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PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DO MATERIAL EMPÍRICO

No documento Estudos de Aula (páginas 90-95)

Assim, a pesquisa em Ciências Humanas e Sociais de acordo a Resolução nº 510/2016, art. 2º inciso XVI, volta-se

para o conhecimento, compreensão das condições, existência, vivência e saberes das pessoas e dos grupos, em suas relações sociais, institucionais, seus valores culturais, suas ordenações históricas e políticas e suas formas de subjetividade e comunicação, de forma direta ou indireta, incluindo as modalidades de pesquisa que envolvam intervenção.

Portanto, conforme dispõe a Resolução nº 519/2016 em seu art. 2º incisos IV e X, a pesquisa deve ser embasada por aspectos éticos norteadores e referenciais, primando pelo respeito e proteção dos participantes, a confiabilidade e proteção das informações coletadas, além do esclarecimento de processos teóricos e metodológicos da pesquisa, aspectos relevantes e que precisam ser considerados na pesquisa de campo, primando pela qualidade e confiabilidade da pesquisa (CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE, 2016).

Relativamente aos aspectos éticos da pesquisa, duas questões são centrais:

“o consentimento informado e a protecção dos sujeitos contra qualquer espécie de danos” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p.75). Deste modo, optou-se por nomes fictícios para preservar a identidade dos participantes.

Neste sentido, esclarecemos que a investigação faz parte do projeto de pesquisa guarda-chuva coordenado pela Profa. Dra. Adriana Richit, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) em 10 de junho de 2021, conforme o parecer n.º 4.764.981.

trabalho dos alunos e demais registros no decorrer do processo. Esse material foi lido, analisado, comparado e revisitado na busca de aspectos latentes no que diz respeito ao desenvolvimento curricular da Matemática.

A partir do material empírico, realizamos a análise buscando identificar aspectos que emergiram referente ao desenvolvimento curricular, constituindo as categorias de análise, que foram assim nomeadas: 1. Escolha do tópico curricular e definição dos objetivos; 2. Planejamento; 3. Bases teóricas e diretrizes curriculares; 4.

Realização da aula; 5. Aprendizagens sobre o tópico curricular ‘divisão’.

5.4.1 Método de Análise: Análise de Conteúdo

A pesquisa permeou procedimentos de análise do material empírico baseados na Análise de Conteúdo de Bardin (2016), considerada um “conjunto de técnicas de análise das comunicações” (BARDIN, 2016, p.37). Essa técnica envolve a “[...]

explicitação e sistematização do conteúdo das mensagens e expressões deste conteúdo, [...] a partir de um conjunto de técnicas, que embora parciais, são complementares” (BARDIN, 2016, p.48), na qual os materiais e procedimentos de análise serão adotados de acordo com as intecionalidades e objetivos do pesquisador, de encontro com a sua pesquisa.

Apoiados nessa técnica, após constituir o material empírico, realizar as transcrições das gravações e entrevistas e organizar as anotações realizadas pelos professores no diário de bordo, realizamos a “análise descritiva do conteúdo” e

“análise do conteúdo”, associando as “informações suplementares adequadas ao objetivo a que nos propusemos citar” (BARDIN, 2016, p.58). Assim, organizamos os dados em conjuntos assim definidos: transcrição dos encontros do estudo de aula, diários de bordo dos participantes, transcrição das entrevistas e ficha de trabalho dos alunos.

A análise de conteúdo, utilizada em análises de dados orais e/ou escritos, é adequada para a análise realizada em nosso estudo devido a diversidade de fontes de dados que nos baseamos e, especialmente, por seu potencial para explicitar aspectos complementares entre si, oriundos de fontes distintas.

Figura 4 – Domínios de aplicação da análise de conteúdo

Fonte: Elaborado pelas autoras (2022), a partir de Bardin (2016)

A análise, segundo Bardin (2016), abrange três procedimentos importantes que perpassam a pré-análise, exploração do material e o tratamento dos resultados e interpretações. A pré-análise refere-se à “escolha dos documentos a serem submetidos à análise, a formulação das hipóteses e dos objetivos e a elaboração de indicadores que fundamentem a interpretação final” (BARDIN, 2016, p.125).

A exploração envolve a análise detalhada do material, exigindo do pesquisador um trabalho extenso e demorado, que perpassa processos operacionais de

“codificação, decomposição ou enumeração, em função de regras previamente formuladas” (BARDIN, 2016, p.131). Para a autora,

[...] a codificação corresponde a uma transformação – efetuada segundo regras precisas – dos dados brutos do texto, transformação esta que, por recorte, agregação e enumeração, permite atingir uma representação do conteúdo ou da sua expressão; suscetível de esclarecer o analista acerca das características do texto, que podem servir de índices (BARDIN, 2016, p.131).

