3 PRIMEIRO JOGO DA FINAL DA LNF 2019: PATO FUTSAL X MAGNUS FUTSAL
3.2 PRIMEIRO TEMPO (1º JOGO)
3.2.2 Predicados de Chimba
Menos de 1 (um) minuto após o comentário de Marcelo Rodrigues a respeito da necessidade da equipe do Pato Futsal ajustar a marcação individual, respondendo com Chimba na busca de uma maior posse de bola e esquecendo da transição, aconteceu um lance de jogo narrado e comentado da seguinte forma.
Daniel Pereira: (...) ali apertado o Leozinho pelo Chimba, Leozinho protege, que encontro hein, Chimba e Leozinho, opaaaa! O árbitro para o jogo, pega uma falta, a falta do Leozinho em cima do Chimba.
Marcelo Rodrigues: E que bom que o jogo tá passando pelos alas, a ótima marcação do Chimba, diminuiu, a gente falava, o Leozinho tava muito solto, o Chimba aproximou, conseguiu a roubada e sofreu a falta.
A ocorrência desta situação de jogo, ao mesmo tempo, corrobora e invalida trechos distintos da apreciação formulada anteriormente pelo comentarista Marcelo Rodrigues. A necessidade de ajuste da marcação individual por parte da equipe do
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Pato Futsal foi ratificada pela roubada de bola executada pelo jogador Chimba em uma zona da quadra próxima ao gol da equipe do Magnus Futsal.
O encaixe da marcação individual realmente permitiu à equipe do Pato Futsal restringir, ao menos momentaneamente, as possibilidades de ação de Leozinho, apontado por Marcelo Rodrigues como um dos jogadores do Magnus Futsal de maior capacidade ofensiva e que vinha atuando com demasiada liberdade no início da partida.
Entretanto, como discutido no subcapítulo anterior e sob suporte da referência oferecida por Travassos (2014), Pivetti (2012) e Mahlo (1997), os atos táticos individuais são interdependentes no contexto geral de uma partida, desdobrando-se, nos contextos coletivos, em ações de jogo complexas. Portanto, a correção de eventuais falhas na postura defensiva, apontada pelo comentarista, como marcação individual, depende do envolvimento de todos os jogadores em quadra.
A acomodação das ações individuais no plano coletivo de jogo se efetiva em conjunto. Neste sentido, a abordagem que possibilitou a roubada de bola executada por Chimba ocorreu em decorrência de diferentes ações de seus companheiros em relação direta com as decisões tomadas, também, por seus adversários.
Na prática houve, inclusive, uma situação de transição entre duas formas de se executar uma marcação individual, materializada pela alteração de uma pressão exercida sobre o jogador adversário portador da bola apenas a partir da metade da quadra de jogo defensiva (na perspectiva da equipe sem posse de bola), para uma pressão exercida a partir da posição da bola, independentemente da zona da quadra em que se encontrasse, além da obstrução mais incisiva sobre as linhas de passe adversárias.
Esta transição acarretou uma perspectiva de abordagem que permitiu o adiantamento das linhas de marcação, alterando um bloco defensivo de estrutura mais compacta para outro mais amplo, em que a distância entre os jogadores de defesa é alargada, deformando o desenho do bloco defensivo de acordo com as movimentações executadas pelos jogadores adversários.
Esta alternância do nível de compactação do bloco defensivo é causada por perturbações recíprocas entre ataque e defesa de ambas as equipes na quadra de jogo. Neste sentido, o encaixe da marcação, seja ela executada na perspectiva de uma defesa individualizada ou por zona, é condicionado por equilíbrios e desequilíbrios constantes ao longo de todo o tempo de jogo.
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É o equilíbrio entre as diferentes variáveis capazes de influenciar a defesa, como a compactação e flutuação do bloco defensivo, a obstrução de linhas de passe e a possibilidade de execução de coberturas que oferecem maior ou menor segurança para uma abordagem sobre o jogador que detém a posse de bola de forma mais ou menos incisiva.
