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PEDIDO DE VISTA, JUNTADA DE DOCUMENTOS, CERTIDÕES E

CAPÍTULO V A DEFESA NO ÂMBITO DO TRIBUNAL DE CONTAS

5.6 PEDIDO DE VISTA, JUNTADA DE DOCUMENTOS, CERTIDÕES E

O pedido de vista, juntada de documentos e requerimento de certidões e informações, em decorrência da própria natureza, pode ser tratado como expediente indispensável de defesa perante a Corte de Contas.

Com relação ao pedido de vista, faz-se necessário peticionar ao relator do Tribunal de Contas em que tramita o processo. Cumpre, contudo, ressaltar que na prática, a atribuição de deferir ou não o pedido tem sido realizada pelas secretarias.

Em caso de ausência do relator, o pleito poderá ser dirigido ao Presidente do tribunal. Impende observar que hoje não faz mais sentido questionar se é possível ou não o pedido de vista ou obtenção de cópias por advogado sem procuração de processos que não estejam sob o segredo de justiça, na forma legal, no âmbito do Tribunal de Contas.

Qualquer expediente que impeça o advogado de ter acesso aos autos constitui violação inequívoca ao exercício de profissão, além de perpetrar violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Lembrando, ainda, que qualquer dano que venha a ocorrer decorrente desse impedimento, por corolário lógico, se sujeita à reparação.

Nesse sentido, traz-se a colação julgado recente, ocorrido nos autos do MS 26772, em que o Supremo Tribunal Federal assentou entendimento de que o advogado pode consultar processo que não esteja sob segredo de Justiça, ainda que sem procuração nos autos:

A Lei 8.906/94, Estatuto dos Advogados, em seu art. 7º, XIII, assegura ao advogado o direito de examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração Pública em geral, autos de processos findos ou em andamento, mesmo sem procuração, quando não estejam sujeitos a sigilo, assegurada a obtenção de cópias, podendo tomar apontamentos.

Não se tratando de processo sigiloso, penso que a pretensão formulada pelo impetrante possui plausibilidade jurídica, a amparar a concessão da medida liminar pleiteada.154

No que se refere à juntada de documentos é garantido à parte apresentar novas provas escritas até o término da instrução (emissão de parecer conclusivo), como forma de defesa, com arrimo no princípio da verdade material.

Nesse sentido, o Ministro do TCU Benjamin Zymler esclarece:

154 Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, concedeu a ordem. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Ausente, neste julgamento, o Senhor Ministro Celso de Mello. Plenário, 03.02.2011.

Em respeito ao princípio da verdade material, deve o processo do Tribunal de Contas estar aberto à juntada de documentos pelas partes, uma vez que poderão propiciar um exame mais detalhado do tema analisado. Dessa forma, o responsável ou o interessado, em expediente dirigido ao relator, desde a constituição do processo até o término da etapa de instrução. Considera-se finalizada a etapa de instrução no momento em que os titulares da secretarias do Tribunal emitam parecer conclusivo (art. 160, §§1º e 2º do RI/TCU). O §3º desse mesmo comando resguarda a apresentação, após o encerramento da referida etapa, de memorial aos Ministros do Tribunal e ao Ministério Público.155

Impõe observar que mesmo encerrado o prazo para a apresentação de provas, como quando a Unidade Técnica já emitiu parecer conclusivo, é possível fazê-lo. Para tanto, na prática, o interessado poderá fazer uso de memoriais, ficando a critério do relator, a sua admissão.

Assim, percebe-se claramente vigorar no processo administrativo de contas, no que se refere à satisfação do ônus da prova, o instituto da verdade material e do formalismo moderado.

Nesse sentido, justifica-se no âmbito do Tribunal de Contas que, a qualquer tempo, sejam fornecidas provas convincentes acerca da existência ou não de autoria e/ou materialidade.

Outra questão de suma relevância, refere-se ao dever do órgão fiscalizador provar a autoria e materialidade da ocorrência apontada, quanto facultado ao interessado demonstrar o contrário.

O pedido de certidões e informações tem fulcro na Constituição Federal, nos seguintes termos:

Art. 5º. XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;

XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;

b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal.

Depreende-se do mandamento constitucional que o direito de petição objetiva resguardar direitos particulares ou coletivos, já a obtenção de certidões em repartições pública o interesse interpessoal.

Ademais, esses instrumentos, por consectário lógico, evitam também abusos de autoridades e permitem ao interessado buscar a responsabilização civil e penal do infrator.

Em caso de recusa ou omissão da autoridade pública, o mandado de segurança mostra- se a via adequada para afastar a violação. Nesse sentido preleciona José Afonso da Silva:

A Constituição não prevê sanção à falta de resposta e de pronunciamento da autoridade, mas parece-nos certo que ela pode ser constrangida a isso por via do mandado de segurança, quer quando se nega expressamente a pronunciar-se quer quando se omite; para tanto é preciso que fique bem claro que o peticionário esteja utilizando efetivamente o direito de petição, o que se caracteriza com maior certeza se for invocado o art. 5º, XXXIV, "a". Cabe, contudo, o processo de responsabilidade administrativa, civil e penal, quando a petição visa corrigir abuso, conforme disposto na Lei 4.898/65.156

Seguem arestos que demonstram ser pacífica a jurisprudência:

ATO DE AUTORIDADE JUDICIAL – LIMINAR EM MEDIDA CAUTELAR –

VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS E PROCESSUAIS – ART. 5º, XXXIV, B, ART. 100, § 1º, E ART. 588, PARÁGRAFO ÚNICO, III – I. A alínea b, XXXIV, artigo 5º, diz respeito ao direito assegurado a todos os cidadãos à obtenção de certidões em repartições públicas, e, sem dúvida, uma Secretaria do Tribunal é uma repartição pública. Praticados atos, apesar de judiciais, que agridem os direitos individuais e que afrontam a competência originária deste Tribunal, conheço do MS. II. Com base na citada alínea b, XXXIV, do artigo 5º da CF, concedo a segurança para que seja fornecida a certidão.157

DIREITO À OBTENÇÃO DE CERTIDÃO: ART. 5º, XXXIV, B, DA CF/88 – A obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimentos de situações de interesse pessoal, é garantia expressamente assegurada na Constituição em vigor: art. 5º, XXXIV, b.158

No Tribunal de Contas, o direito de obtenção de certidão é ainda mais relevante, posto que confere ao particular que contrata com a Administração, instrumento de prova cabal de qual a fase que se encontra o processo de seu interesse.

Situação comumente vista quando um órgão da Administração quer fazer cumprir uma deliberação do Tribunal de Contas, não transitada em julgada, visto que se encontra suspensa em decorrência da interposição de recurso, com esse efeito ativo.

Certamente, uma das medidas preventivas e assecuratórias para evitar ou coibir esse episódio, é a obtenção de certidão, por meio de requerimento junto ao Presidente do Tribunal ou órgão que faça as suas vezes, para se certificar de que foi interposto recurso, que não houve o trânsito em julgado e dos efeitos suspensivos que vigoram.

156 DA SILVA, José Afonso. Curso de direito constitucional positivo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 1998. p. 388.

157 TRF 2ª R – MS 91.02.11589-1 – RJ – TP – Relª p/o Ac. Desª Fed. Julieta Lídia Lunz – DJU 05.05.1992. 158 TRF 1ª R – REO 90.01.19045-6-BA – 2ª T. – Rel. Juiz Hércules Quasídomo – DJU 15.04.1991.