Outputs

No documento Análise do desempenho econômico-financeiro de seguradoras (páginas 127-130)

5. RESULTADO DA ANÁLISE QUANTITATIVA

5.3 Análise por indicador

5.3.2 Outputs

Os outputs são as saídas do processo produtivo, ou o produto final. Para a análise de desempenho de empresas, são considerados outputs os indicadores do tipo “quanto maior, melhor”, já que quanto maior o resultado, melhor será para a empresa. Os valores alvo para esses indicadores devem sofrer pequenas alterações, pois, em virtude de a orientação da pesquisa ser voltada para minimização de inputs, pressupõe-se que existe pouco controle por parte das DMUs sobre os outputs.

A rentabilidade sobre o PL (ROE – return on equity), que apresenta o grau de maximização da riqueza do acionista, foi a variável utilizada na análise de regressão para a escolha das variáveis a compor o modelo. Selecionou-se esta variável por representar melhor o retorno da empresa com suas operações. Na análise deste indicador, percebe-se que em seu valor original, muitas empresas possuem resultados negativos, principalmente no ano 2000, em que 16 seguradoras tiveram ROE menor do que zero e diversas operaram com seu resultado negativo. Percebe-se, ainda, que os alvos indicam para algumas seguradoras permanecerem com valores negativos (com exceção do ano 2000, em que as seis empresas que possuíam ROE menor que zero têm indicação de alvos maiores que zero), o que indica uma característica de empresas do setor em conseguir manter-se no mercado mesmo com resultados negativos.Os valores apontados pelo alvo dizem respeito às alterações que devem ser alcançadas pelo output. Por exemplo, a DMU 33 para ser eficiente no ano de 2003 precisaria diminuir de 39% no endividamento, 36% no índice de cobertura vinculada, 19% no

índice de capacidade de emissão, 75% na adequação das provisões de sinistros a liquidar e

20% no prêmio margem, e aumentar 106% na rentabilidade sobre PL. É importante notar que o alvo da maioria das DMUs varia menos que 0.10 em relação ao valor original, podendo, percentualmente, significar um valor maior, dependendo do valor do indicador original.

A rentabilidade do ativo (ROA – return on assets) aborda o retorno obtido com a utilização dos ativos. Analisando-se os valores deste indicador, percebe-se que as DMUs que possuem ROE negativo também possuem ROA negativo, confirmando a relação entre as variáveis apontadas pela correlação (seção 4.4.3 da dissertação). Mostra, também, que o comportamento desta variável está sendo influenciada pelo retorno sobre o PL. Quanto aos alvos, percebe-se que em relação a valores absolutos quase a totalidade das seguradoras varia menos que 0,20 do seu valor original. Às variações pode ser dada a mesma interpretação do

retorno sobre PL para todos os outputs – ou seja, variações que devem ocorrer para que a

seguradora possa ser considerada eficiente. Em relação às análises estatísticas, percebe-se um aumento das médias a cada ano, conforme já era esperado, diante dos resultados descritos anteriormente. Nota-se, também, que a mediana aumenta em relação à mediana dos valores originais apresentados.

A margem operacional está relacionada com o resultado das operações de seguros. E em face de altos valores de despesas e sinistros, pode ter valores negativos, o que é comum em seguradoras. Assim, nos valores originais nota-se que ao longo dos sete anos analisados grande parte das empresas analisadas apresenta valores negativos (com exceção do ano de 2001, em que apenas cinco seguradoras apresentaram margem operacional com valor negativo), confirmando a afirmação anterior. Até as médias, originais e dos alvos, apresentam valores negativos em alguns anos, com melhoria percebida pela média dos alvos.

A margem líquida relaciona os prêmios ganhos com o lucro líquido da seguradora, contando aqui com resultados financeiros e patrimoniais, responsáveis por grande parte do lucro destas empresas. Nesse caso, o melhor seria não haver resultados negativos, já que aqui são consideradas todas as operações da seguradora. Porém, analisando-se os resultados do indicador em cada ano, percebe-se que algumas DMUs ainda tiveram resultados negativos ao longo do tempo, confirmando a afirmação feita anteriormente de que algumas

seguradoras conseguem sobreviver mesmo com resultados negativos. Nota-se que no ano 2000 16 seguradoras das 56 analisadas operaram com valores de margem líquida negativos. Analisando os alvos em relação aos valores originais, percebe-se um aumento da média e uma diminuição considerável do coeficiente de variação, mostrando que os alvos propostos procuram fazer com que os resultados deste indicador sejam nivelados. Percebe-se ainda que grande número de empresas revela, por meio do alvo, aumento maior do que 100% do valor original, mostrando o quanto este indicador poderá melhorar com as mudanças nos inputs propostos.

O coeficiente de geração de resultados futuros avalia o efeito do provisionamento técnico de prêmios na composição do patrimônio líquido futuro, mostrando o grau de contribuição dos recursos de terceiros ainda não apropriados como receita e que futuramente constituirão parte do PL. Analisando-se os resultados do indicador, percebe-se uma boa perspectiva futura para as seguradoras. Nota-se pouca variação dos valores originais para o alvo, evidenciando-se que as seguradoras estão operando próximas ao alvo para este

output. Percentualmente, nota-se em todos os anos que a grande maioria das empresas possui

variação menor que 10% em relação ao valor original.

As mutações do patrimônio líquido representam a variação absoluta do PL entre exercícios. Para incrementar o PL, a mutação deveria ser equivalente ao resultado líquido do exercício após a distribuição de dividendos, se houver. Porém, podem existir situações especiais que afetam o patrimônio sem transitar por contas de resultado, o que só poderá ser analisado por meio de informação auxiliar. Analisando-se os resultados, percebe-se que esse foi o indicador com resultados mais distintos entre as seguradoras. A análise estatística aponta valores de máximo e mínimo muito distantes entre si e médias com características diferentes a cada ano, tornando difícil a indicação de um parâmetro único para este indicador. Percebe-se, também, que grande parte das empresas apresentou significativas

mudanças do indicador original para o alvo, significando que as mesmas precisam de grande esforço neste indicador para alcançar a eficiência.

No documento Análise do desempenho econômico-financeiro de seguradoras (páginas 127-130)