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Sobre esta temática muitos autores se têm debruçado. Concomitantemente também muitas investigações têm sido realizadas. De facto, aquando da sua implementação na escola, por imposição da tutela, foram desencadeados nos professores diferentes sentimentos que poderemos adiantar e identificar como indicadores dos receios à mudança e inovação, tema por nós abordado anteriormente. Porém, volvidos alguns anos, urge tentar contextualizar o panorama actual vivido no nosso país.

Embora não sendo o objectivo principal da nossa investigação, importa aqui efectuar um momento de balanço e, se possível e dentro do que nos propomos, um ponto da situação.

Sendo certo que o combate contra a infoexclusão tem sido uma constante no nosso país, verifica-se porém alguma resistência por parte de certa faixa da classe docente. Caso

contrário, não seria justificável que um dos projectos-chave a implementar com a operacionalização do Plano Tecnológico para a Educação passe por “Formação e Certificação de Competências TIC que visa promover uma eficiente formação em TIC dos agentes da comunidade educativa e a utilização das TIC nos processos de ensino e aprendizagem e na gestão administrativa da escola, bem como contribuir para a valorização profissional das competências TIC” (Governo da República Portuguesa, 2007).

No que respeita à formação para professores, saliente-se que, a partir de 2006, foi criado o Quadro de Referência para a Formação Contínua de Professores no domínio das TIC. Pretendeu-se assim um novo modelo de formação, passando das acções que incidissem nos conhecimentos “na óptica do utilizador” para a abrangência a outros domínios, nomeadamente, a Coordenação, Animação e Dinamização de Projectos TIC nas Escolas; A Utilização das TIC nos Processos de Ensino-Aprendizagem; Factores de Liderança na Integração das TIC nas Escolas e As TIC em Contextos Inter e Transdisciplinares.

Será assim expectável que a esta data todos os docentes tenham já as competências básicas mínimas para a sua prática docente e que devamos poder alcançar um outro patamar – o da contextualização e operacionalização em projectos concretos.

Permanece, porém e no entanto, a dúvida se realmente todos os docentes das escolas portuguesas dominam já o conhecimento mínimo essencial e aceitável para o nosso quotidiano, em pleno século XXI.

Num artigo de Nuno Fadigas, publicado na Revista 2 Pontos (2007), é dado destaque à intervenção positiva do recurso multimédia “Escola Virtual”, enquanto recurso multimédia, pioneiro em Portugal, na obtenção do sucesso escolar. (p. 59) Este projecto “introduz um modelo de aprendizagem inovador, (…) recorrendo às mais recentes Tecnologias da Informação e da Comunicação, em que se propõe apresentar aos alunos um método de estudo mais atractivo e estimulante, assentando numa plataforma de ensino personalizada, (…)”. Interessa-nos, sobremaneira, avaliar qual a percepção e receptividade dos professores face a um projecto desta natureza, já que do mesmo não poderão ficar alheios e para o qual será, obviamente, importante a sua participação. A análise deste e de outros factores surge publicada num estudo realizado pelo ORE - Observatório dos Recursos Educativos (2007).

Um dos objectivos do relatório é “determinar a satisfação de alunos e professores deduzida da sua utilização deste recurso educativo.” (p. 3). Relativamente ao item “Satisfação de alunos e professores, 41,7% dos professores declararam que a logística (sala ou materiais indisponíveis, falta de acesso à Internet, etc.) se revelou a principal dificuldade na utilização da Escola Virtual. Quanto à pretensão de utilização da Escola Virtual durante o próximo ano lectivo, todos os professores respondem afirmativamente, variando apenas as condições pressupostas para que tal aconteça (gratuitidade, formação). Quanto à frequência de utilização, 50% dos inquiridos optou pela categoria que pressupõe maior utilização (mais do que uma vez por semana). Assim, como conclusões deste estudo, podemos destacar a utilização tanto presente como futura por parte dos professores que apontam, no entanto, que “‘o manuseamento destas ferramentas (quadro, projector, computador)’ é uma das maiores dificuldades sentidas, mas também que ‘a possibilidade de ter formação’ é uma condição para a utilização no futuro deste tipo de ferramentas.” (p. 8)

Também o relatório anual da CE sobre a economia digital, divulgado em Abril de 2007, (i2010 Annual Report 2007) apresenta dados interessantes que merecem ser ponderados. Entre outros aspectos, “o relatório identifica as principais questões a integrar na revisão da estratégia i2010, que deverá iniciar no Outono de 2007, (…), entre as quais, a avaliação das consequências para o plano das políticas resultantes das actuais tendências ao nível das redes e na Internet, o aumento da perspectiva do utilizador na inovação das TIC e a supressão das barreiras artificiais existentes, ao nível nacional, para os serviços em linha.” (ANACOM, 2007, p. 1)

No que diz respeito a Portugal, o i2010 Annual Report 2007 concluiu que “Portugal has had a lower than average development in most information society indicators, but performs notably well in 3G adoption and eGovernment. In Portugal, online media use is better than any other form of use.” (European Commission., 2007, p. 1)

Porém, em conformidade com o Estudo Diagnóstico, ao nível das competências, e pese embora o esforço significativo na formação de docentes, com a implementação de módulos de formação em tecnologia (frequentados por mais de 30 000 docentes por ano, correspondente a 30%), a falta de qualificações é ainda apontada como uma forte barreira à utilização. (Ministério da Educação, 2007f, p. 7)

Interessante também destacar que a resistência dos docentes (temática anteriormente por nós abordada) é um fenómeno também verificado noutros países, denominados “de referência”. Relativamente a este propósito, menciona o “Estudo de Diagnóstico: a modernização tecnológica do sistema de ensino em Portugal” (p. 49)

Mesmo em escolas bem equipadas e cujos agentes têm a formação adequada, a utilização de tecnologias enfrenta normalmente alguma resistência por parte de alguns docentes, motivada quer pelo cepticismo em relação aos benefícios da utilização das TIC, quer pela alteração do status quo que implica, quer pelo acréscimo de tempo e de esforço de preparação que exige.

Revela ainda o citado estudo que a idade dos docentes (medida pelo número de anos de experiência profissional) poderá ser uma barreira importante à adesão das novas tecnologias, pelo que, os docentes com mais anos de serviço são, em média, mais cépticos em relação aos benefícios associados às tecnologias e mais resistentes à sua utilização.

Tentaremos, se possível, responder posteriormente a estas questões, confirmando-as ou infirmando-as, aquando da análise do nosso estudo empírico.