamento do superendividado visa à manutenção do mínimo existencial para o indivíduo desde o seu primeiro delineamento na Lei de

Neiertz, no ano de 1989.

A proteção se dá, inicialmente, através da atuação administrativa da Comissão Departamental de Superendividamento, que objetiva promover uma conciliação entre o devedor e os credores, cujo objetivo é a elaboração de um plano de recuperação301. O plano pode incluir medidas de adiamento ou reescalonamento dos pagamentos da dívida, o perdão da dívida, redução ou eliminação das taxas de juro, consolidação, criação ou substituição de garantia.

Caso não haja acordo entre as partes, o Code prevê que a Comissão pode, a pedido do devedor, fazer recomendações extraordinárias, como promover a

300 Tradução livre. No original: “Article L 330 – 1. La situation de surendettement des personnes physiques est caractérisée par l'impossibilité manifeste pour le débiteur de bonne foi de faire face à l'ensemble de ses dettes non professionnelles exigibles et à échoir. L'impossibilité manifeste pour une personne physique de bonne foi de faire face à l'engagement qu'elle a donné de cautionner ou d'acquitter solidairement la dette d'un entrepreneur individuel ou d'une société caractérise également une situation de surendettement. Le seul fait d'être propriétaire de sa résidence principale et que la valeur estimée de celle-ci à la date du dépôt du dossier de surendettement soit égale ou supérieure au montant de l'ensemble des dettes non professionnelles exigibles et à échoir ne peut être tenu comme empêchant que la situation de surendettement soit caractérisée” FRANÇA. Code de la consommation.

Disponível em:

<https://www.legifrance.gouv.fr/affichCodeArticle.do?cidTexte=LEGITEXT000006069565&idArticle=LEGI ARTI000006292571&dateTexte=&categorieLien=cid> Acesso em: 03 jul. 2016.

301 “Article L331-6. I.-La commission a pour mission de concilier les parties en vue de l'élaboration d'un plan conventionnel de redressement approuvé par le débiteur et ses principaux créanciers.

Le plan peut comporter des mesures de report ou de rééchelonnement des paiements des dettes, de remise des dettes, de réduction ou de suppression du taux d'intérêt, de consolidation, de création ou de substitution de garantie.

Le plan peut subordonner ces mesures à l'accomplissement par le débiteur d'actes propres à faciliter ou à garantir le paiement de la dette. Il peut également les subordonner à l'abstention par le débiteur d'actes qui aggraveraient son insolvabilité.

Le plan prévoit les modalités de son exécution. Sa durée totale, y compris lorsqu'il fait l'objet d'une révision ou d'un renouvellement, ne peut excéder sept années. Les mesures peuvent cependant excéder cette durée lorsqu'elles concernent le remboursement de prêts contractés pour l'achat d'un bien immobilier constituant la résidence principale du débiteur dont elles permettent d'éviter la cession ou lorsqu'elles permettent au débiteur de rembourser la totalité de ses dettes tout en évitant la cession du bien immobilier constituant sa résidence principale.

reestruturação das dívidas, adiando o pagamento de parte destas, desde que não exceda o prazo de sete anos; reduzir a taxa de juros, entre outros302.

Interessante salientar que não é todo e qualquer consumidor que faz jus a esse benefício. Constatadas falsas declarações do devedor, situação em que este endividou-se propositalmente, entre outras possibilidades, não terá a oportunidade dada àquele que se tornou insolvente de boa-fé.

A proteção do superendividado não visa apenas a manutenção da sobrevivência do indivíduo303, mas o respeito, sobretudo, à sua dignidade. É uma situação vislumbrada como um problema social.

302 Article L331-7. En cas d'échec de sa mission de conciliation, la commission peut, à la demande du débiteur et après avoir mis les parties en mesure de fournir leurs observations, imposer tout ou partie des mesures suivantes :

1° Rééchelonner le paiement des dettes de toute nature, y compris, le cas échéant, en différant le paiement d'une partie d'entre elles, sans que le délai de report ou de rééchelonnement puisse excéder sept ans ou la moitié de la durée de remboursement restant à courir des emprunts en cours ; en cas de déchéance du terme, le délai de report ou de rééchelonnement peut atteindre la moitié de la durée qui restait à courir avant la déchéance ;

2° Imputer les paiements, d'abord sur le capital ;

3° Prescrire que les sommes correspondant aux échéances reportées ou rééchelonnées porteront intérêt à un taux réduit qui peut être inférieur au taux de l'intérêt légal sur décision spéciale et motivée et si la situation du débiteur l'exige. Quelle que soit la durée du plan de redressement, le taux ne peut être supérieur au taux légal.

4° Suspendre l'exigibilité des créances autres qu'alimentaires pour une durée qui ne peut excéder deux ans. Sauf décision contraire de la commission, la suspension de la créance entraîne la suspension du paiement des intérêts dus à ce titre. Durant cette période, seules les sommes dues au titre du capital peuvent être productives d'intérêts dont le taux n'excède pas le taux de l'intérêt légal.

Si, à l'expiration de la période de suspension, le débiteur saisit de nouveau la commission, celle-ci réexamine sa situation. En fonction de celle-ci, la commission peut imposer ou recommander tout ou