Em nosso estudo, na fase da exploração nos dedicamos a identificar trechos que, agrupados em temas centrais, poderiam fornecer elementos para a formulação de respostas para o nosso problema de pesquisa. Cada trecho (unidade de registro) identificado nessa etapa foi enumerado de acordo com a ordem em que apareceu no material empiríco (BARDIN, 2016). Em síntese, as unidades de registro são trechos do material empírico, organizados e enumerados de acordo com a “ordem” de aparição, seguindo a sequência numérica no material analisado (BARDIN, 2016).

Análise de conteúdo

Oral

Encontros

Entrevista semiestruturada

Escrito

Diário de Bordo

Registro dos professores sobre

os encontros

Atividades Assíncronas

Após a codificação das unidades de registro realizamos a primeira redução, buscando agrupar conjuntos de unidades de registro levando-se em conta a proximidade entre elas. Neste processo estabelecemos as unidades de contexto, que consistem em agrupamentos de unidades de registro em torno de temas centrais. A seguir, realizamos uma nova redução das unidades de contexto, culminando nas categorias de análise. Ou seja, buscamos organizar e selecionar trechos, realizar recortes e separar de acordo com as relações estabelecidades e a proximidade entres os aspectos identificados, constituindo-se assim as categorias de análise. Bardin (2016, p.130) esclarece que neste momento realiza-se o “recorte do texto em unidades comparáveis de categorização para análise temática e de modalidade de codificação para o registro dos dados”. Portanto, em nosso estudo a exploração caracterizou a análise qualitativa do material empírico, perpassando organização dos dados, a definição das unidades de registro e das unidades de contexto, culminando nas categorias de análise.

A última etapa consistiu no tratamento dos resultados e interpretação, que envolveu a interpretação das evidências empíricas (as unidades de registro), as quais foram escrutinadas pelas lentes da teoria que embasa a pesquisa, desvelando elementos constituidores de respostas para a nossa questão de pesquisa e produzindo inferências. Esse processo permite ao pesquisador, de acordo com Bardin (2016, p.131), ter “[...] à sua disposição resultados significativos e fiéis, pode então propor inferências e adiantar interpretações a propósito dos objetivos previstos – ou que digam respeito a outras descobertas inesperadas”.

O processo de análise performado em nossa investigação, baseado em Bardin (2016), perpassou as etapas descritas pela autora, conforme explicitado na Figura 5 a seguir.

Figura 5 – Organização da análise do material empírico da pesquisa

Fonte: Elaborado pelas autoras (2022), a partir de Bardin (2016)

Deste modo, os materias da pesquisa, transcrição dos encontros do estudo de aula, diários de bordo dos participantes, transcrição das entrevistas e ficha de trabalho dos alunos constituiram o material empírico da pesquisa, os quais foram lido pela perspectiva de análise de conteúdo de Bardin (2016), organizados e tratados visando identificar e compreender aspectos do desenvolvimento curricular da Matemática do 3º ano do ensino fundamental que são promovidos no estudo de aula. Em específico as fichas dos alunos, analisamos buscando identificar as diferentes propriedades, representações e conceitos que foram mobilizados.

Em síntese, o processo de análise realizado em nossa investigação suscitou um ““vaivém” da análise de conteúdo, entre a teoria e a técnica, hipóteses, interpretações e métodos de análise [...]” (BARDIN, 2016, p.80). Um processo que exige do pesquisador um trabalho minuncioso e desafiador, perpassando por diversas etapas que precisam ser revisitados e analisados em vários momentos da pesquisa, exigindo nesse processo dinâmico, estas idas e vindas de análise entre os conceitos teóricos e o material empírico.

Material Empírico

Pré-análise

Análise do material coletado (transcrição das sessões do estudo

de aula, diário de bordo e entrevistas) Organização do

material

Recortes do texto e agrupamento

Exploração do material (análise)

Codificação

Recorte, agregação das categorias e

enumeração

Unidades de Registro (UR)

Unidade Temática (UT)

Categorização

Princípios Criação das categorias de Análise

(CA) Tratamento dos

resultados e interpretações

Elaboração do

"Quadro 11"

(resultados da pesquisa)

Análise e interpretação dos

dados

6 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

Neste capítulo nos dedicamos a realizar o tratamento dos dados e interpretação com vistas a responder à questão de pesquisa: Quais aspectos do desenvolvimento curricular da Matemática do 3º ano do ensino fundamental são mobilizados a partir de um estudo de aula? Primeiramente, apresentamos o material empírico constituído ao longo do estudo de aula, analisando, refletindo e discutindo aspectos centrais relacionados ao desenvolvimento curricular no ensino da Matemática que emergiram, os quais constituíram as seguintes categorias de análise: Escolha do tópico curricular e definição dos objetivos; Planejamento; Bases teóricas e diretrizes curriculares;

Realização da aula; e Aprendizagens sobre o tópico curricular “divisão”.

No documento Estudos de Aula (páginas 90-95)