Esta dinâmica de jogo, somada a diferentes variáveis ofensivas que podem ser implementadas pela equipe que detém a posse de bola, configura um ambiente de constantes alternâncias, oferecendo ao jogo uma modelagem aleatória que impede a negligência a qualquer princípio de jogo, sobretudo com as transições.
A circunstância que envolve o recorte do cenário descrito e analisado condicionou a possibilidade de atribuição de mérito à defesa da equipe do Pato Futsal, pela criação de uma situação de finalização, ao mesmo tempo em que um erro no princípio da construção ofensiva do Magnus Futsal provocou a infração que impediu a conclusão da jogada. Foi a chance de finalização do jogador Chimba, imediatamente após a roubada da bola, que culminou com o cometimento da falta pelo jogador Leozinho.
A possibilidade da defesa ser responsável pelo sucesso ofensivo de uma equipe se materializa em situações como essa e desestabiliza sentidos que normalmente são observados em coberturas midiáticas de grandes eventos esportivos, como já verificado nos estudos de Silva e col. (2008) e Schmitz Filho (1999).
O que Verón (1980) aponta como a base original das informações produzidas só não se desorganiza completamente, neste contexto, devido a capacidade do sistema midiático de agendar potenciais acontecimentos, à manutenção da audiência, aplicáveis a uma estrutura panóptica previamente estabelecida, em respectiva conformidade com conceitos de Soethe (2003) e Foucault (1997).
A referência contida em Schmitz Filho (2005) e Rolnik (1989) a respeito do caráter finito e ilimitado do processo cartográfico de descrição e análise dos cenários esportivos midiatizados permite, por sua vez, uma perspectiva de leitura dos significados contidos nas entrelinhas da narração e do comentário que compõem o trecho extraído para o texto dissertativo.
É neste sentido, que chama atenção a figura de Chimba, que após ser caracterizado como um jogador capaz de imprimir ao jogo a mesma dinâmica ofensiva que os adversários Leozinho e Leandro Lino, foi justamente quem protagonizou a
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roubada de bola e acabou sofrendo a falta, demonstrando uma capacidade de atuação ampliada em relação às exigências do jogo de Futsal.
Tampouco foi uma postura tática voltada prioritariamente à manutenção da posse de bola que permitiu à equipe do Pato Futsal equilibrar as ações de jogo em relação ao Magnus Futsal, no que diz respeito à criação de chances de gol. Na realidade a roubada de bola executada pelo jogador Chimba é um desdobramento da aposta na estratégia de jogo inicial da equipe, que envolvia a consistência e agressividade defensiva como forma de recuperação da posse de bola, seguida da tentativa de contragolpes rápidos.
Neste contexto, que envolve a sugestão prévia, do comentarista Marcelo Rodrigues, de que a equipe do Pato Futsal devia esquecer a transição e responder com Chimba, buscando a posse de bola, o atleta acabou oferecendo provas de que seus predicados como jogador de Futsal não cabem em concepções de jogo reduzidas e/ou parcializadas.
As possibilidades de atuação do jogador transbordaram uma margem restritiva de ações ligadas a aspectos ofensivos do jogo de futsal. Chimba demonstrou, nestes primeiros minutos de jogo, grande intensidade de marcação em situações de 1x1 (um contra um), boa capacidade de aproximação, de encurtamento do espaço de jogo e de abordagem ao adversário detentor da posse de bola.
Além disso, o jogador provou ser capaz de atuar com desenvoltura em diferentes posições do bloco defensivo, colaborando com os ajustes necessários ao equilíbrio da defesa a partir tanto da primeira, quanto da segunda linha de marcação. Com isso, foi capaz de oferecer sustentação à postura de defesa individualizada da equipe e realizar, ao mesmo tempo, a cobertura de companheiros e também de espaços mais amplos, como na ala oposta à posição da bola na quadra de jogo (manutenção do bloco defensivo).