O TJDFT passou a admitir a possibilidade de penhora dos valores depositados em fundo de previdência privada complementar a partir do segundo semestre de 2017, mediante apreciação casuística dos pedidos trazidos ao exame das Turmas Cíveis. Contudo, remanesce a controvérsia quanto à destinação do capital acumulado: se os valores constituem moda- lidade de investimento de longo prazo, caso em que os recursos patrimo- niais apenas aumentariam a disponibilidade financeira do titular; ou se tais verbas seriam destinadas à sobrevivência do beneficiário.
O primeiro entendimento vislumbra a penhorabilidade dos valores retidos na previdência privada e defende que os saldos acumulados podem ser objeto de penhora, se demonstrado que a constrição não prejudicará a subsistência do devedor, pois o beneficiário poderá utilizar-se de outros bens ou fontes de renda para suprir suas necessidades. Nesse caso, a penhora recairia sobre a parte excedente ao razoavelmente indispensável para o sustento daquele.
Noutro giro, há Desembargadores que defendem a impenhorabili- dade da verba, por considerá-la de natureza alimentar, na forma do artigo 833, inciso IV, do Código de Processo Civil.
A despeito dessa polarização, alguns Julgadores têm ponderado a necessidade de oficiar à entidade fechada de previdência complementar, a fim de se verificar a existência de planos de previdência e respectivos valores para, só então, de posse da informação administrativa, decidir acerca da penhorabilidade ou não da reserva financeira.
Acórdãos que defendem a admissão da penhora do saldo da previ- dência complementar:
Des. Rômulo de Araújo Mendes
1. Conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça, no jul- gamento do EREsp 1121719/SP, a penhora de valores depo- sitados em contas de previdência privada complementar deve ser auferida em cada caso concreto, de modo que a impenhorabilidade de tais valores somente é reconhecida quando se verificar que o saldo correspondente é utilizado para a subsistência do participante ou de sua família. 2. In
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casu, foram diversas diligências a fim de localizar os bens do executado, porém sem sucesso.
Assim, é possível deferir a busca e o (sic) indisponibilidade de ativos financeiros constante em conta de previdência privada do executado. (TJDFT, 1ª Turma Cível, Acórdão n. 1149845, 07145359120188070000, Relator Des. Rômulo de Araújo Mendes, DJe de 13/2/2019.)
Des. José Divino
No caso, a agravada teve seu vínculo com o órgão patrocinador rompido em 29/02/2012. E a última contribuição vertida ao plano data de 23/11/2015, permanecendo o saldo das contribuições desde essa data sem movimentação à disposição da agravada para resga- te (omissis). Assim, não há como defender que o saldo de contribuições possui caráter alimentar ou destina-se à sua subsistência, sobretudo porque o valor encontra-se sem movimentação, desde 23/11/2015. (...) Diante dessas circunstâncias, deve-se admitir a penhora dos valores depositados no plano de previdência, para o qual, há muito, não há mais contribuição. (TJDFT, 6ª Turma Cível, Acórdão n. 1092034, 07005038120188070000, Relator Des. José Divino, DJe de 8/5/2018.)
Des. Angelo Passareli
Bem, quanto aos valores depositados em previdência privada, a jurisprudência do STJ entende que não são considerados de forma absoluta como sendo de natureza alimen- tar, pois não ostentam nitidamente o caráter alimentar. (...) Neste diapasão, não há que se falar em impenhorabilidade destes valores, para fins de adimplemento da obrigação objeto do presente processo de execução. (TJDFT, 5ª Turma Cível, Acórdão n. 1049985, 07029386220178070000, Relator Des. Angelo Passareli, DJe de 6/10/2017.)
Acórdãos representativos da tese que não admite a penhora do saldo da previdência comple- mentar em razão de sua natureza exclusivamente alimentar:
Desa. Maria de Lourdes Abreu Com efeito, trata-se de determinação de bloqueio de valores eventualmente existentes em previdência privada de investimento. Em uma análise perfunctória, entendo, por ora, que tais verbas, até que haja demonstração em contrário, possuem natureza alimentar. Ademais, tal regra, em meu sentir, apenas deve ser excepcionada se restar comprovado que o seu valor não é utilizado para a subsistência do devedor e de sua família, o que não restou demonstrado pelo agravante até o presente momento. (TJDFT, 3ª Turma Cível, Acórdão n. 1155575, 07183197620188070000, Relatora Desa. Maria de Lourdes Abreu, DJe
de 18/3/2019.)
Des. Alvaro Ciarlini
Convém destacar que o saldo em fundo fechado de previdência privada complementar, em regra, destina-se à própria finalidade previdenciária, cuidando-se de valores im- penhoráveis. As eventuais exceções devem ser examinadas, em tese, nos casos em que as contribuições depositadas são passíveis de constrição, nos termos do art. 833, § 2º, do CPC, o que não é a hipótese versada nos autos. (TJDFT, 3ª Turma Cível, Acórdão n. 1152988, 07165867520188070000, Relator Des. Alvaro Ciarlini, DJe de 27/2/2019.)
Des. Roberto Freitas
Desse modo, adoto o entendimento de que os proventos, salários, aposentadorias e pen- sões não perdem a sua natureza alimentar por não terem sido utilizados integralmen- te no mês de seu recebimento, permanecendo impenhoráveis. (...) Dessas informações é possível extrair a natureza previdenciária e alimentar dos lançamentos identificados como (omissis) em conta corrente da Agravante, pessoa idosa, postos à sua disposição mensalmente, apesar de serem realizados depósitos com numerário diversos, para, com isso, reconhecer a impossibilidade de bloqueio desses valores por força do disposto no art. 833, IV, do CPC. (TJDFT, 1ª Turma Cível, Acórdão n. 1146964, 07084578120188070000, Relator Des. Roberto Freitas, DJe de 5/2/2019.)
Des. João Egmont
Nesse sentido, diante da ausência de provas de que os valores referentes ao fundo de pre- vidência privada não possuem natureza alimentar, deve ser mantida a decisão agravada, pois os valores se encontram protegidos sob o manto da impenhorabilidade absoluta, nos termos do art. 833, inc. IV, do CPC, vale repisar. (TJDFT, 2ª Turma Cível, Acórdão n. 1128273, 07107121220188070000, Relator Des. João Egmont, DJe de 8/10/2018.)
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Julgados que apontam para a necessidade de se oficiar à entidade de previdência antes da decisão de mérito acerca da penhorabilidade ou não da verba:
Des. Sebastião Coelho
No caso presente, no atual momento processual, não há elementos capazes de compro- var a sua natureza alimentar, por isso a expedição de ofício à FUNCEF – FUNDAÇÃO DOS ECONOMIÁRIOS FEDERAIS é medida que se mostra útil para a averiguação da existência ou não de plano de previdência privada para análise posterior de sua impenhorabilidade. (TJDFT, 5ª Turma Cível, Acórdão n. 1153437, 07212124020188070000, Relator Des. Sebas- tião Coelho, PJe de 28/2/2019.)
Des. Josaphá Francisco dos Santos
2.Comprovado o esgotamento das diligências passíveis de serem realizadas pelo cre- dor, a fim, de localizar bens do devedor suscetíveis de sofrer constrição patrimonial, e sendo esse funcionário aposentado do Banco do Brasil, a expedição de ofício à CAI- XA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL – PREVI, para que seja informada a existência de vínculo entre ambos – extinto ou não – e eventual sal- do em seu favor, é medida útil ao processo. (TJDFT, 5ª Turma Cível, Acórdão n. 1125156, 07096867620188070000, Relator Des. Josaphá Francisco dos Santos, DJe de 3/10/2018.)
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